domingo, 19 de Outubro de 2014

Para a agenda - Grande Guerra a Norte e a Sul


Braga e Loulé serão pontos de conversa e de memória sobre a participação portuguesa na Grande Guerra em 23 de Outubro. A Norte, com o contributo da Fundação Bracara Augusta, abertura de exposição e conferência por Armando Malheiro da Silva; a Sul, a Grande Guerra pelo olhar de Pedro de Freitas, louletano autor da obra memorialística As minhas recordações da Grande Guerra (1935), lembrado por Luís Guerreiro, na Biblioteca Municipal de Loulé. Para a agenda!



sábado, 18 de Outubro de 2014

Para a agenda - Sobre os mutilados da Grande Guerra



A Grande Guerra apresentada pelos que dela regressaram bem diferentes. "Vejam quem regressa - Os mutilados da Guerra (1914-1921). Na Livraria Almedina Arrábida Shopping, em 22 de Outubro. Para a agenda.

quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Para a agenda - TAS e o sonho de Strindberg



August Strindberg vai ter O Sonho em palco pela vontade do TAS (Teatro Animação Setúbal). Entre 24 e 26 de Outubro, no Forum Municipal Luísa Todi. Para a agenda.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Catorze obras para 800 anos de literaturas em português



“800 anos de literaturas em português” é o título da colecção de obras literárias que o jornal Público vai passar a ter a partir de 21 de Outubro, assim pretendendo assinalar os 800 anos sobre o documento mais antigo escrito em português.
Característica comum a essas obras é o facto de esta série reunir fac-símiles de primeiras edições pertencentes a um tempo que vem desde o século XVI até ao século XX, como se pode ver pelos títulos que sairão: Menina e Moça, de Bernardim Ribeiro (1554); Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto (1614); Camões, de Almeida Garrett (1825); Os Maias (2 volumes), de Eça de Queirós (1888); Flores de Coral, de Alberto Osório de Castro (1908); Pau Brasil, de Oswaldo de Andrade (1925); Ilha de Nome Santo, de Francisco José Tenreiro (1942); A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade (1945); Chiquinho, de Baltasar Lopes (1947); Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa (1956); A cidade e a Infância, de Luandino Vieira (1960); Karingana ua Karingana, de José Craveirinha (1974); Entre o ser e o amar, de Odete Costa Semedo (1996); Cantigas de Trovadores.
Passam, assim, textos que atravessam a história da língua portuguesa desde a lírica galego-portuguesa, com motivos e autores de Portugal, de Timor (Osório de Castro), do Brasil (Oswaldo de Andrade, Drummond e Guimarães Rosa), de São Tomé e Príncipe (Francisco José Tenreiro), de Cabo Verde (Baltasar Lopes), de Angola (Luandino), de Moçambique (Craveirinha) e da Guiné (Odete Semedo).
O primeiro título a chegar ao público sai no dia 21 – o primeiro volume de Os Maias.

segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

Para a agenda - Três formas de assinalar o centenário da Grande Guerra


Três formas de assinalar o centenário da Grande Guerra: uma conferência por Joaquim Santos, no Casino da Figueira, em 16 de Outubro; uma exposição de temática interessante - "A Grande Guerra e a Literatura", na Biblioteca Municipal Afonso Duarte, em Montemor-o-Velho, ao longo de Outubro (pena que a fotografia do cartaz não seja da 1ª Grande Guerra!); outra exposição, que promete carácter abrangente, "A Grande Guerra - Das colónias às trincheiras da Europa", incluindo uma conferência por Luís Alves da Fraga, no Museu Militar do Porto, também em Outubro. Para as agendas!






sábado, 11 de Outubro de 2014

Para a agenda - A descrição arrábida pelo Padre Inácio Monteiro



Uma Descrição da Arrábida pelo madeirense Inácio Monteiro. Um texto até aqui "desconhecido". Com o cuidado da revisão e da fixação de texto de António Mateus Vilhena e de Daniel Pires, em edição do Centro de Estudos Bocageanos. Na Biblioteca Nacional, em Lisboa, a ser apresentado por Miguel Real, depois de já ter sido apresentado no Funchal. Para a agenda!

quarta-feira, 8 de Outubro de 2014

Para a agenda - Falar da Grande Guerra em Constância



Mais um evento a assinalar a memória da participação portuguesa na Grande Guerra. Em Montalvo (Constância), em 11 de Outubro. Para a agenda.

domingo, 5 de Outubro de 2014

Vale sempre a pena a passagem para Tróia...


A crónica de Miguel Esteves Cardoso no Público de hoje versa a travessia do Sado de Setúbal para Tróia e volta. Uma travessia pessoal, com paisagem, vistas e sabores, com sensações e com reparos. Vale sempre a pena a travessia...


sábado, 4 de Outubro de 2014

Para a agenda - A Humanitária, de Palmela, tem século e meio


Os 150 anos da palmelense Sociedade Filarmónica Humanitária estão com um programa que se iniciou no Dia Mundial da Música. Várias boas propostas e... um século e meio de música e de acção cultural. Para a agenda.

Para a agenda - Flautas tocam a Índia em Palmela



Na tarde de amanhã, pode-se ouvir música clássica do sul da Índia em Palmela. "O canto da flauta", com Shantala Subramanyam, Akkarai Sornalatha e Akshay Ananthapadmanabhan. Nas instalações da Sociedade Filarmónica Palmelense "Loureiros", em Palmela. Para a agenda.

Dia Mundial dos Professores, amanhã!



Desde há 20 anos que se celebra o Dia Mundial dos Professores em 5 de Outubro, muito embora a sua visibilidade no nosso país seja reduzida, ora por causa do feriado que caía neste dia, ora porque as estruturas ligadas à educação nunca o valorizaram convenientemente…
O tema deste ano relaciona-se com os professores, nós mesmos: “Investir no futuro, investir nos professores”.
Não faltarão exigências, mas todas se prendem com poucos e importantes vectores: a) professores de qualidade (com uma formação e qualificação interessantes e exigentes); b) recursos de qualidade (aí incluindo os programas, os “curricula”, as tecnologias); c) a qualidade dos meios (não esquecendo a segurança e a adequação  dos recursos à causa da educação ou a eficácia da gestão).
A escola não pode ser o bode expiatório de tudo aquilo que a sociedade rejeita ou minimiza; a escola tem de ter a preocupação da sociedade, das colectividades, dos cidadãos. E é forçoso que a sociedade acredite na escola para a ajudar a (re)construir-se.

“Investir no futuro, investir nos professores” é uma forma outra de investir na educação, na sociedade. Um investimento que não se materializa  senão na bolsa do futuro, na humanização, na construção de um mundo que deveria ser sempre melhor!
Viva o Dia Mundial dos Professores!

terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Miguel Esteves Cardoso: Sobre o casamento


Na edição do Público de hoje, Miguel Esteves Cardoso é autor de um texto lindo sobre o casamento. Reproduzo-o, porque o subscreveria. Obviamente, com outra destinatária. Bonito! A ler e a sentir! 


Para a agenda - José Mouga, em Setúbal



"Notas de viagem", de José Mouga. A partir de 3 de Outubro, na Casa da Cultura, em Setúbal. Com o nome de José Teófilo Duarte na organização. Para a agenda. Para ver em Outubro e Novembro.
Para um ateliê, em Maio de 2013, versando o tema "A Viagem nos Dias", depôs José Mouga: «A viagem dos dias, comece ela cedo ou tarde, é inexorável e sempre outra. Vai-se nela por vezes desatento e recostado no estofo confortável das certezas, outras inquieto e inseguro, sempre com os olhos na janela cristalina ou imprecisa. Balbuciam-se riscos e mais riscos para tecer a memória breve do esboço. Cada risco um leve assobio ao sabor dos passos.» 

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

Para a agenda - Dia Mundial da Música, em Setúbal



A Orquestra Metropolitana de Lisboa, no Dia Mundial da Música, em Setúbal, no Forum Municipal Luísa Todi. Para apresentar Strauss e Tchaikovsky. Para a agenda.

domingo, 28 de Setembro de 2014

A confissão de Tolstoi



Quando Tolstoi quis mostrar ao mundo a reflexão sobre a sua busca da espiritualidade, sob o título (e sob a forma) de Confissão, a censura da Igreja Ortodoxa Russa agiu e interditou a publicação. Só dois anos depois, em 1884, o texto foi divulgado a partir de Genebra, em francês, e, na Rússia, este título só seria publicado quando o século XX já tinha entrado, em 1906.
Tolstoi tinha, à data da primeira publicação, 56 anos e um percurso consagrado na literatura, com obras como Guerra e Paz (1869) e Anna Karenina (1876), uma e outra referências da literatura universal. Tinha também um trajecto original de procura de si mesmo, numa reflexão que passou pelo seu diálogo com várias religiões, com pensadores, consigo mesmo. Foi este último aspecto que Tolstoi deliberou partilhar sob o título de Confissão (Lisboa: Alêtheia Editores, 2014), que remete absolutamente para o pendor autobiográfico e faz o trajecto da sua relação com a igreja e a crença cristã ortodoxas a partir da infância.
O ponto de partida para a reflexão está ancorado na adolescência – “Tal como outras pessoas, a doutrina da fé ensinada na infância desapareceu, mas com a diferença de que, desde os meus quinze anos, comecei a ler obras filosóficas, pelo que tive desde muito cedo noção de que rejeitara a fé. Desde os meus dezasseis anos deixei de rezar e, por minha própria vontade,  deixei de ir à igreja e de comungar. Não acreditava no que aprendera na infância, mas acreditava em algo. Porém, não sabia dizer no que tinha fé. Acreditava em Deus, melhor, não negava Deus – mas não sabia em que tipo de Deus acreditava. Também não negava Cristo e os seus ensinamentos, mas não sabia ao certo em que consistiam.”
Parece este ser o ponto de ruptura comum a muitos trajectos. Porém, no que Tolstoi se distancia do comum, além do gesto de “confessar”, é na convicção de que a sua “única fé verdadeira era a crença no aperfeiçoamento pessoal”.
No entanto, o mundo nem sempre se compraz com a individualidade. A vida de luxo, o progresso, a sociedade, as atrocidades… tudo serviu a Tolstoi para reflectir sobre a(s) verdade(s) que deve(m) orientar uma vida – a dádiva e a permanente busca de respostas, ainda que num percurso nem sempre sereno e afectado mesmo pela ideia de suicídio.
Apesar de perceber que, “para entender o que é, o homem deve primeiro entender o mistério inteiro da humanidade, a humanidade feita de pessoas como ele, que não se entendem”, o autor de Confissão mostra também a fragilidade e a solidão que interferiam com essa demanda: “Na minha busca de respostas à questão da vida, senti-me como um homem perdido num bosque.”
Percurso inconstante, de pressão, agitado entre uma curiosidade ilimitada e a luta entre o conhecimento e a ignorância, Tolstoi quer entender o que é a fé, quer ter fé, e chega a uma conclusão como: “a fé é conhecimento do sentido da vida humana, a consequência pela qual o homem não se mata mas vive. A fé é força da vida. Se um homem vive, então tem de acreditar em alguma coisa.”
Procurando uma justificação para a vida, Tolstoi revela o estudo que fez de outras formas de ver o homem, o universo e a fé, como o budismo, o maometanismo e o cristianismo, “tanto através dos escritos como através das pessoas” que viviam em seu redor, marcos que o levaram a ver a frequência com que ocorria muito mais uma “consolação na vida” do que a “realidade” da fé e o levaram a “aproximar-[se] dos crentes pobres, simples, sem estudo”. Este último contacto despertou o autor de Guerra e Paz para o sentido da bondade, da “produção de vida”, emergente de pessoas que, trabalhando duro, “eram menos insatisfeitas com a vida do que os ricos”.
O retoque final no processo tolstoiano surgiu com o reconhecimento de que cada igreja, incluindo a sua (a Ortodoxa), “via como hereges todos os que não professavam uma fé idêntica à deles”, afinal o problema de sempre da procura e do encontro com a verdade… agravado quando esta procura se cruza com aquilo que é feito em nome da religião, envolvimento na guerra incluído, daí decorrendo toda a relativização que um valor como a vida apresentava para quaisquer crentes. A fé, que o poderia aproximar de Deus, mostra-se-lhe incompatível com rituais.
Chegado a um beco, Tolstoi assumia um compromisso: “Não tenho dúvidas de que existe verdade nos ensinamentos mas também não tenho dúvidas de que existe falsidade neles também e que eu devo descobrir o que é verdadeiro e o que é falso e separar um do outro”.
A reflexão confessada de Tolstoi repousou ao longo de três anos, tempo após o qual o autor se reencontraria com o seu escrito. Relendo-o, teve um sonho, algo místico, com cuja narração encerra a Confissão, em que o seu corpo se encontra entre abismos, para baixo (um “abismo sem fundo”) ou para cima (um “abismo de céu”), apoiado sobre corda e pilar, sem possibilidade de cair, segurança que lhe garantia felicidade e tranquilidade. No momento desta descoberta, o sonho acaba, a vida desperta e o livro conclui-se.
Aquilo que o homem não obtivera pelo trabalho da razão aparece pelo contacto com a simplicidade, ponto de partida para diferente vivência da espiritualidade. Busca profundamente assente num trajecto do eu, sempre olhando o outro, ora com curiosidade, ora com deslumbramento, esta confissão não esconde o ziguezaguear do pensamento e as dúvidas que cada aprendizagem suscita, sobretudo quando o percurso é de demanda ou quando se pretende justificar e mostrar a ruptura.

Uma boa forma de conhecer o mundo da espiritualidade de Tolstoi, com uma boa nota introdutória de contextualização histórica devida a José Milhazes, este livro, ainda que se deva reconhecer que, no plano da tradução ou da revisão, a edição não é boa, havendo, por vezes, frases de sintaxe incompreensível.

quinta-feira, 25 de Setembro de 2014

Nesta tarde, no Sado, entraram barcos com história(s) - "Sagres", "Vera Cruz", "Creoula"


O programa do Dia Mundial do Mar, em Setúbal, tem sido divulgado na net e na imprensa. Na tarde de hoje, o Sado recebeu três embarcações que são o símbolo da ligação de Portugal ao mar. Primeiro, a "Sagres"; depois, a "Vera Cruz"; finalmente, "Creoula". Todos com pompa e a alegria de um dia de Verão, todos com muitos admiradores cais fora. As fotos que se reproduzem foram tiradas no Parque Urbano de Albarquel.





Para a agenda - João Calceteiro, o poeta, em homenagem



João Calceteiro, nome de poeta de João Augusto Mendes, com 91 anos, vai ser homenageado em 27 de Setembro, na Casa da Cultura, em Setúbal. Filho de combatente português na Grande Guerra, João Calceteiro é um repositório de histórias, como se pôde ler na edição do trissemanário O Setubalense, saído ontem. A viver no Lar Paula Borba, o poeta, publicado em diversas antologias, vai ter a homenagem promovida pelo Centro de Iniciativas Manuel Medeiros, da UNISETI. Para a agenda!

domingo, 21 de Setembro de 2014

Para a agenda - O Cabo Espichel que Carlos Sargedas quer mostrar



O Cabo Espichel é assunto na “Revista” do Público de hoje pela mão de Alexandra Prado Coelho, sob o título “Cabo Espichel: Conseguimos salvar o fim do mundo?”
São quatro páginas em que se entrelaçam histórias do Cabo Espichel com a história de um dos seus mais lídimos promotores dos tempos mais recentes, o fotógrafo Carlos Sargedas, de Sesimbra. A justificação é a apresentação do filme Cabo Espichel – Em terras de um mundo perdido, de Sargedas, com música de Miguel Valadares, a ocorrer na semana que agora começa, em Sesimbra.
Espaço que alberga histórias, memórias e lendas fantásticas, a oscilarem entre a espiritualidade, a devoção, a lenda, a festa, o luxo e a paisagem, o Cabo Espichel mantém algo do que é comum designar-se como “finisterra”, ao mesmo tempo que parece desaproveitado, mesmo esquecido. A tentativa de Carlos Sargedas é a força da arte e de uma voz apenas comprometida com a defesa e com a descoberta do património – é que, como refere no final da pequena reportagem, aquele espaço é excelente para filmar e deve ser conhecido, porque ““temos tudo aqui, batalhas navais, vikings, invasões francesas, túmulos, segredos, uma imagem de origem desconhecida, pegadas de dinossauros. Agora, o cinema faz o resto.”
O Cabo Espichel, Sesimbra e a Arrábida foram já motivo de um trabalho fotográfico de Carlos Sargedas, publicado em edição de autor, sob o título de Vertigem Azul, em, 2006.

sábado, 20 de Setembro de 2014

Para a agenda - Dia Mundial do Mar



O Dia Mundial do Mar, em Setúbal. Seminário, visitas a embarcações (e que embarcações!!!), exposição de bd... Quando tanto se fala do mar e do alargamento do território português sobre o mar; quando se sabe que o mar é parte indispensável da identidade lusitana... A não perder!

Para a agenda - Sobre insectos



Uma exposição a ver. Em Palmela, a partir de 27 de Setembro. "Insectos em Ordem".

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Bocage no seu dia, por Zé Nova



Hoje, dia de Bocage, feriado municipal em Setúbal (que assim relembra o seu poeta), uma visão de Bocage, talvez ela mesma bocagiana, da autoria de Zé Nova, concebida para o programa do Prémio Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage, promovido pela LASA. Um desenho em que facilmente se reconhece o poeta, bem como facilmente se revê a sua imagem de Setúbal: naquela estátua que faz girar a praça em torno de si, há quase sempre uma pomba que penteia as ideias do poeta...

quarta-feira, 27 de Agosto de 2014

Bocage em grafitti



"Bocage 1805-2014" é grafitti que evoca o tempo da memória do poeta sadino. Prestes que estamos a entrar no seu mês - o de Setembro -, aqui fica o retrato que nos surpreende na Rua Augusto Cardoso, em Setúbal, apoiado numa das caixas da EDP.
[Fotos: Cunha Bento e JRR]




terça-feira, 26 de Agosto de 2014

Prémio literário Bocage 2014 já tem vencedores



A XVI edição do Prémio Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage, promovida pela LASA (Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão) com o apoio de vários parceiros, teve no final da noite de ontem a decisão do júri nas várias modalidades: em poesia, o trabalho Pequeno livro de elegias, de Daniel da Silva Gonçalves (apresentado sob o pseudónimo de Rui Curado), residente em Santa Maria (Açores); no conto, o texto Eu e tu nesta cama, de Virgínia Sofia Antunes (apresentado sob o pseudónimo de Mariana Algarvia), farense a residir em Inglaterra; em revelação, um conjunto de poemas sem título, de Manuel Eurico Vaz Marques (sob o pseudónimo de Mosguy), residente em Joane (Famalicão).
Os prémios serão entregues em cerimónia a realizar em 15 de Setembro, feriado de Setúbal, e, além de um valor monetário, os textos merecerão a edição (a cargo da entidade promotora). A este concurso foram apresentados 509 trabalhos, apreciados por um júri constituído por José António Chocolate, João Reis Ribeiro e António Chitas.

segunda-feira, 25 de Agosto de 2014

Viana do Castelo e a Grande Guerra


Em ano de centenário da Grande Guerra, a bibliografia a propósito é interessante. Relativamente a Viana do Castelo, depois que José Manuel Alves dos Santos publicou o artigo "Viana do Castelo - Para um roteiro português evocativo do centenário da Grande Guerra (Jornal do Exército. Lisboa: Estado Maior do Exército, nº 633, Dezembro.2013, pp. 36-43), foi agora a vez da publicação anual alusiva às Festas da Senhora da Agonia A Falar de Viana (Viana do Castelo: VianaFestas, série II, vol. 3, 2014) publicar mais alguns textos sobre o assunto. A saber: "As Festas no despertar da Grande Guerra", de Rui A. Faria Viana (pp. 11-19); "José Gomes da Cunha (1891-1976): Um vianense na I Guerra Mundial", de Porfírio Pereira da Silva (pp. 219-223); "Vianenses mortos na Primeira Guerra Mundial - Perfis dos herdeiros de pensões", de Henrique Rodrigues (pp. 225-235). Material a ler com atenção...

sábado, 23 de Agosto de 2014

Máximas em mínimas - Manuel Jorge Marmelo numa história da Grande Guerra



Depois de ler A guerra nunca acaba, de Manuel Jorge Marmelo (Lisboa: Glaciar, 2014), na colecção “100 anos da Grande Guerra” (nº 3), que está a ser publicada semanalmente pela revista Sábado:
Certeza – “As certezas da vida são a coisa mais efémera que existe.” (pg. 39)
Felicidade – “A felicidade e o seu reverso são como duas faces da moeda que é a vida.” (pg. 41)
Guerra – “As guerras são quase sempre motivadas pela cobiça desmedida de um grupo muito pequeno de homens, os quais sacrificam os restantes à sua ambição e ao objectivo de subjugar povos e países que consideram inferiores; os impérios são edificados sobre um número incontável de cadáveres, sem que se perceba muito bem para que serve um império; os impérios não duram para sempre e, por isso, constituem de algum modo uma espécie de frivolidade.” (pg. 30)
Guerra – “As guerras nunca acabam. É impossível ganhá-las. Cada guerra e cada um dos seus mortos carregam a semente da guerra seguinte. (…) Desde o primeiro homem que matou o seu semelhante por soberba ou cobiça que estamos a repetir continuamente o mesmo círculo de ódio e vingança.” (pg. 89)
Homem – “O homem é o mais cruel de todos os animais, excepto quando é o mais bondoso dos seres vivos.” (pg. 53)
Morte / Memória – “A morte mais absoluta é esquecer e ser esquecido.” (pg. 38)
Morte (em guerra) – “Numa guerra, qualquer sítio é bom para morrer. Pode-se morrer a lutar, a fugir ou encolhido num buraco como um rato do campo.” (pg. 8)
Perda – “Nada é mais perigoso do que um homem que perdeu alguma coisa que lhe faz falta.” (pg. 83)
Vontade – “Os impulsos e as angústias individuais são uma força tremenda, tão poderosa em certas circunstâncias como a vontade de mil homens. (…) Um único desaire é suficiente para mudar para sempre o destino de alguém e até, se calhar, o rumo da História.” (pg. 33)

sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

Máximas em mínimas - Luísa Beltrão



Depois de ler Moscas nos olhos – Filippa na Grande Guerra, de Luísa Beltrão (Lisboa: Glaciar, 2014), na colecção “100 anos da Grande Guerra” (nº 2), que está a ser publicada semanalmente pela revista Sábado:
Esperança – “A esperança é o único penhor humano na consciência trágica da nossa imperfeição, é a esperança que nos salva do desespero.” (pg. 75)
Guerra – "A violência da guerra é impossível descrevê-la.” (pg. 36)
Guerra – “Na guerra, tudo se dilui na luta básica pela sobrevivência, mas quando ela acaba, as guerras internas tomam de novo conta de nós, ambíguas, enredadas.” (pg. 91)
Loucura – “Não é fácil manter o estatuto de louco mesmo num mundo enlouquecido.” (pg. 46)
Solidão – “Somos seres isolados, perdidos no espaço, não somos deuses do Olimpo, e até os deuses do Olimpo brigam, embora possam reinventar-se porque são imortais.” (pg. 75)

quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

O mês de Bocage


Bocage volta a ser protagonista neste Setembro, em que passam 249 anos sobre o seu nascimento, uma acção acentuada pelo facto de o feriado de Setúbal se fundar sobre o dia em que Bocage viu a luz e por, a propósito da data e da efeméride, o nome de Bocage ser condimento indispensável para uma série de actividades.
Setúbal tem o condão de fazer coincidir o seu feriado municipal com uma data ligada a um poeta, tal como acontece, de resto, com o país, ao celebrar o seu dia numa data ligada a outro poeta. Destino ou mera coincidência, o facto é que Camões e Bocage se tornam inesquecíveis mesmo por essa coisa tão simples que é a de terem uma data sua no calendário dos eventos deste mundo, ainda que isso só por si não seja garantia de glória, uma vez que as obras dos poetas são para ser lidas, num gesto de construção da memória e numa atitude de contemplação da arte e de conhecimento.
Bocage é um monumento da cultura portuguesa e, comemorações à parte, bem merecia ser mais lido, mais falado, mais citado, mais conhecido. Obviamente, há textos difíceis na produção bocagiana; mas nem todos o são. E, depois, há um pormenor de graça: é que, recorrendo mesmo às traduções que o ajudaram a viver (e que ultrapassam em muito o “mero” acto de traduzir, pois que Bocage lhes associou criação), também encontramos poemas que podem ter público de todas as idades. Assim, lógico seria que pelas escolas, pelas colectividades, pelas instituições, se invocasse a obra de Bocage não só em Setembro. Creio que a elaboração de uma antologia acessível, equilibrada em termos de prazer da leitura, diversificada quanto a modalidades poéticas que Bocage deixou, deveria ser um objectivo de Setúbal, com divulgação dessa obra pelos setubalenses e pelos seus convidados ou visitantes, distribuição a começar a ser feita logo entre os alunos do primeiro ciclo (que até podiam ilustrar poemas de Bocage, acredito). A tarefa não seria complicada, assim houvesse vontade das instituições (autarquias, Centro de Estudos Bocageanos, LASA, associações e outros parceiros) em colaborarem conjuntamente num projecto destes.
Mas, porque Bocage é mesmo um monumento da cultura portuguesa, ele poderia ser também a motivação e a designação de um roteiro sadino, que passasse pelas coisas interessantes que fizeram a Setúbal do século XVIII, quer em termos de personagens, quer em termos de obra e de história. E, já agora, esse poderia ser um bom pretexto para a recolocação da lápide no exterior da Escola de Hotelaria, onde funcionou o designado “Quartel do 11”, que foi o Regimento de Infantaria de Setúbal, em que Bocage ingressou quando tinha 16 anos, como consta no “Registo do Regimento de Infantaria de Setúbal – livro 3º”, sob o número de matrícula 84, associando ao nome do poeta o castanho do cabelo e os olhos “pardos”. Ora, a lápide foi retirada aquando das obras que o edifício teve e, a partir daí, deixou de estar visível a inscrição que dava notícia da passagem de Bocage por aquele sítio. Não sei a causa da omissão; apenas sinto que este gesto é um lapso contra a memória – não só de quem é evocado, mas também de quem teve a ideia de ali registar o feito para memória futura. A única consideração que faço a este propósito é a de que é um dever dos responsáveis reimplantarem ali a lápide que inscrevia a passagem de Bocage num momento da história do edifício, da organização, da cidade.
E, para voltar a Setembro, recordo o teor da conferência sobre Bocage, pronunciada em 15 de Setembro de há 64 anos, dessa vez tendo sido convidado outro poeta para falar de Bocage: Sebastião da Gama, que escolheu o título “Lugar de Bocage na nossa poesia de amor” para dissertar sobre o poeta e sobre o amor, num percurso absolutamente simples e transparente em que enalteceu a “originalidade de Bocage”. Deixo algumas citações: “O que dá nome e novidade à poesia amorosa de Bocage é o desejo que a percorre toda, sequioso mas terno. (…) Alegre como o campo, claro como a manhã, o amor de Bocage. (…) Era a paixão em carne viva; nenhum romântico foi com tanta violência empós o coração, nenhum romântico foi tão romântico. (…) Poesia feita de impulsos, de momentos, de estados de alma. Não há pose na poesia de Bocage: aquilo que ali está é aquilo que foi; aquilo que não fora, se Bocage tem sido o poeta burguês que certos críticos desejariam.” O texto está disponível na colectânea O segredo é amar, um dos mais belos livros do poeta azeitonense, e, já agora que estamos a falar dos dois poetas maiores da nossa região, esse bem deveria ser outro texto a ter ampla divulgação, pois que é uma óptima iniciação à arte de Bocage!
Enfim: pretextos para que se prepare o ano de 2015, em que passarão os 250 anos sobre o nascimento de Bocage, idade que merece ser assinalada de acordo com o que o número representa…

Duas marcas da prática política no nosso país


1) «Em matéria de reformas sou licenciada já assisti a reformas do ensino da linguagem da administração do vocabulário dos costumes e sei lá que mais e só uma coisa é certa essa coisa é que “atrás de reforma vem reforma” tão certo como dois e dois serem quatro e que para reformar não há como os portugueses que reformam rerreformam e rerrerreformam e está tudo sempre a pedir reforma enfim como já percebi que a reforma é a vocação natural da Pátria (…) sento-me na minha cadeira e deixo-as passar porque as reformas são como o vento passam sempre até vir outra mais tarde ou mais cedo embora para dizer a verdade venham quase sempre mais cedo.»

2) «Está tudo na mesma e estar tudo na mesma quer dizer que os partidos não se entendem e os partidos não se entenderem é estarem a ter conversas uns com os outros para depois mandarem comunicados a dizer que não se entendem eu cá por mim acho que eles podiam poupar as línguas eliminando as conversas e mandando logo os comunicados sempre se poupava papel nos jornais e sempre se poupava a nossa paciência que está a rebentar.»

Os leitores mais atentos reconhecerão o estilo: as redacções da Guidinha, essa personagem criada pelo Luís de Sttau Monteiro (1926-1993), que compunha crónicas humorísticas e apimentadas sobre os hábitos sociais, lidas avidamente no Diário de Lisboa ou em O jornal. Os dois excertos que apresento mantêm-se oportunos, apesar de terem data: ambos foram publicados em O jornal, o primeiro em 22 de Junho de 1979 e o segundo em 8 de Setembro de 1978. Isto é: 35 anos não alteraram algumas práticas políticas do nosso país!
Algumas crónicas da Guidinha podem ser lidas em Redacções da Guidinha (Lisboa: Areal Editores, 2003), que recolhe uma selecção de algumas saídas no Diário de Lisboa entre 1969 e 1970, e em A Guidinha antes e depois (Lisboa: "O Independente", 2004), compilação de vários textos surgidos entre 1972 e 1979 em ambos os jornais.

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Máximas em mínimas - Tempo


Tempo – “Na literatura, o tempo suspende-se e deixa marcas; nas fotografias, o tempo passa e deixa rugas.” [Francisco José Viegas. Um gosto pela imperfeição. Col. “100 anos da Grande Guerra” (1). Lisboa: Glaciar, 2014, pg. 12]

segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

Bocage também ajuda a que se beba...



Bocage, entre outras não menos conhecidas figuras, como Camões e Garrett, por exemplo, a consumir a bebida que nunca lhe terá sido associada... não fosse a ideia da publicidade ao leite "Vigor" num mural de "street art", em Lisboa, na Rua José Gomes Ferreira, ali bem perto das Amoreiras. Original! E literário...

Máximas em mínimas - Moralista



Moralista – “Um moralista é alguém que acha que a sua moral é melhor do que a tua.” [Francisco José Viegas. Um gosto pela imperfeição. Col. “100 anos da Grande Guerra” (1). Lisboa: Glaciar, 2014, pg. 89]

quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Jean Jaurès, 100 anos depois, revisitado com Aquilino Ribeiro


 
No dia 1 de Agosto de 1914, o jornal L’Humanité, que Jean Jaurès fundara e dirigia, trazia, ao largo de toda a primeira página a notícia sobre a morte do seu director sob o título “Jaurès assassiné”.
Na noite do dia anterior (passam hoje 100 anos), Jaurès jantava com colegas e amigos no café “du Croissant”, em Paris, bem perto do jornal em que trabalhava e, pelas 21h40, era alvejado mortalmente por Raoul Villain, jovem nacionalista adepto da entrada na guerra. Assim terminava o percurso de 54 anos de um dos mais célebres oradores, chefe socialista, pacifista, que consternou a França, país que estava a um passo de entrar na Grande Guerra.
No dia anterior, em 30 de Julho, Jaurès publicara no L’Humanité um texto que reflectia a sua posição contra a entrada na guerra, que toda a gente achava emergente: «Les forces de paix pourront donc s’exercer. Le devoir redouble pour nous tous d’utiliser ces jours ou ces heures de répit pour dénoncer le crime, pour affirmer et organiser la solidarité des prolétaires de tous pays contre l’abominable menace.»
A segunda quinzena de Julho fora, de resto, vivida por Jaurès num incessante combate contra a guerra e em favor da paz. Célebre ficou o seu último discurso, em Vaise (Lyon), em 25 de Julho, perante numerosa multidão: «Je veux vous dire ce soir que jamais nous n’avons été, que jamais depuis quarante ans, l’Europe n’a été dans une situation plus menaçante et plus tragique que celle où nous sommes à l’heure où j’ai la responsabilité de vous adresser la parole.» Era a descrença na resolução diplomática do conflito que opunha a Áustria-Hungria à Sérvia desde o assassinato de Francisco Fernando (28 de Junho), com o receio de uma catástrofe, que, na verdade, se agigantava. E Jaurès avisava: «À l’heure actuelle, nous sommes peut-être à la veille du jour où l’Autriche va se jeter sur les Serbes, et alors Autriche, Allemagne se jetant sur les Serbes et les Russes, c’est l’Europe en feu, c’est le monde en feu. (…) La politique coloniale de la France, la politique sournoise de la Russie et la volonté brutale de l’Autriche ont contribué à créer l’état de choses horrible où nous sommes. L’Europe se débat comme dans un cauchemar.»
O pesadelo aproximava-se. E mais vertiginosamente do que parecia, como a História comprova.
No seu diário de 1 de Agosto de 1914, publicado sob o título É a guerra (1934, com reedição recente pela Bertrand), Aquilino Ribeiro, que estava em Paris, escrevia: «Pouco se fala em Jaurès, ídolo da multidão. Em tempo ordinário o seu assassínio teria provocado o massacre dos extremistas da “Action Française”; a revolta, talvez, do Paris popular. O mundo acaba de perder neste político de cabeça sempre erguida para o céu uma das suas generosas e magníficas forças. Era o tribuno por excelência. Ouvia-se com o mesmo prazer com que se ouve um trecho de Beethoven executado pela orquestra Lamoureux ou tirada da Antigone declamada pela Bartet. A última vez que me foi dado gozar tal prazer foi nas Buttes-Chaumont, combatiam os socialistas encarniçadamente a lei militar dos três anos. No bom gigante barbaçudo, passos pesados de cá para lá e de lá para cá de urso em jaula, olhos luminosos divisando para além do horizonte comum, voz martelada de sonoro metal, havia ao dispor, revolver, sacudir o auditório qualquer coisa da magnitude do vento a encapelar o mar. A Terceira República não conta personalidade mais alta. Em meu peito choro-o como se fôssemos do mesmo lar. Sempre aquela Rua du Croissant, a dois passos do bulevar, estreita, lívida, saco, assim a jeito de caixão com a tampa erguida à espera do defunto, me deu impressão de aziaga. Satisfez no sentido mortuário que lhe achei. Mas terrível absurdo do destino! Agora que Jaurès, ontem homem de todas as liberdades, inimigo jurado dos preconceitos, transigia com o movimento nacionalista, arrastado na corrente como coisa sem peso, nada ele, um fanático do nacionalismo, não se apurou ainda se com taras fisiológicas ou apenas com as taras que provêm de credo destemperado, o abate a tiros de “Browning”! Receoso, o Governo apressou-se a condenar o atentado, mandando grudar pelas paredes um cartaz de reprovação. Igualmente Poincaré. A estas horas o grande orador jaz de queixos atados entre as quatro tábuas do ataúde e ninguém eleva a voz. A Humanité tem um pobre ar de viúva estúpida, embebedada com pêsames e lágrimas. Nas páginas do número de hoje fala-se com mesura e baixinho. Hervé, na corneta do diabo, papel cor-de-rosa mas a cheirar mal, prega em largas parangonas: ‘Défense nationale d’abord! Ils ont assassiné Jaurès. Nous n’assassinerons pas la France’.»
Uma década depois, em 1924, Jaurès foi para o Panteão. Quanto ao seu assassino, Villain, foi julgado e libertado em 1919, exilou-se em Espanha e aí viria a ser fuzilado pelos republicanos em 1936.
 

terça-feira, 29 de Julho de 2014

Há 100 anos, começou a 1ª Grande Guerra

Quando começou o século XX, desejava-se que este fosse um século de paz, tão violenta tinha sido a centúria de 1800!... Engano! Depois da morte de Francisco Fernando em Sarajevo em 28 de Junho, passou um mês e veio a declaração de guerra à Sérvia...
Escrevia o Conde Leopold von Berchtold, ministro austro-húngaro dos negócios estrangeiros, a Pashitch, seu correspondente sérvio, ao final da manhã de 28 de Julho:"
"Vienna, 28 July 1914
The Royal Serbian Government not having answered in a satisfactory manner the note of July 23, 1914, presented by the Austro-Hungarian Minister at Belgrade, the Imperial and Royal Government are themselves compelled to see to the safeguarding of their rights and interests, and, with this object, to have recourse to force of arms.
Austria-Hungary consequently considers herself henceforward in state of war with Serbia.
Count Berchtold"
Começava a guerra mundial!!!

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Joana e Sebastião: uma história feita de livros e de poemas



As histórias de amor na literatura trazem frequentemente como título apenas os nomes das suas personagens – todos nos lembramos de narrativas como as que protagonizaram Romeu e Julieta, Paulo e Virgínia, Tristão e Isolda ou, como no caso português, Pedro e Inês.
A história de Joana e Sebastião é portuguesa, é real, é de amor e caminha sobre literatura e riqueza humana, confortada pela paz da Arrábida, pela espiritualidade da paisagem e pelo misticismo que brota desde Frei Agostinho da Cruz.
Refiro-me à vida de Sebastião da Gama e de Joana Luísa, dois seres que entrelaçaram os seus trajectos com o tempo, numa história completa e perfeita: ele nasceu em Abril e faleceu em Fevereiro, ela nasceu em Fevereiro e faleceu em Abril. Entre a partida dos dois passaram 62 anos: ele não chegou aos 28 anos, corria 1952; ela deixou-nos aos 91, quando despontava a Primavera de 2014.
A história de Joana Luísa e de Sebastião da Gama é fascinante a vários títulos e, por isso, tem de fazer parte da memória, temos de a receber com o espírito aberto para todas as aprendizagens. Poeta, escritor, professor, ele, que associou, pelo que lemos e pelo que ouvimos de quem com ele privou, uma formação humana espantosa, um encanto e deslumbramento perante a vida e a Natureza, um roteiro de simplicidade, humildade e boa disposição com os outros, com a vida, ela mesma. Mulher sensível, determinada, leitora, memorialista de horas vagas, zeladora, voluntária, ela. Abraçou a memória e a obra do marido depois de um casamento mais curto do que o namoro, pois durou apenas nove meses, tempo de gestação de uma memória feliz.
Sebastião da Gama publicou três livros. E todos correríamos o risco de conhecer pouco mais do que isso sobre ele e de e de saber que tinha sido um professor. Todo o acervo bibliográfico  que lhe é conhecido, abrangendo, para já, onze títulos, é maioritariamente póstumo. E, nesse grupo da obra póstuma, há pérolas como são o “Diário”, bastantes poemas e alguns dos textos que povoam o livro “O segredo é amar”, toda uma obra atravessada por um olhar o mundo, o saber e a cultura de forma peculiar, fotogénica, ecológica.
Mas que saberíamos nós, que conheceríamos nós, desta obra póstuma de Sebastião da Gama se não fosse a persistência, a dedicação, o critério, o afecto à memória e à literatura que Joana Luísa cultivou? Ao longo dos quase 62 anos que sobreviveu ao marido, Joana Luísa da Gama alimentou a obra dele, dando a conhecer inéditos, salvando o “Diário”, com a ajuda de muitos amigos dos dois – Hernâni Cidade, David Mourão-Ferreira, Luís Filipe Lindley Cintra, Luís Amaro, Matilde Rosa Araújo, Maria de Lurdes Belchior, António Manuel Couto Viana. Preservou-a e facilitou a sua divulgação, não deixou que ela fosse esquecida, pedindo a vários editores que a obra não fosse cara, que os livros ficassem a preços acessíveis para as pessoas os poderem obter. Pessoas e instituições ajudaram-na nessa missão de divulgação, como o livreiro setubalense Manuel Medeiros e Fátima Medeiros, sua mulher (que iniciaram, pela década de 1980, a celebração do 10 de Abril, data do nascimento do poeta, com carácter regular), os que foram seus alunos e seus colegas (em Setúbal, Lisboa e Estremoz), ou a Câmara Municipal de Setúbal (que levou a cabo a construção do Museu Sebastião da Gama) ou as Juntas de Freguesia de Azeitão (que criaram o Prémio Nacional de Poesia com o nome do poeta). Uma vida de literatura na retaguarda, uma vida de memória e de trabalho para a memória. Uma vida de amor, disponibilizando a obra e o seu saber sobre o marido, uma vida feliz.
Tive o privilégio de conhecer e conviver com Joana Luísa. Mais: tive o gosto de ser por si considerado seu amigo e amigo de Sebastião, porque “quem é meu amigo também o é do Sebastião”, disse-me um dia. Mais ainda: tive a sorte de aprender muito com Joana Luísa, de poder peregrinar pelo que foi a geração do seu Sebastião, que foi, afinal, a sua geração também.
É por tudo isto que me parece que o nome de Joana Luísa deve ser lembrado sempre que seja mencionado o de Sebastião da Gama. Um e outro, de resto, ficarão felizes se lembrarmos os dois. Afinal, temos aqui uma história de amor, com literatura de permeio, abençoada pelo testemunho e pela poesia.
Em nome do património, é importante que as várias associações a que Joana Luísa esteve ligada (Liga dos Amigos do Hospital do Outão, Centro de Estudos Bocageanos, Associação Cultural Sebastião da Gama e Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, que eu saiba), bem como os amigos, a família e outras estruturas locais (aí incluindo as autarquias e as escolas que ela visitou) promovam uma homenagem a Joana Luísa, evidenciando a sua participação cívica e, sobretudo, o seu papel insubstituível na construção do que é a obra de Sebastião da Gama.

domingo, 20 de Julho de 2014

Uma surpresa... para a paz que procuramos!

 
É bom ver e ouvir isto. Sobretudo num tempo em que as civilizações têm dificuldade em encontrar-se (apesar de tudo!!!), em que a tristeza e as dúvidas invadem a sociedade, em que a história de um avião caído nos mostra a nossa vulnerabilidade e a falta de respeito pelo ser humano... Vale mesmo a pena entrar naquela multidão e acompanhar o ritmo da 9ª sinfonia e a força que Beethoven transmitiu...


 

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

A Arrábida nas imagens de Carlos Silveira


Serra-Mãe é o título que Carlos Silveira pediu emprestado a Sebastião da Gama para titular um filme de cerca de 9 minutos, que pode ser visto aqui. Imagens fortes e poderosas, com música adequada, a partir de um olhar, esta visão da Arrábida de Carlos Silveira leva o espectador ao mundo da noite, do mistério, da génese e da espiritualidade. Muito intenso, forte! A ver!

Para a agenda - D. Manuel Martins e os seus "pregões de esperança"...


... num tempo em que, cada vez mais, deles precisamos. Não sei se é a reedição da obra que saiu em 1997, editada pela Caritas Diocesana de Setúbal... mas, sendo ou não, é uma mensagem intensa como sempre foi a de D. Manuel Martins, apostada na fraternidade, na partilha, na paz, sem falsos palradores. O convite para a leitura e para a sessão fica feito. Para a agenda! Inevitavelmente! Pregões de esperança, já! Em 16 de Julho.


quinta-feira, 10 de Julho de 2014

Para a agenda - Jorge Sousa Correia, autor setubalense, em Setúbal com D. João II



Jorge Sousa Correia (n. 1946), autor setubalense, vem à sua terra para apresentar publicamente a sua segunda obra, recentemente editada: o romance histórico As sombras de D. João II, que passa por momentos nesta terra do Sado. A história de um homem que foi príncipe e que nasceu como toda a gente: do "ajuntamento" de seus pais. Na Culsete, hoje, às 18h30. Para a agenda.

segunda-feira, 7 de Julho de 2014

O soldado "Milhões", herói da Grande Guerra, contado por Francisco Galope



Aníbal Augusto Milhais, o conhecido “Milhões”, nasceu em 9 de Julho de 1895 e faleceu em 3 de Junho de 1970. Ainda não tinha 22 anos na data em que embarcou para a Flandres, incorporando o Corpo Expedicionário Português (CEP), no final de Maio de 1917, como militar do Regimento de Infantaria 19.
Vindo de Valongo (a que mais tarde se juntou “de Milhais” em sua honra), no concelho de Murça, Aníbal Augusto fazia parte do grande grupo de incorporados que nunca saíra do seu torrão. Muito saberia da vida, mas não conseguia adivinhar que, com o passar dos tempos, o seu nome viraria lenda, o seu rosto de herói desafiaria a memória numa praça da sua sede de concelho e a sua vida seria resguardada numa biografia publicada no primeiro ano do centenário da Grande Guerra, aquela em que ele se expôs diariamente à fortuna e de onde conseguiu regressar, contrariamente ao que foi o fado de camaradas de armas e de amigos e vizinhos.
Francisco Galope, jornalista, encontrou-se com a narrativa do soldado “Milhões” em 2008, quando preparava uma reportagem com informação de carácter histórico para a revista Visão – História, para um número que assinalaria os 90 anos do fim da Grande Guerra e da assinatura do Tratado de Versalhes. Mas a descoberta pedia mais do que uma reportagem e, cinco anos depois dessa publicação, Francisco Galope apresenta a biografia de Aníbal Augusto Milhais, o “Milhões” da lenda, sob o título O herói português da I Guerra Mundial (Lisboa: Matéria-Prima Edições, 2014).
Curiosamente, a forma de Aníbal Augusto ter ascendido ao lugar de herói ficou a dever-se a um jornal, o Diário de Lisboa, quando corria o mês de Abril de 1924, que desencantou o combatente transmontano e o fez andar num périplo que teve vários pontos altos de reconhecimento e de vivência, como foi, por exemplo, o da presença na Batalha, quando no dia 9 desse mês ali se procedeu à inauguração do lampadário junto do túmulo do “soldado desconhecido” (criado em 1921), homenagem aos caídos na Grande Guerra, em data cara para Milhais: fora na sequência da sua acção, em 9 de Abril de 1918, ao defender-se e ao defender muitos dos seus camaradas perante o inimigo alemão, que ele se tornou numa imagem do heroísmo no campo de batalha. Posteriormente, o desabafo de um dos seus comandantes, João Maria Ferreira do Amaral, ao dizer-lhe, num jogo de palavras, que ele ”era Milhais, mas valia Milhões”, abria-lhe a porta para a memória, de tal maneira que, no pedestal de Murça, a frase do comandante surge lavrada em lápide.
Se, em 1921, Menezes Ferreira contou a história heróica dos soldados portugueses, construindo uma personagem que seria resultado das vivências de todos eles, na obra João Ninguém – Soldado da Grande Guerra (contendo tanto de épico como de humorístico como de crítico), se designações como “serrano”, “gambúzio” ou “folgadinho” assentavam na tipificação do soldado herói português que combateu na Grande Guerra, o conhecimento de “Milhões” deu um rosto, um corpo e um sentir a esse herói, várias vezes aclamado, em diversas oportunidades alcandorado a representante da valentia dos homens do CEP.
Francisco Galope marcou encontros vários com a memória de “Milhões”, fosse através da leitura do que disseram os jornais, da consulta ao arquivo da RTP (onde surge registo de entrevista com o herói de Valongo de Milhais) e nos arquivos militares, fosse por via de fontes orais de familiares do “Milhões”, fosse ainda pelo recurso à literatura memorialística portuguesa deste período (cujos títulos vão sendo referidos ao longo da obra). Todo este viajar pela pesquisa no sentido de ser reconstituída uma biografia permitiu ao autor a elaboração de uma tela completa do que pode ter sido a vida de Aníbal Milhais, sobretudo na experiência na trincheira da Flandres. Afinal, aquilo por que Milhais passou não terá sido diferente do que foi vivido pelos outros companheiros conforme registado pelo memorialismo. Assim, Francisco Galope preenche lacunas, dando a imagem possível do herói e do seu feito.
O desenvolvimento da narrativa vai sendo sujeito a reflexão do próprio narrador, que, frequentemente, se cola ao seu protagonista no sentido de o entender ou de justificar as suas atitudes, sempre com o objectivo de tornar a narrativa mais viva, quase como se uma memória se reproduzisse, não esquecendo pormenores como o da maneira de falar ou o da linguagem utilizada, sobretudo no que diz respeito a gíria militar, ou mesmo o que advém da possibilidade de adivinhar o que correria no pensamento do soldado e na sua maneira de ver o mundo.
Aníbal Milhais não sai endeusado, antes nos é apresentado um cidadão, que, perante uma experiência rara e intensa, em que havia a vida para defender, hesita, ganha, perde e luta, não visando ser herói, mas procurando a sobrevivência, agindo com a naturalidade que a vida lhe ensinou. Francisco Galope, apesar do título dado ao livro, é cauteloso no apuramento da verdade em torno do gesto que fez Milhais subir ao estatuto de “herói” (o que se terá passado em Huit Maisons em 9 de Abril e nos dias subsequentes), apresentando, no final, documentos de Ferreira do Amaral e de David Magno, um justificando o reconhecimento e a atribuição de galardão a Milhais e o outro assumindo que o feito do soldado transmontano não foi mais glorioso que o de muitos outros dos seus homens, ainda que reconhecendo Magno que a imagem do “Milhões” se transformou em “símbolo dos nossos humildes soldados”.
Uma biografia a ler. Porque dá uma imagem do que foi a vida dos portuguese nas trincheiras, porque recria com base em fontes importantes um aspecto da participação portuguesa na Flandres, porque, ainda que falando de um “herói”, o humaniza. E porque, tal como nas histórias que conhecemos, não ficamos a saber tudo sobre os heróis, apenas o essencial.

quarta-feira, 2 de Julho de 2014

Sobre Sophia, dez anos depois, para sempre



Sobre Sophia. Quando passa uma década sobre a sua morte e a sua escrita nos fustiga e alimenta. Um bom documentário sobre uma das vozes mais importantes da literatura portuguesa de sempre. Realização de Pedro Clérigo, em 2007, para a RTP. Com muitos excertos de obras, muitos testemunhos, muita memória.

Para a agenda - As arruadas da Culsete, entre livros e livros



A Culsete, livraria que já passa dos 40 anos em Setúbal, leva a cabo, a partir de 4 de Julho, a sua segunda edição do programa "Arruada", gizado e orientado por Fátima Ribeiro de Medeiros. Viagem por livros, livros, livros... por saberes, pela história e pela literatura, pela leitura e pela escrita, pela música, pela vida. Para muitos gostos, para todos os gostos. Para a agenda!

Para a agenda - "As Viríadas", de Isaac Samuda



Um convite para a apresentação da edição crítica de As Viríadas, de Isaac Samuda e Jacob de Castro Sarmento, preparada por Manuel Curado. No salão nobre da Câmara Municipal de Lisboa, em 9 de Julho. Uma epopeia atravessada por Viriato. Para a agenda.

domingo, 29 de Junho de 2014

Para a agenda - Quando a poesia se encontra com a Arrábida...

 
 
Em 2002, António Mateus Vilhena e Daniel Pires publicavam, através do Centro de Estudos Bocageanos, a recolha A serra da Arrábida na poesia portuguesa.
Uma dúzia de anos passados, surge a 2ª edição, aumentada. Vai ser apresentada no salão nobre da Câmara Municipal de Setúbal por Viriato Soromenho-Marques, em sessão no dia 4 de Julho, pelas 21h30. Um evento a não perder. Para a agenda!