quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Dia Mundial do Livro...



... é hoje! Uma celebração que vale a pena.

terça-feira, 22 de Abril de 2014

Para a agenda: Sérgio Godinho e "A Naifa" nos 40 anos do 25 de Abril



Dois momentos importantes de espectáculo e de festa dos 40 anos do 25 de Abril em Setúbal: Sérgio Godinho, a 24, e "A Naifa", a 25. Para a agenda!

segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Para a agenda: Militares, política e o 25 de Abril, em Setúbal



Para o serão de 25 de Abril, muitas das histórias que o fizeram. Militares e política - O 25 de Abril, sexta, pelas 22h00, na Casa da Cultura, com João Madeira e Luísa Tiago de Oliveira, a autora. Para a agenda.

Para a agenda - 40 poemas de Abril, pela Casa da Poesia



40 poemas para 40 anos do 25 de Abril. Uma partilha de poetas com os leitores, uma partilha do 25 de Abril, uma partilha de poesia, uma partilha. O 25 de Abril com poemas, um por cada ano da idade da data. Em 25 de Abril, pelas 17h00, no edifício da Câmara Municipal de Setúbal. Para a agenda!

quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Memória: Joana Luísa da Gama (1923-2014)



Em que data conheci a Joana Luísa? Não o sei. Tenho a sensação de que a conheço desde sempre, tão aberta e certa foi a nossa relação ao longo dos tempos: da minha parte, porque queria saber sobre o Sebastião da Gama e a sua obra; da parte de Joana Luísa, porque gostava de falar sobre o seu Sebastião e a sua poesia, porque gostava de mostrar a obra do marido, porque acalentava docemente a memória e preservava fervorosamente a obra do seu poeta.
Desde que, num dia cuja data desconheço, a contactei para saber coisas sobre o poeta e a sua ligação à revista Távola Redonda (1950-1954), nunca mais nos esquecemos de contactar.
O que mais admirei na sua postura foi a atitude de franqueza e de abertura relativamente a tudo o que a Sebastião da Gama dissesse respeito e o facto de não esconder o espólio, a obra, os sentimentos, a emoção que por ele nutria.
Quando foi criada a Associação Cultural Sebastião da Gama, a que fui chamado a presidir, o apoio de Joana Luísa foi incansável. Queria que a obra do marido fosse conhecida, sentia-se feliz porque tinha uma instituição que a ajudaria a divulgar a obra e a mensagem do seu Sebastião. Fui a múltiplas sessões, em escolas e em associações, sempre tendo por companhia a pessoa de Joana Luísa, numa posição de testemunhar, de ensinar, de oferecer a partilha.
Fizemos vários quilómetros e sempre a Joana Luísa trazia um sorriso estampado depois de ajudar a apresentar o homem e o artista que se revelava através dos versos. E era vê-la, radiante e disponível, no fim de cada sessão, conversando com alunos e com professores que ainda queriam saber mais!...
Aprendi muito com Joana Luísa. Sobre os afectos e sobre a figura gigantesca que Sebastião da Gama foi, sobre o empenho cultural, sobre a intervenção cívica, sobre…
Quando, há dois anos, um avc afectou Joana Luísa, as coisas mudaram: deixei de poder contar com a sua presença, a sua tolerância e os seus ensinamentos. Fui deixando de poder contar com o seu saber e com a sua memória. As histórias foram-se apagando ao ritmo que a vida se esvaía e fui-me habituando a ter de viver sem a segurança que constituíam o saber e a experiência de Joana Luísa.
Quando ontem pela manhã, indo a caminho de Lisboa, a sobrinha Ana me telefonou a comunicar que Joana Luísa partira na noite de terça-feira, não me espantei, pois o momento era já esperado, ainda que não desejado. A falta passaria a definitiva e a tristeza desta irreversível separação dominou-me.
Se a obra de Sebastião da Gama é hoje conhecida a Joana Luísa o devemos. Ao ter vivido mais de 60 anos de viuvez divulgando a obra do marido, foi Joana Luísa quem tornou possível o conhecimento da obra do poeta e do professor. Não fosse a sua força e, hoje, talvez não soubéssemos o que tinha sido o seu Diário; não fosse o seu empenho e hoje talvez ignorássemos o ritmo e as verdades de máximas como “Pelo sonho é que vamos” ou “o segredo é amar”… Com efeito, a obra publicada como póstuma de Sebastião da Gama é também acção sua, obra sua. Legitimamente. Sebastião da Gama poderia ter sido apenas o autor dos três livros de poesia que publicou em vida e, provavelmente, seria um autor esquecido, menor no contexto da literatura portuguesa. Mas Joana Luísa manteve as amizades do marido, não escondeu o acervo legado, permitiu que se estudasse a sua obra, contribuiu enormemente para a divulgação do poeta.
Devo-lhe grande parte do que sei sobre Sebastião da Gama. Devo-lhe a amizade e o respeito. Devo-lhe essa revelação do quão grande o poeta era. É essa memória que quero conservar. Tal como quero imaginar que, agora, lhe será possível o máximo encontro com o seu poeta, o gozo da eternidade, a continuação da história que, num dia de 1946, Sebastião da Gama lhe prometeu num poema como “Madrigal”.
Obrigado, Joana Luísa!
Ler mais aqui.
[Foto: Joana Luísa, numa ida à Arrábida, em Alportuche, em Maio de 2006]

quarta-feira, 16 de Abril de 2014

Para a agenda: Setúbal tem 154 anos de cidade



Em 19 de Abril, Setúbal assinalará o 154º aniversário da sua elevação a cidade. O programa preparado pela Câmara Municipal faz a ponte entre o passado e uma cidade do futuro. Para a agenda!

segunda-feira, 14 de Abril de 2014

Monumentos aos Combatentes da Grande Guerra e do Ultramar em livro



São três centenas e meia de páginas de registo fotográfico aquelas que constituem a obra Monumentos aos Combatentes da Grande Guerra e do Ultramar, produzida pela Liga dos Combatentes (Lisboa: 2013), divulgando pouco mais de trezentas evocações de arte pública sobre o tema, sendo que um terço se relaciona com a Grande Guerra e as restantes com as campanhas no Ultramar, embora alguns dos monumentos correspondam à memória de uns e de outros.
Nas palavras do general Chito Rodrigues, presidente da Liga dos Combatentes, constantes no “Proémio”, a justificação da obra é pertinente: “que este livro seja inspirador do estudo da História, da promoção do amor à Pátria, em especial junto da juventude, bem como da defesa intransigente dos valores morais e históricos de Portugal.”
Os monumentos são documentos importantes para se atestar a memória de um povo. E praticamente não há recanto de Portugal que não possua o seu busto, a sua estátua, num desafio à acção do tempo e num perpetuar de uma obra válida. No que respeita aos combatentes, essa presença é demasiadamente evidente, associando com frequência o monumento a propósito à toponímia.
Esta obra dá conta dessa intensa presença dos combatentes na memória, construída sobre fotos existentes no acervo da Liga dos Combatentes, organizadas por distrito e, em cada um deles, por ordem alfabética das localidades, divididas essas obras de arte pública nos grupos dos combatentes da Grande Guerra e dos combatentes do Ultramar.
Interessante do ponto de vista de recolha e levantamento das obras existentes (o esforço de registo trouxe mesmo ao leitor a listagem dos monumentos portugueses no estrangeiro), o livro poderia conter alguma informação condensada sobre cada uma das obras apresentadas que fosse além da indicação do autor do projecto e do ano de inauguração, dados que nem estão presentes em todos os casos.
Da lista dos monumentos alusivos à Grande Guerra são os seguintes os marcos apresentados: a) Aveiro: Anadia (1929), Aveiro (1934), Espinho (1957), Espinho – Regimento de Engenharia 3 (sem data), Estarreja (1922), Ílhavo (1924), Murtosa (1929), Oliveira de Azeméis (1930), Oliveira do Bairro (1926), Ovar (1925), São João da Madeira (1937) e Vagos (1923); b) Braga: Barcelos (1930), Braga (s.d.), Fafe (1931), Vila Nova de Famalicão (1927) e Vila Verde (1931); c) Bragança: Bragança (1928); d) Castelo Branco: Castelo Branco (1924), Covilhã (1930) e Penamacor (1921); e) Coimbra: Coimbra (1932), Condeixa a Nova (1921), Figueira da Foz (1928), Lousã (1927), Mira (1932), Oliveira do Hospital (1935), Penacova (s.d.), Penela (s.d.), São Pedro de Alva (s.d.), Soure (1934) e Vila Nova de Oliveirinha (1941); f) Évora: Estremoz (1941), Évora (1933), Évora – Regimento de Artilharia Ligeira 3 (s.d.), Montemor o Novo (1923), Reguengos de Monsaraz (s.d.) e Vendas Novas (1927); g) Faro: Lagos (1940) e Tavira (1933); h)Guarda: Almeida (1940), Guarda (1940), Pinhel (1922) e Vila Nova de Foz Coa (s.d.); i) Leiria: Batalha (1921), Caldas da Rainha (na Escola de Sargentos do Exército, 1953), Cortes (1919, o mais antigo em Portugal, de acordo com os registos das datas indicados), Leiria (1929), Marinha Grande (1935), Monte Redondo (s.d.) e São Mamede (s.d.); j) Lisboa: Alenquer (1959), Arruda dos Vinhos (1929), Cascais (1925), Lisboa (1931), Lisboa – Alto de S. João (1929), Lisboa (Regimento de Artilharia Ligeira (1987), Lisboa – Regimento de Engenharia 1 (s.d.), Loures (1929), Oeiras (1940) e Sintra (1940); k) Portalegre: Elvas (1938) e Portalegre (1935); l) Porto: Marco de Canavezes (1927), Penafiel (1927), Porto (1928), Póvoa de Varzim (1933), Vila do Conde (1932) e Vila Nova de Gaia (1925); m) Santarém: Abrantes (1940), Cartaxo (1922), Mação (1938), Santarém (1932), Tancos – Escola Prática de Engenharia (s.d.), Tomar (1932), Torres Novas (1927) e Vila Nova da Barquinha (1936); n) Setúbal: Palmela (2012, o mais recente memorial em homenagem aos mortos da Grande Guerra, particularmente aos naturais do concelho), Seixal (1934) e Setúbal (1931); o) Viana do Castelo: Valença (1951) e Viana do Castelo (1922); p) Vila Real: Chaves (1922), Mondim de Basto (1930) e Vila Real (s.d.); q) Viseu: Lamego (1932), Tondela (s.d.) e Viseu (1928); r) Açores: Ponta Delgada (1936) e Vila do Porto (1929); s) Madeira: Funchal (1936). Na Figueira da Foz, consta ainda o monumento a António Gonçalves Curado, o primeiro soldado português a morrer na Flandres. A lista é ainda completada com os monumentos portugueses no estrangeiro: a) Angola: Gabela (s.d.), Luanda (1934), Luena (s.d.) e Môngoa (s.d.); b) França: Ambleteuse (1919, com a indicação de ser o “primeiro monumento erguido no mundo em memória dos combatentes da Grande Guerra”, iniciativa da Cruz Vermelha Portuguesa em 30 de Junho de 1919), La Couture (1928) e Richebourg – L’Avoué (dois, s.d.); c) Macau (1938); d) Moçambique: Maputo (1929) e Mecula (s.d.).
A lista dos monumentos alusivos aos combatentes do Ultramar compreende os seguintes, grande parte deles erigidos no século XXI: a) Aveiro: Anadia (sem data), Antes (2009), Arouca (2010), Castelo de Paiva (2000), Dornelas (2009), Ílhavo (2008), Oliveira de Azeméis (2001), Oliveira do Bairro (2005) e Sever do Vouga (s.d.); b) Beja: Beja (2009), Castro Verde (2002 e 2011), Cuba (1997), Mértola (2013), Moura (2010) e São Teotónio (2011); c) Braga: Barcelos – Oliveira (2008), Cabeceiras de Basto (2005), Esposende (2011), Esposende – Antas (s.d.), Fafe (2005) e Louredo (2013); d) Bragança: Bragança (2004), Mirandela (2006) e Torre de Moncorvo (2013); e) Castelo Branco: Belmonte (2005), Orjais (2008), Penamacor (2011), Silvares (1976), Teixoso (2008), Tortosendo (2002), Unhais da Serra (s.d.) e Vila Velha de Ródão (2008); f) Coimbra: Arganil (2004), Cantanhede (2005), Carapinha (2010), Coimbra (1971), Cordinhã (2009), Covas (s.d.), Figueira da Foz (2009), Góis (2005), Midões (2008), Pomares (2006) e Tábua (2007); g) Évora: Borba (2007), Mora (2010) e Reguengos de Monsaraz (2001); h) Faro: Albufeira (2008), Faro (2009), Lagoa (1993), Olhão (2013) e Vila Real de Santo António (2011); i) Guarda: Aguiar da Beira (s.d.), Forninhos (2011) Freixo (2012), Gouveia (2011), Guarda (s.d.), Horta do Douro (2012), Manteigas (2007), Mêda (2004), Sabugal (2012), Santo Estêvão (2012), Seia (2008), Seixas (2012), Vale de Espinho (s.d.) e Vila Nova de Foz Coa (2011); j) Leiria: A-do-Barbas (2009), Abiul (2012), Alcobaça (2001), Almoinha Grande (2004), Alvados (2013), Alvorninha (2013), Arrimal (2012), Atouguia da Baleia (2009), Bajouca (2012), Barreira (2010), Benedita (2010), Burinhosa (1988), Leiria (1966 e 2009), Maiorga (1973), Marinha Grande (1965), Marrazes (2011), Moita (s.d.), Monte Real (2013), Ortigosa (2010), Pataias (2005), Pedrógão Grande (s.d.), Pombal (2006), Reguengo do Fetal (s.d.), Santa Catarina da Serra (2012), São Martinho do Porto (2009) e Souto da Carpalhosa (2009); k) Lisboa: Aveiras de Cima (2002), Azambuja (1973), Azueira (2011), Cadaval (2013), Carnaxide (1972), Cascais (1972), Covas de Ferro (2013), Encarnação (2002), Igreja Nova (2009), Lisboa (1994), Lisboa – Regimento de Lanceiros (1987), Lisboa – Regimento de Transportes (1987), Lourinhã (2005), Mafra (1988), Moledo (2005), Oeiras (1997) e Torres Vedras (2003); l) Portalegre: Elvas (2008), Gavião (2009), Sousel (1964) e Vila Boim (2009); m) Porto: Águas Santas (2005), Amarante (s.d.), Arcozelo (s.d.), Ermesinde (2009), Fânzeres (1971 e 2008), Felgueiras (2009), Freamunde (s.d.), Lavra (2009), Lixa (2009), Lousada (2008), Marco de Canavezes (2005), Matosinhos (2011), Paranhos (2010), Paredes (2009), Santo Tirso (2002), Senhora da Hora (2013), Vila Chã (s.d.), Vila do Conde (2010) e Vila Meã (2012); n) Santarém: Almeirim (2009), Arronquelas (2009), Chamusca (1982), Entroncamento (2005), Fátima (1997), Glória do Ribatejo (2013), Lapa (2011), Mação (2009), Malaqueijo (2013), Marinhais (2008), Ourém (1991), Rio Maior (2005), Tancos (1968), Tomar – Regimento de Infantaria 15 (s.d.), Rodrigos (1974) e S. Sebastião (2013); o) Setúbal: Alcácer do Sal (2013), Pinhal Novo (2012) e Sesimbra (2008); p) Viana do Castelo: Barroselas (2001), Monção (2008 e 2012), Vila Nova de Cerveira (2008) e Vila Praia de Âncora (2009); q) Vila Real: Chaves – Regimento de Infantaria (s.d.), Mondim de Basto (2001), Montalegre (2005), Ribeira de Pena (2009), Sanfins do Douro (2005), Valpaços (2011) e Vila Real (2000); s) Viseu: Beijós (2008), Campia (1999), Canas de Senhorim (2009), Currelos (2007), Mangualde (2010), Nagosela (2012), Penedono (2011), Repeses (2001), Santa Comba Dão (2010), Santar (2005), Tondela (2002) e Vila Chã da Beira (1966); t) Açores: Angra do Heroísmo (2000), Horta (2005), Lagoa (2004), Lajes do Pico (2007), Madalena do Pico (2011), Ponta Delgada (2005), Praia da Vitória (1997), Santa Cruz da Graciosa (2010), S. Mateus da Calheta (2001), S. Roque do Pico (2005), Terra Chã (2004) e Vila Nova do Corvo (2004); u) Madeira: Funchal (2003), Machico (2013) e S. Vicente (2013). A lista é ainda preenchida com os monumentos portugueses no estrangeiro: a) Bósnia; b) Canadá: Toronto (2010), Winnipeg (2009); c) Estados Unidos: Lowell (2000).
O monumento mais antigo será, em concordância com as datas fornecidas, o de Sousel, de 1964; no ano de 2013, várias localidades foram contempladas com um monumento em memória dos Mortos do Ultramar.
O livro fecha com a força da palavra memória, fotografada a partir de uma inscrição e registada na contracapa: "À memória de todos os soldados que morreram ao serviço de Portugal".

sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Para a agenda - Agostinho da Silva e Sesimbra



Pedro Martins e António Reis Marques assinam os trabalhos que levam ao encontro com Agostinho da Silva em Sesimbra, prefaciado por António Cândido Franco. Uma produção do Centro de Estudos Bocageanos para a sua colecção "Clássicos de Setúbal". Na Casa da Cultura, em Setúbal, às 16h30. Para a agenda.

Para a agenda - Dina Barco e Zé Nova, a dupla num livro



Dina Barco nas palavras. Zé Nova nos desenhos. Os nossos olhos sobre as páginas de Poemas para nada, saído da imaginação dos dois. Na Casa da Cultura, em 12 de Abril, pelas 21h30. Para a agenda.

Para a agenda - Manuel da Silva Jorge em "Manuel de Instruções"



Manuel Silva Jorge apresenta Manuel de Instruções. Na Casa da Cultura, em 12 de Abril, às 15h00. Para a agenda.

Para a agenda - Associação Agostinho da Silva convida


Ao assinalar o 20º aniversário da partida de Agostinho da Silva, a Associação que o tem como patrono promove uma série de eventos em Setúbal. No dia 12: "O céu 'strela o azul e tem grandeza. António Vieira e Agostinho da Silva: nexos e extrapolações", por Ricardo Ventura, na Casa do Bocage. Para a agenda.

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

Alves Redol inicia "Livros Proibidos" no "Público"



Com a edição do Público de hoje começou a ser publicada a colecção “Livros Proibidos”, de autores portugueses, em edições facsimiladas, cada uma delas inserindo o relatório do censor em que a proibição é justificada. Obras com primeira edição surgida entre a década de 1930 e a de 1960, todas demonstram até onde iam os argumentos da censura, que zelava pela manutenção da ordem e dos bons costumes.
A lista compreende treze títulos, com saída a ritmo semanal, e foi iniciada com Gaibéus, de Alves Redol, impresso no final de 1939. Considerado hoje um dos títulos mais importantes do Neo-Realismo, este romance de Redol foi proibido por despacho de 26 de Abril de 1940, dizendo o censor estar-se perante “um autor de forte poder de análise”, com um livro que, “além de juntar a cores fortes um quadro de miséria dolorosa, foca também o aspecto social do drama dos humildes ceifeiros”. Como resultado, não se está perante “um livro revolucionário porque os personagens são humildes mesmo perante a brutalidade dos capatazes”, mas… o último parágrafo do parecer justifica a proibição: é que “há páginas neste livro que chocam pelo realismo, que nalgumas se transforma em pornografia e prejudiam o seu incontestável valor.”
Os outros doze títulos que compõem a série são: Histórias de Amor (1952), de José Cardoso Pires (em 17 de Abril); Fátima: Cartas ao Cardeal Cerejeira (1955), de Tomás da Fonseca (em 24 de Abril); Povo (1947), de Afonso Ribeiro (em 1 de Maio); Quando os Lobos uivam (1958), de Aquilino Ribeiro (em 8 de Maio); O Encoberto (1969), de Natália Correia (em 15 de Maio); Vagão J (1946), de Vergílio Ferreira (em 22 de Maio); Rã no Pântano (1959), de António de Almeida Santos (em 29 de Maio); Minha Cruzada Pró-Portugal: Santa Maria (1961), de Henrique Galvão (em 5 de Junho); Um Auto para Jerusalém (1964), de Mário Cesariny de Vasconcelos (em 12 de Junho); Diário VIII (1959), de Miguel Torga (em 19 de Junho); Refúgio Perdido (1950), de Soeiro Pereira Gomes (em 26 de Junho); Escritos Políticos (1969), de Mário Soares (em 3 de Julho).

David Magno, um português em La Lys, em 9 e 10 de Abril de 1918



[9 de Abril] “O bombardeamento aberto às 4h15 vai alastrando, crescendo e aproximando-se como um imenso incêndio numa seara. (…)
Estou (…) assistindo (…) ao bombardeamento, ao despejo contínuo dessa cornucópia infernal, que em volta de nós vasa projécteis espantosos, muitos dos quais de trajectória mais curva se ouvem vir, uivando e dando a impressão da morte, a chegar de instante a instante!
A terra treme, o ar vibra, o arvoredo geme e a minha caserna oscila até aos alicerces. Nos seus subterrâneos, como os antigos cristãos que esperam a hora de serem lançados às feras, um punhado de almas rezam a oração do amor da Pátria e um punhado de corações batem uníssono de amor à vida. A igualdade da adversidade os une. Só eu não rezo, com medo de ter medo, mas em compensação alguém o faz por mim!
A ferme vai-se desconjuntando até que por fim vem a ser devorada pelo incêndio. Por aqui e por ali os tectos voam, as paredes fendem e os adobes despenham. A padieira e os umbrais a que me encosto esmagar-me-ão, mas… este é o lugar que o meu brio me determina! (…)
Chamo os poucos homens que me restavam, formo-os e parto mas, entretanto, a deslocação de ar produzida por uma granada de grande calibre sacode-nos. Os meus soldados lançam-se por terra para escaparem aos estilhaços e alguns até correm a procurar abrigos detrás das paredes de lona de uns anexos ao alojamento como se fossem paredes de aço! Depois erguem os olhos espavoridos para mim que, levantado, tenho rebuço de curvar a cabeça à morte que passa e continua a passar, assobiando árias macabras…
O espectáculo é como os nossos sentidos, habituados a bombardeamentos, jamais tinham visto. Campos de esmeralda a serem pontuados pelas explosões. Altos choupos decepados como vidas que desaparecem. O nevoeiro a envolver tudo em mais escura tragédia, porque o sol se recusa a iluminá-la. (…)”

[10 de Abril] – “Neste segundo dia, o fogo passou a ser mais renhido, incluindo granadas de gás, e as perdas sensíveis , principalmente entre os escoceses.
Com efeito, adiante de nós todos, nas primeiras e segundas linhas, já não existe desde ontem senão um extenso sepulcro português. Tantos corpos desfeitos na lama flamenga, embora com suas almas nimbadas de glória, devem sentir o peso das tropas e viaturas de um exército imperial. Os que não se renderam morreram. Sem dúvida, os mais heróis são estes. Os mais habitual e ingratamente esquecidos os mesmos. Mártires todos, sem deixar de contar os mutilados, feridos e gaseados. A aumentar o horroroso quadro, cadáveres inimigos em número muito superior se misturam com aqueles. Bandos de corvos, como águias negras, prussianas, vão assinalando a marcha vitoriosa.”
David Magno. Livro da guerra de Portugal na Flandres (vol. 1).
Porto: Companhia Portuguesa Editora, 1921

quarta-feira, 2 de Abril de 2014

Hoje, Dia Internacional do Livro Infantil



Em prol da leitura, do livro, do crescimento saudável e de Andersen, o Dia Internacional do Livro Infantil, a assinalar o dia em que o seu patrono nasceu quando corria o ano de 1805 (justamente o ano em que Bocage viria a falecer).

Vicente Penim, um setubalense na Grande Guerra


«Ontem, pelas 15 horas e 25 minutos, na altura em que passava pela Rua 24 de Julho o eléctrico 328 repleto de passageiros, o conhecido e destemido gatuno Farruca dos Santos agarrou o eléctrico e meteu-o debaixo do braço desaparecendo para nunca mais ser visto. A polícia procura o paradeiro do gatuno e do eléctrico.»
Surrealista? Talvez. Seu autor? Um combatente setubalense na Flandres, em data incerta, entre 1917 e 1918. Objectivo? Aligeirar a tensão e alegrar os ânimos dos camaradas, oficiais incluídos, todos habituados ao sofrimento da guerra, inventando histórias que eram comunicadas como notícias, em imitação de leitura num qualquer número do Século ou do Diário de Notícias, nas edições que conseguiam chegar ao campo de batalha.
Socorro-me do testemunho de Pedro de Freitas (1894-1987), que foi contramestre de clarins do Batalhão de Sapadores de Caminhos de Ferro e rumou em 1917 para a Flandres, tendo, duas décadas depois, partilhado as memórias desse tempo na obra As minhas recordações da Grande Guerra (Lisboa: 1935), título que albergou também a sua lembrança do cruzamento e do contacto com o setubalense Vicente José da Silva Penim (1888-1957), ferreiro de profissão e, depois da Guerra, operário na Fábrica de Material de Guerra.
No retrato deste setubalense sobressai a sua faceta de bem-disposto, homem de narrativas interessantes, com refinado humor (como se depreende da “notícia” sobre o roubo do eléctrico) e também a de poeta, que, não tendo publicado livro, teve a sorte de encontrar Pedro de Freitas, responsável por ter passado a escrito os seus versos, por vezes entoados com o acompanhamento de uma improvisada guitarra de latão.
Os poemas que estão reproduzidos na obra acima mencionada versam o quotidiano dos soldados portugueses na Flandres, por vezes manifestando a opinião corrente, outras vezes satirizando situações, outras ainda evocando momentos desse dia a dia. Num dos poemas, Penim deixa passar o paradoxo do que é estar na guerra: “Guerra medonha, odiosa, / Que obrigas a criatura / A procurar sepultura / Na idade mais ditosa. / Tua atitude horrorosa / Como ambição encarei, / Razão porque detestei / O teu bárbaro destino: / Fazes de mim assassino / Obrigado pela lei.”
Num outro poema, em que relata o sofrimento sentido em La Lys em 9 de Abril de 1918, evoca a figura da mãe para redobrar a coragem no combate contra o alemão, como sugere no mote: “Quando a forte artilharia / Produz a explosão, / Julgo ver-te, pobre mãe, / Entre o fumo do canhão.” As décimas seguintes serão explícitas – logo a primeira: “Nesta guerra envolvido / Tendo da vitória a esperança, / Para defender a França / Eis-me pronto e decidido. / Ao lembrar-me o lar querido, / Fonte da minha alegria, / Profunda melancolia / O coração me invade; / E rebenta de saudade / Quando a forte artilharia.” E, na última estrofe: “Mãe, que deste à luz um filho / E que jamais o esqueces, / Mil elogios mereces / Por seu tormentoso trilho. / Dá-te orgulho, dá-te brilho, / A minha honrosa missão. / Resistindo ao alemão / Morro cheio de coragem / Por julgar ver tua imagem / Entre o fumo do canhão.”
Entre os designados fados da trincheira, ocorre um muito conhecido versando o tipo de alimentação, que tem a seguinte quadra como mote: “O corned-beef afamado / Zangou-se com o feijão. / Foi dado incapaz o vinho, / Anda de licença o pão.” O título foi buscá-lo o fado ao primeiro verso e, com frequência, é a letra mencionada como tendo sido escrita nas trincheiras. É verdade, como também é verdade que o seu autor, quase nunca indicado, a produziu em 25 de Setembro de 1917, mal sabendo ler e escrever, confiando o momento de inspiração a Pedro de Freitas: o fado do “corned-beef” tem como autor o setubalense Vicente Penim.

sábado, 29 de Março de 2014

Para a agenda: Encontro Livreiro, o 5º, em Setúbal



Amanhã, a partir das 15:00, a livraria CULSETE, em Setúbal, acolhe a 5ª edição do ENCONTRO LIVREIRO. 
Momento anual de reunião, o Encontro Livreiro tem sido um espaço privilegiado de debate, partilha e troca de ideias entre as gentes do livro, juntando, entre outros, livreiros, editores, jornalistas, bibliotecários, professores, autores, tradutores e leitores.
Cinco anos passados sobre a primeira edição, o Encontro, que nasceu da vontade de colocar gente a conviver e a conversar — numa livraria — sobre o livro, algo que os seus fundadores acreditaram ser essencial para um sector tão transversal e fundamental como este, é já um dos momentos essenciais do ano editorial e livreiro.
Para além do debate e da partilha, o Encontro Livreiro é também um momento de homenagem, com a entrega do diploma LIVREIROS DA ESPERANÇA que este ano distingue Antero Braga, livreiro da mítica Lello, no Porto. Foram já homenageados os livreiros Jorge Figueira de Sousa (Esperança | Funchal), Caroline Tyssen e Duarte Nuno Oliveira (Galileu | Cascais) e Fátima Ribeiro de Medeiros e Manuel Medeiros (Culsete | Setúbal). 
Em parceria com a Fundação José Saramago, o movimento Encontro Livreiro tem vindo também a dinamizar, desde 2012, o DIA DA LIVRARIA E DO LIVREIRO, e a inspirar ENCONTROS LIVREIROS REGIONAIS, como já acontece com regularidade em Trás-os-Montes e Alto Douro, onde se realizou recentemente o III Encontro Livreiro daquela região.
De entre as gentes do livro que virão a Setúbal no próximo dia 30, queremos muito que haja uma forte participação de livreiros. Relembramos que neste V Encontro, entre outros assuntos que livremente os participantes queiram tratar, vamos falar de LIVRARIAS, DO SEU PRESENTE E DO SEU FUTURO.
[da comunicação de apresentação do 5º Encontro Livreiro]

quarta-feira, 26 de Março de 2014

Para a agenda: A poesia de Carlos César em livro, no Dia Mundial do Teatro

 
 
No Dia Mundial do Teatro, a poesia de um senhor do teatro: os poemas de Paris nos anos 60, por Carlos César, uma memória incontornável para o teatro, para Setúbal. Amanhã, às 21h30, no Teatro de Bolso, do TAS, também com o filme Afirma Pereira sobre a obra homónima de Antonio Tabucchi. Uma iniciativa entre o TAS e a DDLX. Para a agenda.

Para a agenda: João Madeira na Culsete, em Setúbal

 
 
Na Culsete, em iniciativa da livraria com a DDLX, Albérico Costa apresentará História do PCP, de João Madeira. Sábado, no programa "Se as coisas não fossem o que são". Para a agenda.

quarta-feira, 19 de Março de 2014

Para a agenda: Manuel Medeiros - A lembrança feita poema



São vários os amigos, os autores e os poemas que vão lembrar Manuel Medeiros, o livreiro que, com a mulher, Fátima Medeiros, foi a alma da livraria setubalense Culsete. A sessão ocorrerá no Dia Mundial da Poesia, uma data que lhe era querida, não só pelo acto de ler, mas também porque ele foi poeta. Na Culsete, em 21 de Março, pelas 21h30. Para a agenda!


Grande Guerra - O centenário em selos ingleses



O centenário da Grande Guerra já está a transitar na filatelia britânica. Cada um dos selos tem uma história que o The Telegraph evoca. A notícia pode ser lida aqui.
Espero que os Correios de Portugal reservem também espaço nas suas emissões de filatelia para a lembrança desta data. Até 2018 há tempo, mas era bom que não fosse esquecida a oportunidade!

domingo, 2 de Março de 2014

Para a agenda: Memórias da Arrábida, em Tróia



"Memórias da Arrábida" em Tróia: "O espaço e a sua ocupação", "Biodiversidade na Arrábida", "Viver a Serra", "Sabores da Arrábida". Em 8 de Março, no Centro de Eventos do Hotel Aqualuz. Para a agenda!

sábado, 1 de Março de 2014

Memória da Grande Guerra em Setúbal

Em 1935, sob o título “Uma História da Acção dos Portugueses na Grande Guerra”, o general Ferreira Martins escrevia: “Não é segredo para ninguém que a acção dos portugueses na Grande Guerra é quase ignorada no estrangeiro. Muita gente sabe que Portugal entrou na Guerra, mas ninguém sabe ao certo o que fizemos na Guerra.” A observação surgia a propósito de uma ideia lançada em França por Jacques Péricard, que pretendia publicar uma história da Grande Guerra apoiada nas narrações dos combatentes, tendo, para a recolha dos testemunhos portugueses, contactado Ferreira Martins, que, neste artigo, citava o estilo inflamado e apelativo do autor francês: “Não é na obra de um homem que eu vos convido a colaborar, mas numa obra nacional. É agora e não mais tarde que nós podemos reunir em comum as nossas recordações. Dentro de vinte anos estaremos bem disseminados. Mais tarde, é nesse livro que nossos filhos, nossos netos e a posteridade irão procurar a imagem verdadeira do Soldado Português na Grande Guerra. Poder-se-ão escrever, no decorrer dos séculos, centenas de histórias da Grande Guerra, nunca se poderá recomeçar a história da guerra pelos antigos combatentes, que vamos agora escrever juntos”.
A questão que Ferreira Martins considerava estava relacionada com a memória e com a inscrição, aspectos a que nem sempre se tem dado a devida importância. E, olhando para trás, é fácil ver que a memória da participação portuguesa na Primeira Grande Guerra tem sido frágil, muito frágil. Tanto quanto nos permite a linguagem dos números, pensemos em alguns: para a Grande Guerra, entre os vários contendores, foram mobilizados quase 74 milhões de combatentes, tendo havido 38 milhões de baixas registadas (51,8%), entre as quais cerca de 9 milhões e meio de mortos (quase equivalente à população portuguesa actual); relativamente a Portugal, os mobilizados foram cerca de 106 mil (não contabilizando tropas nativas de África), tendo-se registado 33 mil baixas, incluindo cerca de 7 mil e duzentos mortos e desaparecidos.
O que mais interessa nesta observação é o que os números representam de humano, de sofrimento humano, de sonhos destruídos, de tempo gasto na ruína dos seres humanos e do mundo. Estariam estes homens preparados para o confronto com todas as novidades que esta guerra nos trouxe, fosse em termos de estratégias, de formas de combate, de armamentos? Não, não estavam. Partiram estes homens com o sonho de ir construir algo novo, a paz, e confrontaram-se com a força da morte, da destruição, do caos.
A Grande Guerra, a Primeira, acabou oficialmente em Novembro de 1918. Mas, na verdade, ela foi acabando, num prolongamento que se estendeu por muito tempo. E não estou a referir-me apenas ao facto de a Segunda, cerca de 20 anos depois, ter surgido; mas, sobretudo, à dor que se entendeu por famílias, por países, e que se ramificou. Por isso, não espanta que, quando em 1998, em França, foi realizado um inquérito sobre os dez mais importantes acontecimentos do século XX, a Primeira Grande Guerra tenha surgido em quarto lugar, antes, por exemplo, da construção europeia, da crise de 1929 ou da Revolução Russa, numa lista em que nem a chegada do homem à Lua entrou!
Em altura do centenário da Grande Guerra, partamos de três nomes para falar da memória: Francisco Pinto Vidigal, Joaquim da Encarnação e Manuel Avelino Correia, naturais das freguesias de S. Sebastião, Anunciada e S. Julião, respectivamente, no concelho de Setúbal. Os três foram mortos nesse conflito e o primeiro deles terminou a vida em 9 de Abril.

Maria José Brito - escultura em Setúbal



"Dádiva" (Lions International), Maria José Brito (2014), em Setúbal

quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2014

Para a agenda: Arrábida, o Parque Natural em seminário

 
A preservação da Arrábida, um bem. Em seminário quando o mês de Fevereiro se despede, no Fórum Municipal Luísa Todo, em Setúbal. Para a agenda!

quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2014

Para a agenda: Eduardo Pitta em Setúbal



Eduardo Pitta traz Cidade Proibida a Setúbal em forma de romance. Na Culsete, uma realização "muito cá de casa". A 22 de Fevereiro. Para a agenda.

Para a agenda: Dos poetas da Arrábida



Onde se vai falar da Arrábida e dos seus poetas. Uma perspectiva cultural sobre a Arrábida. Com temas interessantes a cargo de quem deles sabe. Em 22 de Janeiro, na Casa da Cultura, em Setúbal. Para a agenda.

terça-feira, 18 de Fevereiro de 2014

Para a agenda: Conhecer a Setúbal dos séculos XVI a XVIII



Uma viagem à Setúbal dos séculos XVI a XVIII é o que propõe o Centro de Investigação Manuel Medeiros para a tarde de 6ª, 21 de Fevereiro, na Biblioteca Municipal de Setúbal, por alguém que muito sabe sobre o assunto. Uma boa oportunidade para um encontro com o passado. Para a agenda!

quinta-feira, 13 de Fevereiro de 2014

Para a agenda: Manuel Gardete mostra religiosidade em Azeitão


Uma exposição em que as flores se cruzam com a religiosidade local. Manuel Gardete, em "Não atirem flores ao rio", mostra que terá lugar no salão nobre, em Vendas de Azeitão, com o apoio da LASA e inauguração em 15 de Fevereiro. Para a agenda.

Para a agenda - Agostinho da Silva, 108 anos em Setúbal



Agostinho da Silva, nos 108 anos do seu nascimento, será evocado em Setúbal por António Cândido Franco. Uma entrada pelo pensamento e pela biografia sempre fascinantes de um homem que marcou o século XX português a não perder. Para a agenda!

sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014

Para a agenda: "Memória da Grande Guerra"



"Memória da Grande Guerra" é a possibilidade de contactar com os registos escritos que muitos dos combatentes portugueses nos fizeram chegar através das suas memórias da participação na 1ª Grande Guerra. Memórias da Flandres, mas também de Moçambique e de Angola, as três frentes em que Portugal lutou. Para a agenda!

segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014

Dia da Memória, hoje, lembrado por Esther Mucznik



Hoje, é o Dia da Memória. No Público, também hoje, Esther Mucznik justifica a co-memoração. Lembrar para quê? Para que a História não se repita nunca mais!

quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

O padre Lino Maia e a austeridade

 
«Precisamos de um Estado que pense mais em sobriedade do que em austeridade.» Uma verdade que o padre Lino Maia defendeu em entrevista hoje, nas notícias da Antena 1, ao princípio da tarde. Certo, absolutamente certo! O problema é o das prebendas...
 

terça-feira, 14 de Janeiro de 2014

Parabéns, Cristiano Ronaldo!

 
 
«Cristiano Ronaldo foi nomeado melhor jogador do Mundo pela FIFA. O capitão da Seleção Nacional conquista a Bola de Ouro à frente de Messi e Ribèry. Cristiano Ronaldo vence depois de quatro Bolas de Ouro seguidas de Leo Messi. O jogador do Real Madrid ganha, assim, a segunda Bola de Ouro depois do troféu conquistado em 2008. Cristiano Ronaldo sumou 27,99% dos votos, contra 24,72% de Leo Messi e 23,36% de Franck Ribèry.» [Fonte: RTP Notícias]
 

domingo, 12 de Janeiro de 2014

Aarão de Lacerda e a Grande Guerra



Em 4 de Maio de 1919, na Junta Patriótica do Norte, Aarão de Lacerda proferiu a conferência intitulada “O instante sangrento”, em homenagem aos Aliados. A comunicação passaria a livro, editado em Outubro (Para a filosofia da guerra. Porto: edição de Autor, 1919).
De maneira rápida, dado o propósito do texto, o autor relata o que levou o mundo à Grande Guerra, num percurso pessoal de que não está ausente a sua tomada de partido. Se olha para a cultura alemã com interesse e emoção, o mesmo não dirá da progressão psicológica do povo germânico ao longo dos tempos, como se pode ver na referência feita ao que aconteceu em 1870 e que esteve na origem de conflito entre a França e a Alemanha por causa da Alsácia-Lorena: “Vem 1870 e o alemão tornou-se agressivo e intolerante, envolvendo-se crescentemente numa ambição de mando, de hegemonia, que a dinastia Hohenzollern personalizou inconfundivelmente”.
A história é contada a partir de um retrato psicológico dos contendores, tal como adiante refere: “Vamos compreendendo as causas primárias da guerra consubstanciadas em fortes antinomias psicológicas que extremavam a Alemanha da França e da Inglaterra, o país por excelência do governo representativo.” Nesse percurso, há lugar recorrente para imagens fortes: “A Alemanha tentacular começa a empreender a luta política, ambicionando a conquista dos mercados mundiais em luta aberta com a Inglaterra que ela chamava estado vampiro. Assustava-a o imperialismo britânico, que resolveu combater incessantemente por meio de uma organização artificial que decerto a faria baquear, tão forçada era.”
O uso de referências a poetas e pintores que pela sua arte traçaram quadros de momentos da guerra leva o próprio autor a explorar determinadas imagens, como a do “Mefistófeles transfigurado em Bismarck” que escolhe para pintar Guilherme II, assim traçando um quadro de glória e de poder: “Toda aquela gente da Germânia se sentia próxima dos deuses quando via desfilar ante seus olhos maravilhados as longas revistas militares ao som de acordes marciais e despertivos. O kaiser aureolava-se de um prestígio estranho: era ele o Messias, o futuro senhor do mundo.” E, logo a seguir, a destruição do mito, em antítese, também pelo recurso a imagens intensas: “Por fim, o último acto da guerra veio mostrar que esse chefe invencível dos exércitos germânicos não passava do arremedo ridículo de um Lohengrin ou Parsifal de papelão.”
A evolução do que foi o início da Primeira Grande Guerra apresenta-se rápida, tal como veloz foi o tempo em que o conflito se agudizou, porque “o atentado contra o príncipe herdeiro da Áustria não passou de um simples pretexto para lançar a Europa no embate temeroso” que já vinha sendo temido e anunciado.
Aarão de Lacerda conclui a sua conferência com a invocação do papel corajoso demonstrado pelo povo belga, logo a partir da invasão germânica: “a resposta foi a resistência heróica em defesa da justiça, levando a efeito uma epopeia lendária digna do maior conto épico”, gesto prontamente ajudado por aliados. Mas o olhar do autor sobre a Bélgica enche-se de tristeza e de revolta pelas mortes e pela destruição de obras de arte que os invasores cometeram – construções, pinturas, bibliotecas, num clima de barbárie em que as “lacrimas rerum caíam das ruínas, dos monumentos esfacelados que rangiam em derrocadas sinistras”.
O final da palestra é um apelo à paz e uma incursão na memória – “Recordemos com unção os nossos que se bateram e morreram na batalha de La Lys e em África! A sua lembrança sempre vívida dita-nos um grande dever a cumprir: esquecer os ódios que nos separam e salvar com o nosso trabalho, com a nossa fé, a Pátria ameaçada de tantos perigos.” É que já se apagara “a labareda do inferno”, mas ficara “a saudade dos queridos soldados que lá se consumiram”!
Nesta leitura emocionada do que foi o percurso da Grande Guerra, de que Aarão de Lacerda (1890-1947) foi contemporâneo, ressalta o carácter desumano do conflito bélico, fortemente construído sobre imagens de ambição excessiva por parte da política e sobre imagens de catástrofe e de sofrimento no que aos povos respeita.

sábado, 11 de Janeiro de 2014

No dia em que o "Diário" de Sebastião da Gama faz 65 anos...


O dia de hoje é um bom pretexto para a leitura da página que, há 65 anos, Sebastião da Gama escreveu, num gesto inaugural do seu Diário. Estava-se em 11 de Janeiro de 1949. A obra, que só foi publicada em 1958, constitui um dos mais interessantes documentos testemunhais sobre a prática pedagógica. É um modelo, é uma obra de arte. Que a leitura do registo do primeiro dia seja o ponto de partida para a entrada na obra!


Janeiro, 11
Para começar, falou connosco durante uma hora o Senhor Dr. Virgílio Couto[1]. De acordo com o que disse, vão ser as aulas de Português o que eu gosto que elas sejam: um pretexto para estar a conviver com os rapazes, alegremente e sinceramente. E dentro dessa convivência, como quem brinca ou como quem se lembra de uma coisa que sabe e vem a propósito, ir ensinando. Depois, esta nota importantíssima: lembrar-se a gente de que deve aceitar os rapazes como rapazes; deixá-los ser: «porque até o barulho é uma coisa agradável, quando é feito de boa-fé».
Houve nesta conversa uma palavra para guardar tanto como as outras, mais que todas as outras: «O que eu quero principalmente é que vivam felizes».

[1] Virgílio Couto (1901-1972). Professor metodólogo, responsável pelo acompanhamento do estágio de Português de Sebastião da Gama na Escola Veiga Beirão. Nesta altura, era também subdirector da escola (cf. Diário do Governo, de 3 de Novembro de 1948). Foi autor de numerosas publicações de carácter didáctico, desgnadamente: Leituras (1948), Olhai que ledos vão...: a história de Portugal contada na prosa e nos versos dos escritores portugueses (1958) e Mar alto (1961). Alguns dos seus títulos foram adoptados como manuais escolares.

sexta-feira, 10 de Janeiro de 2014

Para a agenda: Sebastião da Gama - um "diário" com 65 anos (e uma conferência a propósito)



O Diário, de Sebastião da Gama, completa amanhã, 11 de Janeiro, 65 anos, isto é, passa esse aniversário sobre o primeiro registo diarístico da obra - em 11 de Janeiro de 1949.
"Para a agenda" deve ficar uma leitura desta obra ou, pelo menos, de um excerto, que pode ser logo o do primeiro dia...
Para assinalar a data, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, vai haver palestra levada a cabo por Manuela Cerejeira, estudiosa da obra de Sebastião da Gama desde há anos. É pelas 15h00. Aceite o convite.

Um jovem com 85 anos - Tintin



No jornal Le Petit Vingtième nascia, em 10 de Janeiro de 1929, a personagem Tintin, da autoria de Hergé (Georges Remi, 1907-1983). Não era uma história com vinhetas a cores, mas foi a primeira em que Tintin e Milou intervieram - era a primeira aventura do repórter, Tintin au pays des Soviets, que o jornal publicou entre 10 de Janeiro de 1929 e 11 de Maio de 1930.
Quando a primeira história de Tintin acabou, em Bruxelas, na Gare du Nord, houve direito a dramatização da chegada da personagem, com aclamação do público. "Regressava" o herói a sua casa, à Bélgica, tendo mesmo o jovem de 15 anos contratado para fazer o papel de Tintin, acompanhado de um fox-terrier, sido levado à sede do jornal num Buick...
Assim terminava a narrativa, que durou quase um ano e meio e que, na primeira prancha, era anunciada desta forma: "Le Petit Vingtième, sempre desejoso de satisfazer os seus leitores e de os manter ao corrente do que se passa no estrangeiro, acaba de enviar à Rússia Soviética um dos seus melhores repórteres: Tintin! São as suas múltiplas peripécias que desfilarão sob o vosso olhar cada semana. NB: A direcção do Petit Vingtième garante que todas estas fotografias são rigorosamente autênticas, tendo sido tiradas pelo próprio Tintin, ajudado pelo seu simpático cão Milou."
Depois, foi o que se sabe: mais 22 aventuras de Tintin, apaixonando leitores, até 1976.

Para a agenda: José Eduardo Agualusa, "muito cá de casa"



É daqui a um bocado, às 22h00. Na programação "muito cá de casa", na Casa da Cultura, em Setúbal, José Eduardo Agualusa.

quinta-feira, 9 de Janeiro de 2014

Para a agenda: Neste dia, há 261 anos, nascia Luísa Todi



Flores e música para Luísa Todi no seu dia, em Setúbal.

domingo, 5 de Janeiro de 2014

Memória: Eusébio (1942-2014)



A notícia do falecimento de Eusébio da Silva Ferreira deixa a tristeza. Eusébio foi herói e foi mito, foi um símbolo e imagem de Portugal, foi ícone do futebol. Daí o reconhecimento que teve: em estátua, em livro, em cerimónias, na filatelia. Daí o reconhecimento que terá na nossa memória.

sábado, 4 de Janeiro de 2014

Da língua portuguesa - Um título que diz o contrário do que pretende transmitir



A notícia é de hoje e pode ser lida aqui. Tudo correria bem se não fosse o caso de o título contradizer a informação que quer dar... Com efeito, a notícia refere que "o programa Boas Práticas de Governação nos Cuidados de Saúde Primários (...) distingue casos de sucesso nos cuidados primários às pessoas que não podem ou não conseguem dirigir-se a um centro de saúde".
O que o título diz é que os Centros de Saúde vão contra os doentes... ideia depois repetida no primeiro parágrafo.
A redacção das notícias deveria obedecer a um livro de estilo que não permitisse estas faltas. De facto, "ir de encontro a" significa "ir contra", enquanto "ir ao encontro de" implica a tal aproximação que o título queria enaltecer. Assim, afigura-se ridículo: Centros de Saúde distinguidos por estarem contra os doentes!!!

Quando o sol se põe para as bandas do Cabo Espichel...



A propósito do postal colocado ontem, contendo uma fotografia feita no Cabo Espichel por uma visitante viguense, o amigo Quaresma Rosa fez-me chegar duas imagens do pôr do sol no mesmo sítio. Aqui as deixo, porque valem a pena.

quinta-feira, 2 de Janeiro de 2014

Cabo Espichel em fotografia premiada pelo "El País"



Carolina Guimerans Arce é galega, de Vigo, e visitante de Portugal, destacando no nosso país a visita à Arrábida. Foi exactamente a passagem pela região arrabidina que lhe proporcionou o prémio de fotografia El País / Aguilar, ao ter retratado Lola, sua filha, no Cabo Espichel, num espectáculo de entardecer.
A notícia pode ser lida aqui e aqui.

quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014

Para a agenda: Rui Zink em Setúbal



A programação "Muito cá de casa", levada a cabo pelo José Teófilo Duarte, inicia o ano na Casa da Cultura com a presença de Rui Zink, professor, escritor, pensador e leitor do mundo. Dia 3, pelas 22h00. Para a agenda!

Para a agenda: Concertos de Ano Novo em Azeitão



Em Azeitão, os concertos de Ano Novo marcam presença entre 3 e 12 de Janeiro. Uma boa maneira de começar o ano. Diversificado, atractivo. Para a agenda!

Efemérides 2014


O ano de 2014 é marcado pelo centenário do início da Grande Guerra (28 de Julho de 1914), vulgarmente conhecida como Primeira Guerra Mundial, acontecida na sequência do assassinato do arquiduque Francisco Fernando de Áustria, ocorrido um mês antes em Sarajevo (28 de Junho de 1914), e pelo 40º aniversário da “Revolução dos Cravos”, em Portugal, em 25 de Abril de 1974.
Assinalando centenários de nascimentos de figuras destacadas, o ano de 2014 verá passar os de escritores como William S. Burroughs (5 de Fevereiro), Álvaro Salema (11 de Março), Octávio Paz (31 de Março), Marguerite Duras (4 de Abril) e Julio Cortázar (26 de Agosto); o do pensador jesuíta Lúcio Craveiro da Silva (27 de Novembro); os dos artistas Dorival Caymmi (30 de Abril), Maria Keil (9 de Agosto) e António Dacosta (3 de Novembro).
Relativamente ainda a nascimentos com celebrações “redondas”, poderão ser recordados 620 anos do infante D. Henrique (4 de Março de 1394), os 500 anos de Frei Bartolomeu dos Mártires (Maio de 1514), os 450 anos de Galileu (15 de Fevereiro), os 140 anos de Churchill (30 de Novembro de 1874), os 120 anos de Florbela Espanca (8 de Dezembro de 1894) ou os 90 anos de Sebastião da Gama (10 de Abril de 1924), António Ramos Rosa (17 de Outubro de 1924) e Alexandre O’Neill (19 de Dezembro de 1924), passando ainda neste ano os 90 anos do nascimento de Fernando Campos (23 de Abril de 1924) e de Mário Soares (7 de Dezembro de 1924).
Da vida se libertaram outros nomes, acontecimento sobre que passam também aniversários “redondos” em 2014, alguns deles correndo o risco de esquecimento: 2000 anos da morte de Augusto (19 de Agosto de 14), primeiro imperador romano; 490 anos da de Vasco da Gama (24 de Dezembro de 1524), descobridor; 90 anos da de Kafka (3 de Junho de 1924), escritor; 50 anos da de Daniel Filipe (6 de Abril de 1964), poeta; 40 anos das de Ferreira de Castro (29 de Junho de 1974) e Branquinho da Fonseca (7 de Maio de 1974), ambos escritores; 30 anos das dos poetas Raul de Carvalho (3 de Setembro de 1984) e Pedro Homem de Mello (5 de Março de 1984) e do professor e ensaísta Jacinto do Prado Coelho (19 de Maio de 1984); 20 anos da do pensador Agostinho da Silva (3 de Abril de 1994); 10 anos das dos poetas Sophia de Mello Breyner Andresen (2 de Julho de 2004), Emanuel Félix (14 de Fevereiro de 2004) e José Augusto Seabra (27 de Maio de 2004).
Efemérides ainda importantes são os 150 anos do jornal Diário de Notícias (29 de Dezembro de 1864) ou os 100 anos da criação da União Portuguesa de Futebol (31 de Março de 1914, mais tarde – a partir de 1926 – designada Federação Portuguesa de Futebol). Lembrando datas “redondas”, podemos ainda mencionar (nunca será em excesso pelo que os dois acontecimentos significaram) os 70 anos sobre a primeira utilização da câmara de gás de Auschwitz e sobre o gesto do cônsul português em Bordéus, Aristides Sousa Mendes, de começar a passar vistos a refugiados, contrariando as ordens do governo português.
Se perspectivarmos 2014 em função de Setúbal, vários acontecimentos podem ser memorados: 500 anos sobre a atribuição do foral novo a Setúbal por D. Manuel I (27 de Junho de 1514); 150 anos sobre a colocação da lápide na casa em que se presume que tenha nascido Bocage (a cargo de uma comissão presidida por Manuel Maria Portela, em 10 de Abril de 1864); 150 anos sobre os nascimentos de José Maria Rosa Albino (8 de Março de 1864) e de Paulino de Oliveira (22 de Junho de 1864), sendo que este último viria a falecer em 1914 (13 de Março), acontecimento sobre que passa o primeiro centenário. Um século passa ainda sobre a nomeação de João Vaz para director interino da Escola de Desenho Industrial Gil Vicente, em Setúbal, que, nesse 1914, iniciou o curso de comércio, passando a designar-se Escola Industrial e Comercial de Gil Vicente; 50 anos sobre a reabertura do Hotel Esperança no actual edifício (28 de Março de 1964); 25 anos sobre a inauguração do busto de Francisco Sá Carneiro (10 de Junho de 1989).
Em Palmela, pode também ser assinalado o ano de 2014 como o da passagem do centenário sobre a criação de um movimento de cidadãos (5 de Abril) visando a restauração do concelho de Palmela, que estava incluído no de Setúbal desde 1855 (e só se autonomizará em 1926) e o dos 150 anos da Sociedade Filarmónica Humanitária (8 de Outubro).
OBS.: Este postal teve a colaboração de António Cunha Bento, que agradeço.