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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Madeira: funcionários dispensados para verem a tomada de posse do governo

Lê-se e não se sabe se se deve acreditar ou não… Por cá, por Portugal, no continente, fala-se do fim de alguns feriados, independentemente de serem civis ou religiosos. E os vários responsáveis mostram-se disponíveis para tal. E percebe-se, claro.
Por lá, pela Madeira – que é Portugal, note-se! –, o senhor Jardim liberta os funcionários na tarde de amanhã para assistirem à tomada de posse do governo regional! Exactamente, como consta na edição online do Público: «O despacho assinado por Alberto João Jardim determina a dispensa ao serviço, a partir das 14h de amanhã, dos trabalhadores dos serviços públicos e dos institutos e empresas públicas sob tutela do Governo Regional. A ‘tolerância’ é dada para “permitir aos mesmos assistirem, pessoalmente ou através dos meios de comunicação social”, ao acto solene marcado para as 17h, na Assembleia Legislativa da Madeira, com transmissão em directo pelo centro regional da RTP.»
Quem paga a boda? E tem Portugal – nós, todos, continentais, madeirenses ou açorianos, portugueses – de suportar estas “jogadas”, de suportar este hiperbólico fair-play como se nada estivesse a acontecer? Não há forma de impedir estas coisas? Só temos de aceitar, aceitar, aceitar e... olhar para o lado, suportando isto como mais uma do senhor Jardim?

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Antonio Tabucchi, «Mulher de Porto Pim»

Mulher de Porto Pim é um livro de Antonio Tabucchi (Lisboa: Difel, 1986) que tem como motivo os Açores, escrita que surge como resultado de uma estadia no arquipélago, ainda que não se trate de um diário de viagem (“género que pressupõe tempestividade de escrita ou uma memória impermeável à imaginação que a memória produz”).
Aqui se fala de naufrágios, dos baleeiros, da caça à baleia (valendo a pena comparar a narração de Tabucchi com a que Brandão também nos legou em As Ilhas Desconhecidas, da década de 1920), de conversas ouvidas, de histórias contadas e de Antero, essa figura que “sofria de infinito”.
Há história e impressões, há experiência de viajante e de curioso. E há anúncios que passam pela história das baleias e dos açorianos – a baleia como arquétipo e a premonição do fim dos baleeiros (no final do episódio da caça, quando o velho Carlos Eugénio quer saber o motivo de o visitante ter querido participar na saga, há a hesitação e o desabafo: “talvez porque ambos estão em extinção, digo-lhe por fim em voz baixa, vocês e as baleias, penso que foi por isso.”) E há uma narrativa, confiada pelo narrador Lucas Eduíno, que toma para título o homónimo do livro – “Mulher de Porto Pim”, história de Yeborath, cume de beleza, morta com um arpão, narrativa a que não falta a intriga amorosa, a prisão, a morte, o sentimento da traição, o triângulo amoroso, numa acção algo ao gosto camiliano. E há, no final, como “post scriptum”, a personificação num texto como “A baleia que vê os homens”, algo irónico, que deixa o cetáceo a pensar sobre os homens: “percebe-se que são tristes”.

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Traição - «A traição verdadeira é quando sentes vergonha e desejarias ser outro.»

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Portugal ao contrário

Em Lisboa, na Praça dos Restauradores, na tarde de hoje

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Republicana curiosidade

Maria República é nome de mulher em Azeitão

Maria República deve o nome ao avô materno, um republicano convicto que o escolheu para a neta em homenagem aos que a 05 de Outubro de 1910 depuseram a monarquia em Portugal. Maria República Cordeiro nasceu a 02 de Novembro de 1912 e recorda à agência Lusa ter sido o pai da mãe, “o avô Serafim”, quem lhe escolheu o nome. “Porque era um grande republicano e como eu nasci pouco tempo depois da República, quis que eu me chamasse Maria República”, observa.
Aos 97 anos ainda se lembra do avô Serafim, nascido na aldeia de Pinheiros de Azeitão, freguesia de São Simão (Setúbal), tão adepto dos princípios republicanos que quis que a neta ficasse com o nome do novo regime. “A República nunca me disse nada de especial, até porque na altura era muito pequena, mas sempre soube por que me chamo Maria República”, indica esta senhora que aos 97 anos preserva lucidez de memória e de raciocínio. “Eu era tão novinha, queria lá saber da República, queria lá saber de política… mas lembro-me de a minha mãe contar que conhecia uma Natália República em Setúbal que era pelas minhas idades e que também ficou com esse nome por causa do 05 de Outubro de 1910”, acrescenta sorrindo.
Tal como se lembra de ouvir dizer aos mais velhos, “quando ainda era menina”, que a zona de Azeitão e de Setúbal tinha muitos republicanos. E de na família lhe terem falado do congresso do Partido Republicano, que se realizou em Setúbal em 1909.
Apesar dos 97 anos, Maria República, que há perto de 11 anos vive numa casa de repouso na zona de Azeitão, é a pessoa mais lúcida do lar, refere à agência Lusa a directora técnica da instituição. “Sempre foi uma pessoa muito independente e autónoma. Tão autónoma que ao princípio, quando para cá veio com o filho, era uma pessoa difícil”
.
O Emigrante / Mundo Português: 8.Fev.2010

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Memória: Maria de Jesus (1893-2009)

Morreu Maria de Jesus, a portuguesa de Ourém que, desde 26 de Novembro, era a mulher mais idosa do mundo, com 115 anos. O título, que lhe deu entrada no Livro Guinness de Recordes, adveio-lhe por ter nessa data falecido Edna Parker, americana. Agora, é outra americana, Gertrude Baines, com quase 115 anos, a que o Gerontology Research Group apresenta como a pessoa mais idosa do mundo, na sua lista de supracentenários (que, há dois dias, incluía 83 mulheres e 9 homens).
Maria de Jesus, nascida em 10 de Setembro de 1893, em Urqueira (Ourém), viveu da agricultura. Segundo o Público, de 28 de Novembro, a senhora teve uma família constituída por 6 filhos (três deles já falecidos), 11 netos, 16 bisnetos e 3 trinetos. Na altura dessa reportagem, Maria Madalena, a filha de 86 anos com quem Maria de Jesus vivia, atribuía a longevidade ao facto de a mãe “nunca ter bebido álcool nem café”…
A lista do GRG apresenta ainda mais um português entre os supracentenários, Augusto Moreira de Oliveira, nascido em 6 de Outubro de 1896, de Espinho, ocupando na ordem dos idosos do mundo o 27º lugar.
[foto: Público, 28.Nov.2008]

sábado, 28 de junho de 2008

Primeiro ano

Ontem, 6ª, não consegui passar por aqui. Vidas! Mas não faz mal... Fiz 1 anito nesse dia. Foi às 03h06 de 27 de Junho do ano passado que aqui comecei a dizer. Porque sim.
Comecei para ver como era. Como, aliás, começam muitas coisas. Tenho ficado por aqui. Tenho passado por aqui. Às vezes, com tempo; outras vezes, forçando-o. Coisas!
Obrigado a quem vai lendo e aos que vão enviando mensagens!

sábado, 14 de junho de 2008

Mudou Bocage de sítio?...

... não, não mudou! Em Setúbal, Bocage não deixou a Praça que recebe o seu nome e que o tem em pedestal desde 1871. Mas, em tempo de santos populares e de animação de bairros, a Rua Francisco José da Mota - bem próxima da zona onde Bocage terá nascido (Rua Edmond Bartissol, antiga Rua de S. Domingos) e também do sítio onde nasceu o seu grande amigo e poeta Santos e Silva - ostenta uma réplica do monumento que identifica o centro de Setúbal, não lhe faltando as inscrições, nem os sinais das homenagens, nem o nome dos artífices que, no século XIX, tornaram a estátua realidade. Eis, pois, Bocage no meio da animação e da festa, que, por certo, não enjeitaria... ainda por cima convidado pelo povo da sua terra!

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Fui revalidar a carta de condução...

A idade apanha-nos e, frequentemente, a lei vem atrás dela. É o caso, com a renovação das cartas de condução, cuja primeira vez ocorre, a partir deste ano, aos 50 anos. E lá fui tratar da revalidação a uma Loja do Cidadão, atendido por simpática funcionária. Quando a vi pegar na minha carta e preparar-se para a arquivar, perguntei-lhe quanto tempo demorava a nova versão a chegar ao destinatário. “Até quatro meses, a guia que lhe damos tem a validade de quatro meses…” Feitas as contas, os quatro meses que a minha nova carta poderia demorar a chegar caíam já depois de meados de Agosto, em época de férias. “Mas a guia não vale no estrangeiro, pois não?”, perguntei, já preocupado porque pensava dar uns pulozitos até Espanha, ali mesmo ao lado do sítio onde costumo fazer uns diazinhos no Verão. “Não, não vale”, esclareceu. “Mas pode ficar com a sua carta e com a guia, ambas com a mesma validade de quatro meses, se quiser…”, sossegou-me. Claro que queria. “Mas, nesse caso, não lhe é enviada a nova carta para casa. Terá que a ir buscar à DGV e, na altura, entrega a carta actual…” Claro que nem me importava. “Mas avisam-me logo que esteja pronta, não é?”, quis saber. Que não, que não avisavam, que eu teria que passar por lá para saber se já teria chegado e que, se chegasse ao fim dos quatro meses sem nova carta, deveria pedir a revalidação da guia…
Surpreendi-me com as tecnologias. Decidi aceitar à mesma as condições, mas contrariado por estas coisitas que fazem ao cidadão. Então não é possível ser-nos enviada uma cartita a dizer que a nova carta já chegou e para a irmos levantar? Então não é possível enviarem-nos, em tempo de choque tecnológico, um “mailzito” a dizer que já podemos levantar a nova carta? Então temos que ir para uma fila para saber se já chegou, desperdiçando tempo, atafulhando os serviços? Ou será que há receio de que os interessados se possam esquecer de ir levantar a carta? Francamente, não percebo, mesmo porque a carta que temos que devolver já lá ficou com um carimbo a dizer que só tem validade para os próximos quatro meses... Imaginava que tudo era mais simples. Revalidar a carta por uma decisão legal demora hoje mais tempo do que me levou a tirar a carta há 30 anos, quando eu pensava que agora o processo era apenas burocrático e administrativo, simples com a informática. Quando tirei a carta há três décadas, enviaram-ma pelo correio; agora, tenho que ir aos serviços perguntar se já chegou e, no caso de não ter chegado, voltar lá dali a dias… Francamente!

domingo, 9 de setembro de 2007

Da fruta se faz arte

No Verão de 1984, numa viagem no interior do Minho, depois de visitar Lindoso, a hora de almoço levou-nos a parar num pequeno restaurante familiar em Parada - que se chamava, se não me engano, "Mó". Não falarei do repasto, mas lembro a habilidade de um senhor Avelino Vaz, então reformado, que passava parte do seu tempo a transformar legumes e vegetais em flores. Ali mesmo, perante os estranhos, o artista, em menos de cinco minutos, fez nascer de uma cenoura uma rosa aberta e desabrochada, apenas com o auxílio de uma faca e do seu muito saber - contou depois que já nos finais da década de 40 ganhara um prémio numa Exposição de Artes Decorativas. O gesto do senhor Avelino pareceu-me o negativo do italiano Arcimboldo (1527-1593), que usava os frutos e os vegetais para compor as alegorias dos seus quadros...
Esta admiração pelo trabalho e criatividade do senhor Avelino reapareceram-me ontem, ao ver a mesa das frutas numa festa familiar. O que pode um artista fazer com melancias, melões, meloas, laranjas, uvas, ananases e kiwis! Desta vez, o nome do criador é António Sousa. Resolvi trazer para aqui alguns dos centros que ele compôs e com que nos brindou na tarde de ontem...

domingo, 2 de setembro de 2007

Casa ao contrário: curiosidade mas não só

Muitas vezes somos levados a pensar como seria a viabilidade do mundo se a ordem fosse outra, ou seja, se o caos fosse outra coisa. A imaginação pode deixar que construamos modelos que achamos divertidos, apesar de os sabermos de aplicação improvável. Mas é interessante tentar ver o mundo sob outras perspectivas, meio caminho andado para a maré da tolerância.
No entanto, há também quem tente pôr em prática essa sensação de experimentar o universo a partir de um diverso ponto de vista. Daniel Czapiewski é um polaco que decidiu construir uma casa invertida, isto é, apoiada sobre o tecto e com o rés-do-chão apontado para o céu, uma obra que demorou 114 dias. Aparentemente, tudo pareceria uma excentricidade. Mas Czapiewski explicou que, por trás do seu feito, há uma intenção pacificadora e, quiçá, revolucionária, sem ter nenhuma relação com a arquitectura: é que este mundo ao contrário que é a sua casa pretende ser “um símbolo de todas as injustiças contra a Humanidade”, como refere a notícia no Portugal Diário. Entretanto, muitos visitantes têm acorrido a esta construção ao contrário, onde podem ver pinturas que denunciam algumas das causas do mal-estar do mundo. O que a notícia não diz é se os turistas vêm também com as ideias afectadas, no sentido de se converterem a essa convicção de que o mundo tem que ser melhor porque o temos que fazer diferente… Provavelmente, a ordenação do caos carecerá de outras leis que não as que têm contribuído para uma imagem má do mundo, para uma distorção da humanidade… A casa de Czapiewski poderá ser uma utopia, mas chama a atenção. E talvez valha a pena pensarmos nas utopias que podem modificar o que está menos certo… [Foto Lusa/EPA, em Portugal Diário, onde podem ser vistas outras fotografias]