quarta-feira, 26 de abril de 2017

Dois quadros para o dia de hoje: entre Delacroix e Picasso

No plano das efemérides, o dia de hoje pode receber as cores de dois quadros, um e outro relacionados com momentos históricos bem conhecidos, ambos repletos de energia e de significado quanto ao que o poder tem de mais enérgico ou de mais macabro, os dois pintados quase sobre o momento dos acontecimentos (no mesmo ano em que sucederam, numa leitura que distou dois a três meses dos factos evocados).
A revolução decorrente dos acontecimentos de 1830 em França encontra expressão no quadro "A Liberdade guiando o Povo", de Delacroix (1798-1863), pintor romântico, nascido em 26 de Abril. Os acontecimentos a que o quadro respeita ocorreram em Julho e, poucos meses volvidos, no outono desse ano, Delacroix passava à tela a sua interpretação heróica, por vezes considerada panfletária também.


A outra tela escolhida é de Picasso e está relacionada também com um acontecimento histórico, muito triste acontecimento, diga-se. Também em 26 de Abril, mas em 1937, a população de Guernica foi bombardeada durante mais de três horas com o apoio alemão, um ataque sob o regime franquia de que ainda hoje parece não haver certezas quanto ao número de mortos. Picasso (1881-1973), a viver em Paris na altura, fora convidado pelo governo espanhol no início do ano para pintar um mural que representasse a Espanha, com o objectivo de ser exposto na Exposição Universal de Paris, que se realizaria nesse ano (abertura em 12 de Julho). A ideia original de Picasso era pintar um elogio à arte; porém, ao saber dos acontecimentos em Guernica, mudou de opinião e o quadro que apresentou, cheio de movimento e de contrastes entre preto, cinzento e branco, teve o título de "Guernica", homenagem ao sofrimento e à dor, grito contra a destruição pela guerra.


terça-feira, 25 de abril de 2017

O espírito de Abril - Pelo 25 de Abril!




O espírito de Abril, do 25 de Abril, sempre o vi desenhado em dois cartazes, hoje emblemáticos do tempo e do momento, mas depositários de uma mensagem que devemos manter viva: o que reproduz uma fotografia da autoria de Sérgio Guimarães, com a criança a colocar o cravo na arma, e o de Vieira da Silva, com a frase "A poesia está na rua". Pelo 25 de Abril!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Duas notas de fim de semana: entre concertos e livros



Primeira: Assisti aos dois concertos promovidos conjuntamente pelo Coro Gospel de Azeitão e pelo Coro do Conservatório Regional de Setúbal. Foi o concerto “Happy Days”, primeiro em Azeitão, no auditório da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em 21 de Abril, e depois em Setúbal, no Forum Luísa Todi, em 22 de Abril.
Uma combinação perfeita, dominada por espirituais negros tradicionais, experiência inicial entre os dois coros, com público entusiasmado e participativo, com coralistas empenhados e um trabalho notado. Valeu bem a pena! E, por isso, o agradecimento a todos os participantes, a todos os “fazedores” deste evento, sobretudo a John Fletcher, professor do CRS e orientador do Coro Gospel, que dinamizou a actividade e lhe emprestou uma marca pessoal.


Segunda: Passou o Dia Mundial do Livro, homenagem ao objecto livro, aos autores e aos leitores. Poderíamos dizer que também somos o que lemos. Tive pena, ao passar pela FNAC, por ver que não houve este ano a edição antológica de contos O Prazer da Leitura. Desde 2008 que a FNAC (em conjunto com a editora Teorema nos três primeiros anos e com a Teodolito nos seguintes) tem vindo a publicar, no Dia Mundial do Livro, esta antologia, um volume por ano, reunindo contos inéditos de autores portugueses contemporâneos, já num total de 50 autores e correspondente número de contos (o volume de 2008 integrou 10 autores e cada um dos seguintes foi alimentado por 5 autores). Não posso esquecer o entusiasmo dos meus alunos mais novos quando lhes leio um conto que surgiu no primeiro volume, “Verba volant, scripta manent”, de João Aguiar, experiência que tenho repetido quando tenho alunos novos, conseguindo sempre o mesmo entusiasmo... Esperava encontrar-me com a edição deste ano, mas... Pena, porque é um interessante projecto e dinamiza a leitura do conto e a diversidade de propostas de leitura!

domingo, 23 de abril de 2017

Para a agenda: Almeida Carvalho em conferências



O bicentenário do nascimento de João Carlos de Almeida Carvalho continua a ser assinalado em Setúbal também através de conferências, que demonstram, pelos temas abordados, a personalidade multímoda que Almeida Carvalho cultivou. Para os tempos mais próximos, estão previstas três palestras: já em 28 de Abril, Albérico Afonso Costa fará o retrato de "Setúbal no tempo de Almeida Carvalho" (Biblioteca Municipal de Setúbal, às 21h30). Em Maio, Carlos Mouro, reputado (nem sempre reconhecido) investigador em história local setubalense, será autor de duas comunicações: uma, em 17, na Biblioteca Municipal de Setúbal, sob o título "Almeida Carvalho: Notas Biográficas" (às 16h00); a segunda, em 19, na Associação de Socorros Mútuos Setubalense, consagrada a "Almeida Carvalho e o pioneiro mutualismo local" (às 21h30).
Para a agenda!


sábado, 22 de abril de 2017

Para a agenda: Azeitão pela lente de Américo Ribeiro



Américo Ribeiro (1905-1992) é nome incontornável para a documentação fotográfica da região de Setúbal ao longo do século XX, havendo já várias publicações consagradas à sua obra, em formato livro ou em formato postal, em alguns casos em forma de abordagem temática (desporto, Bocage, vida religiosa, indústria conserveira, etc.).
Agora vai ser a vez de Azeitão se poder observar através da lente de Américo Ribeiro. Integrando o programa de realizações da comemoração do 25 de Abril, nesse mesmo dia, em Azeitão, nas instalações da Junta de Freguesia, em Vendas de Azeitão, pelas 17h00, vai ser apresentado o livro Azeitão vista por Américo Ribeiro. A não perder. Para a agenda!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

"Portugal Futurista": um número de uma revista que é marco na cultura portuguesa



"Vida complexa e admirável a de hoje. Novas ambições e mais largos desejos. O homem como um divino génio do mal emancipa-se da tutela vergonhosa do Passado e da Tradição, liberta-se de si próprio e ele que tinha a cobardia da vida e a cobardia da morte - porque não sabia viver a grande Vida e não sabia morrer, ignorando que a morte é uma renovação - emancipado e liberto, audacioso e revoltado, agressivo e febril, sobe a todas as alturas, vai a toda a parte, reduz distâncias, detém a marcha do tempo e iguala-se a Deus, e ultrapassa Deus ainda...
Vida de agitação e velocidade... Correr, correr, correr vertiginosamente, não para chegar depressa ao fim, mas para que o fim não chegue tão depressa... Correr é criar a sensação e multiplicar a nossa vida... E a vida é longa não pelos anos que conta, mas pelas sensações que contém.
Todo o homem que sabe viver e quer viver desdobra-se, multiplica-se... O automóvel, o telefone, a telegrafia sem fios, os grandes transatlânticos, o cinematógrafo, o gramofónio, o aeroplano, modificaram o organismo humano, dando-lhe a omnividência e a ubiquidade. Os seus sentidos geraram novos sentidos..."

O leitor lê e, por momentos, pensa que está perante uma reflexão contemporânea, feita neste tempo; depois, à medida que avança a leitura, começam a surgir sinais de que o tempo de produção não será este, mas um outro que nos precedeu. É um texto actual, mudássemos-lhe nós os aparelhos e as máquinas com que finaliza a citação. Pois é: são os parágrafos iniciais do texto "O Futurismo", assinado por Bettencourt Rebelo, composição que se debruça sobre a "vida de hoje", o "homem dominador" e outras questões da época - um "hoje" que diz respeito a 1917, ano em que foi publicado o primeiro e único número de Portugal Futurista, revista dirigida por Carlos Filipe Porfírio, que teve assinaturas de Almada Negreiros, de Guillaume Appolinaire, de Mário de Sá-Carneiro, de Fernando Pessoa, de Blaise Cendrars e outros e desenhos de Santa-Rita Pintor e de Amadeo de Sousa Cardoso. Uma revista que, apesar de ser número único, ficou na história da literatura e da cultura portuguesas, em 42 páginas que constituíram uma pedrada no charco e que mereceram a apreensão das autoridades.
Está-se na celebração do seu centenário e o Público, em associação com a editora A Bela e o Monstro, fez sair hoje uma edição facsimilada da revista, uma obra a ler/ver e a guardar. As justificações podem ser muitas e abranger várias áreas do saber - Nuno Júdice, no Público de ontem, escreveu uma página sobre a história da revista, suficientemente esclarecedora e apelativa quanto ao interesse. Mas, para quem queira saber mais, pode-se recomendar, também de Nuno Júdice e de Teolinda Gersão, os textos introdutórios à edição facsimilada desta mesma revista, saída em 1981 (Lisboa: Contexto Editora). Se já não conseguir a edição saída em 1981, aproveite, pelo menos, a que veio com o Público de hoje...

quarta-feira, 19 de abril de 2017

19 de Abril de 1860: Setúbal já é cidade!



O número do periódico O Curioso de Setúbal publicado no dia 29 de Abril de 1860, domingo, iniciava-se com a seguinte afirmação: "Setúbal já não é vila e Portugal conta mais uma cidade", frase que não esconde a satisfação de uma pretensão local. O semanário referia-se ao decreto que tinha sido assinado em 19 de Abril, no Paço das Necessidades, a elevar a vila de Setúbal à categoria de cidade.
O processo para a atribuição do título de cidade a Setúbal começara a ganhar forma com o requerimento apresentado dois anos antes, em 14 de Junho de 1858, dirigido ao rei, em que a vereação da Câmara Municipal, com o objectivo de "aumentar o esplendor e grandeza da povoação" que representava, se dirigia a Sua Majestade a fim de "pedir a graça de elevar aquela grande povoação à categoria de cidade".
As razões invocadas pelos signatários tentavam atestar a importância da localidade, incidindo sobre factores como a produção regional, a população, a vida portuária e os pergaminhos históricos. Para o presidente da Câmara, Aníbal Álvares da Silva, e para os vereadores José Joaquim Correia, Francisco Joaquim Peres, João Sezinando de Freitas Sénior, Joaquim Maria Guerreiro e Manuel José de Araújo, a vila sadina era "conhecida em toda a parte do mundo pela extensão de seu comércio de sal, laranja, cortiça e cereais". Ao nível populacional, o concelho compreendia "mais de sete mil fogos, com perto de trinta mil almas", a rivalizar "em população e grandeza com todas as cidades do reino, exceptuando Lisboa e Porto". Quanto às comunicações com o exterior, a vila estava "todos os dias recebendo em seu magnífico porto o preito que lhe pagam as principais nações do mundo, cujos estandartes ali flutuam", e, por outro lado, havia a garantia da ligação "pelo já contratado ramal à linha férrea do Alentejo". Quanto a antecedentes históricos de enobrecimento, era invocado o facto de, em 1525, o rei D.João III ter feito a mercê de atribuir à vila o título de "muito notável".
O requerimento terminava com uma mensagem para agrado do rei, dizendo que "o foro de cidade concedido a Setúbal é o reconhecimento de um facto material que não se pode contestar, é um acto de justiça" que passará a constituir "padrão de glória para o feliz reinado" de Sua Majestade.

TRÊS  MESES  PARA  UMA  PATENTE

O decreto assinado em 19 de Abril de 1860 por Fontes Pereira de Melo, que fez passar Setúbal de vila para cidade, surgiu com a confirmação dos argumentos que o requerimento da Câmara Municipal utilizara. Razões determinantes para tal título foram a "sua grande população e excelente posição topográfica", a "quantidade dos edifícios que avultam dentro de seus muros", o "movimento e vastidão do seu comércio, devido ao porto de mar", a "ligação de Setúbal à cidade de Lisboa por meio de uma linha de vapores no Tejo e de um caminho de ferro desde o Barreiro" e "os constantes testemunhos que os seus habitantes têm dado de nobre dedicação ao trono e às instituições constitucionais da monarquia".
Seis dias depois, em 25 de Abril, a Câmara, ainda presidida por Aníbal Álvares da Silva mas já com alteração ao nível de alguns vereadores, redigia um agradecimento dirigido a Sua Majestade, no sentido de, "com o maior respeito, em seu nome e no dos povos do município, assegurar os protestos do seu mais acrisolado reconhecimento".
Ao reproduzir o texto dos documentos na sua edição de 29 de Abril, O Curioso de Setúbal aproveitava para traçar um curto retrato das imagens de progresso na cidade: Setúbal era apresentada como a "terceira terra do reino em população e a quarta em comércio" e dois outros factores de desenvolvimento eram o caminho de ferro (cujos carris "já cortam e atravessam nossos montes e estradas") e o gaz ("que dentro em pouco iluminará nossas ruas"). O redactor do jornal exultava, dando os parabéns aos moradores da cidade e desejando que a data de 19 de Abril de 1860 ficasse marcada "com letras de ouro na história da terra".
No entanto, a carta patente para que Setúbal passasse a cidade não foi feita de imediato. Em 26 de Abril, morria o Duque da Terceira, António José de Sousa Manuel e Meneses Severim de Noronha, chefe do governo. A Presidência do Conselho seria assumida por Joaquim António de Aguiar, mas os tempos corriam na instabilidade. Só pelo início de Julho o Marquês de Loulé, Nuno Rolim de Moura Barreto, formaria governo e a carta patente seria assinada em 23 desse mês.

A  VIDA  NA  CIDADE

O mês de Abril de 1860 trouxe ainda outras emoções à cidade. Na sua edição do dia 22, O Curioso de Setúbal noticiava o acontecimento que tinha sensibilizado a população uma semana antes: a 15, "dia de verdadeira festa nacional para esta bela terra", cerca das duas da tarde, chegava a Setúbal o comboio, em viagem inaugural, com a presença do Ministro das Obras Públicas, tendo havido festa, música e a população na rua. Pelas cinco da tarde, já o comboio regressava ao Barreiro, entre as despedidas dos setubalenses. E o repórter terminava a descrição com um comentário curto: "a locomotiva assobiando e fumando é objecto desejado por aqueles que, gostando do progresso do nosso país, desejam vê-lo caminhar a passos gigantescos". Setúbal teria de esperar até ao ano seguinte para que o funcionamento do comboio passasse a ser regular, uma espera que não agradou muito à população como se pode verificar em opinião registada na edição de 6 de Maio do mesmo jornal: "A questão que hoje se agita nesta cidade é a da abertura do nosso caminho de ferro. Todos esperam ansiosos esse dia, mas todos duvidam quando ele seja".
Com tal marca, como na obra Setúbal nos Primórdios da Sua Elevação a Cidade (Col. “Ensaio”. Setúbal: SALPA, 1985) Lúcia Castelo dos Santos e Francisco Castelo dos Santos assinalaram, "o progresso atravessa o Tejo em direcção ao Sul". Para lá de todos os factores que tinham sido evocados para atestar a importância de Setúbal, a indústria começava também a afirmar-se, sobretudo ao nível conserveiro, no domínio das mais modernas técnicas, havendo ainda referências a fábricas produtoras de fósforos e de gás para iluminação e de indústrias transformadoras nos ramos da cortiça e das bebidas. Simultaneamente, era também sentida a necessidade de melhoramentos aos mais diversos níveis para o bem-estar na cidade, em áreas como a saúde pública, a apresentação ao nível de limpezas na cidade e a educação. Na mesma edição de 6 de Maio d'O Curioso, um articulista chamava a atenção para as novas necessidades: "O progresso não consiste só em fazer caminhos de ferro, colocar fios eléctricos e edificar monumentos. Não. É necessário também tratar de educar e civilizar o povo".
A marcha para aquilo que Setúbal viria a ser no século XX estava, assim, a ser influenciada pelas novas necessidades e por uma atitude crítica de exigências que os jornais da época não esqueciam e a elevação de Setúbal a cidade não fora elemento estranho a este conjunto de inovações. A toponímia viria, de resto, a perpetuar a data de 19 de Abril numa rua entre o Largo do Carmo e Praça Teófilo Braga e não esqueceria o nome de Aníbal Álvares da Silva numa artéria entre a Avenida dos Combatentes e a Rua Acácio Barradas.

No dia em que Darwin morreu, uma referência na Caparica



Passam hoje 135 anos sobre a morte de Charles Darwin, o autor de A Origem das Espécies (1859). Hoje mesmo, em visita ao "Dia Aberto" da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNL, no Monte da Caparica, um elemento escultórico alusivo a Darwin chamava a atenção num recanto do "campus" universitário...

terça-feira, 18 de abril de 2017

Para a agenda - Os 100 Melhores Livros



Escolher "Os 100 Melhores Livros de Todos os Tempos" vale pelo título e pela curiosidade suscitada pelas opções. Poderíamos perguntar quais são os segundos 100 melhores, bem como poderíamos fazer depender a lista das vontades, prazeres e descobertas de cada leitor... Confessemos que, mesmo assim, entre os "100 Melhores" deverá haver alguns títulos de concordância quase universal...
Entre 24 de Abril e 6 de Maio, a Biblioteca Pública Municipal de Setúbal vai "atrever-se" a mostrar "Os 100 Melhores Livros de Todos os Tempos", que é como quem diz: vai desafiar o leitor para essa centena de títulos, que se deixará tentar - tem de ser - pela correspondência entre as leituras que fez e as que lhe são mostradas e poderão servir como motivação para novas leituras... O pretexto, além da dinamização da leitura, será o da celebração do Dia Mundial do Livro.
Quase no final da exposição, em 5 de Maio, está prevista tertúlia a propósito, pelas 18h00.
Para a agenda!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Para a agenda: Carlos Pé-Leve em retrospectiva



"Ouro sobre Azul" não é apenas forma popular de enaltecer a estética; é também o título que Carlos Pé-Leve (n. 1956) escolheu para a sua exposição, acrescentando em subtítulo "30 anos de Pintura e Escultura". Uma retrospectiva, afinal. A abertura acontecerá em 22 de Abril, pelas 16h00, na Galeria Municipal do Onze (Av. Luísa Todi).
Carlos Pé-Leve, que recebeu a sua formação na Escola de Artes Decorativas António Arroio e tem exposto em Portugal e no estrangeiro, apresenta obras evocativas da sua carreira, numa escolha pessoal, apresentando um quase balanço em associação com as dominâncias das suas linhas: “Uma carreira de 30 anos feita com muito custo, pois todos sabem o quão difícil é em Portugal seguir uma carreira artística, seja ela em que área for, mas principalmente nas artes plásticas. Amar aquilo que fazemos e com persistência naquilo que queremos, muito embora com muitas dificuldades e muito esforço, conseguimos o suficiente para nos mantermos ligados àquilo em que acreditamos. Na minha arte circula o concreto e o abstracto, o plural e o singular, o passado e o futuro, definidos por uma linha de prumo, que não consegue analisar com precisão toda a arte, que se encontra em constante metamorfose.”
Para a agenda!