Mostrar mensagens com a etiqueta Carnaval. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Carnaval. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Hoje, no "Correio de Setúbal"

Diário da Auto-Estima – 95
Carnaval – Os festejos carnavalescos deste ano tiveram animações inusitadas, que conseguiram ser uma paródia ao Carnaval ele mesmo: a primeira foi em Torres Vedras, com a proibição de um quadro satírico alusivo ao “Magalhães” em que apareciam sugeridas figuras femininas desnudadas, um pouco à semelhança das janelas que se abrem na busca na net; a segunda foi em Braga, com a apreensão de livros, numa feira de saldos, em cujas capas constava a reprodução do (ainda agora, pelos vistos) polémico quadro L’Origine du Monde, de Courbet, peça de 1866. Uma e outra interdições surgiram em nome da luta contra a pornografia. Momentos depois de uma e outra acontecerem, as decisões voltaram atrás – em Torres Vedras, o “Magalhães” pôde desfilar mostrando as ditas senhoras; em Braga, os livros foram devolvidos aos seus proprietários. Há duas questões que saltam à vista: a primeira relaciona-se com a liberdade de expressão; a segunda, com a vulnerabilidade de actos do género e com a fragilidade das decisões. O sentido de humor português anda pelas ruas da amargura, parece. Mas não faltam candidatos à caricatura. Houve consequências destes dois actos: ao que consta, o Carnaval de Torres teve muito curioso para ver a origem da proibição depois desfeita; o quadro de Courbet foi reproduzido a esmo, sem cintas censórias.
Futebol – Depois de ver algumas cenas em torno do mundo do futebol, tenho que citar Romeu Correia, o autor almadense que, em 1955, abriu o seu livro Desporto Rei com a seguinte afirmação: “Em desporto, o desenvolvimento físico dos indivíduos importa acima de tudo. Mas, se ao aperfeiçoamento do corpo se alia o domínio dos nervos, a decisão e o espírito de equipa, que se forjam na harmonia e no ritmo dos jogos, o Homem atinge o seu apogeu físico e espiritual.” Isto é bonito. Mas também deve servir para as claques e para o público em geral. A propósito: nesse romance de Romeu Correia, perpassa muito do que é hoje o mundo do futebol. Pena não haver edição recente!
Joaquina Soares – Um livro de poemas com a chancela do Centro de Estudos Bocageanos, Corpo de Palavras. Apresentado em Setúbal na noite desta última sexta-feira de Fevereiro. Um pequeno poema intitulado “Milagre com rosas”: “Defronte da ponte de aço, / Isabel / retirou / pão do regaço. / - Flores? / - Não, meu senhor, / panos de linho, / para sarar cansaços.” A ler.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

O Carnaval de Torres Vedras, o "Magalhães", a anedota e Miguel Gaspar

«(...) Surpreende que uma magistrada dê uma ordem com urgência para a remoção de algo que não chegara sequer a ver, apesar de a "obra" estar exposta na via pública há duas semanas. Surpreende também que horas depois a mesma magistrada diga daquilo que mandara tirar que afinal de contas podia ficar. Surpreende ainda que não se tenha sabido com base em que lei foi mandado substituir o falso ecrã do Magalhães. E surpreende pelo caminho que o procurador-geral Pinto Monteiro, instado a pronunciar-se sobre a magna questão do Entrudo de Torres, tenha dito que a imagem final montada no "computador" era diferente da que fora mandada retirar.
Que grande trapalhada! E tudo por causa do que parece ser uma precipitação de uma magistrada por conta de uma vulgar brincadeira de Carnaval. Quando o autarca socialista de Torres Vedras saudou a magistrada e o queixoso pela publicidade que tinham dado ao Carnaval, estava escrito um final feliz, à altura desta história sem pés nem cabeça. É que ficou provado, pela primeira vez, que um Carnaval português até pode ter graça. Basta que em vez de tentar ridicularizar os outros, o Carnaval passe a ser ele próprio ridículo. É uma das lições de toda esta insólita e absurda história.
Há todo um Portugal de anedota que se revela aqui. Da juíza que remove com urgência e sem ver o que estava exposto há 15 dias, à autoglorificação dos promotores do corso, promovidos em importância pelo gesto censório, acabando na restauração em festa das moças no Magalhães, após uma curta tarde fascista, ficou demonstrado como a piada do Carnaval era o próprio Carnaval.
E no meio deste barulho todo, ninguém explicou o essencial, ou seja, como é que tudo isto foi possível. Não é que seja muito importante. Mas eu fiquei sem perceber e gostava de saber com base em quê, afinal de contas, um tribunal pode mandar retirar uma paródia de Carnaval. É que isso, dando de barato o ridículo do episódio, não tem graça. Mesmo no Carnaval.»
Miguel Gaspar. "O Magalhães, censurado". Público: 23.Fevereiro.2009

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Rostos (25)

Marquês de Pombal, em Vila Real de Santo António (Carnaval de 2006)