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sexta-feira, 3 de março de 2017

Bulhão Pato nasceu no dia de hoje, em 1829



O seu nome é mais conhecido por estar associado a uma receita de amêijoas, mas não terá sido ele o criador da iguaria, antes um afamado cozinheiro de Lisboa que, em homenagem a Bulhão Pato, apreciador de boa comida e cliente habitual do restaurante "Estrela de Ouro", na Rua da Prata, engendrou a mistura que ficou até hoje com o sabor e com o nome do homenageado.
Bulhão Pato (Bilbao, 1829 - Caparica, 1912) foi escritor que se destacou no memorialismo e na poesia. Esteve também ligado à região de Setúbal. Desde 1890 até ao seu falecimento, viveu na Casa da Torre, no Monte da Caparica, e foi sepultado no Cemitério do Monte. Na Caparica escreveu para jornais e redigiu livros, foi para caçadas, conviveu e recebeu muitos amigos, celebrou as gentes da Costa e estendeu o olhar poético até à Arrábida - "A Arrábida domina ufana o Sado e o Tejo. / Não tem outra rival por todo esse Alentejo." (poema "Nas Arribas do Mar", de 1908).
Há dois livros que falam da ligação de Bulhão Pato à região em que viveu os últimos anos: uma biografia, da autoria de Artur Vaz - Bulhão Pato: Esboço Bio-Bibliográfico (Charneca de Caparica: Junta de Freguesia de Charneca da Caparica, 1996) -, e uma antologia com os textos ligados à biografia do poeta na margem sul do Tejo, organizada e prefaciada por Victor Wladimiro Ferreira - No Monte com Bulhão Pato (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 2000).
Foto: Bulhão Pato, caricaturado por Rafael Bordalo Pinheiro, no Álbum das Glórias (1902)

domingo, 1 de janeiro de 2012

Efemérides de 2012

2012 a começar, revestido do seu halo de desconhecimento quanto ao que irá ser, muito anunciado como ano mau, difícil, de mudança… mas sabe-se lá o que vai ser!
Efemérides interessantes vão acontecer neste que, apesar de tudo, também vai ser o Ano Internacional das Cooperativas, o Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos e o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade Intergeracional. Assim, aqui está um conjunto de marcos que devem chamar a atenção para 2012: o 100º aniversário do nascimento de Jorge Amado (10.08.1912-2001) e das mortes de Manuel Laranjeira (1877-22.02.1912) e de Bulhão Pato (1828-24.08.1912); o 200º aniversário do nascimento de Charles Dickens (07.08.1812-1870) e de Garcia Peres (04.08.1812-1902), este último com interesse relevante também para a história setubalense. Sem chegar ainda ao centenário, e também pela importância para a poesia portuguesa do século XX e para a literatura ligada à Arrábida, será também de assinalar o 60º aniversário da morte de Sebastião da Gama (1924-07.02.1952).
Claro que não pode ser esquecido o primeiro centenário do naufrágio do “Titanic” (15.04.1912), acontecimento quase mítico e referência do século XX…
Aditamento:
António Cunha Bento lembrou mais duas efemérides ligadas à história sadina: o 50º aniversário da inauguração do Estádio do Bonfim (16.09.1962) e o 450º aniversário da morte de Frei João Pinheiro, ocorrida em Roma, quando integrava o Concílio de Trento (02.03.1562).

domingo, 28 de março de 2010

Alexandre Herculano nasceu há 200 anos

Alexandre Herculano, por João Pedroso (1877)

Passam hoje 200 anos sobre o nascimento de Alexandre Herculano. Vale a pena evocá-lo por tudo aquilo que ele simbolizou como homem de cultura e de pensamento, é verdade. Mas também podemos lembrar Herculano, sobretudo nós que vivemos aqui ao pé da Arrábida, pelos seus laços a esta região, designadamente à serra da Arrábida.
É dele um dos mais românticos poemas sobre a serra, intitulado “A Arrábida”, escrito em 1830, com dedicatória para o liberal Rodrigo de Fonseca Magalhães (1787-1858) e depois inserido na obra A harpa do crente (1838). Nas suas 17 partes, este longo poema canta as maravilhas da Natureza, põe o homem e Deus frente a frente e exalta a liberdade. É desse texto que se transcreve uma estrofe:

Oh, que viesse o que não crê, comigo,
À vicejante Arrábida de noite,
E se assentasse aqui sobre estas fragas,
Escutando o sussurro incerto e triste
Das movediças ramas, que povoa
De saudade e de amor nocturna brisa;
Que visse a Lua, o espaço opresso de astros,
E ouvisse o mar soando: ele chorara,
Qual eu chorei, as lágrimas do gozo,
E, adorando o Senhor, detestaria
De uma ciência vã seu vão orgulho.

A ligação de Alexandre Herculano a esta região foi já divulgada num pequeno ensaio de José Paulo Vaz, Herculano em Sesimbra – Subsídios para uma Biografia de Alexandre Herculano (Sesimbra: ed. Autor, 2005), e a Arrábida como motivo de um seu poema não é de estranhar, uma vez que, além de a serra poder configurar um cenário excelente para a estética romântica, Alexandre Herculano conhecia bem a região, pois foi arrendatário da Quinta do Calhariz por um período de quase uma década (1854-1863). Bulhão Pato, que era amigo e visita de Herculano, registou uma ida ao Calhariz em 1856, dando testemunho sobre o sentido prático e o humor do amigo (“A Casa da Ajuda de 1847 a 1851”. Memórias – I. Lisboa: Perspectivas e Realidades, 1986):