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sábado, 20 de setembro de 2014

Para a agenda - Sobre insectos



Uma exposição a ver. Em Palmela, a partir de 27 de Setembro. "Insectos em Ordem".

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Em Palmela: as memórias portuguesas da Grande Guerra


Cerca de oito dezenas de livros constituem a exposição bibliográfica “Quando os Portugueses andaram na Grande Guerra – Memórias portuguesas da Primeira Grande Guerra” patente na Biblioteca Municipal de Palmela desde 14 de Janeiro, que pode ser visitada até 11 de Fevereiro.
Organizada em quatro núcleos – “Pensamento e imagens”, “Memórias da Europa e de África”, “Olhares da literatura portuguesa” e “Vozes estrangeiras nos testemunhos e na literatura”, esta iniciativa contará ainda com dois encontros – com o escritor Sérgio Luís de Carvalho, a propósito do seu romance O destino do capitão Blanc (Lisboa: Grupo Planeta, 2009), em 4 de Fevereiro, e com o professor universitário Ernesto Castro Leal, em 10 de Fevereiro, que falará sobre “Pátria e República: memorialismo de guerra nas edições da Renascença Portuguesa”, ambas às 21h00.
No prospecto que acompanha a exposição, pode ler-se: “É difícil reconstituir o corpus da literatura memorialística portuguesa da Primeira Grande Guerra, apesar de já ter havido várias tentativas de catalogação. Mas, de vez em quando, essas obras vão aparecendo e permitem-nos participar, à distância, na vida das trincheiras. Aqui se mostram algumas delas, com todas as limitações imaginadas mas com algumas intenções: avivar a memória, mostrar uma faceta da nossa literatura autobiográfica, ver até onde a Grande Guerra é, ainda hoje, motivo de ficção. Aqui e ali, mostram-se também obras estrangeiras sobre o mesmo tempo e sobre o mesmo tema, porque a Primeira Grande Guerra (que levou a que um estudioso, recentemente, a chamasse para apelidar o século XX como 'o século de 1914') teve marca universal. E o que nela sentiram os portugueses não foi diferente do que sentiram todos os outros participantes, independentemente das cores das bandeiras sob que lutavam…”
A exposição ocorre na altura em que estão prestes a passar os 95 anos sobre o primeiro embarque português para a frente da Flandres, no final de Janeiro de 1917.
Recorde-se que, entre Setembro e Dezembro do ano passado, Palmela teve uma exposição sobre o mesmo período temporal, “Quadros da Guerra – 1915”, a partir de cartazes de propaganda a favor das forças aliadas, que percorreu quatro das freguesias do concelho. São conhecidas as identificações de seis militares naturais de Palmela que pereceram no conflito, o primeiro deles, João Gomes Marto, em 5 de Setembro de 1917. Também no dia do ataque de La Lys, 9 de Abril de 1918, um soldado palmelense, Francisco Pessoa, ali perdeu a vida.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Gonçalo M. Tavares na "Ler"

No número de Dezembro da revista Ler (Lisboa: Fundação Círculo de Leitores, nº 97), a habitual entrevista dirigida por Carlos Vaz Marques foi buscar Gonçalo M. Tavares, português, escritor, 40 anos, 27 livros publicados. Os sublinhados que seguem são de lá, alfabeticamente ordenados pelo tema a que dizem respeito, mas não respeitando a ordem da conversa havida. Algumas das ideias aqui expressas apresentou-as o escritor, na tarde de hoje, no encontro com leitores que aconteceu na Biblioteca Municipal de Palmela.
Camões -Os Lusíadas é uma obra tão central na língua portuguesa que é quase natural passar por lá. Seria acaso ou má sorte um escritor hoje não se cruzar com Os Lusíadas. Há inúmeros autores que de uma forma ou de outra se cruzam com Camões. É como se fosse uma praça central de uma cidade. E é tão central que temos obrigatoriamente de passar por aí. Quando estamos fascinados por qualquer coisa é natural querermos fazer algo em redor disso.”
Leitor - “Os leitores, quando entram numa livraria, escolhem um livro. Mas também acho que o livro escolhe os leitores. É muito importante o livro escolher os leitores. Não ser uma espécie de livro fácil, no sentido de que vai com todos.”
Linguagem - “A lógica da linguagem não tem nada a ver com a lógica da matemática. (…) A linguagem é sempre uma coisa que não dá resto zero. As frases não dão resto zero. (…) Há sempre mais qualquer coisa que se pode dizer.”
Literatura e ética - “Toda a gente está em diálogo. Só não o está quem não deu atenção mínima ao passado. Há quem escreva como se não existisse memória. Mas a conservação da memória é aquilo que distingue o homem do animal. Ou seja, os animais não conservam as coisas que as gerações anteriores fizeram. Nesse aspecto, a memória é uma marca humana extraordinária – a ideia de fazer o novo mas ao mesmo tempo conservar o que vem de trás e dizer: ‘Sou herdeiro destes extraordinários escritores que nos antecederam.’ É quase questão de responsabilidade literária e ética.”
Livro - “Um livro sério é um livro que quer interferir com as pessoas. É um livro que não é para aquela semana. Há aqui um combate muito forte com o mundo em que nós estamos – que já não é semanal nem diário, que com a internet é ao segundo, uma coisa quase brutal. Um dos grandes combates actuais é o combate entre a actualidade e o importante. (…) Estamos num mundo em que a questão do actual e do importante se joga minuto a minuto. O que quer dizer que se o actual é ao minuto, o não-actual é logo passado um minuto. O problema é que esta lógica da velocidade é uma lógica opressora. A grande velocidade é muito violenta.”
Memória - “Há uma coisa importante que tem a ver com uma certa responsabilidade de quem escreve. É uma responsabilidade humana: a questão da conservação da memória. A única hipótese de conservarmos o antigo é tornarmos o antigo presente. Acho que isso é uma responsabilidade do escritor: dar a sua atenção ao clássico.”
Pensar - “A boa narrativa pensa, é evidente, e o bom pensamento conta histórias. Pensar não é mais do que contar uma história que é a história de uma ideia. (…) O pensamento é a história de uma ideia. Alguém que pensa está a ter uma ideia que desenvolve ao longo do tempo. Portanto, essa ideia é como se fosse uma personagem que se vai transformando. Tem até opositores. A personagem-ideia tem sempre um inimigo, que é o contra-argumento. Pensar é uma narrativa.”
Século XX - “O século XX é um século que nos está a dizer que temos de estar atentos.”
Tédio - “O tédio é uma sensação muito importante. Se eu tivesse de aconselhar alguma coisa para a escola, em geral, seria que se ensinasse a lidar com o tédio. (…) Tenho muito medo das pessoas que não sabem lidar com o tédio. As pessoas mais desesperadas são aquelas que estão sempre a fugir do tédio. O tédio é uma coisa central, base. O que é o tédio? É um momento de espera em que aparentemente nada está a acontecer. É uma sensação de inutilidade. Mas a vida tem uma percentagem enorme de momentos em que nós estamos à espera. Se não soubermos lidar com isso, estamos a desperdiçar uma matéria fundamental.”

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Gonçalo M. Tavares envia "biblioteca" para leitores de Palmela

Gonçalo M. Tavares passou, a partir deste mês, a partilhar os seus apontamentos de “Biblioteca” com leitores através da Biblioteca Municipal de Palmela, num processo que pode envolver escritos de ambas as partes.
Em cada mês, Gonçalo M. Tavares enviará dois textos inéditos para serem divulgados pela Biblioteca de Palmela. Aos leitores é sugerido que produzam um texto-resposta (que pode assumir a forma de apontamento, poema, desenho, ilustração, etc.), devendo o mesmo ser entregue em qualquer dos pólos da Biblioteca palmelense. Posteriormente, os leitores serão convidados a participar num “Curso de Leitura e Imaginação” orientado por Gonçalo M. Tavares.
Para o mês de Novembro, o desafio parte de textos sobre Alexandre O’Neill, podendo ambos ser encontrados aqui.