quinta-feira, 23 de abril de 2015

Para a agenda: Os 41 anos de Abril em Setúbal



No 41º aniversário do 25 de Abril, Setúbal oferece uma variedade de eventos para assinalar a data condignamente. Múltiplas, bastantes e interessantes actividades em que a identidade se revela à mistura. Para a agenda!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Para a agenda - Quando Setúbal passou a cidade



A propósito da passagem de Setúbal a cidade, o Centro de Iniciativas Manuel Medeiros da UNISETI promove hoje palestra a cargo de Alberto Pereira. Na Casa da Cultura. Para a agenda.

Para a agenda - Miguel Real em Setúbal



O mais recente livro de Miguel Real chega a Setúbal pela mão do seu autor. O último Europeu tem apresentação marcada para 25 de Abril, pelas 16h00, na Casa da Cultura. Uma iniciativa do Centro de Estudos Bocageanos. Para a agenda.

Para a agenda: a religiosidade da Arrábida, por Ruy Ventura



O religioso e a espiritualidade da Arrábida, dimensões nem sempre mostradas, mas presentes na história cultural da serra. Ruy Ventura, há muito tendo enveredado por esse estudo, vai abordar o tema "A criatura e o Criador na religiosidade da Arrábida", por onde passarão Frei Agostinho da Cruz e Sebastião da Gama. Em 26 de Abril, no Seminário de S. Paulo de Almada. Para a agenda.

sábado, 11 de abril de 2015

Para a agenda: Setúbal nos 155 anos de elevação a cidade



Em 19 de Abril passa o 155º aniversário da elevação de Setúbal a cidade, reinava D. Pedro V. O pedido fora formulado dois anos antes, em 14 de Abril de 1858, em carta assinada pelos membros da Câmara sadina (Aníbal Álvares da Silva, presidente, e José Joaquim Correia, Francisco Joaquim Peres, João Sezinando de Freitas Sénior, Joaquim Mata Guerreiro e Manuel José de Araújo, vereadores). A efeméride é lembrada em programa municipal com várias iniciativas. Para a agenda.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Para a agenda: Nos 91 anos de Sebastião da Gama



Em 10 de Abril, passam 91 anos sobre o nascimento de Sebastião da Gama, poeta nascido em Azeitão em 1924, com um período de vida que não chegou aos 28 anos e que deixou uma obra reconhecida no domínio da poesia, da pedagogia e do ensaio, apesar de apenas ter publicado três livros e uns quantos poemas em periódicos diversos. A sua obra viria a ganhar projecção postumamente, tendo sido publicados cerca de uma dúzia de títulos, reconhecimento a que não foi alheia a acção desenvolvida por sua mulher, Joana Luísa da Gama (1923-2014), e por vários amigos (como David Mourão-Ferreira, António Manuel Couto Viana, Luís Lindley Cintra, Hernâni Cidade, Matilde Rosa Araújo ou Luís Amaro). Pela pluralidade da sua obra e pela mensagem que transmite, Sebastião da Gama é hoje uma figura da cultura portuguesa, sobretudo nas áreas da literatura e da educação.
Em 10 e 11 de Abril, em Azeitão, será levado a cabo programa comemorativo a cargo da Câmara Municipal de Setúbal, que inclui como pontos altos a leitura de poemas, uma exposição que cruza a poesia do homenageado com a serra da Arrábida e com a fotografia de Maurício Abreu e uma conferência por Alexandre Santos, estudioso do poeta.
[Foto: sítio da Câmara Municipal de Setúbal]

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Para a agenda - Olhar o céu, ver a noite



Uma observação astronómica nocturna em Quinta do Anjo. Para conhecer o Universo, a Terra; para conhecermos o tempo. Com a colaboração do Centro Ciência Viva de Estremoz. Para a agenda.

Para a agenda - Gala da APPACDM, em Palmela



A gala da APPACDM de Setúbal terá lugar em Palmela, em 10 de Abril. Uma organização em que os utentes têm dado provas de valor, de capacidade, de energia. Para a agenda.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Hoje, Dia Internacional do Livro Infantil



Passam 210 anos sobre o nascimento de Hans Christian Andersen, o tal mágico escritor dinamarquês que sobrevoa as imaginações, pai de imensas criaturas que povoa(ra)m a infância e que têm emprestado a alma a animações da Disney, por vezes com finais alterados, que os enredos de Andersen nem sempre eram felizes... A data de 2 de Abril passou a ser também a do Dia Internacional do Livro Infantil. Grande homenagem! Ao livro e a Andersen.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Adília Lopes, "Manhã" (2015)



Há um pequeno texto de Adília Lopes, “Praia”, inserido no seu mais recente livro, Manhã (Porto: Assírio & Alvim / Porto Editora, 2015), que bem elucida a estrutura desta obra: “Olhó Rajá fresquinho. Olhá batatinha frita. A praia do Estoril há 50 anos. Nunca gostei de batatas fritas nem de gelados. Mas gosto de escrever estas coisas.”
Deste livro, um circular entre a poesia, o diário, o fragmento, a memória, ressalta esse gosto sentido no “escrever estas coisas”, as mais insignificantes, as mais lembradas, as mais dotadas de uma simplicidade, seja pela fragilidade, seja pela imposição do quotidiano, seja pelo gesto de relembrar momentos, gostos, hábitos de uma vida, num continuado recuo ao passado. De forma serena, poética, sem necessidade de precisar o momento, antes o deixando a bailar na memória, algo que vive muito num pretérito imperfeito, responsável por trazer o passado até ao livro, até ao presente, trajecto assumido numa revelação como esta: “Tenho 54 anos e continuo a pensar como quando tinha 4. Sou feliz assim.”
O tom autobiográfico é ainda acentuado pela entrada de fotografias da infância e juventude da autora, elementos que surgem quase a marcar o ritmo desse género. O primeiro texto, “Colares”, leva a narradora a colar o sítio à sua “recordação mais antiga”, uma forma de marcar o início da memória. E logo por lá passam quadros de que não está afastada a literatura, com alusões a Proust e a Rimbaud. E, quando se chega ao último texto, tem a narradora lembranças capicuas dos 12 e dos 21 anos, volta-se a falar de literatura, do bom que é ler, e, no penúltimo parágrafo da obra, somos novamente surpreendidos por Proust (novamente a capicua). Para concluir que a vida adquire sentido por se “ter estudado e lido muito”. Para concluir que uma parte da vida se escreveu.
Um livro bonito. Que nos permite conviver com o humor que a vida também tem – repare-se no texto “Estrelas”: “Na missa, uma velhota a cantar a ladainha a Nossa Senhora em vez de cantar ‘stella matutina’ cantava ‘estrela na cortina’. Acho isto lindo.”
A ler.

Sublinhados
Pessoas – “Todas as pessoas são bonitas. As modas é que são estúpidas.”
Guerra – “Não gosto nada de guerras. Gosto muito de química mas não sei nada de explosões nem de explosivos. O Manneken-Pis evitou uma explosão ao fazer chichi para cima de uns sacos de pólvora. Ainda bem.”
Aprender – “Sem liberdade não se aprende nada.”
Ler – “Estudar e ler é quase o melhor que há.”

terça-feira, 31 de março de 2015

Bocage em selo - emissão filatélica de hoje



Quase 50 anos separam as duas emissões filatélicas em que Bocage é personagem central: a primeira, de finais de Dezembro de 1966, com desenho de Luís Dourdil, numa série de três selos com os valores de 1$00, 2$00 e 6$00, respectivamente, destinada a assinalar os 200 anos do nascimento de Bocage; a segunda, lançada hoje, com desenho assinado por Folk Design, selo destinado a cartas até 20 gr em correio azul nacional.
O selo hoje apresentado integra a série “Vultos da cultura portuguesa”, em que figuram seis personalidades cujos períodos de vida se relacionam com números redondos associados a 2015: Bocage, poeta (1765-1805); Francisco Vieira, pintor (1765-1805); Ramalho Ortigão, escritor (1836-1915); Ruy Cinatti, poeta (1915-1986); Frederico George, arquitecto (1915-1994); Agostinho Ricca, arquitecto (1915-2010). Bocage e Francisco Vieira foram contemporâneos, ambos tendo vivido pelo período de 40 anos, deles se celebrando este ano o 250º aniversário de nascimento.

[Foto inferior: série filatélica "Vultos da cultura portuguesa - 2015" - CTT, 31.Março.2015]

quarta-feira, 25 de março de 2015

Para a agenda: VI Encontro Livreiro, em Setúbal



O VI Encontro Livreiro chega em 29 de Fevereiro, domingo, para reunir na livraria Culsete, em Setúbal, todos os caminhos e atalhos que vão dar ao universo do livro. O momento será ainda aproveitado para a atribuição do diploma “Livreiros da Esperança”, a título póstumo, a Luís Alves Dias, da Livraria Ler, a ser entregue ao filho Luís Alves, actual gerente da livraria.
Realizando-se pelo sexto ano consecutivo na livraria setubalense Culsete, o Encontro Livreiro é, segundo comunicação da equipa coordenadora, “um espaço de reflexão e troca de ideias, mas também de convívio feito em torno dos livros”, feito “por todos aqueles que vivem em torno dos livros, todos aqueles que não entendem a sua vida sem livros, as gentes do livro, dos livreiros aos leitores, passando por editores, ilustradores, escritores, comerciais do livro, designers de comunicação, alfarrabistas, encadernadores, académicos, professores, bibliotecários, tradutores, jornalistas culturais e todos os outros.”
Dia 29, na Culsete, a partir das 15h00. Para a agenda!

terça-feira, 24 de março de 2015

"Orpheu", 100 anos hoje



Com o subtítulo de "Revista Trimestral de Literatura", o primeiro número de Orpheu surgiu em Lisboa em 25 de Março de 1915, dirigido por Luís de Montalvor e Ronald de Carvalho. Passados três meses, em 28 de Junho, apareceu o número dois, dirigido por Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro. Editada por António Ferro (1895-1956), a revista teve capa, nos  dois números, de José Pacheco (1885-1934). Colaboradores dos dois números foram Alfredo Guisado (1891- 1975), Almada Negreiros (1893-1970), Álvaro de Campos (heterónimo de Fernando Pessoa), Ângelo de Lima (1872-1921), Armando Côrtes-Rodrigues (1891-1971), Eduardo Guimaraens (1892-1928, brasileiro), Fernando Pessoa (1888-1935), Luís de Montalvor (1891-1947), Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), Raul Leal (1886-1964), Ronald de Carvalho (1893-1935, brasileiro), Santa Rita Pintor (1890-1918) e Violante de Cysneiros (pseudónimo de Côrtes-Rodrigues).
Na "Introdução", publicada no primeiro número, escreveu Luís de Montalvor: "Nossa pretensão é formar, em grupo ou ideia, um número escolhido de revelações em pensamento ou arte, que sobre este princípio aristocrático tenham em Orpheu o seu ideal esotérico e bem nosso de nos sentirmos e conhecermo-nos".
A reacção aos dois números da revista (de que há reedições a cargo de Edições ÁticaI pautou-se por classificações que reflectiam o escândalo provocado: "literatura de manicómio" e "doidos com juízo", entre outras. Textos para o terceiro número de Orpheu chegaram a ser impressos, não tendo, contudo, a revista sido publicada (foi feita edição das provas de página em 1984, sob a responsabilidade de Edições “Nova Renascença”). Entre os textos conhecidos para esse terceiro número contam-se como autores Mário de Sá-Carneiro, Albino de Meneses (1889-1949), Fernando Pessoa, Augusto Ferreira Gomes (1892-1953), Almada Negreiros, D.Tomás de Almeida (1864-1932), C. Pacheco (heterónimo de Pessoa) e Castelo de Morais (1882-1949), sendo o texto mais importante o de Almada ("Cena do ódio", depois publicado na revista Contemporânea, em Janeiro de 1923).
Sobre o papel desempenhado por Orpheu escreveu Fátima Freitas Morna: "é um caso particularmente interessante entre os muitos que lhe poderiam constituir paralelo na Europa povoada de 'ismos' e revistas dos anos que rodeiam a Primeira Guerra Mundial. Em vez de se proclamar como um movimento, ou órgão de um movimento, Orpheu aceita ser o lugar de choque e de trabalho de vários movimentos." (A Poesia de 'Orpheu'. Col. "Textos Literários", 26. Lisboa: Editorial Comunicação, 1982).
Ao longo dos tempos, o título Orpheu tem sido apontado como uma das revistas literárias mais revolucionárias e tem sido alvo de inúmeros estudos pelo papel desempenhado na expressão futurista em Portugal. Em Bruxelas, chegou a ser fundada uma livraria vocacionada para a literatura e cultura portuguesas a que foi dado o nome de “Orpheu”. Já neste ano, a revista tem sido objecto temático de várias publicações, como JL – Jornal de Letras, Artes e Ideias (nº 1159, 4.Março.2015) ou Estante (FNAC: nº 4, Inverno.2015). Também recente é a edição filatélica de um selo desenhado sobre quadro de Almada Negreiros, alusivo ao centenário da revista (CTT, 2015). Na celebração destes cem anos da revista Orpheu, estão ainda envolvidas exposições (como a da Biblioteca Nacional) ou edições como 1915 – O ano do Orpheu, organizada por Steffen Dix (Lisboa: Tinta-da-China, 2015).
[foto: selo comemorativo do centenário da revista Orpheu - CTT, 2015]

sábado, 21 de março de 2015

No Dia Mundial da Poesia, o "Louvor da Poesia", de Sebastião da Gama



O poema foi escrito em 7 de Fevereiro de 1950, exactamente dois anos antes de o seu autor, Sebastião da Gama, falecer. Teve a primeira publicação na terceira (e última) obra que o poeta editou, Campo Aberto (1951).
No quarto fascículo da revista Sísifo, editada em Coimbra sob a direcção de Manuel Breda Simões, foi publicada uma carta de Sebastião da Gama como resposta a um inquérito que a revista promovera. À pergunta "Que pensa da Poesia em geral, e da sua própria Poesia?", o poeta de Azeitão respondia: "Minhas ideias acerca da Poesia. Vide: Louvor da Poesia, in Campo Aberto. Será tudo? Olhe que a resposta não é para posar. É que só nos versos sei o que penso da Poesia." Sebastião da Gama não chegaria a ver este número da revista porque faleceu enquanto a publicação era preparada...
O poema está gravado em laje no Parque dos Poetas, em Oeiras, nesse conjunto artístico que pretende homenagear poetas portugueses do século XX.
Trago-o hoje para assinalar o Dia Mundial da Poesia.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Para a agenda: Nos 100 anos de "Orpheu"



O primeiro centenário sobre o aparecimento da revista Orpheu está por cá. Exposições, colóquio, edições, sessões de poesia. Por cá e além-Atlântico. Por cá e a circular. 100 anos depois, Orpheu continua o seu papel de inquietar. A notícia acima veio na revista "Ipsilon" com o Público de hoje. Várias chamadas de atenção para eventos "orphicos". Para a agenda!

quinta-feira, 19 de março de 2015

Para a agenda - Conhecer Fran Paxeco em Setúbal



Fran Paxeco (1874-1952) é mais conhecido no Brasil do que em Portugal. Nos últimos tempos, tem havido alguma movimentação em torno da história e da obra deste intelectual, em parte devido a António Cunha Bento, ligado ao movimento associativo e à cultura e história setubalense, em parte devido à Câmara Municipal de Setúbal e a uma instituição como a LASA (Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão), em parte devido ao facto de uma neta, Maria Rosa Pacheco Machado, ter oferecido peças do espólio do avô à autarquia sadina e à LASA. Depois de, há dias (8 de Março), ter fechado uma exposição sobre Fran Paxeco, em mostra desde 20 de Dezembro, patrocinada pela Câmara sadina, é agora a vez de o Centro de Iniciativas Manuel Medeiros, da UNISETI, trazer a história de Fran Paxeco às suas tertúlias. A apresentação deste nome estará a cargo de António Cunha Bento. Em 20 de Março. Para a agenda.

Para a agenda: Natália Correia em Setúbal 50 anos depois



Uma peça com meio século, O Homúnculo, de Natália Correia, sobe ao palco em Setúbal, com as caras do Teatro Estúdio Fontenova. A peça que terá irritado Oliveira Salazar e que teve o carimbo da proibição logo que nasceu. Entre 20 e 22 de Março, em Setúbal. Para a agenda.
Segundo referiu Fernando Dacosta, em artigo divulgado no diário Público, em 14 de Maio de 2014, «o caso mais surpreendente ocorrido com Natália Correia no tempo da ditadura deu-se (…) com o Homúnculo, arrasadora peça (nunca representada) sobre Salazar — que a leu num serão, não conseguindo, impressionadíssimo, dormir nessa noite. No dia seguinte Silva Pais procurou-o para lhe comunicar a apreensão da obra e a (iminente) prisão da autora. Depois de prolongado silêncio, o presidente do Conselho de Ministros respondeu: “Fizeram bem em retirar o livro mas não toquem em Natália Correia porque é uma pessoa muito, muitíssimo inteligente!”»
Para a agenda!

Para a agenda: Dia Mundial da Poesia com poetas, em Setúbal



O Dia Mundial da Poesia tem calendário marcado na Culsete, em Setúbal. Com livros, poemas e poetas. Com vozes, letras e palavras. Na tarde de 21 de Março. Para a agenda.

Para a agenda: um "Lugar Fictício" em Setúbal



Há um "Lugar Fictício" que vai abrir na Casa d'Avenida, em Setúbal. Idealizado por Eduardo Carqueijeiro. A partir de 21 de Março. Para a agenda.

Para a agenda: Strindberg em Setúbal, com o TAS



Pelas mãos e pelos gestos do TAS (Teatro Animação Setúbal), a oportunidade de ver O Sonho de Strindberg. Em 26 e 27 de Março, na agenda!


terça-feira, 3 de março de 2015

Para a agenda - "Artistas no Feminino", em Azeitão



"Artistas no Feminino", a inaugurar na véspera do Dia Internacional da Mulher, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão. Com prazo até 4 de Abril. Para a agenda!

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Memória e lembrança: Joana Luísa da Gama faria 92 anos



Hoje, Joana Luísa da Gama (1923-2014) faria 92 anos. Lembro-a pela amizade com que me distinguiu e pela admiração que me despertou. Grande parte da sua vida, a maior parte da sua vida, foi passada a alimentar a mensagem da obra do marido, a divulgar a poesia, a humanidade e o Diário de Sebastião da Gama. Foi esse o sonho que preencheu a sua vida. Foi esse o sonho que gostava de ter continuado. Uma lembrança para Joana Luísa.
[foto: Matilde Rosa Araújo, Joana Luísa da Gama e Aurora Gama,
em Outubro de 2006, na Amadora, numa das primeiras sessões
que orientei sobre a obra de Sebastião da Gama]

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Para a agenda: Maria Clementina, a homenagem nesta ribalta da vida



80 anos de vida, muitos dos quais na ribalta, todos eles na exposição perante o mundo e os outros - eis Maria Clementina. Artista, cidadã, amiga, solidária, poeta. Amanhã, na Casa da Cultura, os amigos e admiradores vão homenageá-la, numa iniciativa promovida pela Divisão de Cultura da Câmara de Setúbal, pela livraria Culsete, pela Uniseti e pela DDLX. A não perder, a vencer as agendas!
No que à escrita respeita, Maria Clementina começou a publicar há exactamente meio século, quando, em 1965, apareceu nos escaparates o volumezinho Vazio... (poemas), assinado pelo pseudónimo Ana Cristina, por onde passa autobiografia, Setúbal, lirismo e sensibilidade. Anos depois, apareceu Alga marinha, também poesia, já com a assinatura própria de Maria Clementina.  A sua obra mais recente data de 2013 e é dedicada à arte da representação, O teatro amador em Setúbal durante o século XX.
Setúbal deve esta homenagem a Maria Clementina. Por mim, estou-lhe grato. Pela sua disponibilidade em colaborar num lote de iniciativas que lhe propus (de que destacarei a colaboração no cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora"), pela sua franqueza, pelo seu espírito de dádiva e de participação. E estou grato também a quem ma apresentou, depois de me ter falado dela: o Fernando Guerreiro (1938-2013), também ele artista, poeta, de recorte sensível.
Flores, então, para Maria Clementina! Neste palco da vida e dos reencontros!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

José-António Chocolate: poesia entrelaçada de tempo



O mais recente livro de José-António Chocolate, Este tempo que nos come (Setúbal: ed. Autor, 2014), poderá ser do melhor que o poeta alentejano de Santa Eulália, que tomou Setúbal como terra de adopção, fez num trajecto ligado às letras com quase 35 anos.
O título não é inócuo, pois desvenda logo o agente responsável pela duração da vida, pela ocupação dessa mesma vida, num processo de absorção que se afigura imparável. Em acrescento, há fotografias devidas a José Alpedrinha e a Ricardo Fonseca que vão enlaçando a poesia com as rugas do caminho a que metaforicamente chamamos vida, que vão registando sulcos do tempo.
Em quatro partes surge organizado o conjunto, tantas como as estações, todas ultrapassando as estações porque mexem com formas de estar e de absorver o próprio tempo ou a vida ou de sermos esculpidos por ela. “O tempo, do que se faz” é o primeiro grupo, um título em construção poética, que abre com a força desse medidor que é “Ampulheta”, mais próximo da prosa poética, anunciado com palavras quase bíblicas: “A vida não se vive, desvive-se vivendo. Cada segundo vai caindo ao ritmo certo e um a um se devolve o grão de areia caído da âmbula cheia que nos foi entregue no momento de nascer.” É este primeiro conjunto o passo para o cinzelar de uma identidade, sujeita a transformações, a sonhos, a construção lenta e medida, que se conclui com uma confidência, “Confesso que gosto de ser português”, assente em vivências e nessa identidade construída sobre uma “alma lusitana” que “nos faz acreditar que sonhar é possível”.
É de poemas mais intimistas que se compõe o grupo “O tempo que faz”, num envolvimento do sujeito poético com o seu tempo, com os seus momentos, sejam os do calendário, os da meteorologia, os das partículas de quotidiano. O texto que interrompe este grupo, “Primavera no Alentejo”, é uma declaração de afecto a esse quinhão de paraíso, criação que conseguiu confundir o seu autor – numa visita à paisagem fortemente povoada de natureza que se estende qual tapete Alentejo adentro, “Deus Criador fez-se de tamanha admiração / na dúvida que aqueles campos áridos que criou, / não fossem mais aquilo que a sua criação.”
“O tempo que se desfaz” é o quadro das memórias, o encontro com passados, trazidos ou invocados através de pessoas, de sítios, de lembranças – a casa, a infância, os amigos reencontrados ou rememorados, os momentos de descoberta – num revelado filão autobiográfico, com marcas temporais e geográficas do percurso do autor. É de grande sensibilidade o poema que finaliza este ciclo, retomando a intimidade dos momentos, convocando os ausentes, aproveitando o momento de aniversário da mãe, uma escrita que sugere a presença de interlocutor, como acontece em muitos dos textos que integram este livro – “Assim quiseste a mesa composta no dia dos teus anos, / só eu e tu, mãe, como se todo o mundo ali estivesse / e nos bastassem as conversas repetidas e as lembranças. // (…) // Assim quiseste a mesa composta no dia dos teus anos, / só nós dois tendo todos os nossos por companhia. / Tantos corações num só batendo, quando / o amor era preciso para celebrar este dia.”
Apresenta-se o quarto grupo sob o título “O tempo, o que nos faz”, período de visitação do poeta a si mesmo e às suas idealizações e convicções, momento de respeito pelas palavras e de reflexão sobre os passos do presente. Em “Sigamos o tempo”, o poeta deixa-se convencer pelo poder da sorte – “Sigamos o tempo no seu decurso / que os destino traçou.” – para, logo na estrofe seguinte, anunciar o que é o seu presente de desvendamento – “Cada vez mais procuro / encontrar-me na verdade / das coisas simples.” Mas não é apenas o destino o responsável por este presente, pois que uma outra orientação surge, como é revelado no poema de homenagem ao pai, “Que tristeza é esta…?”: “Vem-me de dentro esta dor que não enjeito / e quero que minha permaneça sentindo a tua companhia. / Podes crer, pai, que a tua bondade para mim é bom exemplo / e a tua mão calejada é que me guia.”

Pela poesia de José-António Chocolate, em Este tempo que nos come, passa uma corrente de imagens fortes do encontro do poeta consigo, transitam os valores e as convicções a que não são alheios “Abril, a clara luz da primavera” ou a opinião sobre o presente (“Onde nos leva esta gente”) ou o acentuado pendor para a evocação ou para a saudade de um tempo povoado de histórias e de pessoas que passa e que apenas se consegue reter porque a poesia tem essa capacidade de transformar as palavras em marcos de vida visitada.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Para a agenda: José-António Chocolate e o tempo como motivo poético



José-António Chocolate é nome conhecido na dinamização e na produção poética em Setúbal. Poeta há mais de três décadas, desde que, em 1981, se revelou com Ninfite - Mal de Poeta, tem publicado individualmente e tem organizado antologias de poetas. Este tempo que nos come é o seu mais recente título. Uma obra que traz o tempo para motivo poético, porque... é do tempo que se faz a vida. E, para que dúvidas não restem, o primeiro poema chama-se logo "Ampulheta". Em 21 de Fevereiro, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal. Para a agenda!


sábado, 14 de fevereiro de 2015

Para a agenda: Eduardo Metzner biografado



Eduardo Metzner vai surgir biografado por Gabriel Rui Silva. Titulo: Eduardo Metzner - Vida e Obra de um Sem Abrigo. Em 20 de Fevereiro, no Centro Cultural Casapiano, pelas 16h00. Para a agenda!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Para a agenda: Adília Gaspar - a filosofia, o amor e o sexo



Adília Maia Gaspar, autora de várias obras ligadas ao ensino da Filosofia, ela própria também professora da área, chega com o seu título mais recente, Sexo, Amor e Filosofia. Na Biblioteca Pública Municipal de Setúbal, em 14 de Fevereiro, data em que se assinala também o Dia dos Namorados. A propósito. Para a agenda!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Para a agenda: "Viagens", uma colectiva de fotografia



"Viagens" é o título para uma colectiva de fotografia que vai começar no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal em 7 de Fevereiro. Um leque de nove autores integra a mostra: António Correia, Barbara Poliak, Francisco Borba, Guilherme Godinho, Luís Pereira, Mafalda Pires da Silva, Manuel Gardete, Maurício Abreu e Rosa Nunes. Para a agenda.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Memória: Niels Fischer (1936-2015)



Niels Fischer foi-me apresentado há uns anos por Manuel Medeiros, o livreiro que adoptou (ou foi adoptado por) Setúbal. Recordo-me do início da conversa. “Sabe quem é este senhor?” Niels olhava-me entre um ar cândido e curioso. Eu não sabia. “Mas está fartinho de ver uma obra sua…”, incentivava Manuel Medeiros. Continuava a não saber. “O logotipo do Ministério da Saúde, aquele das duas figuras que encimam as receitas médicas, com duas figuras humanas, uma verde, outra vermelha…” Ali estava o criador desse logotipo que todos os portugueses conheciam. Mas a conversa foi mais longe, bem como a apresentação. Dinamarquês, designer, apreciador sem limites de Andersen.
E ali se iniciou uma conversa longa e apreciada, que se repartiu por mais uns tantos encontros, ora na Culsete (a livraria sadina de Manuel e Fátima Medeiros), ora em algumas das exposições que pelo país foram patrocinadas por Fischer a propósito do seu conterrâneo Andersen.
Ouvia-o e sensibilizava-me o facto de um homem correr atrás da imagem de um dos mitos do seu país, ensinando-o e divulgando-o aos quatro ventos por sua conta e risco, editando-o, representando-o, recriando-o, expondo-o. Sempre com os olhos do desvendamento, sempre com a vontade de o revelar. Andersen era um farol, um amigo, e Fischer o seu embaixador. Dele ou sobre ele lançou livros, promoveu exposições, incentivou a produção de documentários, dinamizou espectáculos. Um homem que acreditou na identidade e que fez dela a sua bandeira, comunicando num português com acento nórdico, afável, com vontade de arriscar.
Admirável!
Partiu por estes dias, conforme notícias divulgadas. E largou de Setúbal, que escolhera para viver nestes últimos tempos, terra onde ensaiou experiências sobre Andersen (e onde Andersen, ele mesmo, viveu ao longo de cerca de um mês). Uma exemplar passagem pela vida. Uma convicção espantosa. Uma dedicação àquilo em que acreditava. Uma força na procura de caminhos e de portas que se abrissem, sem aceitar derrotas. Gostei de ter conhecido e de ter convivido com Fischer e estou-lhe grato. Uma boa memória.
[foto: recorte de O Setubalense, de hoje]

domingo, 25 de janeiro de 2015

Para a agenda - Facetas da lírica galego-portuguesa



As cantigas de amigo, de amor e de escárnio e mal-dizer, modalidades que povoam a lírica galego-portuguesa, vão ser o tema do próximo título da colecção "800 anos de literatura em Português" que o diário Público tem vindo a editar. Este trabalho, intitulado Cantigas de Trovadores - De amigo, de amor, de maldizer, devido a Graça Videira Lopes, Manuel Pedro Ferreira e João Paulo Silvestre, será acompanhado por um cd que reproduz alguns dos textos musicados.
Uma boa oportunidade para o convívio com esta face da literatura portuguesa, nem sempre lembrada, apesar dos trabalhos de José Joaquim Nunes (das décadas de 1920 e 1930) ou de Natália Correia (em torno das trovas de D. Dinis, 1970) ou mesmo da edição de um Dicionário da Literatura Medieval Galega e Portuguesa devido a Giulia Lanciani e a Giuseppe Tavani (Lisboa: Caminho, 1993), além de muitos outros.
A saída desta fase da literatura dos programas de Português do ensino secundário pode ter contribuído para um certo esquecimento. Contudo, com os novos programas desse nível de ensino e com as metas curriculares, esta literatura voltará a constar no currículo já a partir do próximo ano lectivo, pelo que este título (que fecha a colecção), que sairá com o Público na terça-feira, pode ser um bom pretexto para os leitores, mas sobretudo para docentes envolvidos com a literatura portuguesa.

Para a agenda - Casa da Poesia, em Setúbal



A Casa da Poesia de Setúbal vai dando os seus primeiros passos. No final do mês, há a celebração de protocolo para instalações e há o reviver a poesia de Maria Adelaide Rosado Pinto, compositora, professora de música e poeta que parece estar esquecida. Para a agenda!

sábado, 24 de janeiro de 2015

Da riqueza da língua portuguesa (sem necessidade de acordos artificiais)



Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido

Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

O poema consta na obra Pau Brasil, de Oswald de Andrade (1925), marca do modernismo brasileiro, cuja primeira edição foi feita em Paris. Felizmente, a colecção "800 anos de literaturas em Português", que está a sair com o diário Público, integrou este título, que saiu na terça-feira. E é tão bom este ouvir (ou este ler), mantendo genuinidade e ultrapassando os espartilhos de um qualquer acordo, seja para a escrita, seja para a gramática, que desorienta a língua nas suas faces de registo escrito ou sonoro!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Ana Teresa Penim: a educação e Sun Tzu



O nome de Sun Tzu anda associado à sua obra A Arte da Guerra, escrito com dois milénios e meio de vida, durante muito tempo entendido como um manual orientador de estratégia e teoria militar, mas trazido para outras áreas do saber, como a gestão, tão ricos e de plurais leituras são os princípios enunciados.
No final do ano passado, uma editora lançou uma colecção de reflexões nas mais diversas áreas, partindo de enunciados de Sun Tzu e incluindo o título da sua obra nos diversos títulos da série, nela entrando temas como a negociação, a gestão, o treinador, a liderança, o serviço ao cliente, entre outros, sempre abordados por diferentes autores. De Ana Teresa Penim é A Arte da Guerra na Educação e Formação (Lisboa: Top Books, 2014), um repositório de dezanove capítulos que constituem outros tantos momentos de reflexão para quem trabalha na área da educação.
Cada um dos capítulos abre com uma citação em jeito de epígrafe (devidas, não só a Sun Tzu, mas também a figuras como Aristóteles, Cocteau, Darwin, Einstein, Erasmo, Gandhi, Mao Tsé-Tung, Paulo Freire, Puig ou Rousseau, aqui entradas por ordem alfabética), a que se segue o relato de uma história vivida pela autora, incluindo curta reflexão que fecha com um lote de perguntas ao leitor no sentido de este pensar sobre os seus procedimentos perante situações relacionadas com a história contada.
A história inaugural poderia ser colada a muitos dos leitores: uma amiga telefona, em desespero, porque o seu filho de 14 anos, no 9º ano, vive “um cenário negro” na escola e “já não sabia o que fazer” com ele, com resultados catastróficos que estavam ainda a condicionar a sua auto-estima, ainda por cima tendo o pai sido também aluno do mesmo colégio, com um, percurso feliz. O pedido final era o previsto: como “encontrar novas estratégias para o percurso escolar do filho”?
Está assim esboçado o caminho para que o livro aborde as “competências para a vida” (“life skills”), mesmo pelos exemplos que, mais adiante, são invocados e não constituem nenhum paradoxo: três nomes indiscutíveis quanto à sua importância na cultura universal como Beethoven, Darwin e Einstein passaram por fases de rejeição e foram rotulados de incapazes – o primeiro, desajeitado com o violino, recusava melhorar a sua técnica e era visto pelo professor como um compositor fracassado; o segundo, desistente de um percurso médico, foi considerado pelo pai como estando abaixo da média por só “ligar à caça e a animais”; o terceiro viveu longamente visto como sonhador, gozado, expulso e recusado em escolas, um “caso perdido” até à construção da sua teoria em 1919.
As relações pessoais e as ligações com os outros saberes, os percursos e os interesses das pessoas, a relação com o quotidiano, a gestão do que corre menos bem e a energia para contagiar positivamente os outros, a cultura organizacional e o protagonismo de todos, a avaliação, a capitalização do medo, a auto-reflexão sobre as práticas educativas, a trilogia que associa os gostos à motivação e à novidade, a capacidade de adaptação, todas estas ondas constituem o conjunto de olhares e de pensamentos que se nos impõem ao longo da pouco mais de centena e meia de páginas deste livro. E, a terminar, nem falta um texto em forma de manifesto em favor da educação e da aprendizagem ao longo da vida, assente em vinte e dois princípios, que culmina, seguindo a linguagem militar, na “conquista”, assim explicitada: “Nesta batalha sem tréguas, a liderança por todos, a 360°, independentemente da patente que possuem, assume uma missão determinante: fomentar o sonho e as práticas para a conquista de um ideal de Aprendizagem”.
Uma forma de desafiar cada um a perguntar-se como melhorar, tendo em vista a acção pedagógica com o outro, o sucesso em que um e outro têm de estar envolvidos.

Sublinhados
Aprender – “A aprendizagem e a felicidade são uma batalha constante que não estão isentas de esforço e dor.”
Aprender – “Quem morre na vontade de aprender morre para a vida.”
Emoção – “Por vezes, a guerra em que nos vemos envolvidos é tão forte que a emoção não nos deixa pensar. Nesses casos é melhor abandonarmos o terreno de batalha e dar tréguas às emoções, sem deixar que o pânico se instale nas nossas tropas.”
Medo – “É no lugar onde o medo habita que moram as maiores oportunidades de desenvolvimento e de vitória.”
Negativo – “As emoções básicas negativas boicotam ou paralisam a proactividade, energia, criatividade e capacidade de relacionamento com os outros, pelo que tudo deve ser feito para não se deixar contaminar negativamente.”
Perfeição – “O ser humano tem a beleza de estar irremediavelmente inacabado.”
Simplicidade – “A simplicidade está um passo acima da complexidade. Não há nada mais complexo e que exija mais arte do que ser capaz de simplificar.”
Solução – “Quem quer encontra uma solução; quem não quer encontra uma desculpa.”

Para a agenda: Miguel Real, a utopia e o seu novo livro



Uma das vozes importantes da cultura portuguesa do presente, Miguel Real, vai apresentar o seu novo romance em Sesimbra, na Biblioteca Municipal, em 14 de Fevereiro, pelas 16h00. O Último Europeu e a procura de uma utopia. Para a agenda.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Máximas em mínimas - Anselmo Borges




Três recomendações numa citação de Anselmo Borges, todas sobre a vida, sobre um programa de vida. Uma resposta à pergunta "Se tivesse que passar apenas uma mensagem curta a cada homem e mulher, qual seria?", que integra o questionário dirigido por Inês Maria Meneses a este teólogo, padre, filósofo e autor de várias obras, publicado na revista do Expresso de hoje.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Para a agenda - Sobre arte sacra na diocese de Setúbal



"Com arte e com alma", um título sugestivo para serem debatidos, apresentados, conhecidos os "serões com o nosso património", num itinerário temporal de seis meses, num trajecto geográfico que passou por Alcochete e Cacilhas e que ainda vai visitar Monte da Caparica, Seixal, Barreiro, Setúbal e Palmela. Proposta de valor indiscutível, sob a responsabilidade da Diocese de Setúbal e da sua Comissão Diocesana de Arte Sacra. Para a agenda!

Para a agenda - Workshop de Teatro



Uma boa sugestão para pôr à prova e treinar a competência teatral (necessária à vida), orientada por quem sabe: um "Workshop de Teatro", promovido pelo TAS, sob a direcção de Célia David. A partir dos 15 anos, durante Janeiro e Fevereiro. Para a agenda!

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Máximas em mínimas - Alexandre Dáskalos


Eu – “O meu íntimo é uma catedral / que ninguém viu.”

Silêncio – “Só no silêncio a vida se descobre.”

Procura – “Sempre haverá o que se busque / embora o que se busque não se encontre.”

Vida – “Só existe / o que amanheceu. / (…) // A vida banhada em Sol é que dá vida.”

Alexandre Dáskalos. Poesia.
2ª ed. Col. “Autores da Casa dos Estudantes do Império”.
Lisboa: União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa – UCCLA, 2015
[colecção em publicação pelo semanário Sol]

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Para a agenda - Textos de Daniel Nobre Mendes



Daniel Nobre Mendes revela-se Fragmentos - Retalhos de mim, conjunto de textos líricos. Na Casa da Baía, em 24 de Janeiro, à tarde. Para a agenda.
O autor, bejense nascido em 1941, foi emigrante no Brasil e residiu em Setúbal, tendo trabalhado na Câmara Municipal sadina e por aqui tendo proferido conferências e colaborado no periódico O Setubalense. É o seu terceiro livro.



Para a agenda - Poesia e música



Poesia de Isabel Melo, com música de clarinete e guitarra pelo "Duo Encore". Ciclo de música erudita, na Casa da Cultura, em 17 de Janeiro, à noite. Para a agenda.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Para a agenda - António Correia com fotografia de "Gente Cá de Casa"



António Correia leva a sua máquina atrás dos convidados do programa "Muito Cá de Casa". Em jeito de retrospectiva, de memória ou de homenagem, trá-los agora para os reapresentar ao público, no mesmo sítio, na Casa da Cultura. "Gente muito cá de casa", assim é o mote que dá cobertura às imagens fotográficas que poderão ser vistas a partir de 10 de Janeiro, na Casa da Cultura, em Setúbal. Para a agenda.

Para a agenda - Aprender a conhecer o "Serra da Estrela"



A primeira sessão do programa "Muito Cá de Casa" de 2015 surge com a atenção voltada para o cão "Serra da Estrela". Manuela Paraíso apresentará o seu livro Cuidar do Cão Serra da Estrela na Casa da Cultura, em 9 de Janeiro. Para a agenda!

Para a agenda - Lembrar António Gedeão



Como professor, como físico ou como poeta, Rómulo de Carvalho ou António Gedeão é nome para ser lembrado sempre. Desta vez, sob a ideia da Associação José Afonso, que vai organizar exposição evocativa em Lisboa, a partir de 11 de Janeiro, com a presença de Cristina Carvalho, biógrafa que, em 2012, produziu um livro sobre o pai (Editorial Estampa). Para a agenda.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Efemérides para 2015



O ano de 2015 está anunciado como Ano Internacional da Luz e da Óptica, Ano Internacional dos Solos, Ano da Vida Consagrada e Ano Europeu para o Desenvolvimento, além de inaugurar a Década Internacional dos Afrodescendentes sob o lema "Pessoas Afrodescendentes: reconhecimento, justiça e desenvolvimento", período que vai decorrer entre o início de Janeiro de 2015 e o final de Dezembro de 2024. É também o ano em que se assinala o oitavo centenário da assinatura da Magna Carta em Inglaterra, em que prossegue a celebração dos “8 Séculos de Língua Portuguesa”, em que se assinala o 150º aniversário das leis da hereditariedade (devidas a Mendel, que as apresentou em 8 de Março de 1865) e é o segundo ano do centenário da Primeira Grande Guerra (e, a propósito, o dos 70 anos sobre o fim da II Grande Guerra e dos campos de concentração, sobre a morte de Anne Frank, em 31 de Março, e sobre as bombas atómicas de Hiroshima e de Nagasaki, em 6 e 9 de Agosto, respectivamente). Passam ainda 40 anos sobre a ocupação de Timor pela Indonésia.
Motivos para assinalar em 2015 não faltam: passam 500 anos sobre a morte de Afonso de Albuquerque (16 de Dezembro) e sobre o nascimento de Santa Teresa de Ávila; 250 anos sobre o nascimento de Bocage (15 de Setembro); 200 anos sobre o nascimento de D. Bosco (16 de Agosto), fundador dos Salesianos; 150 anos sobre a morte de Ramalho Ortigão (27 de Setembro) e sobre o nascimento do compositor Sibelius (8 de Dezembro), 100 anos sobre o nascimento de Ruy Cinatti (8 de Março), de Edith Piaf (19 de Dezembro), de Roland Barthes (12 de Novembro), de Orson Welles (6 de Maio) e de Frank Sinatra (12 de Dezembro) e sobre a morte de Sampaio Bruno (6 de Novembro); 50 anos sobre a morte de Winston Churchill (24 de Janeiro), de Humberto Delgado (13 de Fevereiro), de Nat King Cole (15 de Fevereiro), do pintor setubalense Fernando dos Santos (14 de Abril) e de Albert Schweitzer (4 de Setembro).
Cinco obras literárias passarão necessariamente por esta lista de efemérides: os 150 anos de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll; o centenário da revista Orpheu e do Manifesto Anti-Dantas, de Almada Negreiros; os 70 anos do livro de poemas Serra Mãe, de Sebastião da Gama; os 50 anos da obra Praça da Canção, de Manuel Alegre. A propósito de literatura, refiram-se ainda os 150 anos sobre a Carta ao Excelentíssimo Senhor António Feliciano de Castilho, redigida por Antero de Quental a partir de Coimbra (Novembro de 1865), iniciadora da "Questão do Bom Senso e do Bom Gosto".
Setúbal tem também motivos para celebrar culturalmente o ano de 2015: em Julho (16), serão volvidos 40 anos sobre a criação da diocese de Setúbal, devida a Paulo VI; em Janeiro (11), passam 60 anos sobre a criação do Museu Oceanográfico (reunindo o espólio de Gonzaga do Nascimento); em Abril (26), decorrem os 160 anos sobre a abertura do Teatro de Bocage (com entrada pela actual Avenida 5 de Outubro); em Maio (8), recaem 60 anos sobre a inauguração do actual edifício da Escola Secundária Sebastião da Gama (então designada por Escola Comercial e Industrial de Setúbal); em Julho (1), perfazem-se 160 anos sobre o aparecimento do primeiro periódico local, O Setubalense, devido a João Carlos de Almeida Carvalho (título que teve várias interrupções na publicação, mas que ainda hoje é retomado);  em Julho (4), completam-se 60 anos sobre a data em que o Vitória Futebol Clube ganhou a primeira Taça de Portugal, derrotando o Benfica por 3-1 (dois anos depois, bisaria a proeza); em Setembro (16), assinalam-se 60 anos sobre a inauguração do busto de Olavo Bilac na Praça do Brasil (poeta brasileiro que muito contribuiu para a divulgação de Bocage); em Novembro (12), a Associação do Clube Setubalense celebra os 160 anos; em Dezembro (21), decorrem 210 anos sobre a morte de Bocage. E, já agora, em Setembro (26), passam os 490 anos sobre o título de “Muito Notável” com que D. João III agraciou Setúbal. A cidade do Sado poderá ainda assinalar o primeiro centenário de jornais locais como O Mosquito (primeira edição em 1 de Janeiro de 1915), A Voz da Mocidade (21 de Janeiro de 1915), ABC (10 de Abril de 1915) e A Justiça (28 de Setembro de 1915), bem como o primeiro centenário da criação da delegação sadina da Cruz Vermelha Portuguesa.
Finalmente, uma evocação sobre duas proibições no domínio da cultura: há 50 anos o Ministro da Educação Nacional extinguia a Sociedade Portuguesa de Escritores após esta ter atribuído o prémio Camilo Castelo Branco a Luandino Vieira, então considerado um inimigo de Portugal; e, em 30 de Dezembro de 1965, o Serviço de Censura interditava a obra Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, organizada por Natália Correia. No relatório de leitura apresentado para despacho, o pressuroso leitor apreciador registava no penúltimo parágrafo: “Fica-nos pois a impressão de que esta obra pretende ser a contribuição comunista para as comemorações bocageanas que estão em realização.”

[agradeço a António Cunha Bento informações prestadas]
[actualizado em 9.Fevereiro.2015]

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Grandes entrevistas da História, com o "Expresso" (6)



Dois falantes de língua portuguesa, uma de Portugal e outro do Brasil, entram no último lote de dez entrevistados que constituem o derradeiro volume de Grandes Entrevistas da História, abrangendo o período de 2007 a 2014 – Paula Rego (Eunice Goes, Expresso, 15-09-2007) e Chico Buarque (Ana Cristina Leonardo, Expresso, 08-08-2009). Os restantes entrevistados são: Stephen Hawking (Xavi Ayén, La Vanguardia, 25-09-2008), Ferran Adrià (Cristina Jolonch, Magazine, 21-02-2010), Bernard Madoff (Steve Fishman, New York Magazine, 27-02-2011), Mikhail Gorbatchov (Jonathan Steele, The Guardian, 16-08-2011), Barack Obama (Susan Page, USA Today, 03-09-2012), Salman Rushdie (Clara Ferreira Alves, Expresso, 22-09-2012), Tim Berners-Lee (Paul Sagan, projecto Riptide da Nieman Foundation for Journalism, da Universidade de Harvard, Abril de 2003) e Mark Zuckerberg (Farhad Manjoo, The New York Times, 16-04-2014).
A conversa com Paula Rego mostra o apego da artista a marcas de um Portugal rural – “gosto da estética das feiras, das festas, do bobo da festa, e das pessoas que lá trabalhavam” –, justificando a sua preferência pela figura feminina “por causa dos fatos, das cinturas” e porque “há mais cumplicidade”, e assumindo a situação de compromisso cívico que os seus quadros têm, através de evidentes marcas contra a injustiça e retratando as relações de poder. A entrevista com Chico Buarque debruça-se também sobre a arte, a literatura, e surge a propósito da edição do seu livro Leite derramado (2007). Mesmo dizendo que não é escritor, Chico Buarque consegue entender a literatura como uma construção, aspecto muito mais interessante do que a história que é contada – “eu, na verdade, o que menos me atrai na escrita de um romance é a história. Me interessa mais trabalhar com a forma, a forma de contar aquela história. A história em si não é nada, muitas vezes não é nada.” No entanto, a sua vertente de leitor e de construtor de histórias leva-o a que se apaixone por uma das suas personagens, o velho Eulálio, porque a conversa de velhos tem sempre uma “memória selectiva, as fugas, as tergiversações, mesmo aquelas mentirinhas ou lapsos de memória, coisas que voltam não exactamente como eram..”
De outras três áreas da cultura são os entrevistados Stephen Hawking, Ferran Adrià e Salman Rushdie. O físico que fala através do computador (“à razão de uma palavra por minuto”) paira numa entrevista, para nós curta, mas longa para ele, atendendo às suas condições físicas. Aí, glorifica a ciência e conjuga-a com Deus (“Se quisermos podemos chamar Deus às leis científicas, mas estas não são um Deus pessoal que podemos interpelar”), ao mesmo tempo que não se põe de lado em relação à política e que relança o seu permanente desafio à descoberta. Ferran Adrià, o cozinheiro catalão, que “está para a culinária como Steve Jobs está para a tecnologia” (no dizer do organizador do volume), surge-nos através de uma peça que mais se aproxima do género reportagem, com o objectivo de ser traçado o retrato do homem que esteve à frente do restaurante madrileno “El Bulli”. O texto é baseado em conversas com o próprio retratado e com amigos e familiares, o que o distancia do género entrevista, que originou esta obra. Fica, porém, a partilha de aprendizagens importantes, como aquela que o levou a descobrir que, “no âmbito profissional, mesmo que nos esforcemos, não somos o que pensamos ser, mas sim o que os outros pensam que somos.” Salman Rushdie, o escritor que teve um longo período de vida clandestina por razões de sobrevivência e por causa da obra Versículos satânicos (1988), é entrevistado a propósito de uma obra autobiográfica em que relata esse tempo de clandestinidade a que foi obrigado pelo fundamentalismo. Ressaltam as convicções, o papel da escrita, o valor das amizades, a tristeza pelos que viram costas, mas salva-se o escritor – “Sou o mesmo escritor. Uma vitória.”
O domínio da política encontra dois nomes representativos do que foi a alteração das relações políticas no mundo no início do século que vivemos – Mikhail Gorbatchov e Barack Obama. O político russo estará para sempre associado à “perestroika” e apresenta-se numa entrevista que está entre o balanço, alguma paz de espírito e relativa amargura. Reconhece erros cometidos (não se ter demitido do Partido Comunista e ter criado um partido reformista democrático, não ter começado mais cedo a reforma da URSS e não ter dado mais poderes às quinze repúblicas, não ter afastado através da diplomacia Ieltsin da cena política). Na sua visão, surge a crença na reforma da China, bem como a rejeição dos métodos de Putin, designadamente a mudança no sistema eleitoral. Gorbatchov mantém o espírito de família e as marcas de proximidade, não escondendo o seu afecto por Raisa, a mulher (já falecida na altura da entrevista), que gostava de o ouvir cantar. Uma entrevista que é também um pouco das memórias de um homem que contribuiu para que o mundo fosse diferente… Do ocidente chega a entrevista com Barack Obama, conhecido como o primeiro negro que chegou à presidência dos Estados Unidos, feita na altura em que ele era candidato à reeleição. Obama, já não com a força do “yes, we can”, demonstra as dificuldades, entre um mundo em convulsão, o apego à família (as filhas “são um grande antídoto para evitar que me leve demasiado a sério”), e respeito pelo adversário e as aprendizagens da política, ainda que aparentemente simples, como perceber “a necessidade de se preocupar mais em convencer as pessoas do país inteiro sobre as medidas que quer tomar, do que os membros do Congresso na outra ponta da Pennsylvania Avenue”.
O mundo das tecnologias ligadas ao poder da informática aparece representado pelos nomes Tim Berners-Lee e Mark Zuckerberg, criadores da web e do facebook, respectivamente. Berners-Lee relembra a motivação que o levou a pensar na necessidade de criar um “hiperespaço aberto” e conclui com uma mensagem forte: as tecnologias deverão permitir resolver problemas “sem cortar tantas árvores para obter madeira e fabricar papel”, uma lição para os tempos de burocracia em que, além de os documentos existirem virtualmente (o que parecia que iria acontecer na sequência do uso generalizado dos computadores), vai havendo orientações em muitos serviços no sentido de os mesmos serem impressos… numa duplicação absolutamente acrónica. Zuckerberg, o criador da “maior nação digital da internet”, é entrevistado com o objectivo de ser questionada a capacidade de a empresa criar novos produtos, sabendo-se que alguns deles não têm tido o sucesso esperado. A conversa liga-se também à discussão do privado e do anonimato em termos de comunicação, acreditando o entrevistado que, de uma forma ou de outra… se visa criar laços. Boas intenções!...
Bernard Madoff, o nome que surge fortemente associado aos tempos de crise que vivemos, um género de “dona Branca” gigante, é entrevistado a partir da prisão, numa peça que é reconstituída sobre conversas telefónicas várias de Madoff para o jornalista, ainda que todas elas pagas no destino. Há ainda os testemunhos de familiares do preso e, por vezes, os desabafos veiculados por amigos, que confidenciaram os sentimentos dos filhos de Madoff. A entrevista é o retrato de um “arrependido”, que, explicando-se, tem dúvidas em aceitar-se, como se vê logo pela abertura da peça jornalística, que reproduz o entrevistado em discurso directo: “Como é que fui capaz de fazer o que fiz? Estava a ganhar muito dinheiro. Não precisava de o ter feito.”
Grandes Entrevistas da História, obra editada pelo semanário Expresso, conclui com este volume o lote de setenta conversas com outros tantos entrevistados, havidas num período entre 1865 e 2014. Todos os nomes que por estas páginas passaram tiveram (têm) o seu papel no mundo que conhecemos, uns associados ao bem, outros nem por isso, dependendo esta categorização da nossa margem de simpatias. São estes setenta como poderiam ser outros, mas as nossas curiosidades alimentam-se disto: a vontade de percebermos como os protagonistas do nosso tempo chegaram aos limites que chegaram e em nome de quê. Se nem tudo é dito nas entrevistas, ficam-nos, pelo menos, os retratos dos heróis sobre os momentos em que foram considerados determinantes, porque a História é feita desses mesmos momentos. E a História, podemos antologiá-la ou contá-la, mas não a podemos prever…

Sublinhados

Existência – “Não existe maior emoção do que a da descoberta, a de procurar incessantemente as respostas às nossas perguntas mais importantes: quem somos? De onde viemos?” [Stephen Hawking. Entrevista a Xavi Ayén, em La Vanguardia (25-09-2008). Grandes Entrevistas da História 2007-2014. Lisboa: “Expresso”, 2014, pg. 21]
Perguntas – “As perguntas hipotéticas não servem de muito.” [Mikhail Gorbatchov. Entrevista a Jonathan Steele, em The Guardian (16-08-2011). Grandes Entrevistas da História 2007-2014. Lisboa: “Expresso”, 2014, pg. 79]
Medo – “O medo faz as pessoas fazer coisas más.” [Salman Rushdie. Entrevista a Clara Ferreira Alves, em Expresso (22-09-2012). Grandes Entrevistas da História 2007-2014. Lisboa: “Expresso”, 2014, pg. 104]