Mostrar mensagens com a etiqueta Mensagem (1934). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mensagem (1934). Mostrar todas as mensagens

sábado, 19 de setembro de 2015

Fernando Pessoa chega de "Expresso"



O semanário Expresso iniciou hoje a distribuição gratuita da colecção “Obra Essencial de Fernando Pessoa” com o volume Mensagem e Outros Poemas, prefaciado por Fernando Pinto do Amaral.
Com edição coordenada por Ivo de Castro, cada uma dos nove volumes da colecção vai ser prefaciado por nome conhecedor da obra pessoana – Richard Zenith, Nuno Júdice, António Feijó, Ana Luísa Amaral, Rita Patrício, Clara Ferreira Alves, Miguel Tamen e Pedro Mexia são as assinaturas que se seguem para os restantes volumes.
Neste título de abertura, Fernando Pinto do Amaral usa o título “A matéria dos sonhos” para o seu prefácio e, depois de contar a história do aparecimento do único livro de Pessoa publicado durante a sua vida, estabelece um paralelo entre Mensagem e Os Lusíadas, sendo que “enquanto Camões nos conta a nossa História, a atitude de Pessoa é a de subentender nos leitores o conhecimento dessa História”. Outra dimensão abordada nesta apresentação relaciona-se com uma linha de leitura que passa pelo poder visionário, pela loucura, responsável por “distorcer ou alterar para sempre as coordenadas da realidade”, a que é cometida a capacidade de inovar, de construir, de dar alma ao mundo. Finalmente, o terceiro vector de leitura apontado é o da actualidade desta obra, assente sobre a realidade que nos rodeia e nos afoga – “Neste Portugal do século XXI, bem comportado e integrado numa Europa esvaziada dessa loucura – Europa essa onde o único valor parece resumir-se ao dinheiro e a alguns cadáveres adiados se ocupam a negociar orçamentos em Bruxelas enquanto milhares de cadáveres não adiados vão desaguando nas praias do Mediterrâneo –, um livro como Mensagem interpela os que não se resignam a essa tranquila mediania, insistindo em procurar outras dimensões onde possam projectar a sua febre de Além – uma febre perigosa ou insensata pelos padrões do senso comum, mas ainda assim uma febre que talvez nos faça alguma falta e de que Fernando Pessoa foi um dos soberanos intérpretes."

Um bom convite para uma boa visita à leitura pessoana!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Fernando Pessoa: 80 anos de "Mensagem"



Em 1 de Dezembro de 1934, há 80 anos, era posto à venda o título Mensagem, único livro que Fernando Pessoa publicou em português. Para lá da simbologia que poderia haver na escolha da data para a entrada do título no circuito comercial por parte da editora Parceria António Maria Pereira, também é verdade que o livro esteve para ter o título de Portugal.
Se não o teve foi por influência de um amigo do autor e por uma decisão de rejeição. Com efeito, o nome do país andava a ser usado comercialmente em campanha promotora do nome “Portugal”. E Pessoa confessa num dos seus escritos: “O meu livro Mensagem chamava-se primitivamente Portugal. Alterei o título porque o meu velho amigo Da Cunha Dias me fez notar – a observação era por igual patriótica e publicitária – que o nome da nossa Pátria estava hoje prostituído a sapatos, como a hotéis a sua maior Dinastia.”
Onésimo Teotónio de Almeida cita texto de José Blanco a propósito do prémio atribuído a Mensagem em 1934: “A Mensagem não chegava às 100 páginas regulamentares, ao contrário do livro do padre Vasco Reis, pelo que concorreu à categoria B (poema ou poesia solta). Foi, como se sabe, por intervenção directa de António Ferro que o montante do respectivo prémio, para o qual a Mensagem tinha sido passada apenas por uma simples questão de número de páginas, foi elevado para 5000$00, exactamente o mesmo atribuído pelo regulamento à obra premiada na categoria A.” (in Pessoa, Portugal e o Futuro. Lisboa: Gradiva, 2014)
Vasco Reis, sacerdote flaviense, ganhou o prémio com A Romaria, também publicado em 1934. Mais tarde, passaria a assinar as suas obras, romances de teor colonial (entre outros: Cafuso, 1956; Filha de Branco, 1960; Caminhos, 1961; Queimados do sol, 1966), com o nome de Reis Ventura, pseudónimo de Manuel Joaquim Reis Barroso (1910-1992). Em vários momentos, o autor de A Romaria confessou que o verdadeiro vencedor do Prémio Antero de Quental de 1934 deveria ter sido Mensagem.