quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Para a agenda: Ana Wiesenberger em conversa sobre poesia



Ana Wiesenberger, poetisa vai conversar com o público sobre a sua poesia no Domingo, 17 de Dezembro, pelas 15h00, na Casa da Cultura de Setúbal, actividade animada pelo projecto "Pelas Letras é que Vamos". Para a agenda!

Para a agenda: "Prosas Bíblicas" em Setúbal



Fernando Pinto do Amaral vai estar em Setúbal para apresentar o livro Prosas Bíblicas, de Maria Sofia Magalhães. Na Casa da Avenida, no sábado, 16 de Dezembro, pelas 17h00. Paulo Curto Baptista fará apontamento musical. Para a agenda!

Para a agenda: "Mutatis Mutandis" visitada pelas ideias dos artistas



Se ainda não visitou a exposição "Mutatis Mutandis" na Galeria Municipal do ex-Banco de Portugal, em Setúbal, a oportunidade pode ser a do dia 16 de Dezembro, sábado, pelas 16h30, em que os artistas vão guiar a visita, abertos a críticas e comentários dos visitantes. Uma realização do grupo Synapsis. Para a agenda!

Para a agenda: Propriedades de casas nobres da família setubalense Cabedo



A investigadora Maria João Pereira Coutinho traz até Setúbal elementos para o historial da família sadia Cabedo, através da conferência "As propriedades de casas nobres da família Cabedo em Setúbal e Lisboa: Da implantação à evolução morfológica".
A iniciativa é integrada no programa das comemorações do Bicentenário de João Carlos de Almeida Carvalho e vai acontecer amanhã, 15 de Setembro, pelas 21h30, no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal. Para a agenda!

sábado, 9 de dezembro de 2017

Francisco Borba: Contar a história do Balneário Doutor Paula Borba por documentos, imagens e afectos



O livro O Balneário - Memória de Setúbal, de Francisco Borba (Setúbal: ed. Autor, 2017), pode (e deve) ser lido tendo em consideração diversos ângulos: o da história local, o do jogo que os documentos fazem com o tempo, o do contributo dos arquivos familiares para a memória colectiva.
Na primeira abordagem, a da história local, não restam dúvidas da intenção do autor, que fez questão de, em subtítulo, deixar registado tratar-se de uma “Memória de Setúbal”. Lermos sobre o Balneário Doutor Paula Borba neste registo de memória exige o contar a história, bem como implica a preservação do espaço edificado. E a história da construção cruza-se com a narrativa da saúde pública em Setúbal: a falta de cuidados de higiene gerava, antes da existência do balneário, uma sarna atenuada, por aqui designada como “pica-pica”, impossível de ser debelada porque faltava o antídoto essencial - o banho.
O pretexto para ajudar à resolução do problema surgiu pelo contexto histórico. Desde 1898 que o Dr. Paula Borba exercia clínica em Setúbal, frequentemente ajudando os mais necessitados, o que lhe valeu o título de “pai dos pobres de Setúbal”, como os autores Rodrigues Marques e Manuel Marques registaram na sua obra Subsídios para a História dos Hospitais de Setúbal (Setúbal: ed. Autores, 1984) e como Rogério Claro referiu na biografia que, dois anos depois, fez sobre este médico, sadino de adopção, mas açoriano por nascimento (Dr. Francisco de Paula Borba - 1º Cidadão Honorário de Setúbal. Setúbal: ed. Autor, 1986).
Em Agosto de 1917, tempo da Grande Guerra, em que Portugal lutava nas frentes africanas de Angola e de Moçambique e na frente europeia, na Flandres, o médico Paula Borba era notificado para ser incorporado no exército português como alferes médico miliciano. A reacção da Santa Casa da Misericórdia, detentora do hospital que então existia, e a atitude dos setubalenses, que consideravam a obra e o papel deste clínico indispensáveis para a cidade, não se fizeram esperar e uma comissão foi criada para ir junto dos ministérios, a Lisboa, pedir a revogação da decisão. Certo foi que, seis dias depois da convocatória, em 29 de Agosto, Setúbal recebia a notícia da desconvocação do seu benfeitor e logo uma manifestação popular tomou a rua para se congratular com a decisão. Tal alegria iria ainda ser selada por uma subscrição pública com o objectivo de ser oferecida ao Dr. Borba uma obra de arte como sinal de agradecimento. Mas o homenageado tomou a dianteira e, ao conhecer o espírito da iniciativa, pediu que o valor da subscrição pública fosse encaminhado para a construção de um balneário nas imediações do Hospital da Misericórdia.
A Comissão informou a população sobre esta intenção e, no início de Fevereiro de 1918, decidiu avançar com a construção do dito balneário, que teve colocação da primeira pedra em 4 de Maio de 1919. Dificuldades financeiras levaram a que a obra fosse entregue à Santa Casa da Misericórdia de Setúbal e a que houvesse interrupção nas obras, antes da chegada do dia 31 de Maio de 1926, data de inauguração do balneário, que previamente fora definido dever receber o nome do médico como patrono, decisão que foi comunicada à Misericórdia como tendo validade perpétua.
Esse final de Maio foi data festiva pela concretização da obra, com direito a publicação de um número único do jornal O Balneário, visando contar a epopeia da construção, fazer a memória descritiva do edifício e da sua importância e enaltecer o seu patrono, a comunidade e os trabalhadores e benfeitores que contribuíram para que o sonho se transformasse em realidade.
Sobre qual foi a importância do balneário para a cidade bem a pode testemunhar a estatística que Francisco Borba apresenta, relativa à frequência entre 1926 e 1952, período em que cumpriu a função a que se destinava - das 6343 utilizações em 1926 até às 10490 em 1952, com os anos de 1946 a 1950 a terem utilizações anuais acima das 12400 (o ano em que a frequência bateu o record foi o de 1948, que atingiu as 13383 utilizações). Em 26 anos de funcionamento, o total de utilizações foi superior às 240 mil (241196, mais precisamente).
A segunda perspectiva de leitura, a do jogo que os documentos fazem com o tempo, é uma das vantagens deste livro. Se, num primeiro momento, Francisco Borba conta partes da história, chamando a atenção para os aspectos mais importantes do investimento, mostrando reproduções de vários documentos (correspondência, contabilidade, auto da colocação da primeira pedra, entre outros), já a segunda parte é constituída pelo conjunto fac-similado de fontes importantes para o conhecimento da história do Balneário, como: o prospecto de apresentação das intenções e da memória descritiva do balneário, editado pela Comissão responsável pela construção em 1918 (assinado por Carlos Manito Torres); o número único do jornal  O Balneário; a reprodução dos oito postais comemorativos da inauguração desta valência; finalmente, o acervo fotográfico de Carlos Manito Torres relativo ao interior do edifício.
O leitor passa por estes documentos e experimenta o contacto com as fontes que contam a narrativa do Balneário, quase como se lhe fosse dado viver o momento, participar na obra colectiva, assistir à construção.
O documento de 1918 justifica-se logo no início com a intenção de “esclarecer os interessados acerca dos motivos” que impediam o andamento célere da obra, historiando as tomadas de decisões e justificando a insistência na vertente do auxílio público. Depois de apresentar as contas, surge a “Memória Descritiva e Justificativa” que advoga a simplicidade da construção - “Nenhum género de edifício, mais do que o destinado a um balneário, se presta à exibição de pompas e grandezas arquitectónicas”, diz Manito Torres, justificando com a fama dos balneários da antiguidade clássica. Contudo, a opção seguida foi diferente da que a tradição dessa antiguidade nos fez chegar, como justifica o mesmo autor: “A obra que se projecta terá um cunho de simplicidade e modéstia absolutas”, acrescentando que reduziu “tudo quanto, na estrutura e na aparência do edifício, podia reduzir-se, sem prejuízo das suas funções principais”. Poucas linhas adiante, esclarece que “as dimensões se limitaram ao mínimo, o interior mostra uma modesta singeleza e a fachada foi projectada com a máxima simplicidade”. Todos estes considerandos nos fazem hoje compreender o ar espartano que o exterior do edifício apresenta... Se associarmos a isto a impecável reprodução das fotografias feitas por Manito Torres cerca de oito anos depois, a preto e branco, bem podemos verificar que a intenção do projectista foi levada a bom termo...
O jornal de 1931, reunindo as colaborações de Carlos Manito Torres, de Fernando Garcia (neto de Garcia Peres), de Eloy do Amaral, de Manuel Gamito, de Edmundo Motrena e de Oscar Paxeco, visou enaltecer a conclusão da obra e os seus heróis. Daí que não seja de espantar o tom encomiástico e laudatório, em primeiro lugar para homenagear o Dr. Francisco Paula Borba, mas também para enaltecer todos os obreiros envolvidos, desde os membros da Comissão responsável até aos trabalhadores e respectivas chefias de especialidade. Do Dr. Paula Borba é reproduzido nesse jornal o fac-símile de uma carta, datada desse Maio de 1926, dirigida ao engenheiro Manito Torres, a escusar-se da responsabilidade de escrever sobre o balneário, desculpa que apresenta num tom elevado e digno: “Devia, como pedes, escrever algumas palavras para o número comemorativo O Balneário, mas não tenho o temperamento necessário para enaltecer uma obra que a generosidade de bons amigos apelidou com o meu modesto nome.” E, depois de agradecer a todos os colaboradores, insiste, em tom de sublime modéstia: “Um só defeito lhe encontramos: o apelido que lhe deram, porque, acima de um nome, está a população de uma cidade.”
Num estilo publicista, dado pelo próprio título do seu texto - “Pró-Setúbal” -, Eloy do Amaral enaltece a cidade e apela à participação de todos para que a modernização de Setúbal passe pela preocupação com o turismo, destacando algumas boas realizações já existentes na cidade (casos, na cultura, da revista Cetóbriga e do Clube Setubalense; no desporto, do Vitória Futebol Clube e do Clube Naval; no empreendedorismo, de um hotel) para concluir com o encantamento que sentiu ao visitar as instalações do balneário, “obra admirável” e um “relevantíssimo serviço”.
O mesmo tom publicista usará Oscar Paxeco ao contar a história da assistência e da prática caritativa em Setúbal e realçar que a inauguração do balneário vinha “preencher uma falta que de há muito entre nós se fazia sentir”.
Carlos Manito Torres, como autor do projecto, retoma neste jornal a descrição da obra feita, salientando a qualidade da mesma e acentuando a marca portuguesa: “Resta acrescentar”, diz a finalizar um dos seus textos, “que, à excepção da caldeira, das tinas de ferro e de alguma tubagem, tudo o mais pertence à indústria nacional. Mosaicos, azulejos, louças, tinas de cimento e aparelhagem metálica, tudo isso é português”. O último texto de Manito Torres é uma homenagem aos colaboradores do Balneário, mencionando os mestres, o trabalhador do escritório, os mestres-operários, as empresas colaboradoras e recordando que o mais antigo operário fora o Evaristo, mudo, jovem de 16 anos adoptado pela Misericórdia, assumido como mascote do empreendimento e que teve a honra de ser o seu primeiro utilizador e também o seu primeiro divulgador experimentado - “no dia seguinte”, narra Manito Torres, “solicitou novo duche e, tomado ele, de novo se dedicou, em plena cerca, à propaganda da hidroterapia”.
Com o acesso a estes textos, o leitor percorre os caminhos da investigação, sendo árbitro de um jogo que os documentos fazem com o tempo.
Quanto ao contributo dos arquivos familiares para a memória colectiva, a terceira abordagem que proponho, podemos fixar-nos na curta “Introdução” com que Francisco Borba abre o livro, aí revelando que os documentos que apresenta são oriundos da sua biblioteca e foram compilados por seu avô, Francisco de Paula Borba, e por seu pai, João Botelho Moniz Borba, tendo o primeiro sido o protagonista e criador do Balneário e tendo tido o segundo um papel fulcral na história cultural setubalense.
Se esta indicação é também um gesto de homenagem (e Francisco Borba já teve idêntica atitude quando, em 2010, publicou a obra Museu de Setúbal e o seu Fundador João Botelho Moniz Borba), também o próprio acto de disponibilização dos fundos arquivísticos se pauta por uma atitude de partilha com a comunidade, por uma atitude de cumprimento e de oferta para a memória colectiva. E esta leitura, porque nos ensina, porque nos lembra, não é menos importante do que qualquer outra, sobretudo porque é ela que nos permite todas as outras e é ela que se afirma como um contributo cívico para a identidade, com que nos devemos congratular. Obrigados ficamos ao autor.
Mas esta possibilidade de leitura interpela-nos também para um sentido de responsabilidade que vai além do gesto de partilhar: é que o edifício foi construído para resolver um problema da população, com a ajuda e o empenho dos setubalenses. Passados anos, passadas tantas voltas, seria bom que se pudesse contar com a permanência deste marco de altruísmo, de generosidade e de saúde e que, independentemente de outras finalidades que lhe possam ser cometidas, ali fosse albergado um núcleo museológico sobre a prática da saúde e da assistência em Setúbal, uma hipótese que Francisco Borba aflora quase em sussurro no final do seu escrito. Seria uma boa forma de preservar a história, de mostrar a importância que Setúbal teve neste plano e de cultivar a memória!
(Texto da apresentação do livro, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, hoje)

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Para a agenda: A história do Balneário Paula Borba em livro evocativo



Em Agosto de 1917, em Setúbal, uma homenagem a um médico transformou-se numa iniciativa cívica em prol da saúde dos sadinos: nascia a ideia do balneário público que, depois, viria a ficar consignado documentalmente que se chamaria para sempre Balneário Paula Borba.
Um século depois, Francisco Borba, neto do patrono, conta a história desta instituição no livro O Balneário - Memória de Setúbal, obra prefaciada por António Cunha Bento e apresentada por João Reis Ribeiro. No dia 9 de Dezembro, pelas 16h00, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal. Para a agenda!

Para a agenda: "Eu depois inventei o resto", na Casa da Avenida



"Eu depois inventei o resto" é o título da tertúlia em torno do tema "de que falamos quando falamos de criação artística?". Intervenientes são José Teófilo Duarte, Maurício Abreu, João de Azevedo e Helder Moura Pereira. Na Casa da Avenida, em Setúbal, em 8 de Dezembro, pelas 17h30. O tema e os participantes prometem. Para a agenda!

Para a agenda: Setúbal celebra 80 anos de Ary dos Santos



Ary dos Santos, autor de poemas fortes de intervenção, completaria 80 anos neste mês de Dezembro. A efeméride vai ser assinalada pela Casa da Poesia de Setúbal numa sessão a ocorrer em 7 de Dezembro, pelas 18h00, na Biblioteca Municipal de Setúbal, em que intervirá Maximiano Gonçalves, que testemunhará sobre o seu convívio com o poeta. "As Portas que Ary Abriu" é o título da sessão, inspirado no título de Ary As Portas que Abril Abriu. Para a agenda!

Para a agenda - Vinhos Solidários em Setúbal, pela Casa da Poesia



A Casa da Poesia organiza a sua terceira edição dos "Vinhos Solidários", em parceria com a Casa Ermelinda Freitas. A receita da venda tem sido encaminhada para organizações de apoio e solidariedade locais. O destino da receita desta edição é o grupo de apoio de Setúbal da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
Os "Vinhos Solidários" têm a particularidade de possuírem rótulo próprio com transcrição de um poema de autor consagrado. Na edição deste ano, a série de seis garrafas terá as palavras de Pedro Homem de Mello, Sophia de Mello Breyner, Miguel Torga, Eugénio de Andrade, Ary dos Santos e Florbela Espanca.
"Vinhos Solidários 2017" vai acontecer na Casa da Baía, em 9 de Dezembro, pelas 15h30. Para a agenda!

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Em dia de Fernando Pessoa (7), 82 anos depois da partida



"Mar Português", um dos mais extraordinários poemas em língua portuguesa. Na loja do "Mundo Fantástico das Conservas Portuguesas", em Lisboa.