Stephen P. Heyneman, professor de Política Educativa Internacional na Universidade de Vanderbilt (Tennessee, nos EUA), segundo notícia do Público de hoje, não se deixa convencer pelo computador "Magalhães", dizendo que "é um computador colorido" e que o "perturba ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas". Como estratégia, "começaria por dar computadores aos professores para trabalhar. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação", disse, a contrariar o hábito instalado, porque, ainda segundo o jornal, «o que viu foi crianças a brincar com o Magalhães, "como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar". "Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação", conclui.»
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segunda-feira, 6 de julho de 2009
"Começaria por dar computadores aos professores"
Stephen P. Heyneman, professor de Política Educativa Internacional na Universidade de Vanderbilt (Tennessee, nos EUA), segundo notícia do Público de hoje, não se deixa convencer pelo computador "Magalhães", dizendo que "é um computador colorido" e que o "perturba ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas". Como estratégia, "começaria por dar computadores aos professores para trabalhar. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação", disse, a contrariar o hábito instalado, porque, ainda segundo o jornal, «o que viu foi crianças a brincar com o Magalhães, "como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar". "Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação", conclui.»
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segunda-feira, 1 de junho de 2009
Neste Dia Mundial da Criança
Conservar a infância
"Conservar a infância é qualquer coisa como guardar um sinal de origem.Parece que, quando morrer, o homem que a conserva será reconhecido jubilosamente pela mãe comum, como essas crianças perdidas, que, por um sinal, a desolada mãe reconheceu e reouve.
Conservar a infância é levar dentro de si, desperta e pronta, uma misteriosa lâmpada capaz de conduzir a luz até à alma das coisas."
Leonardo Coimbra, in A alegria, a dor e a graça
[antologiado por Matilde Rosa Araújo, em A infância lembrada (Lisboa: Livros Horizonte, 1986)]
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sexta-feira, 25 de julho de 2008
O "Dicionário Imperfeito", de Agustina Bessa-Luís
O mais recente título de Agustina Bessa-Luís é Dicionário Imperfeito (Lisboa: Guimarães Editores), obra organizada por Manuel Vieira da Cruz e Luís Abel Ferreira, constituído por “ideias-chave, figuras, trechos significativos na obra de Agustina”, conjunto saído da obra não ficcional da escritora. Com esta obra, a editora inicia também a publicação da “opera omnia” agustiniana, seguindo-se os volumes da edição “ne varietur”.
Com quase meio milhar de entradas, entre “adaptação” e “vocação”, este conjunto de citações percorre os fundamentos e as crenças que constituem a trama da obra de Agustina, contributo importante para se perceber a forma como são urdidas as suas histórias e construídas as suas personagens, além de conter reflexões e ensinamentos sobre a identidade do tempo em que se está.
Por este livro perpassam ainda afirmações sobre pessoas (a começar na própria Agustina, em jeito de auto-retrato, e a continuar em Amadeo de Souza-Cardoso, Aquilino, Ingmar Bergman, Mário Botas, Camilo, Camões, Pascoaes, Dostoievski, Erasmo, Ferreira de Castro, Florbela Espanca, Freud, Greta Garbo, Garrett, Inês de Castro, Richter, Kirk
egaard, Miguéis, Manoel de Oliveira, Pessoa, Marquês de Pombal, Régio, Francisco Sá Carneiro, Salazar, Santo António, D. Sebastião, Sidónio Pais, Mariana Alcoforado, Van Gogh, Vieira da Silva, Villon, Conde de Vimioso, Virgílio), sobre sítios (desde a “alma dos lugares” e passando por Barral, Brasil, Coimbra, Espanha, Porto, Foz do Douro, Hiroshima, Lisboa, Nova Iorque, Póvoa de Varzim, Rio de Janeiro, Roma, Sintra, Veneza), sobre sentimentos (amar, amizade, gratidão, sinceridade, simulação), sobre arte (artes plásticas, arquitectura, criação, escrita, literatura, poesia), sobre coisas (automóvel, computadores, guarda-chuvas, livros), sobre política (candidato, CEE, democracia, eleitor, governo, governantes, marcelismo, revolução de Abril), sobre personagens (Moby Dick, Tristão, Isolda, José do Telhado).
Na realidade, o que perpassa por este livro é a obra de Agustina e a sua visão do mundo, do tempo, da história e do país. Define a sua obra como “portuguesa, constituída por sentimentos e gente portugueses até à medula” e, se dúvidas houvesse quanto à importância deste livro para o conhecimento da obra da autora, bastaria ler citações como as encontradas para mulher (“O homem faz tentativas duma obra, a mulher opera sem necessidade de completar alguma coisa. Ela é um ser completo, princípio e fim, lugar, caso, dispersão do conflito em que a própria morte se descreve, se anuncia.”), pátria (“Eu amo a minha pátria para além dum comovido aldeanismo; amo-a como símbolo de todos os mundos de que somos parte. Acho que ela está reduzida a um cadáver de ideias e de actividades; a notícia política é como uma poeira que não deixa ver a cara das pessoas e as suas verdadeiras expressões.”), infância (“A infância vive a realidade da única maneira honesta, que é tomando-a como uma fantasia. Não tentem explicar o mundo a uma criança, que ela saberá despistar as provas oferecidas. Não lhe interessam provas, mas sim mistérios. Os adultos desempenham o papel de desmancha-prazeres: porque vigiam, porque ensinam, porque desprezam a imaturidade.”), fama (“Não há mal em não ter muita importância. Todo o calendário do comportamento humano está traçado para mentirmos a respeito dos nossos desejos e dos nossos humores. O homem não quer ser famoso; quando o é, isso resultou da sua harmonia com as suas aptidões e as necessidades colectivas. Mas é coisa que não se força, que não se ordena, apesar de as leis do marketing dizerem o contrário.”) ou educação sexual (“Fala-se do sexo como da colheita do chá em Tabriz, para usar linguagem do Eça. Mas do desejo ninguém fala. O desejo é temível porque nasce do impreciso e da ambiguidade. Todos os programas escolares que versam a educação sexual são duma perfeita boçalidade. O homem não se explica pelo que nele se regista, mas sobretudo pelo que nele se contempla. O desejo escapa à prática. É um espírito e, portanto, volátil. No olhar nublado dum adolescente vereis que ele entende isso, e cala.”).
Com quase meio milhar de entradas, entre “adaptação” e “vocação”, este conjunto de citações percorre os fundamentos e as crenças que constituem a trama da obra de Agustina, contributo importante para se perceber a forma como são urdidas as suas histórias e construídas as suas personagens, além de conter reflexões e ensinamentos sobre a identidade do tempo em que se está.
Por este livro perpassam ainda afirmações sobre pessoas (a começar na própria Agustina, em jeito de auto-retrato, e a continuar em Amadeo de Souza-Cardoso, Aquilino, Ingmar Bergman, Mário Botas, Camilo, Camões, Pascoaes, Dostoievski, Erasmo, Ferreira de Castro, Florbela Espanca, Freud, Greta Garbo, Garrett, Inês de Castro, Richter, Kirk
egaard, Miguéis, Manoel de Oliveira, Pessoa, Marquês de Pombal, Régio, Francisco Sá Carneiro, Salazar, Santo António, D. Sebastião, Sidónio Pais, Mariana Alcoforado, Van Gogh, Vieira da Silva, Villon, Conde de Vimioso, Virgílio), sobre sítios (desde a “alma dos lugares” e passando por Barral, Brasil, Coimbra, Espanha, Porto, Foz do Douro, Hiroshima, Lisboa, Nova Iorque, Póvoa de Varzim, Rio de Janeiro, Roma, Sintra, Veneza), sobre sentimentos (amar, amizade, gratidão, sinceridade, simulação), sobre arte (artes plásticas, arquitectura, criação, escrita, literatura, poesia), sobre coisas (automóvel, computadores, guarda-chuvas, livros), sobre política (candidato, CEE, democracia, eleitor, governo, governantes, marcelismo, revolução de Abril), sobre personagens (Moby Dick, Tristão, Isolda, José do Telhado).Na realidade, o que perpassa por este livro é a obra de Agustina e a sua visão do mundo, do tempo, da história e do país. Define a sua obra como “portuguesa, constituída por sentimentos e gente portugueses até à medula” e, se dúvidas houvesse quanto à importância deste livro para o conhecimento da obra da autora, bastaria ler citações como as encontradas para mulher (“O homem faz tentativas duma obra, a mulher opera sem necessidade de completar alguma coisa. Ela é um ser completo, princípio e fim, lugar, caso, dispersão do conflito em que a própria morte se descreve, se anuncia.”), pátria (“Eu amo a minha pátria para além dum comovido aldeanismo; amo-a como símbolo de todos os mundos de que somos parte. Acho que ela está reduzida a um cadáver de ideias e de actividades; a notícia política é como uma poeira que não deixa ver a cara das pessoas e as suas verdadeiras expressões.”), infância (“A infância vive a realidade da única maneira honesta, que é tomando-a como uma fantasia. Não tentem explicar o mundo a uma criança, que ela saberá despistar as provas oferecidas. Não lhe interessam provas, mas sim mistérios. Os adultos desempenham o papel de desmancha-prazeres: porque vigiam, porque ensinam, porque desprezam a imaturidade.”), fama (“Não há mal em não ter muita importância. Todo o calendário do comportamento humano está traçado para mentirmos a respeito dos nossos desejos e dos nossos humores. O homem não quer ser famoso; quando o é, isso resultou da sua harmonia com as suas aptidões e as necessidades colectivas. Mas é coisa que não se força, que não se ordena, apesar de as leis do marketing dizerem o contrário.”) ou educação sexual (“Fala-se do sexo como da colheita do chá em Tabriz, para usar linguagem do Eça. Mas do desejo ninguém fala. O desejo é temível porque nasce do impreciso e da ambiguidade. Todos os programas escolares que versam a educação sexual são duma perfeita boçalidade. O homem não se explica pelo que nele se regista, mas sobretudo pelo que nele se contempla. O desejo escapa à prática. É um espírito e, portanto, volátil. No olhar nublado dum adolescente vereis que ele entende isso, e cala.”).
Útil, pois, esta obra, que pode constituir uma iniciação a Agustina ou uma conclusão de Agustina. Pena, no entanto, que não sejam indicadas as fontes das citações. Ainda que a fonte seja a própria Agustina, certo é que, se houvesse indicações bibliográficas, por mínimas que fossem, seria interessante contextualizar as citações e ficar um repositório de bibliografia sobre a autora.
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quinta-feira, 24 de julho de 2008
sábado, 15 de março de 2008
Máximas em mínimas (15)
No baloiço
"Balançar é o melhor remédio para a depressão. Quem balança torna-se criança de novo. Razão por que eu acho um crime que, nas praças públicas, só haja balancinhos para crianças pequenas. Há-de haver balanços grandes para os grandes! Já imaginaram o pai e a mãe, o avô e a avó, balançando? Riram? Absurdo? Entendo. Vocês estão velhos. Têm medo do ridículo. O seu sonho fundamental está enterrado debaixo do cimento."
Ruben Alves. Gaiolas ou asas (2004, edição portuguesa)
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