quarta-feira, 29 de junho de 2022

Raul Reis e os mapas (in)visíveis da cidade



Entre 2017 e 2022, o “designer” setubalense Raul Reis (n. 1974) desenvolveu e publicou o projecto “A cidade está deserta” (No Frame Creative Publishing), numa trilogia que compreende os títulos Envia-me cartas (2017), Ninguém em casa (2018) e Em tua pele  (2022, acabado de sair), livros com registos fotográficos de orientação temática - as caixas de correio dos prédios urbanos (com a indicação de “cartas”), as campainhas da entrada das casas e as cores e revestimentos das ruas, respectivamente.

Em qualquer dos títulos, o observador-leitor respira o ar das ruas calcorreadas, confronta-se com imagens que se colam à fixação da cidade (que não das pessoas), correndo-se o risco de uma viagem à interioridade das memórias. Por estas fotografias não circulam pessoas, mas em todas há vestígios de gente ter por ali passado, ali ter permanecido, ali ter sido.

Envia-me cartas é uma peregrinação por portas e portas que ostentam a memória e a força do que foi a carta, manuscrita ou dactilografada, em que pessoas se aproximaram, vencendo distâncias e fazendo com que o presente se dilatasse pelo tempo que o correio demorava a chegar ao destinatário. Imagens de uma quase arqueologia da comunicação escrita, os letreiros com a gravação “cartas” parecem desafiar o passante para uma forma mais pessoal de contacto ou para a nostalgia dos momentos propiciados por esses compassos de espera e de desejo de receber uma carta, abrir o envelope e simular a audição das palavras do emissor por trás de uma caligrafia reconhecida ou adivinhada.

Ninguém em casa, mostrando campainhas individuais ou em bloco, afigura-se como uma provocação ao silêncio ou como uma sugestão para início de conversa, despidas do moderno videoporteiro, algumas (poucas) com sistema de voz incorporado, a larga maioria apenas botão de chamada, “clique” para conversa ou para entrada no espaço e na vida.

Em tua pele prossegue a viagem pelas ruas que nos fazem, mostrando que as texturas e as cores exteriores se podem albergar sob a força da metáfora que liga o mundo ao corpo ou vice-versa. Os olhos caem sobre fragmentos de muros, de painéis, de tintas, de cores, de azulejos, compostos e ordenados ou afectados pelo tempo e pelo desgaste e doença dos materiais, num choque com a perenidade ou em contínua descoberta de novas geometrias ou ilusões com que a vista se diverte.

Qualquer um dos elementos desta trilogia convida a um olhar sobre o mundo de forma mais circunstanciada - um parar para reparar, um diálogo com o tempo e com a história das formas e da decoração, um encontro com o que foi padrão e agora se reveste com a ironia do desgaste e da erosão tecida pelo calendário e pela alteração do gosto. O leitor do tríptico “A cidade está deserta” é impelido a tornar-se observador do quotidiano, centrando-se naquilo que, parecendo banal, desafiou a paciência cronológica para ser olhado, quase como se desse olhar despontasse uma revelação, a magia do pormenor e das pequenas coisas, a descoberta de novas formas.

No conjunto, são mais de quatrocentas imagens, radiografias do corpo da(s) cidade(s), guardiãs de histórias das gentes. Fixarmo-nos nestas imagens trazidas por Raul Reis e seguir o mapa que elas desenham é uma forma de nos encontrarmos com aquela ideia que Italo Calvino trouxe sobre a cidade: ela “não conta o seu passado, contém-no como as linhas da mão, escrito nas esquinas das ruas, nas grades das janelas, nos corrimões das escadas, nas antenas dos pára-raios, nos postes das bandeiras, cada segmento marcado por sua vez de arranhões, riscos, cortes, entalhes.”

* J.R.R. "500 Palavras". O Setubalense: nº 878, 2022-06-29, p. 9.


quarta-feira, 22 de junho de 2022

Aristides de Sousa Mendes biografado por Cláudia Ninhos


 

“Era realmente meu objectivo salvar toda aquela gente, cuja aflição era indescritível: uns tinham perdido os seus cônjuges, outros não tinham notícias dos filhos extraviados, alguns tinham visto sucumbir pessoas queridas sob os bombardeamentos alemães que todos os dias se renovavam e não poupavam os fugitivos apavorados. (...) Muitos deles eram judeus, que, já perseguidos antes, procuravam angustiosamente escapar ao horror de novas perseguições, por fim um sem-número de mulheres de todos os países invadidos que procuravam evitar ficar à mercê da brutal sensualidade teutónica.”

Assim respondeu Aristides de Sousa Mendes (1885-1954) à nota de culpa resultante do processo disciplinar instaurado em 1940, por ter assinado vistos para cidadãos em fuga da perseguição nazi nos consulados de Bordéus e de Bayona. Mais adiante, afirmava ter-se inspirado “única e exclusivamente nos sentimentos de altruísmo e de generosidade de que os portugueses souberam tantas vezes dar provas eloquentes”. Depois, assumindo ter ultrapassado as ordens recebidas: “Posso ter errado, mas, se errei não o fiz com intenção, tendo procedido sempre segundo os ditames da minha consciência, que nunca deixou de me guiar no cumprimento dos meus deveres.”

A história do cônsul português que Salazar, na decisão sobre este processo disciplinar, empurrou para “a pena de um ano de inactividade, com direito a metade do vencimento da categoria, devendo de seguida ser aposentado”, vem sumariamente contada na obra O essencial sobre Aristides de Sousa Mendes (Imprensa Nacional, 2021, que a disponibiliza gratuitamente na sua página), de Cláudia Ninhos (n. 1985).

O foco deste livro está sobre a carreira diplomática do biografado, percurso relatado a partir das fontes primárias existentes nos arquivos (correspondências e os próprios processos disciplinares em que Sousa Mendes esteve envolvido), seguindo o leitor um trajecto pelos tempos de estudo em Coimbra, ingresso no Ministério dos Negócios Estrangeiros, exercício de funções na Guiana Britânica (1910), na Galiza (1911 e 1927), em Zanzibar (1911), em Curitiba (1918), em Berlim (1921), em São Francisco (1921), em Maranhão e Porto Alegre (1924), em Antuérpia (1929), em Bordéus (1938), detendo-se a biografia no último processo disciplinar que lhe foi instaurado e na vida de sofrimento e tentativa de regeneração do cônsul.

O que fica da história é a luta entre a política cega, a consciência e a ética, com a burocracia das circulares a interferir num processo a que não são alheias a polícia política e muita hipocrisia. Aristides de Sousa Mendes sempre invocou razões humanitárias para a sua decisão na assinatura dos vistos de Bordéus, aspecto nunca considerado. Contudo, Salazar, logo que finda a guerra, dizia, na Assembleia Nacional: “Quaisquer outros na nossa situação acolheriam refugiados, salvariam e agasalhariam náufragos, ajudariam a suavizar a sorte dos prisioneiros, por dever de solidariedade humana e para manter (...) a justiça e a paz. Pena foi não termos podido fazer mais.”

A lenta reabilitação de Sousa Mendes cabe também nesta história, pois apenas em 1988 a Assembleia da República decidiu em conformidade. Ainda hoje, diz Cláudia Ninhos, a memória surge dividida entre “o herói que se transformou em figura de culto e o cônsul que desobedeceu e cujo papel no salvamento de refugiados é objecto de branqueamento por alguns autores, curiosamente, diplomatas como ele.”

Lembrando a data em que, em Bordéus, Sousa Mendes decidiu assinar, em nome da sua formação, vistos para todos os refugiados (resumindo o livro a história de uma família, a do polaco Stefan Rozenfeld, a título de exemplo), o Papa Francisco instituiu, em 2020, o 17 de Junho como o “Dia da Consciência”, assim lembrando uma figura inspiradora em prol da dignidade humana.

* J.R.R. "500 Palavras". O Setubalense: nº 873, 2022-06-22, p. 10


quarta-feira, 15 de junho de 2022

Olhar a Galiza com Ramón Villares



O título, foi Ramón Villares (n. 1951) buscá-lo ao verso de Teixeira de Pascoaes que abre o livro Marânus - “Galiza, terra irmã de Portugal” (Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2022), ensaio sobre a identidade do noroeste espanhol e sobre as suas relações com Portugal, estendido por onze capítulos. O recurso à literatura portuguesa passará além do título, pois, em diversas ocasiões, são invocados autores lusos, tal tem sido a aproximação cultural, reconhecendo Villares que a obra foi redigida “em diálogo com a história portuguesa e com as suas principais linhas de força”.

O propósito da monografia torna-se claro logo desde a introdução - “explicar aos leitores portugueses que a Galiza não é portuguesa e que, inversamente, atravessar a fronteira para o Norte não significa entrar em Espanha, mas sim numa ‘terra irmã’ muito diferente de Castela”.

A designação “Galiza”, antiga no tempo, referia inicialmente o espaço ocupado pelos “habitantes das terras mais distantes do conjunto da Hispânia na época da conquista”. Apesar dos sucessivos movimentos históricos, a região é apresentada pelo autor como dotada de “uniformidade cultural” e de “marcada humanização da paisagem”, dando razão a Miguel de Unamuno (1864-1936), que a classificara como “natureza humanizada, feita mansão do homem” (em Por tierras de Portugal y de España). Factor importante para essa unidade tem sido a língua, o galego, durante muito tempo mantida pelo campesinato e considerada desde 1978 como uma das “demais línguas espanholas”, advinda do galaico-português, recordando Villares as razões da separação por um rio entre o galego e o português: “a língua falada e escrita a sul do Minho alcançou um grande desenvolvimento com o apoio institucional da corte de Lisboa, enquanto a língua a norte do Minho careceu de referências políticas e institucionais e começou a ser satelizada pela língua castelhana a partir do final do século XIV”. Outro factor de identidade apontado para a Galiza é o da cultura cristã, com particular enfoque em Compostela, pólo religioso intenso de construção consensual, constituindo um dos vértices da geografia espiritual europeia.

Questões determinantes para a Galiza de hoje foram, no século XX, a progressiva alteração de propriedade no mundo rural, a emigração para a América do Sul e a influência que os emigrantes tiveram na preservação da identidade e a afirmação cultural galega (através de nomes incontornáveis como Rosalía de Castro, Eduardo Pondal, Curros Enríquez, Alfonso Castelao ou Otero Pedrayo, ou por via de movimentos como as Irmandades da Fala, em 1916, a geração da revista Nós, em 1920 - título simbolicamente curioso e forte de afirmação identitária -, ou o Seminário de Estudos Galegos, de 1923).

O derradeiro capítulo, significativamente intitulado “Fronteira, irmandade e cooperação”, remete para as relações entre as margens norte e sul do rio Minho. Caberá aqui lembrar o monçanense João Verde (1866-1934), na oitava que abre o livro Ares da Raia (1902) - “Vendo-os assim tão pertinho, / A Galiza mail’o Minho, / São como dois namorados / Que o rio traz separados / Quasi desde o nascimento. / Deixá-los, pois, namorar, / Já que os pais para casar / Lhes não dão consentimento.” - versos que ecoaram Galiza fora, tendo Amador Saavedra (1864-1932respondido: “Con ou sin consentimento / D’os pais o tempo há chegar / Em que teñam que pensar / Em facer o casamento”.  As relações entre o Norte de Portugal e a Galiza, se bem que tendentes a esbaterem o distanciamento, denotam, segundo Villares, ainda os “muros simbólicos que não cairão, a menos que haja uma forte vontade política e cívica”, que pode ser um caminho de futuro.

* J.R.R. "500 Palavras". O Setubalense: nº 869, 2022-06-15, p. 9.


quarta-feira, 8 de junho de 2022

Memória: Paula Rego (1935-2022)

 


Obrigado, Paula Rego!

Memórias e aprendizagens de Violante Saramago Matos


 

“Sou filha de gente grande. Entre o orgulho que tenho no que eles foram e o medo de eu falhar, tive de aprender a ser eu, para além de ser filha de gente grande. E sempre gostei, e também precisei, de os ouvir.” Assim conclui Violante Saramago Matos (n. 1947) o seu livro De memórias nos fazemos (Edições Esgotadas, 2022), título que revela o conteúdo - momentos e aprendizagens definidores da identidade -, confessando a influência consentida recebida dos pais, ambos “gente grande” - Ilda Reis (1923-1998), pintora, e José Saramago (1922-2010), escritor.

Em quase meia centena de pequenas crónicas, a autora vai encontrando os fios que a ligam à memória dessas aprendizagens (e incorporações), num processo ajudado pela própria escrita, pois, “é certo que, quando escrevemos, arrumamos ideias, obrigamo-nos a torná-las percetíveis, num esforço para encontrar as palavras certas, as que queremos escrever”, em textos que pretendem também testemunhar - “aqui fica muito do que aprendi com ele, que é alguma coisa do que lhe cheguei a dizer.”

Se a faceta do escritor Saramago perpassa por estas páginas, a verdade é que os registos da filha tentam mostrar o equilíbrio com a figura paterna - “para além do pensador e do escritor, sempre tão justa e condignamente recordado e reconhecido, houve um pai. Com quem vivi os primeiros vinte e três anos de vida. Que me ensinou a ‘ler’ (...). Que me chamou várias vezes para conversas sérias e inesquecíveis. Que me apoiou, quando foi preciso. Que, sem retóricas nem palmadas, me ensinou valores e princípios.” -, aspecto reforçado com a reprodução de três mensagens escritas do pai para a filha no final do volume.

As aprendizagens que ficaram advêm de momentos que marcaram pela simplicidade ou pela situação vivida - a necessidade de se informar para fazer um trabalho estudantil (combatendo os “especialistas de sofá”), o encorajamento para retomar o caminho após um acontecimento grave, os primeiros livros oferecidos pelo pai (de Selma Lagerloff e de Edmundo de Amicis), a descoberta do inconformismo, o afecto pelo tacto ou pela presença, o “olhar para o interior das aparências”, a grandeza das pessoas, a capacidade para resistir (notável é o momento em que, presa em Caxias, em 1973, Violante Matos recusa o pagamento da caução, o que levará o pai a dizer-lhe: “Então, tens que ir buscar forças, nem que seja ao dedo grande do pé!”).

As visitas à Azinhaga e ao rio Almonda, pontos de origem de Saramago, preenchem também o imaginário e a escrita de Violante Matos, seja pela necessidade de uma consciência ecológica, seja pela reminiscência vinda dos tempos da “avó Zefa”, tratamento carinhoso dado a Josefa Caixinha, avó de Saramago, ficando o registo de indignação quanto à reconstrução da casa de origem - “A casa foi fechada. Quem ficou com ela, destruiu-a. (...) Ou quis mostrar que, com o dinheiro que tinha, faria melhor. Não fez! Fez uma jóia de exibicionismo, apenas, e já agora de mau gosto.” Geografia também obrigatória é Lanzarote, ponto de conversas e de revelações, encontro de adultos que mutuamente se admiram.

O livro contém uma segunda parte ligada às memórias das releituras dos livros de Saramago, em mais fundos mergulhos. Nem todos merecem texto autónomo, mas por aqui passam os que mais impressionam a autora, destacando-se A caverna (2000) por uma razão pessoal - “este é um livro em que revejo muito da ligação com o meu pai”. 

Em ano de centenário saramaguiano, estas memórias são um bom contributo para o conhecimento do homem que alimentava o escritor.

* J.R.R. "500 Palavras". O Setubalense: nº 865, 2022-06-08, p. 10.


quarta-feira, 1 de junho de 2022

Álvaro Laborinho Lúcio e um romance sobre a esperança de Abril



“Foi ao entardecer que Maria Antónia sentiu os primeiros sinais e chamou o marido. João Aurélio acorreu de pronto. Depois de tantos anos, de tantas esperanças perdidas, desta vez é que era.” Assim se inicia As sombras de uma azinheira (Quetzal, 2022), de Álvaro Laborinho Lúcio, parágrafo dominado por duas personagens que transbordam esperança e confiança.

Segue-se o percurso rumo à cidade onde moravam, com chegada tardia, para, depois da meia-noite, entrarem na maternidade. Era a noite de 24 para 25 de Abril de 1974 e, ao mesmo tempo que a Revolução dominava as ruas, desenhava-se o drama de João Aurélio, que acabaria por se deixar destruir pela morte de Maria Antónia, não o salvando sequer o nascimento da filha, Catarina.

Assim, o romance corre a partir de uma noite em que princípio e fim convivem, relacionem-se eles com o regime político (queda de um sistema e início de outro) ou com as vidas das personagens (morte da mãe e nascimento da filha), conjugação da memória do tempo anterior à Revolução e do gizar de um novo projecto com percalços (o espírito revolucionário de João Aurélio esmorece num definhamento crescente e Catarina sofre a orfandade materna e o abandono paterno, calcorreando um caminho de permanente construção), viajando o leitor pelo Portugal de antes do 25 de Abril, num período de 40 anos (idade de João Aurélio em 1974), e pelo Portugal que daí surgiu, numa distância de 45 anos (idade de Catarina em 2019).

Os capítulos sucedem em alternância de personagens tratadas - ora com João Aurélio, ora o seguinte centrado em Catarina. Apenas os dois primeiros são inteiramente dominados pelo narrador, usando a terceira pessoa, ainda que o discurso indirecto livre e um narrador que conhece o pensamento das personagens constituam recursos que aproximam estas duas categorias narrativas, numa quase disponibilidade para que elas assumam também a narração, como acontece a partir do terceiro capítulo - João Aurélio conta a sua história, sempre na primeira pessoa, e Catarina surge da mistura do discurso do narrador com o discurso da personagem, ficando a ideia de que João Aurélio é personagem construída e estabelecida, enquanto Catarina é personagem que se vai construindo com a ajuda do narrador.

Quando o romance já passou do meio, há lugar para um “intervalo”, intromissão teatral do narrador-autor que convoca as personagens para uma conversa sobre o destino a dar-lhes, útil também para o leitor, incentivando a reflexão sobre a história e sobre o destino das personagens.

Romance cheio de reminiscências culturais, assentando em figuras que vão fazendo o seu caminho (“nós somos aquilo que vamos sendo”, dirá Catarina), leva a pensar sobre o enraizamento do 25 de Abril na identidade, numa leitura metafórica de Portugal - a azinheira, trazida da canção-senha de José Afonso; a simbologia e o valor das datas (implantação da República em 1910, Janeiro de 1934 e as manifestações da Marinha Grande, 25 de Abril em vários anos após 1974); a evocação ideológica no nome de Catarina. Quanto à identidade de Abril, ela é apresentada, com preocupação, pela personagem Virgolino: “Nada desiludido quanto à mudança que trouxe. Bastante desencantado quanto ao destino que se adivinha. Mas aí a responsabilidade é nossa.”

As referências à situação político-social no antes e pós-25 de Abril, as considerações sobre o que é ser professor, as histórias de amor, a reflexão sobre a vida e a solidão e sobre o sentido do envelhecimento e da morte, um olhar sobre a construção narrativa e sobre a palavra e a escrita são outras tantas linhas de leitura a seguir neste romance.

* J.R.R. "500 Palavras". O Setubalense: nº 860, 2022-06-01, p. 16.