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segunda-feira, 13 de março de 2017

Para a agenda: Anita Vilar e a pintura feminina



"De Musas e Modelos a Artistas" é o título da palestra de Anita Vilar prevista para 17 de Março, pelas 15h00, na Biblioteca Pública Municipal de Setúbal, iniciativa integrada na programação da UNISETI (Universidade Sénior de Setúbal) e na sua exposição "Pintura no Feminino", em mostra desde 3 de Março que se estende até final do mês. Para a agenda!

sábado, 27 de julho de 2013

Anita Vilar: mulheres da história de Setúbal



Oito anos foi o tempo que Anita Vilar levou a preparar a obra recentemente apresentada, Panorama de uma história local no feminino (Setúbal: Centro de Estudos Bocageanos, 2013), livro organizado em jeito de dicionário, biografando 74 mulheres que estiveram ligadas à história de Setúbal.
O trabalho não terá sido fácil, referindo a autora a sua principal dificuldade: “os arquivos, desvalorizando os contributos femininos, não registavam dados pessoais tais como o local e data de nascimento e a profissão (…), sendo muitas vezes a mulher, a mãe de”. Daí também a cautela com que a autora apresenta este trabalho, afirmando não estar concluído, pois, além de ser o primeiro levantamento exaustivo do género, ressaltou também a dificuldade da impossibilidade de “obter todos os dados biográficos referentes a algumas mulheres”, obstáculo que não condicionou a decisão de, mesmo assim, no livro constarem nomes com uma biografia de conjectura ou de dúvidas, honestamente assinaladas.
As biografadas abrangem um longo período da história sadina, desde o século XV até à actualidade, e foi critério referir apenas nomes que já tivessem concluído o seu ciclo de vida: no século XV, contam-se os percursos de Justa Rodrigues Pereira e de Maria da Pipa; no século XVI, visita-se Margarida Dias e Leonor de S. João; no século XVII, conhece-se Beatriz Gonçalves, Maria Guadalupe de Lencastre e Ângela Maria; no século XVIII, é o encontro com Mariana du Bocage, Cecília Rosa de Aguiar, Isabel Ifigénia de Aguiar, Ana Maria do Amor Divino e Luísa Todi; no século XIX, o que mais nomes conta,  cruza-se o leitor com Gertrudes Angélica de Andrade, Ana de Almeida, Maria Emília da Mota Negrão Barradas, Maria Henriqueta de Campos Valdez, Maria Adelaide Vieira, Maria de Jesus Almeida do Soveral, Maria Angélica de Andrade, Maria Amália, Hermínia Augusta Marreiros Borges Campos, Maria Baptista, Maria Amélia de Orleães, Maria Júdice da Costa, Joaquina Aurélia Baptista Guerreiro, Ana de Castro Osório, Francisca Romana Lino da Silva, Angelina Paula Mota Quintas, Ana de Broughton de Meneses Ferro Gamito, Ema Garcia Peres Grill, Raquel Elvas Mascarenhas, Maria Felicidade de Ferreira Miranda, Maria Cândida de Oliveira Parreira, Maria Augusta Ferreira de Sousa Fialho, Joaquina Rosa de Lima, Luísa Eduarda Gonçalves, Olga de Morais Sarmento, Maria Bárbara Falcão, Falcão Mercês, Mariana Torres, Laura de Jesus de Almeida, Benedita Maria, Carlota Rosa Ramos, Maria Ilda da Conceição de Oliveira, Lúcia da Encarnação Maracoto, Amélia Azevedo, Albertina Aldegundes de Moura Benício, Ária Amazonense Ferreira Ramos, Pátria Amazonense Ferreira Ramos, Alda Machado Santos, Ernestina Esteves Vieira Abreu, Cândida Marques Pascoal, Marta de Jesus da Silva Lebre, Deolinda Macedo, Eufrásia Lino da Silva, Bárbara Marques Pascoal, Ilda Stichini, Teresa Lino da Silva, Irene Augusta Faria Costa do Nascimento e Maria Campos; do século XX, são figuras como Maria Arminda Cândido Graça, Madalena da Costa Claro, Emília Rosa Colaço, Margarida Caineta, Arlete Soares Silva de Oliveira Guimarães, Oceana Rosa de Sousa Zarco, Clarinda Silva Carvalho, Maria Adelaide Miguéns Rosado Pinto, Maria Clementina da Conceição Coelho Amália, Maria Inácia Simão Godinho, Lygia Messodi Toledano Ezaguy, Susana Soveral Gomes, Maria do Rosário Fátima Almeida Santos e Maria Cecília Pereira Anjo.
Por estas cerca de sete dezenas de fichas desfilam figuras ligadas à política, à intervenção social, ao desporto, à educação, ao mundo do trabalho, às artes, algumas constando na toponímia sadina mas a maioria delas tendo uma biografia de lacunas. O trabalho que Anita Vilar nos apresenta refere essas mesmas adversidades, mas tem a vantagem histórica de ser uma primeira abordagem de conjunto, diversificada, mostrando o peso que a mulher tem tido na história local, apesar de, habitualmente, ser relegada para um plano mínimo ou para a omissão. Trata-se de uma obra útil, indispensável para a bibliografia local, a merecer consulta ou mesmo leitura integral, assim se descobrindo uma faceta importante da identidade setubalense.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Poemas de Natal (14) - Anita Vilar

Eis um texto em forma de haiku, acabado de receber, inédito, prenda de Anita Vilar, médica em Setúbal, com intervenção cívica em várias áreas e também nesta da poesia (que eu desconhecia).

Natal
É fábula recontada,
Jesus sempre adiado.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Mariana Angélica de Andrade, "a poetisa do Sado"

O que seria de uma literatura se não houvesse os epígonos? Melhor: o que seria de uma época literária se os mesmos epígonos não existissem? Bem a gente pode lembrar o período romântico com Almeida Garrett ou Alexandre Herculano, nomes de destaque e fundamentais para a época, nomes máximos do romantismo em Portugal. E os outros? Os que não constam em parangonas nas histórias das literaturas, os que publicaram apenas um livro ou mesmo só em periódicos, mas absorvendo, cimentando ou revelando as marcas da época?
A questão não constitui novidade, claro, e só a trouxe para aqui porque, frequentemente, a gente se vai esquecendo desses outros que ajudaram a fazer as épocas mas que não tiveram o nome lembrado. E Setúbal pôde, recentemente, assistir a um desses casos, quando Anita Vilar veio relembrar o nome de Maria Angélica de Andrade, conhecida como a “poetisa do Sado”, mulher do século XIX (1840-1882) que foi casada com Cândido de Figueiredo e em Setúbal viveu durante três décadas, a partir dos 4 anos.
Há uma semana, foi apresentado o livro Mariana Angélica de Andrade – A poetisa do Sado (Setúbal: Centro de Estudos Bocageanos, 2009), obra antológica organizada por Anita Vilar, que também escreveu uma nota introdutória para o volume. Por esta antologia passam 25 poemas de Mariana Angélica de Andrade, ora extraídos dos seus livros Murmúrios do Sado (1870) ou Revérberos do poente (póstumo, de 1883), ora colhidos da imprensa sadina da época, em títulos como Grinalda literária ou em Gazeta setubalense, perseguindo linhas temáticas como a melancolia, a natureza, a morte, a noite, o pendor individualista, os estados de alma, a revolta, a preocupação social, a liberdade, com imagens fortes como as do naufrágio, do destino ou da afirmação da mulher. Muitos dos poemas abrem com citações que denotam alguns dos seus mestres, lembrando nomes como Bocage e Camões (sobre quem escreve poemas também), Camilo, Castilho, João de Lemos, Herculano, Bulhão Pato ou João de Deus, não faltando sequer uma “imitação de Victor Hugo”. Na nota introdutória, Anita Vilar disponibilizou elementos biográficos desta poetisa nascida em Sousel (com tábua cronológica a propósito), recolheu algumas opiniões da época sobre a autora e fez uma sumária apresentação dos poemas agora relembrados. No final do livro, há ainda indicações de bibliografia activa e passiva alusivas à autora “descoberta”.
Mariana Angélica de Andrade bem carecia desta publicação para a lembrar e talvez mesmo de trabalho mais completo, provavelmente pela publicação integral em volume dos dois títulos saídos em livro, acrescidos da recolha dos poemas que viveram nos jornais. Na apresentação do livro, Anita Vilar revelou mesmo que, estando a antologia já no prelo, descobrira mais colaboração da poetisa noutra publicação setubalense sua contemporânea, Aspirações. Foi, aliás, neste pequeno jornal que se publicava em Setúbal, que, em 19 de Janeiro de 1871, numa carta dirigida a João Matos Silva, a escritora Mariana Angélica de Andrade, no meio de conselhos a um futuro escritor, confessou o seu respeito pelo pensador “austero e profundo” que foi Herculano: “Veja Alexandre Herculano, cujo nome eu pronuncio quase com tanto respeito como Newton pronunciava o nome de Deus.”
A importância de Mariana Angélica de Andrade foi evidenciada por Jacinto do Prado Coelho, no seu Dicionário de Literatura, ao colocá-la, a par com Ana Plácido, Amélia Janny, Guiomar Torrezão e Maria Amália Vaz de Carvalho (para falar apenas de nomes femininos seus coetâneos), como uma das mulheres que, no século XIX, vai “conquistando lugar de certo relevo no jornalismo como na vida literária”. Esta antologia, possibilitada pelo trabalho de procura de Anita Vilar, veio proporcionar o conhecimento de Maria Angélica de Andrade, tornando-se num bom contributo para o estudo de um daqueles autores que, não sendo de nome obrigatório nas histórias da literatura, faz parte do grupo de nomes incontornáveis para o desenho de uma época, no caso, da época romântica, que, como todas as outras, também foi feita com os que alimentaram o espírito da época no dia-a-dia e no seu meio.
[OBS: O poema "Liberdade" foi publicado no jornal Grinalda Literária, em 10 de Junho de 1874.]

quinta-feira, 30 de julho de 2009