sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Para a agenda: A Festa do Teatro começa hoje em Setúbal



A XIX Festa do Teatro - Festival Internacional de Teatro de Setúbal inicia-se hoje e vai decorrer durante dez dias, até 27 de Agosto, com programa muito diversificado e disperso por vários pontos da cidade. A programação pode ser consultada aqui. 

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Nuno Gil - Quando a doçaria se mistura com a identidade



Ele quer mostrar marcas da identidade através da doçaria, arte em que mistura sabores e aromas, ginja e moscatel, laranja e mel, queijo e feijão. Doçuras, claro, mas que carregam símbolos e outras artes! Ele mistura aos doces o saber das histórias locais e a poesia. E tudo conflui numa sensação de prazer em que o gostar se faz a partir do degustar... Ele é Nuno Gil, pasteleiro em Palmela, na Confeitaria S. Julião, autor de gulodices como os bolos “D. Filipe”, “Santiago”, “Pastel de Laranja de Setúbal”, “Pastel de Ginja”, “Queijada do Anjo”, “Caramelos”, “Brisas do Sado” e, agora, o “Bombom de Moscatel de Setúbal”. Tudo à venda por aí: no “Retiro Azul” e na Casa Mãe da Rota dos Vinhos, em Palmela, e na Casa da Baía, em Setúbal, por exemplo.
Para dar a conhecer a obra e as motivações, vale a pena ler a entrevista feita por Jorge Andrade, publicada aqui em 14 de Agosto. Depois, se ainda não o fez, vale mesmo a pena ir provar e apreciar!...

sábado, 5 de agosto de 2017

Pelo sonho é que vamos... - poema entre um marcador e muitas outras histórias


A Biblioteca Pública Municipal de Setúbal procedeu à edição de um marcador de livros sóbrio e discreto que reproduz na face um aspecto do edifício onde a mesma se localiza e, no verso, divulga o poema “O Sonho”, de Sebastião da Gama, sobre fundo verde, que é a cor da parede exterior desta casa dos livros.
É sempre bom ver este poema a circular, quer porque se tornou num dos textos icónicos do poeta azeitonense, quer porque a sua mensagem é vasta como a vida. Sobre este texto, sabia que...
... o poema “O sonho” (mais conhecido pelo seu primeiro verso - “Pelo sonho é que vamos”) teve a sua primeira publicação no jornal O Distrito de Setúbal, em 17 de Setembro de 1951 (nº 3, pg. 8)?
... deste mesmo poema há duas interpretações musicais - a primeira, do grupo “Moby Dick” (constituído por João Gil, Artur Costa e Alexandre Cortez) no álbum Moby Dick, publicado em 1991, e a segunda devida a Salvador Peres, do grupo setubalense “e-Vox”, editada no álbum Pelo Sonho é que Vamos em 2012?
... este poema mereceu, pelo menos, três interpretações em cd que incluíram poemas de Sebastião da Gama - por Victor de Sousa, no álbum “Pelo Sonho é que Vamos” (Ruquisom, 2000); por Afonso Dias, na colectânea “Poesia de Cabo Verde e Sete Poemas de Sebastião da Gama” (Media XXI, 2007); pela setubalense Clementina Pereira, na antologia “Meu Caminho é por mim fora” (Associação Cultural Sebastião da Gama, 2009)?
... este poema aparece em inúmeras antologias de poesia portuguesa, em variadíssimos manuais escolares, e que o seu primeiro verso foi adaptado para títulos de livros como Pela Prática é que Vamos (manual de Português de 7º e de 8º anos, Edições ASA, 1987 e 1988) ou como Pelo Sonho não vamos lá mas o povo fá-lo-á quando tomar o poder (de Martinho Marques, publicado em 1976), além de ter sido o título dado ao primeiro livro póstumo de Sebastião da Gama, publicado em 1953?
... o primeiro verso deste poema tem servido para justificar decisões e opiniões nas mais diversas áreas, por vezes ligeiramente alterado, como podemos ver nos títulos dos artigos de José Eduardo Lemos (director da Escola Secundária Eça de Queirós à época) sobre autonomia escolar “Pela autonomia é que vamos” (Expresso, 2014-11-22)  e de Pedro Dominguinhos (Presidente do Instituto Politécnico de Setúbal à data) sobre desenvolvimento regional “Pela cooperação é que vamos” (Sem Mais – suplemento “500 maiores empresas do distrito de Setúbal”. Setúbal: 2014-12-06, pg 14), além de recentemente ter sido inspiração para a Juventude Comunista Portuguesa nos murais em que anunciou o seu 11º congresso (que aconteceu em 1 e 2 de Abril) com o lema “Conquistar o Presente, Construir o Futuro - É pela Luta que Lá Vamos”?
... “Pelo Sonho é que Vamos” é também o título de uma tela pintada por Eduardo Carqueijeiro e Nuno David, durante um concerto em 15 de Outubro de 2011, que os autores ofereceram à Associação Cultural Sebastião da Gama?
... este poema está gravado em suporte acrílico no espaço exterior da Escola Secundária Antero de Quental, nos Açores, e que a pastelaria S. Julião o insere na embalagem do seu apreciado bolo “D. Filipe”?
... Sebastião da Gama escreveu este poema em 1 de Setembro de 1951 e o dedicou “à memória de Francisco Bugalho”?

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Para a agenda: Raul Reis entre as fotografias e as cartas


“Envia-me cartas” é uma exposição que resulta de fotografia, de texto (cartas, obviamente) e de um livro. O autor da ideia é o setubalense Raul Reis, designer, com obra feita. Uma ideia partilhada em várias fases.
A exposição vai abrir em 5 de Agosto, na Casa da Cultura, em Setúbal, pelas 21h30. E haverá ainda o livro com as cartas e as caixas de correio que as receberam. Caixas que, num destes dias de anos próximos, farão parte da memória e poderão integrar a arqueologia da comunicação epistolar. Raul Reis deixa-nos o encanto do que foi / é receber cartas.
Para a agenda!
Entretanto, se quiser ter uma ideia do que é este projecto, que tem sido ajudado a construir através da net, pode visitar a caixa (de correio) que se alberga aqui. E até pode participar...

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Foi em 28 de Julho de 1914 que a Grande Guerra começou a sério...




Foi em 28 de Julho de 1914 que a Grande Guerra começou, de facto. Um mês antes, em Sarajevo, o tiro de Gavrilo Princip atingira o arquiduque Francisco Fernando. A guerra ia acabar antes do Natal, diziam os estrategos e os homens do poder. Acabou, na verdade, antes do Natal, mas do ano de 1918. Pelo caminho e pelo tempo, ficou a epopeia do sofrimento, da dor, da morte. E o mundo não ficou melhor, apesar de, no final, todos desejarem a paz. Que teima em não chegar!...

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Para a agenda: Os 210 Combatentes de Setúbal na Grande Guerra vão ter a sua história



Diogo Ferreira e Pedro Marquês de Sousa, um setubalense e um azeitonense, são os autores de Os Combatentes do Concelho de Setúbal na Grande Guerra em França (1917-1918), que, em edição do Núcleo de Setúbal da Liga dos Combatentes, vai ser publicamente apresentado em 25 de Julho, pelas 11h00, no antigo Quartel do 11, em Setúbal, justamente o dia em que se assinalarão os 100 anos sobre a partida dos mobilizados do Regimento de Infantaria 11 para a Flandres.
É o percurso em torno de 210 vidas que se arriscaram nessa (também) aventura que foi a Grande Guerra. É o reconhecimento e a homenagem ao sofrimento.
Para a agenda!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Para a agenda: "Terra", uma exposição na Comporta



"Terra" é título de exposição para as obras dos artistas Maria Santo, Francisco Borba e Graça Pinto Basto, na Casa da Cultura, na Comporta, a abrir amanhã, pelas 19h00. Cerca de três semanas para visitar esta exposição, numa programação intensa para este tempo de férias que a Casa da Cultura leva a efeito. Para a agenda!

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Para a agenda: Ventura Terra, o arquitecto em Setúbal



Absolutamente imperdível! Foi inaugurada hoje, na Galeria Municipal do 11, na Avenida Luísa Todi, a exposição "Ventura Terra - O Arquitecto em Setúbal", quando se completa o ano em que foram celebrados os 150 anos sobre o seu nascimento, uma mostra que pode ser visitada até 26 de Agosto.
O visitante confronta-se com o tempo, com marcas da história da arquitectura em Portugal, com a obra de um dos mais inovadores arquitectos portugueses, com a delicadeza do traço que se estendeu um pouco por todo o país, englobando casas de habitação, construção religiosa, edifícios institucionais.
Através desse passeio no tempo e na obra do arquitecto de Seixas (que viveu 53 anos, com uma obra vasta que lhe ocupou apenas 26 anos), o visitante chega a Setúbal, que recebeu dele o estabelecimento balnear da Empresa Setubalense de Banhos, com começo de utilização em 1903, uma obra que teve pouco tempo de vida e que hoje só podemos "ver" através da documentação que a suportou e divulgou.
Retrato de uma obra e de uma época, esta exposição é de visita obrigatória. Pela história da arquitectura do século XX, pelo conceito de cidade, pelo percurso de um nome incontornável, pela marca na história local de Setúbal. Para a agenda!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

O Sado mostrado e contado por Rui Canas Gaspar



Rui Canas Gaspar leva já uma dezena de títulos publicados sobre a história local de Setúbal, tendo o mais recente sido publicado há dias sob o título curto, mas nada lacónico, Sado (Setúbal: ed. Autor, 2017), obra que conta histórias ligadas ao rio que em Setúbal bordeja a Arrábida e se encontra com o Atlântico.
Se um rio não tem outra história que não aquela que a Natureza lhe dá e permite, é em torno do rio que se constrói um universo de histórias ligadas às gentes e às vidas. Desde a serra da Vigia (em Ourique) até Setúbal, o Sado corre de sul para norte num percurso de 180 quilómetros. E é a partir da nascente que as duas centenas de páginas deste livro vão acompanhar um caudal forte e interessante de narrativas, umas fazendo já parte da investigação histórica, outras resultantes de visitas, conversas e contactos, muitas vezes enriquecidas com a cor etnográfica ou regional.
À medida que vamos lendo os textos, temos a noção de que eles foram construídos ao ritmo do apontamento ou da crónica, abordando temáticas e histórias que têm o rio como denominador comum. No livro, essa unidade é sublinhada pelo facto de a narração ser atribuída a um “eu” que é a personificação do próprio rio e vai conduzindo uma história maior em que o narrador se assume também como a personagem principal à sombra da qual tudo vai acontecendo.
Os quadros que vão passando pela biografia (chamemos-lhe assim) do rio cruzam-se no espaço e no tempo - se o espaço é o da sua corrente, o do tempo parte dos fenícios, dos romanos e dos mouros para chegar até ao século XXI, à nossa contemporaneidade. Passeia o leitor pelo Alentejo (ou não viesse o rio desde Ourique e não passasse em Alcácer do Sal), pelos planos de obras públicas que ao Sado estiveram ligados (o célebre canal a ligá-lo ao Tejo, que nunca foi construído, mas foi planeado; o sistema de irrigação e as barragens), pela vida selvagem que lhe está ligada, pelas produções que dele resultam (o arroz, o sal, a pesca, a ostreicultura), pela etnografia (portos palafíticos, construções típicas), pelo turismo (Tróia), pelos moinhos de maré, pela agricultura (herdades de Gâmbia e do Zambujal), até chegar ao Atlântico, pretexto para se mergulhar em Setúbal e em realizações recentes ligadas ao Sado, como o monumento aos golfinhos recentemente inaugurado ou o facto de o rio ter levado Setúbal a membro do Clube das Mais Belas Baías do Mundo.
Por este caminho de histórias, há momentos em que se enaltecem personalidades que tiveram algo a ver com aquilo que é a identidade do Sado, como João Barbas (que recuperou galeões e os pôs ao serviço do lazer e da pedagogia) ou José Viriato Soromenho Ramos (que foi o obreiro da chegada de Setúbal ao Clube das Mais Belas Baías); há momentos em que se revelam pormenores como aquela que terá sido a primeira homenagem ao planetário Mourinho (caso do galeão “Zé Mário”, que deve o nome à criança nascida em 1963, por iniciativa do pai, Félix Mourinho, membro da sociedade que nessa altura adquiriu a embarcação) ou a iniciativa da Câmara de Alcácer de recuperar o “Amendoeira”, um barco naufragado; há momentos em que é evidenciada a experiência do autor (como, logo no início, no relato da chegada ao ponto onde nasce o rio, pelas conversas com os locais); há momentos em que as crónicas adquirem alguma cor local, quase em jeito de reportagem (como o cacarejar das galinhas ou o miar da gataria testemunhados na visita à D. Manuela, na Gâmbia); há momentos em que surge evidente o apelo à preservação do ambiente (seja quando se fala dos mariscadores, seja quando é feita referência aos cuidados a ter com os golfinhos).
Curiosamente, o livro inicia-se e conclui-se com poesia em que o Sado é protagonista ou motivação: na abertura, é o soneto de Bocage que rompe com o verso “Eu me ausento de ti, meu pátrio Sado”; a fechar, é o poema que suporta a canção “Rio Azul”, da autoria de Laureano Rocha e Mário Regalado. Se estas marcas validam a faceta poética do rio e das emoções que lhe estão associadas, bem poderia ter sido trazido também o poema do médico transmontano Cabral Adão que definitivamente baptizou o Sado como o rio “azul”... e, já agora, por referências culturais às margens do Sado, também poderiam ser lembrados os nomes de duas crianças que cresceram a ver o rio e muito viriam a destacar-se na cultura portuguesa - Bernardim Ribeiro, no Torrão, e Pedro Nunes, em Alcácer do Sal.
Esta obra de Rui Canas Gaspar lê-se de um fôlego, sempre na procura de elementos novos ou de confirmação de histórias. Dotado de uma escrita acessível, o seu estilo corre facilmente por estar próximo dos contadores de histórias, muito mais preocupado com a passagem de testemunhos a propósito do rio e das vidas que lhe estão ligadas do que com a caução do documento histórico ou das fontes. Uma forma fácil de chamar a atenção para a necessidade que todos temos de reparar no rio e no que ele nos faz!

domingo, 9 de julho de 2017

Para a agenda: Ventura Terra em Setúbal




O arquitecto Miguel Ventura Terra (1866-1919) vai ter exposição em Setúbal, a inaugurar em 14 de Julho, pelas 18h00, na Galeria Municipal do antigo Quartel do 11 (Escola de Hotelaria e Turismo), sob o título "Ventura Terra - O Arquitecto em Setúbal".
A anteceder a abertura da mostra, haverá um ciclo de palestras, pelas 16h00, sob a responsabilidade de Fernando António Baptista Pereira, Ana Isabel Ribeiro, Inês Gato de Pinho e Alda Sarria Terra, e a apresentação do livro juvenil Açor - O Cão do Miguel Ventura Terra, de Gisela Silva, por Fernando Capela Miguel.
Arquitecto nascido em Seixas, no concelho de Caminha, Ventura Terra Deixou espalhadas muitas obras em Portugal, depois de ter estudado no Porto e em França, cujo governo reconheceu oficialmente o valor do arquitecto caminhante devido ao sucesso obtido no país que o acolheu.
A reconstrução do Palácio de S. Bento, a que Ventura Terra não assistiu devido a morte prematura, poderá ser a sua maior obra, mas outras atestam o seu mérito. Lisboa parece ser a cidade que mais património dele recebeu: quatro prédios galardoados com o Prémio Valmor em 1903, 1906, 1909 e 1911, além de uma Menção Honrosa em 1913; os liceus Camões (1907) e Pedro Nunes (1908); a Maternidade Alfredo da Costa (1908) e o Teatro Politeama (1912). No Minho, há o santuário de Santa Luzia (1903), em Viana do Castelo, e o restauro do Palácio da Brejeira, em Monção. Sobre a obra de Ventura Terra, afirmou Rui Mário Gonçalves que contém "uma renovação da linguagem arquitectónica, partindo de ultrapassados elementos neo-românticos e neo-clássicos, para tentar pô-los ao serviço de novos objectivos."
Setúbal teve também a marca de Ventura Terra no estabelecimento de banhos levantado a partir de projecto do arquitecto seixense no início do século XX, obra que foi estudada por Inês Gato de Pinho no livro Vilegiatura Marítima em Setúbal (Setúbal: LASA, 2010).