domingo, 11 de novembro de 2018

Sebastião da Gama: O mais antigo (e mais jovem) poema (em que se fala de reis e de Portugal)




Sebastião da Gama tinha 10 anos quando escreveu aquele que é hoje o seu mais antigo poema de que existe prova escrita. Trabalho escolar, sobre os reis de Portugal, a ele se referiria no Diário para datar um episódio da sua vida. Vale relembrar o poema; por isso, aqui reproduzo texto que foi publicado no mensário Jornal de Azeitão, em Novembro (n.º 266, 2018-11, pg. 15).
A acompanhar o texto, uma fotografia de parte do manuscrito do poema.

Valle-Inclán: As ruínas das coisas e das vidas que a guerra alimentou



“Era meu propósito condensar num livro os vários e diversos lances de um dia de guerra em França.” Assim começa Ramón del Valle-Inclán o seu livro A Meia-Noite - Visão Estelar de um Momento de Guerra recentemente editado em versão portuguesa (Porto Editora / Assírio & Alvim, 2018). Era, pois, intenção do autor relatar a guerra, a partir de diversas latitudes e a um tempo, de forma a haver uma visão de conjunto. Coisa impossível, como se imagina - e como o próprio autor admitiu no mesmo texto prefacial, ao dizer que “todos os relatos estão limitados pela posição geométrica do narrador.”
Valle-Inclán (1866-1936), galego, pertencente a um país que manteve a sua neutralidade aquando da Primeira Grande Guerra, cedo assumiu uma posição a favor dos Aliados, ao subscrever, em 1915, o “Manifiesto de los Intelectuales Españoles”. No ano seguinte, em Abril, por indicação do seu amigo Jacques Chaumié, tradutor, visitaria França, andando, pelos finais de Maio e início de Junho, pela “Frente”, na zona das trincheiras. Passados uns meses, entre Outubro de 1916 e Fevereiro de 1917, o periódico madrileno El Imparcial publicaria as crónicas resultantes dessa viagem, que Valle-Inclán reuniria em livro ainda em 1917, apresentando visões de uma guerra que só viria a acabar em Novembro de 1918.
Ainda na nota introdutória, Valle-Inclán refere já indicações do que viria a ser o sofrimento por causa da guerra, antecipando um quadro que foi real e dramático: “Quando os soldados de França voltarem às suas aldeias, e os cegos caminharem pelas veredas com os seus cães, e os que não têm pernas pedirem esmola à porta das igrejas, e os mancos correrem de um lado para o outro com alegre ofício de recebedores do dízimo; quando no fundo dos lares se nomearem os mortos e se rezar por eles, cada boca terá um relato distinto, e serão centenas de milhares os relatos, expressão de outras tantas visões, que acabarão por resumir-se numa visão, cômputo de todas. Desaparecerá então o pobre olhar do soldado, para criar a visão colectiva.” De facto, todas as marcas que ficaram da guerra, físicas ou psicológicas, assemelharam-se a um estado de ruína humana, povoado pela dor, pelo sofrimento, pelo desgaste e pela descrença. Depois de um século cheio de guerras como foi a época oitocentista, o menos desejado era o ciclo da guerra - mas foi exactamente o que aconteceu.
Nas trincheiras visitadas por Valle-Inclán, fedia “a morto como na jaula das hienas”, não se calando “o estrondo do canhão rolante pelo seu céu”. O desprezo pelo humano era intenso - “os ratos correm vivazes pelos taludes, as ratazanas aguadeiras pelo fundo lamacento, e rajadas de vento trazem frias pestilências de cadáver”. O repórter vai passando e o que vê são marcas dessa ruína que dos edifícios passa para os humanos e para as relações pessoais - se, de um e de outro lado, “as casas mostram os seus esqueletos vermelhos e fumegantes”, noutro ponto, são “cadáveres de alguns soldados alemães” que “flutuam nas águas” apresentando um aspecto de horror, “inflados e tumefactos”, uns sem cabeça, outros com marcas de flagelo nos corpos.
Os cenários descritos são infernais - aldeias a arder, personagens trágicas, bombas que cavam a terra. E, enquanto a tempestade de ferro atroa os ares na sua função destruidora, “os mortos ficam para trás, esmagados sobre a terra, seminus, com as roupas desfeitas pelas explosões” e os feridos “arrastam-se pelas esgaivas, procuram onde esconder-se, e, encontrando um local seguro, levantam os seus clamores pedindo socorro”. Para onde o olhar se dirija, “a névoa está cheia de vozes perdidas, empenhadas de dor”.
Foi Aquilino Ribeiro que, em Alemanha Ensanguentada (1935), registou sobre os bombardeamentos da cidade de Arras que “nesta linha se escreveu uma epopeia de sangue e de bravura que escurece a Ilíada”. Nessa viagem aos campos de batalha que Aquilino fez em 1928, embora assistindo-se já à reconstrução ensaiada pelos franceses, vai havendo sempre margem para registar as “árvores decapitadas”, a paisagem que “trasborda de melancolia” ou o chão em que “os mortos escutam”. Dez anos eram passados sobre o final da Grande Guerra e as marcas da dor e do sofrimento permaneciam, mesmo que sob as luzes da reconstrução. A mesma cidade de Arras foi apresentada, depois de destruída, por Valle-Inclán como “o espectro de uma cidade bombardeada”.
Na sua missão de observador, o cronista vai também contando histórias ouvidas, dramáticas de dor, pungentes no sofrimento que transmitem, como a da rapariga francesa grávida que se volta para o médico e clama: “Doutor, eu não quero ter um filho dos bárbaros!... Não quero carregar com este! Se não me liberta desta cadeia, mato-me!”
Valle-Inclán participou também numa viagem aérea de observação e sentiu como os soldados a tensão do assalto às trincheiras, ora classificado com qualitativos como “magnífico” e “pujante”, ora anulado o heroísmo perante um “cego impulso de vida sobre o fundo de dor e de morte”.
As crónicas são curtas (pouco mais de uma centena de páginas para quarenta capítulos), não ultrapassando o absolutamente necessário quanto a narração ou a descrição, mexendo sobretudo com a forma de sentir. O parágrafo final apresenta uma ideia premonitória do que será o final da guerra, trazida pelo nascer do dia que permite ver o que aconteceu durante a noite: “Nos átrios das velhas cidades estalam as granadas, caem as pedras das catedrais, os pórticos corados de santos tremem nos seus cimentos, rompem-se as rosáceas, e as andorinhas voam assustadas pelas naves desertas. À luz do dia que começa, a terra mutilada pela guerra tem uma expressão dolorosa, reconcentrada e terrível.”
Os textos deste A Meia-Noite - Visão Estelar de um Momento de Guerra encontram unidade no cenário catastrófico que se vai tornando visível, espécie de caos, num mundo povoado de destruição, construído de ruínas. As personagens que entram nas histórias são fugazes, ajudando a compor o sentido da dor, quase tendo necessidade de desaparecerem, não vá a ruína tomar conta delas...
Não sendo esta uma obra dominada pelo cunho autobiográfico de um combatente - que Valle-Inclán não foi -, é preenchida pelo traço autobiográfico do testemunho, questionando a guerra e todos os seus efeitos, confrontando o heroísmo humano com a morte, afinal o que mais hipóteses tem de acontecer numa situação de guerra. Rapidez, leveza e emoção, associadas a uma quase prosa poética, em que o ser humano se confronta com o inimaginável, são aspectos fortes deste livro, que ajuda o leitor a conhecer o cenário que os combatentes usaram, já que são eles, colectivamente, que agem em todas as histórias e que, pensando na vitória, semeiam a tempestade bélica.
Esta obra de Valle-Inclán é uma proposta de leitura para este tempo em que passa o centenário do armistício, uma proposta de leitura para que o mundo seja construtor de paz e não espaço de guerra.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Para a agenda - Leituras da Grande Guerra: o último fuzilado, as memórias, o impacto social e político



A Biblioteca Pública Municipal de Setúbal recebe no sábado, 27 de outubro, a apresentação da obra “João Almeida, o último Fuzilado, e outras leituras da Grande Guerra”, da autoria de Albérico Afonso Costa e João Reis Ribeiro.
A obra, apoiada pelo Instituto Politécnico de Setúbal, será apresentada por Viriato Soromenho-Marques, em sessão marcada para as 18h00.
Quase a completar-se o ciclo de memória do centenário da Grande Guerra, este livro é constituído por seis abordagens relacionadas com esse momento histórico: “A receção do antimilitarismo no movimento operário português”, “Os partidos políticos face à Guerra”, “Jaime Cortesão: um intelectual perante a Guerra”, “Aquilino Ribeiro – diário do início da Guerra”, “O impacto social e político da I Grande Guerra no movimento operário” e “O fuzilamento do soldado João Almeida – Da farsa de um julgamento à tragédia de uma execução”. As fontes principais para a organização desta obra foram a imprensa da época, os testemunhos memorialísticos sobre esse tempo histórico e documentação preservada em alguns arquivos.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Sebastião da Gama e Luís Amaro: Uma amizade para sempre



Por meados da década de 1990, estava com alunos numa visita de estudo em Monsaraz. A dada altura, três pessoas aproximavam-se do restaurante. Uma dessas pessoas era Luís Amaro. Reconheci-o por uma fotografia que vira pouco antes, sabia do seu trabalho em favor da literatura portuguesa, tinha alguma informação sobre a sua amizade com Sebastião da Gama. Tendo ao alcance a oportunidade de o conhecer, meti conversa. Ficou admirado por o ter reconhecido, pois não era dado a publicitações e cultivava a sua discrição. Lá contei como o conhecia e falei-lhe de Sebastião da Gama, da “Colóquio-Letras” e de literatura. Mantivemos um bom bocado de conversa. E, à despedida, voltou a manifestar a sua admiração por o ter reconhecido...
Passaram uns anos e, por 2007, voltei a contactá-lo, agora por carta. Fomos mantendo diálogo, ora por telefone, ora epistolarmente. Deu-me informações sobre Sebastião da Gama, fez-me chegar indicações bibliográficas, enviou-me anotações sobre a edição do “Diário” de Sebastião da Gama que preparei no sentido de melhorar uma próxima edição, ofereceu-me o seu livro com dedicatória a propósito, usando sempre uma afabilidade e disponibilidade que me impressionaram. Em duas das cartas referiu a lembrança daquele encontro em que nos conhecemos em Monsaraz, num gesto de memória extraordinário.
Senti perder um amigo e uma grande oportunidade de mais saber quando fui informado do seu falecimento em finais de Agosto.
Inevitavelmente, na rubrica “Evocar Sebastião da Gama”, teria de lembrar a extraordinária relação de amizade e essa aproximação fraternal que envolveu Luís Amaro e Sebastião da Gama (Jornal de Azeitão: nº 265, 2018-10, pg. 15).

sábado, 15 de setembro de 2018

Bocage, poeta, português, setubalense, 253 anos



Uma inscrição num canto de Setúbal traz-nos Bocage e uma universal verdade sobre que poetou - esta consta num soneto: "De quantas cores se matiza o Fado! / Nem sempre o homem ri, nem sempre chora, / Mal com bem, bem com mal é temperado."
Parabéns, Bocage!

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Sebastião da Gama, a Arrábida e a criação da Liga para a Protecção da Natureza (LPN)


Sebastião da Gama tinha 23 anos quando tomou uma atitude de defesa do património da serra da Arrábida, tentando conquistar parceiros para a causa. A protecção desse património natural não foi imediata, mas a LPN (Liga para a Protecção da Natureza), criada um ano depois, foi a primeira consequência do "grito" deste jovem em defesa da "sua" serra.  Vale relembrar aspectos da história; por isso, aqui reproduzo texto que foi publicado no mensário Jornal de Azeitão, em Setembro (n.º 264, 2018-09, pg. 15).
A acompanhar o texto, uma fotografia de Sebastião da Gama na praia de Galapos, em 1940.criar site


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

José Tolentino Mendonça e a biblioteca


D. José Tolentino Mendonça, arcebispo e poeta, no dia em que assumiu o cargo de responsável pela Biblioteca do Vaticano, em entrevista a António Marujo (no Público, de 1 de Setembro), deu uma definição extraordinária de biblioteca - por um lado, pela simplicidade, e, por outro, pela linguagem metafórica. Prova de sabedoria, de facto. A reter, porque para pensar.

“Digo muitas vezes que a minha primeira biblioteca foi a minha avó materna. A minha avó não sabia ler e a única palavra que, com imensa dificuldade, conseguia escrever era o seu próprio nome. Nada mais do que isso. Mas tinha dentro da cabeça um inteiro reportório do cancioneiro oral com os seus contos, os romances tradicionais, as múltiplas formas da lírica popular, que não se cansava de transmitir. Com a minha avó analfabeta aprendi aquilo que depois os meus anos de estudo só confirmaram: que a palavra escrita é inseparável da voz humana. Que todos os textos do mundo têm dentro de si os vestígios de uma voz. Que a literatura outra coisa não é do que uma fantástica concha acústica, onde podemos reencontrar a interminável conversa que os seres humanos mantêm. Que o silêncio das bibliotecas outra coisa, na verdade, não é do que um impressionante coral com milhões de vozes que atravessam os tempos, cuja audição nos avizinha do inesgotável e fascinante mistério da vida...”

sábado, 1 de setembro de 2018

Prémio literário Bocage já tem vencedor: "A Casa do Ser", de António Canteiro



António Canteiro é o vencedor da XX edição do Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage, promovido pela LASA (Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão) com o trabalho A Casa do Ser, na modalidade de poesia, cujo prémio será entregue na tarde de 15 de Setembro, feriado municipal em Setúbal e dia de Bocage.
António Canteiro, pseudónimo de João Carlos Costa da Cruz, é natural de Cantanhede. Detentor de vários galardões literários, mereceu em 2013 o primeiro lugar no Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama com a obra O Silêncio Solar das Manhãse, em 2015, o primeiro lugar no XVII Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage com a obra Na Luz das Janelas Pestanejam as Sombras.
O júri decidiu não atribuir prémio na modalidade de “Revelação”.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Manuela Tomé: A história de Setúbal pela sua arquitectura



O título Topologia e Tipologia Arquitectónica - Setúbal - Séculos XIV-XIX - Memória e Futuro da Imagem Urbana, de Manuela Maria Justino Tomé (Casal de Cambra: Caleidoscópio, 2018), é longo, mas conta tudo o que pode ser encontrado dentro do livro, haja em vista as referências ao objecto de estudo, à localização, à periodização e ao exercício de reflexão crítica.
Ao longo das suas mais de duas centenas de páginas, a obra está organizada em sete capítulos, intitulados de acordo com o seu assunto e com a cronologia (“A Cidade - Enquadramento Local e Histórico”, texto introdutório; “A Urbe - Sécs. XIV-XVI”, com a vila delimitada pela muralha medieval; “A Restauração”, abrangendo as alterações do séc. XVII; “Consolidação do Aglomerado Urbano”, sobre os efeitos dos sismos de 1755 e de 1858; “Núcleos entre Muros”, analisando o crescimento de Setúbal para Tróino, Palhais e Fontainhas; “Tipologia Arquitectónica” e “Memória e Futuro da Imagem Urbana”). Aqui, o leitor passeia pela história de Setúbal sob o ponto de vista da imagem urbana, com abundante recurso à cartografia, exemplarmente reproduzida. Os mapas, as cartas e os desenhos da cidade vão sendo os propulsores de uma história que já vem desde a Idade do Bronze final e que a autora, arquitecta de formação, nos faz acompanhar até ao presente.
A viagem permite a visita ao documento cartográfico mais antigo reproduzido, o portulano do genovês Angelino Dulcert (de 1339), ao mapa de Setúbal constante na “Tabula Hidrographica” (de 1594) e àquela que será a “planta mais antiga de Setúbal” atribuída a Filipe Terzio ou ao Capitão Fratino, apresentada por Alexandre Massay (em 1617), entre umas dezenas de representações do espaço designado por Setúbal que entram pelos séculos XV a XX.
Segue o viajante o texto e as imagens e vai-se tornando claro o que é o crescimento de uma cidade, um quase ser vivo que se vai ajustando às pressões do tempo, aos acontecimentos históricos, às necessidades dos moradores, às modas de cada época, ao desenvolvimento económico e também aos caprichos da Natureza. Os tempos explicam a forma da cidade e ajudam a compreender as estruturas do casario ou o traçado das ruas e vai sendo possível haver sobreposições de cartas para o encontro com o que se mantém e com o que foi sendo alterado, para a vista sobre qual foi o percurso que a cidade teve até ser o que é hoje - a povoação saiu das muralhas mas foi mantendo a forma que lhe fora transmitida, o centro urbano já passou pela Praça da Ribeira e pelo Largo de Santa Maria, a Feira de Santiago já assentou no Terreiro de Jesus, obviamente numa cidade que tinha outras geografias, mas cujo crescimento foi sempre acompanhando a janela de ver o rio e só bem mais tarde a mancha alastrando para o interior, numa evolução frequentemente pontuada pelos estabelecimentos públicos e militares e pelas construções religiosas.
Torna-se esta leitura um percurso para o encontro com o património cultural sadino e com aquilo que o define, num quase jogo com os valores que houve e com aqueles que se mantiveram, num cavaquear entre a memória e a singularidade construtora de uma identidade.
Necessariamente, este livro denota também preocupações pedagógicas e não deixa de lado algumas chamadas de atenção, como esta, quase no final: “A sociedade actual é fundamentalmente determinada pelo factor económico, que influencia todas as áreas da cidade, interferindo com os valores identitários da sua comunidade, aqueles que são pertença comum e que fazem com que esse património seja também nosso. É premente pensar e decidir, no presente, o futuro desse património, direccionado para a sua continuidade cultural e vivencial, e não apenas pelo domínio dos factores economicistas, actualmente, tendencialmente muito ligados à indústria do turismo, e em função das suas exigências, pelo crescimento e desenvolvimento económico que representa.” É que o temor advém da necessidade de sensibilidade para que aspectos fundamentais do que tem sido a cidade não sejam adulterados ou desajustados. E, quase a roçar a actualidade (lembremo-nos de que o livro, sendo de 2018, é o texto de dissertação de doutoramento em Arquitectura, apresentada pela autora na Universidade da Beira Interior em 2015), no que respeita às tipologias e às reconstruções ou adaptações, Manuela Tomé adverte: “Em zonas de grande sensibilidade os revestimentos e os pormenores de construção ou a cor assumem um papel muito importante na imagem urbana e autenticidade na arquitectura. A cor é uma referência cultural.” Valerá a pena o leitor questionar-se sobre a paisagem (re)construída que vai vendo e reflectir sobre a coerência dessa paisagem com a função do objecto e com as memórias da cidade...
Lê-seTopologia e Tipologia Arquitectónica - Setúbal - Séculos XIV-XIX - Memória e Futuro da Imagem Urbana e não se pode ficar indiferente à cidade, à sua forma e àquilo que ela nos diz. Será esta uma obra de consulta obrigatória para o conhecimento de Setúbal, aliando história e descrição, pondo ao nosso alcance um extenso, completo e rico acervo iconográfico no âmbito da cartografia e das tipologias, que muito enriquece a bibliografia da história local e da história da arquitectura.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Sebastião da Gama: O Último Texto



"Encarcerar a asa" foi o último texto que o poeta azeitonense Sebastião da Gama escreveu. Vale falar sobre a(s) simbologia(s) desse texto e sobre a esperança que o poeta tinha; por isso, aqui reproduzo texto que foi publicado no mensário Jornal de Azeitão, em Agosto (n.º 263, 2018-08, pg. 15).
A acompanhar o texto, uma fotografia de pintassilgo (a ave que motivou o texto) retirada do blogue de Armando Marques.como montar uma loja virtual