sexta-feira, 7 de março de 2008

Rostos (35)




Trabalhadores do carvão (Museu da Electricidade, Lisboa)

quinta-feira, 6 de março de 2008

Quando a rua é o último recurso... é porque os outros caminhos não existem

No Público de hoje, Idalina Jorge, numa carta ao director, testemunha sobre a sua profissão e sobre os motivos por que a rua é o último recurso. Razões, história e experiência que serão semelhantes às de muitos professores que, no sábado, vão passar pela mesma prova.
Exerço a docência desde Outubro de 1974 e nunca me vi obrigada a ir manifestar-me à rua por questões de natureza profissional. Sinceramente, sempre pensei que nunca seria necessário. As agendas sindicais nunca conferiram com as minhas agendas profissionais ou vice-versa. Saí à rua, ainda adolescente, para me manifestar contra a guerra colonial, saí à rua, já jovem adulta, pelo regresso dos militares das colónias, saí à rua, há oito anos, por Timor.
Ao meu 34.º ano de serviço, já passaram pelo Ministério da Educação mais de 20 ministros, uns melhores que outros, uns mais controversos que outros, gostei mais de Roberto Carneiro que de Diamantino Durão, geri escolas, exerci todos os cargos possíveis, formei professores em início de carreira e já integrados nela, ensinei funcionários a fazer requisições, balancetes e ofícios, recebi, divertida, altos funcionários que se deslocam a escolas da periferia de Lisboa, calçados de botas altas, como se fossem à apanha da batata ou à vindima, acompanhei à terra um ex-aluno ainda jovem adulto, que soçobrou à dependência de drogas, trabalhei muito, estudei muito e nunca tive de ir manifestar-me à rua.
Em toda a minha vida profissional participei em duas ou três greves que me causaram enxaquecas monumentais, em virtude do conflito ético em que me colocava ao fazê-las. Aos cinquenta e seis anos vou à rua pela primeira vez por motivos profissionais. Sou contra as aulas de substituição? Não sou. Já o manifestei publicamente, incluindo aqui. Sou contra uma direcção escolar unipessoal? Não sou, nem penso que a gestão colectiva seja necessariamente melhor ou mais democrática que uma gestão unipessoal. Sou contra a avaliação de desempenho? Não sou. Aliás, porque haveria de ser? O que não se consegue avaliar é ingerível.
Então porque é que, no próximo sábado, vou à rua? Eu acredito e entendo que os governos têm de ter uma agenda política, um programa, e que os devem levar à prática com firmeza e determinação: o que não está certo é que queiram fazê-lo à custa das pessoas, contra as pessoas, apesar das pessoas, atropelando, espezinhando e humilhando as pessoas, pondo em causa princípios de rigor, de justiça, de bom senso, desprezando as sucessivas chamadas de atenção dos profissionais, sobretudo daqueles que sabem o que dizem, e o dizem fundamentadamente. Quando todas as vozes dos melhores profissionais a chamarem a atenção para o caminho sem regresso foram ignoradas, quando todos os sinais de retorno foram de desprezo e de arrogância, como se pode esperar agora que os profissionais retribuam com tranquilidade e confiança? Este caminho está fechado.

terça-feira, 4 de março de 2008

As "verdades" de um ex-deputado em Setúbal ou os pontapés na cultura

Adenda em 9 de Março:
Transcrevo do der terrorist de hoje: «Sobre o post publicado no dia 3 de Março com o título 'adivinha': Pelas reacções na caixa de comentários é fácil perceber que cometi algumas incorrecções e publiquei outras tantas inverdades. Sim, inverdades, e não mentiras, porque a intenção nunca foi caluniar nem difamar quem quer que fosse. Simplesmente dar a conhecer o que supostamente teria acontecido. As nossas fontes, infelizmente às vezes falham. Foi o que aconteceu com a minha. Aos organizadores do colóquio; aos intervenientes no colóquio; aos professores e alunos do Liceu de Setúbal, e, principalmente ao visado no post, o meu pedido de desculpas.»
Também com data de hoje, o editor do mesmo blogue deixou-me a seguinte mensagem: «j simões disse... lamento que o tenha induzido em erro com a publicação do post 'adivinha'. eu próprio fui induzido nesse erro. a minha fonte falhou. aceite o meu pedido de desculpas. já tentei remediar a coisa, se é que tem remédio... - 9 de Março de 2008 19:28".
Fica bem este pedido de desculpas. Se a transcrição que para aqui fiz também induziu em erro, subscrevo o mesmo pedido. Entretanto, apaguei a transcrição, bem como o comentário que me tinha merecido.

Ficha de leitura (3) - Ben Schott e o sótão das utilidades

Na sobrecapa, apresenta-se como “um livro impossível de ler de uma assentada, mas igualmente impossível de pôr de lado”, como “uma singular colecção de incríveis trivialidades”.
Depois, o leitor começa a desfolhá-lo e, logo no início, na ficha técnica, tem o ISBN, mas também a sua explicação (que é coisa que não surge explicada nos outros livros). E volta a apresentar-se na página seguinte, deixando o leitor a pensar com as perguntas que lhe são atiradas de chofre, em enumeração: “Enciclopédia? Dicionário? Almanaque? Antologia? Léxico? Compilação? Lugar-comum? Anfiguri? Vade-mecum? Bem… sim. (…) É tudo isto e, claro, muito mais.”
Viaja-se, então, pelas páginas e é-se surpreendido pela variedade de conteúdos: lista de colectivos, dos símbolos químicos, dos filmes de Bond, dos óscares do séc. XXI, de expressões idiomáticas, das fobias, de divindades, dos países em que se conduz pela esquerda, de parónimas, de esquerdinos célebres… A atenção pode ainda recair sobre informações relacionadas com a História: rol dos Presidentes da República portugueses, dos Secretários-Gerais da ONU, das sete maravilhas do mundo antigo, das nove musas… Os saberes cruzam-se e amontoam-se: explica-se a escala de Richter, as compatibilidades dos grupos sanguíneos, o depósito legal, os graus maçónicos…
Será que isto chega para apresentar a pluralidade temática de A Miscelânea Original do inglês Ben Schott (Lisboa: Caderno, 2008)?
Mas há muito mais. Um jogo, por exemplo: e se quiser comprar chocolates, rosas, livros, vassouras, carne ou lubrificantes para motor nos mesmos que fornecem a rainha de Inglaterra? Pois lá estão os nomes. E se quiser a receita da caipirinha? E se quiser surpreender o seu amor em 43 diferentes maneiras de dizer “amo-te”? E se não se lembrar dos nomes dos sete anões? E, ao ler romances do século XIX, se não souber o código do duelo? E a que se devem as tão portuguesas obras de Santa Engrácia? E como estruturou Dante o inferno? E o que significam os símbolos que aparecem nas etiquetas interiores das roupas quanto à lavagem e limpeza? E qual era o jantar no Titanic em 14 de Abril de 1912? E o que é um pangrama? E como fazer um papillon ou enrolar um sari?
Coisas de nada, com interesse relativo, sobre as quais nos não interrogamos mas atrás das quais vamos. Coisas de somenos, que permitem um passeio pelo sótão dos conhecimentos e pelas lembranças de aprendizagens. Um livro que se pode consultar por curiosidade, puro passatempo, simples informação ou gozado intervalo. E que tantas coisas que já esquecemos e muitas mais que não sabemos!... Interessante e divertido. Em 160 páginas, que contemplam um índice e concluem com uma citação de Samuel Johnson: “Não há nada, Senhor, pequeno de mais para uma criatura tão pequena como o homem. É estudando as pequenas coisas que alcançamos a arte maior de ter o mínimo de infortúnio e o máximo de felicidade possíveis.”

O que os pais (não) devem querer

O texto que segue, sob o título acima, é de José Matias Alves e fui buscá-lo ao terrear. É de leitura obrigatória: pela mensagem, contra o espírito trauliteiro e demagógico que tem imperado em muitas considerações, porque sinto que é assim.

O que os pais devem querer, em primeiro lugar, é uma educação recta, justa, e digna para os seus filhos. Que atenda e respeite a sua singularidade. Que lhes transmita o património da humanidade. Que lhes ensine a capacidade de ver, de escutar, de ler o mundo e os outros. Que lhes ensine a respeitar os outros. Que lhes ensine a respeitar a autoridade e a exercer responsavelmente o direito à crítica e à divergência. Que lhes incuta o gosto de aprender, de ultrapassar obstáculos, de celebrar as vitórias sobre si mesmos.
O que os pais devem querer é que as escolas sejam casas de humanidade. Que sempre têm as portas abertas para os receber e acolher. Que trabalham 15 ou 16 horas por dia para atender uma grande diversidade de públicos. O que o pais devem querer é professores prestigiados e respeitados, competentes, dedicados, rigorosos. E que gostam de fazer o que fazem. E que gostam das crianças. E que sentem orgulho da sua profissão.
O que os pais não devem querer é que as escolas sejam depósitos de crianças. E os professores os tomadores de conta. O que os pais não devem querer são ambientes destrutivos e de cortar à faca. O que os pais não devem querer é que os professores passem grande parte do tempo a preencher papéis que nada melhoram os processos e os resultados do ensino. O que os pais não devem querer é que se transformem meios em fins. O que os pais não devem querer é ver professores desautorizados e esgotados.
Os pais (a maioria dos pais, não tenho dúvida) querem um futuro para os seus filhos. E isso passa obrigatoriamente por apoiar os professores no cumprimento da sua missão.

"A educação na hora da verdade"...

... foi o tema escolhido para o programa “Prós e Contras” desta noite. Para já, diga-se que o tema, assim apresentado, exigia unhas, isto é, carecia de muito mais rigor do que aquele que tem sido o característico neste tipo de debates, sob pena de se tratar apenas de um título bombástico.
Começo pelo aspecto menos positivo, o da moderação, sempre a insistir num empurrãozinho das respostas para coisas como: “justifica-se este conjunto de protestos [dos professores]?”, “a escola pública está a falhar?”, “devem ou não os professores ser avaliados?”, “pode-se implementar este sistema já?”. As perguntas quase nunca tiveram a resposta do “empurrão” e, quando a tiveram, foram acompanhadas por considerandos que não estavam previstos. Aliás, a apresentação do tema no início não deixou margem para dúvidas: “sem professores não há escola, mas a escola não é dos professores”, habilidoso jogo de palavras…
As personalidades “de referência” que a televisão convidou foram, afinal, muito críticas para o sistema e para toda a história que tem estado a correr: “a avaliação dos professores é complexa” (João Lobo Antunes), “as quotas é instrumento a usar em último caso” (Luís Palha), “tem que haver apaziguamento e uma experimentação antes de o modelo ser aplicado a 200 mil pessoas” (António Câmara), “o sistema político procura culpabilizar os corpos profissionais que estão lá e a demonização dos professores gerou uma revolta que ultrapassa a dimensão corporativa” (Vila Verde Cabral), “esta crise é uma enorme falta de diálogo, o processo está inquinado e o ME deveria ter publicado o referencial teórico de suporte” (Estêvão de Moura). João Lobo Antunes foi mesmo mais à frente sugerindo que “tem que haver mediadores”, porque “há um desacordo e tem que ser negociado esse desacordo”, tendo-lhe a moderadora perguntado se estaria disponível para ser mediador… Está, então, justificado um eventual recurso à mediação no futuro.
Mas, pelo caminho, várias coisas vieram à superfície, que têm muito a ver com a situação que se faz sentir na escola e que não estão alheias a todo este descontentamento do grupo dos professores: a falta de autoridade do professor (e seria de prestar atenção à formulação de João Lobo Antunes quando disse que “o respeito pelos professores é um valor moral fortíssimo”), a educação como processo “plástico e singular”, o desencanto com os programas e curricula que existem presentemente, a necessidade de a escola preparar os alunos para a vida difícil, a dificuldade de a escola competir com o exterior, a necessidade de os pais colaborarem e participarem na escola.
Os discursos não se deixaram inquinar, felizmente. E teria sido bom que professores dos níveis de ensino em discussão interviessem, para não serem apresentados apenas como um dos extremos, num jogo de oposição ao Ministério. Essa imagem, apesar da “revolta”, não é a verdadeira, porque se falou da escola pública, tutelada pelo Ministério, onde professores e alunos trabalham e onde a sociedade deve colaborar.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Daniel Sampaio e o "fim" do Estatuto do Aluno

Na revista "Pública" de ontem (com o jornal Público), Daniel Sampaio entrou, uma vez mais sobre as questões que têm "animado" o conflito patente no sector da educação, escolhendo o "Estatuto do Aluno dos Ensinos Básico e Secundário". Transcrevo o artigo pelo seu interesse. Mas não queria deixar de acrescentar uma nota: é que este "Estatuto", publicado como "alteração à Lei 30/2002", foi também uma das causas da situação que se está a viver, contrariamente ao que muita gente diz, referindo-se apenas à avaliação e ao "Estatuto da Carreira Docente" e acrescentando o corporativismo... Depois, o "Estatuto do Aluno", que foi apresentado pelos responsáveis do Ministério da Educação como o instrumento que iria conferir autoridade aos professores... acabou por ser suspenso. Ironias do destino!
Porque sim - O FIM DO ESTATUTO
O Ministério da Educação (ME) tomou a decisão de suspender a aplicação do Estatuto do Aluno até ao próximo ano lectivo (circular para as escolas em 21/2). Com esta decisão matou uma das suas obras mais recentes, na tentativa de acalmar a contestação crescente em todas as escolas.
Tenho denunciado nestas crónicas a lamentável burocracia a que o ME tem obrigado os professores: a avaliação dos docentes, o decreto sobre as necessidades educativas especiais e as faltas dos estudantes fazem com que se consumam horas de trabalho, que deveriam ser utilizadas a falar com os alunos ou na definição de estratégias pedagógicas. E para quê? Uma única explicação ganha forma: o ME não fala verdade quando defende a autonomia e deixa, a cada dia que passa, a ideia de que tudo quer controlar por via legislativa.
O Estatuto do Aluno é um documento errado no seu conteúdo, impossível de aplicar na prática e potenciador de conflitos entre pais, alunos e professores. Foi suspenso, mas já causou danos. Vejamos porquê.
1) Não faz distinção entre faltas justificadas e injustificadas, ao contrário do que sempre aconteceu. Desta forma, o ME trata da mesma forma o aluno que faltou por doença e aquele a quem não apeteceu comparecer na escola.
2) O aluno terá de realizar uma "prova de recuperação" quando exceder o limite de faltas. Se um aluno esteve internado num hospital, por exemplo, quando vier fazer a "prova" correrá o risco de não ter sucesso, dado que não assistiu às aulas respectivas; se efectivamente abandonou a escola, para que serve a "prova"? Por que razão se altera a prática de ser o Conselho de Turma a decidir, tendo em conta todas as circunstâncias?
3) Para a realização da "prova de recuperação", o Director de Turma (DT) terá de avisar com urgência o professor respectivo, para que este elabore a tal "prova"; depois, deverá dar conhecimento ao Encarregado de Educação. Com 16 disciplinas no 8º ano (por ex.) e a diversidade de horários existente, agora com a obrigatoriedade urgente do controlo das faltas, depressa se compreende como as importantes funções do DT ficam prejudicadas, pois não lhe sobrará tempo para falar com os alunos ou os pais em questões decisivas, como o aproveitamento e os problemas pessoais dos mais novos. Este ME acaba de reduzir o DT a um burocrata!
4) Sabendo toda a gente como existem tantos alunos a faltar (sobretudo em zonas problemáticas), não se percebe a viabilidade de realização de tantas provas de recuperação, pois como poderia ser encontrado um horário compatível para docentes e discentes? Por que razão não se utiliza apenas bom senso, solicitando ao professor um trabalho adicional, a combinar entre si e o aluno faltoso, como é habitual em tantos estabelecimentos de ensino? O que o ME propõe com tanta "prova" leva ao que várias escolas me têm confidenciado: a única solução será uma época "especial" de avaliação para as ditas "provas"!
5) No que diz respeito a "medidas disciplinares sancionatórias", o ponto 4 do Art. 27º diz ser preciso ouvir os alunos em "autos". Para além da desagradável expressão (a lembrar os arguidos dos tribunais), a medida tem levado a grande consumo de horas em escolas problemáticas, em vez de se ter reforçado a actuação imediata do professor ou da Direcção Executiva.
6) Lendo com atenção o Estatuto, deduz-se que a sua preocupação se prende com a redução estatística do abandono escolar, ignorando todas as outras vertentes do problema, já que o texto do ME é omisso em medidas que visem as melhorias das aprendizagens.
7) O diploma em causa foi suspenso um mês depois da sua entrada em vigor. Não houve cuidado em pensar nos Regulamentos Internos das escolas, dados a conhecer aos alunos e aos pais no início do ano lectivo. Uma lei que implica tantas alterações ao normal funcionamento das escolas e às suas normas (em muitas escolas resultantes de acordos com as famílias) nunca deveria ter saído a meio do ano lectivo. Mais: se por um lado se saúda a sua suspensão, por outro há que lamentar todo o tempo que este Estatuto já fez perder aos professores, tantas as horas que já foram gastas na tentativa da sua aplicação. Por isso afirmo: o Estatuto tem de estar morto, nunca apenas suspenso.

domingo, 2 de março de 2008

Rostos (34)

Figuras mitológicas, no Jardim Zoológico de Lisboa

sábado, 1 de março de 2008

O parâmetro ético

No debate na Assembleia da República de ontem, veio à sessão o parâmetro que foi proposto para a avaliação dos professores, na sua dimensão ética, no Agrupamento de Escolas Correia Mateus, em Leiria, elaborado com o seguinte texto: "Verbaliza a sua insatisfação/satisfação face a mudanças ocorridas no sistema educativo/na escola através de críticas destrutivas potenciadoras de instabilidade no seio dos seus pares."
A Ministra da Educação referiu, à saída, que essa proposta já fora rejeitada pelo Conselho Pedagógico desse Agrupamento. Pelos vistos, parece que não foi. Interessante se torna ler o que disse a Presidente do referido Agrupamento, conforme transcreve o Público:
«(…) a presidente do Agrupamento de Escolas Correia Mateus, em declarações ao jornal Região de Leiria, justificou a proposta. ‘Esse parâmetro vale zero’, referiu Esperança Barcelos. Os outros que o acompanham - como o que afere a verbalização da satisfação ou insatisfação face às mudanças de ‘forma serena e fundamentada através de críticas construtivas’ - é que serão valorizados de forma crescente, até à nota máxima. Ao mesmo jornal Esperança Barcelos esclareceu que quem é crítico da actual política pode ter nota máxima neste item. ‘Um colega crítico pode ter valorização máxima, desde que não crie instabilidade nos colegas e que nos órgãos próprios manifeste a sua opinião.’»

Na verdade, o sistema de avaliação de professores que o Ministério da Educação está a implementar não é assim tão inócuo como isso, não é assim tão "bom" como a Ministra deu a entender em recente programa televisivo, argumentando que se é avaliado “pelos pares” e por quem os avaliados “elegeram”. Não é assim, porque é possível aparecerem parâmetros tão estapafúrdios como o que tem sido notícia; não é assim, porque as avaliações não vão ser feitas por eleitos, mas por nomeados (logo que entre em vigor novo modelo de gestão).
O parâmetro acima transcrito pode ser uma caricatura (como a Ministra da Educação tem referido que são as coisas a que os discordantes se agarram), mas, como caricatura, aconteceu! Mesmo sendo proposta, fica provado que está aberta a porta para uma avaliação que pode ir muito para lá do que é ser professor… e do razoável!

No Portinho da Arrábida, anos 40

Portinho da Arrábida, por Hélène de Beauvoir
O quadro "Portinho da Arrábida", de Hélène de Beauvoir, surgiu reproduzido num número da revista Panorama, em 1941. Hélène de Beauvoir (1910-2002), irmã de Simone de Beauvoir (cujo centenário de nascimento passou em Janeiro) viveu em Portugal nos anos 40, altura em que o seu marido, Lionel de Roulet, foi redactor da revista cultural luso-francesa Afinidades (publicada em Faro, entre Setembro de 1942 e Novembro de 1946, com colaboradores como José Cardoso Pires, Luiz Pacheco, Abel Salazar, André Breton, Jean-Paul Sartre, Mário Dionísio, entre outros), ao mesmo tempo que responsável pela "Alliance Française" naquela cidade. Na Universidade de Aveiro, há uma sala que perpetua o nome de Hélène Beauvoir.