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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Para a agenda: Maio intenso


6 DE MAIO
Palmela
Comemorações do Centenário da Morte de Hermenegildo Capelo

6 DE MAIO
Jantar de angariação de fundos para a Igreja da Azeda (Setúbal)

12 DE MAIO
Casa da Baía
Apresentação do livro Médico Unicista: Ensaio sobre a Arte de Cuidar, de Cristina Pinho

17 DE MAIO
Biblioteca Pública Municipal de Setúbal
Universidade Sénior de Setúbal (CIMM) partilha aula sob o tema “Almeida Carvalho: notas biográficas”, por Carlos Mouro

19 DE MAIO
Associação de Socorros Mútuos Setubalense
Conferência “Almeida Carvalho e o pioneiro mutualismo local”, por Carlos Mouro

20 DE MAIO
Museu de Arqueologia e Etnografia de Setúbal
Seminário “Adobe de Setúbal”, com apresentação do livro O Adobe

21 DE MAIO
Casa da Baía
Apresentação do livro O Fantasma do Convento da Soledade, de António dos Santos

25 a 28 DE MAIO
Em vários locais
Festival da Música de Setúbal (7ª edição)

26 DE MAIO
Antigo Quartel do 11
Jornada Internacional Sebastião da Gama “Pelo Sonho é que Vamos” (ao longo de todo o dia), com apresentação do livro A Chave de Sebastião da Gama, de Ruy Ventura, e concerto pelo grupo e-Vox, ao final do dia, na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense

domingo, 23 de abril de 2017

Para a agenda: Almeida Carvalho em conferências



O bicentenário do nascimento de João Carlos de Almeida Carvalho continua a ser assinalado em Setúbal também através de conferências, que demonstram, pelos temas abordados, a personalidade multímoda que Almeida Carvalho cultivou. Para os tempos mais próximos, estão previstas três palestras: já em 28 de Abril, Albérico Afonso Costa fará o retrato de "Setúbal no tempo de Almeida Carvalho" (Biblioteca Municipal de Setúbal, às 21h30). Em Maio, Carlos Mouro, reputado (nem sempre reconhecido) investigador em história local setubalense, será autor de duas comunicações: uma, em 17, na Biblioteca Municipal de Setúbal, sob o título "Almeida Carvalho: Notas Biográficas" (às 16h00); a segunda, em 19, na Associação de Socorros Mútuos Setubalense, consagrada a "Almeida Carvalho e o pioneiro mutualismo local" (às 21h30).
Para a agenda!


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A biografia de Domingos Garcia Peres




O nome de Domingos Garcia Peres não é desconhecido na cidade de Setúbal, seja pela inserção do seu nome na toponímia (um beco, um largo e uma rua), seja pela existência de um fundo bibliotecário com o seu nome, doado em 1964 para integrar o Museu da Cidade. No entanto, a sua biografia, baseada em fontes e estabelecida com rigor, teve de esperar até aos finais de 2012, em que foi assinalado o bicentenário do seu nascimento, a acompanhar uma exposição, uma e outra actividades devidas a António Cunha Bento, Carlos Mouro e Horácio Pena.
A biografia, intitulada Domingos Garcia Peres (1812-1902) – Um setubalense pelo coração (Setúbal: Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, 2012), é justificada pelo acto comemorativo, pela admiração que esta personalidade despertou em vida, pela sua intervenção cívica e cultural assente em Setúbal mas fazendo a ponte com outros meios (foi clínico e deputado e manteve colaboração e amizade com o bibliógrafo Inocêncio da Silva e com o espanhol Menéndez y Pelayo, eruditos de renome na área da cultura).
Thomaz de Mello Breyner, médico e amigo de Garcia Peres, no elogio fúnebre do amigo, caracterizou-o como “homem que nunca fez falar de si, por ter sido dotado de uma modéstia tão grande como era o seu coração, a sua inteligência e o seu saber”. Estas qualidades determinaram a admiração, mas não podem ser responsáveis por um desconhecimento sobre a sua personalidade que levou tanto tempo a ser suprido, mesmo em Setúbal, terra onde esteve ligado a eventos e criações importantes como o exercício da medicina, a eleição como deputado, a intervenção no Asilo da Infância Desvalida, a participação na Sociedade de Recreio Familiar, a fundação da Sociedade Arqueológica Lusitana ou a autoria de uma obra importante para a bibliografia como o Catalogo razonado biográfico e bibliografico de los autores portugueses que escribieron en castellano (obra de uma vida, publicada em Madrid em 1890).
Fruto das suas viagens a Espanha, Garcia Peres teve ainda possibilidade de, resultado do acaso, ter conhecido Hans Christian Andersen e com ele ter viajado entre Madrid e Lisboa, em Maio de 1866, época em que o escritor dinamarquês visitou Portugal a convite dos seus amigos O’Neill (tendo permanecido cerca de um mês em Setúbal).
A biografia que Cunha Bento, Carlos Mouro e Horácio Pena assinam passa por todos esses aspectos e momentos da vida deste alentejano nascido em Moura, que, aos 34 anos, chegou a Setúbal (depois de quatro anos em Alcácer do Sal) e que pelas margens do Sado se deixou ficar, numa ligação intensa à terra. Lidaram os três autores com variadas fontes, sobretudo do Arquivo Distrital de Setúbal, da imprensa sadina da época e da correspondência entre Peres e Pelayo, o que permitiu corrigir informações que têm sido divulgadas sobre o biografado, assim se revendo os seus aspectos biográficos.
Num texto preocupado com o rigor e com informação exigente, bem anotado, esta viagem pela vida de Garcia Peres não esquece mesmo a recolha de testemunhos sobre a personalidade e o quotidiano do médico alentejano, resultante de uma leitura que permite inclusivo que o biografado se autorretrate, como se pode verificar em duas passagens bem reveladoras do seu sentido de humor e de disponibilidade – ao escrever sobre a sua prática em Alcácer do Sal, referirá: “ali desfalquei a humanidade até 1844”; em correspondência com Menéndez y Pelayo, dirá: “de há muito que seus são todos os meus livros”, numa prova de permuta incondicional que girava em torno das bibliografias entre os dois autores, levada ao extremo, quando numa outra carta o desafia para lhe renovar a assinatura de uma revista espanhola e redigirá numa outra carta um pacto de troca em termos humorísticos – “a respeito de contas creio-as saldadas; saqueemo-nos mutuamente, segundo possamos; eu, pela minha parte, não deixarei de tentá-lo; faça Você o mesmo e veremos depois quem leva a melhor.”
Figura grada no seu tempo, que suscitou admiração e esteve envolvido em marcos importantes para a história sadina, Garcia Peres tem agora o ensaio biográfico que merecia, enriquecido ainda com alguma documentação fotográfica e com uma tábua cronológica. Um documento cheio de interesse e, sobretudo, credível.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Inês Gato de Pinho, "Vilegiatura Marítima em Setúbal"

O que poderia ser Setúbal se tivesse sido dada continuidade àquilo que, no início do século XX, se prefigurava na margem do Sado como uma estância balnear? A resposta pertencerá a uma espécie de história virtual, mas a pergunta pode ser feita com toda a legitimidade se pensarmos no complexo que ali existiu a cargo da Empresa Setubalense de Banhos e se quisermos especular a partir da forma como se conclui o livro Vilegiatura Marítima em Setúbal (Setúbal: Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, 2010), de Inês Gato de Pinho, quando a autora regista: “Resta-nos reavivar a memória de um período pouco documentado e deixar em aberto a reflexão sobre o futuro que Setúbal teria como estância balnear.”
No final do século XIX, Setúbal era um destino de férias, motivado por condições climáticas e pelas suas praias (umas e outras excelentes), recomendado pela medicina e pelos publicistas (destacando-se, neste último grupo, o nome de Ramalho Ortigão, autor de obras como Banhos de Caldas e Águas Minerais, de 1875, e As Praias de Portugal, de 1876, ambas sugerindo sítios saudáveis de Portugal).
Sendo esta vocação sadina uma área mal conhecida na história setubalense, Inês Gato de Pinho consultou autores da época, como Arronches Junqueiro ou o próprio Ramalho Ortigão, leu recortes jornalísticos da Gazeta Setubalense ou de A Folha de Setúbal, cruzou informações trazidas pelas investigações de Rogério Peres Claro e de Carlos Mouro, por fotografias e postais da época, verificou processos e projectos de arquitectura, e reconstruiu o que seria Setúbal enquanto cidade acolhedora de turistas nesse início do século XIX.
O leitor pode assim circular no Passeio do Lago, ao mesmo tempo que lê os conhecimentos da altura ou que passa os olhos pelos escritos de Paulino de Oliveira, pode contemplar a paisagem já centenária e sentir o olfacto invadido pela labuta piscatória, venha ela do afã com que as redes são tratadas ou dos odores que ressaltam das fábricas de conservas de peixe, pode mirar as páginas da revista social Ilustração Portuguesa, pode penetrar no luxo que dominaria o Cais do Trindade ou vaguear pelas alas do estabelecimento de banhos que a Empresa de Banhos Setubalense levantou a partir do projecto do arquitecto seixense Ventura Terra. Tudo suficientemente documentado e ilustrado. Simultaneamente, o leitor pode ainda ver como a cidade de Setúbal tem sido um ponto de encontro (ou de choque) entre modas nem sempre conciliáveis com uma visão de ordenamento da cidade, antes preferencialmente sujeitas àquilo que no momento mais dá….
E termino quase como comecei. “Um momento supôs-se que, desde Setúbal até ao Portinho da Arrábida, se estenderia, em poucos anos, uma linha de construções marginais, chalets de luxo e vivendas formosas, em volta das quais iriam tomando vulto povoações de recreio e de repouso. Viriam a finança e a aristocracia semear o seu ouro fecundo, transformando a encosta inútil em uma admirável estação marítima, que só teria rivais na margem do Tejo, de Lisboa a Cascais, e na margem do Douro, do Porto a Leça da Palmeira.” Quem assim escrevia era Câmara Reis, na já referida Ilustração Portuguesa, em Junho de 1918, citado pela autora. Desse sonho, algo visionário, ficou o palacete da Comenda, mandado construir pelo representante da França em Portugal, o Conde Armand, e projectado por outro arquitecto português de renome, Raul Lino. O resto… pertence às memórias que a autora percorreu e à tal história virtual.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"ViVER Setúbal" - Os roteiros de uma exposição (3)

Viver Setúbal. Uma forma de ver a cidade
- Notas críticas a um roteiro (II)

por Carlos Mouro
IV. No segundo volume do roteiro há mais um infeliz parágrafo (seguindo, aliás, o texto original), em referência ao Fórum Municipal Luísa Todi: “Foi inaugurado em 1960, durante as comemorações do Centenário da elevação de Setúbal a Cidade. Substituiu o Teatro Rainha D. Amélia, demolido em 1956, depois de 68 anos ao serviço da cultura setubalense.” (p. 4). O que foi inaugurado em 1960 foi o cine teatro Luísa Todi e não o Fórum Municipal! O velho teatro D. Amélia (e não Rainha D. Amélia), arquitectado por Nicola Bigaglia, fora inaugurado a 1-8-1897. Os republicanos rebaptizaram-no como teatro Avenida. Depois, em 1915, por iniciativa da Academia Sinfónica de Setúbal, que ali se instalara, passou a ostentar o nome da Todi. Assim foi até à demolição, em 1956. No mesmo espaço ergueu-se, com traça de Fernando Silva, um moderno cine teatro, inaugurado a 24-7-1960. A 21 de Abril de 1989 o imóvel foi adquirido pela CMS que o transformou em Fórum Municipal, sob o patrocínio, ainda, da celebrada cantora lírica sadina Luísa Rosa de Aguiar Todi (1753-1833).
V. Logo a seguir há novas confusões, desta feita a propósito do Club Setubalense. Lemos ali que “O seu primeiro nome – Grémio Setubalense (de inspiração britânica) – foi substituído em 1898, devido ao mal-estar criado pelo Ultimato Inglês” (p. 6). O ainda existente Club Setubalense foi fundado em 1855, sucedendo à Sociedade de Recreio Familiar, de 1850. Certo. A embrulhada vem depois (até porque não foi seguido o texto original, que está correcto). O primeiro nome daquela associação foi Club Setubalense – designação, esta sim, de inspiração inglesa. Aquando do Ultimatum de 11-1-1890, entre outras reacções de protesto face à atitude britânica, o vocábulo ‘Club’ foi, frequentemente, substituído por ‘Grémio’ ou ‘Centro’. O grupo setubalense não perdeu tempo e, em Fevereiro de 1890, adoptou a designação de Grémio Setubalense. Assim se manteve até 10-2-1898, quando os associados deliberaram repor a primitiva designação, a que hoje subsiste: Club (e não Clube) Setubalense.

As duas notas com imprecisões
VI. Na página seguinte escreveu-se, a propósito do monumento a Luísa Todi: “Inaugurado logo após a sua morte em 1933”. De facto, o monumento em causa foi inaugurado em 1933. Luísa Todi, porém, morrera 100 anos antes! Aliás, a construção daquela simples memória pretendeu celebrar, localmente, o nome da cantora quando se cumpria o I Centenário da sua morte, ocorrida a 1-10-1833.
VII. Na legenda da segunda fotografia dessa página lê-se: “Américo Ribeiro – Construção da glorieta a Luísa Todi, 1938”. Como explicar a discrepância de datas? Sucede que em 1933 o singelo monumento foi inaugurado no lado nascente do Parque das Escolas (hoje Largo José Afonso). A fotografia, porém, regista a reconstrução daquele, após a transferência do espaço inaugural para o local em que todos o conhecemos – na Av. Luísa Todi, nas proximidades da Praça de Bocage, no que foi popularmente conhecido por Jardim dos Gatos – o que ocorreu, de facto, em 1938.
Notícia e fotografia do monumento a Luísa Todi

VIII. Na página 8 lê-se que a Fonte Luminosa é conhecida como Fonte do Centenário. Preferíamos, por nos parecer mais correcto, ler ali o contrário: Fonte do Centenário, mais conhecida por Fonte Luminosa. Ainda assim, a fórmula adoptada é mais feliz do que uma outra que circula com frequência, apelidando aquele monumento de Fonte das Ninfas.
IX. Nos pequenos roteiros, bem como nos mapas que os acompanham, há outros lapsos menores. Nos textos que lhes serviram de base há, também, alguns. Citemos apenas um, tirado de "As elites d’ouro branco – de Santa Maria a Bocage". A certo passo, escreveu-se: “…a 4 de Outubro de 1910, às 21 horas, quando anarco-sindicalistas, socialistas e republicanos incendiaram os Paços do Concelho e mutilaram a antiga fonte do Sapal…”. De facto, o antigo edifício municipal foi incendiado na noite de 4-10-1910, após escaramuças entre populares e forças da ordem. Entre aqueles haveria, admitimo-lo, anarquistas, socialistas, republicanos… Corrija-se, apenas, um lapso que é comum, aliás. A mutilação da magnífica fonte do sapal (hoje reconstruída na Praça Teófilo Braga) teve lugar na noite de 11-12-1910 quando um mestre da armada, de nome Júlio Marques, num momento de exaltação revolucionária, tentou apear o escudo e a coroa – símbolos da realeza deposta – que encimavam a artística fonte. A operação correu mal. Júlio Marques foi gravemente atingido pelas pedras que tirava com uma corda. Faleceu, no hospital local, a 13 daquele mês e ano.

Referência à Fonte do Centenário



O leitor emendará outros pequenos lapsos que ali existam. As incorrecções que inventariámos, e a natureza das mesmas, são suficientes para que lamentemos, entre a tristeza e a incredulidade, os lapsos registados. Com trabalhos deste quilate, como se promoverá Setúbal e a região que a envolve, junto de autóctones e de forasteiros?Para que esta prosa não termine de modo tão desencantado queremos deixar uma palavra de elogio ao grafismo dos roteiros elaborados, seguindo a linha de toda a exposição. Gostámos. Apreciámos, ainda, a solução encontrada para mostrar o património construído setubalense, captado pela objectiva de Américo Ribeiro (ou de outros que, em Setúbal, o precederam) em confronto com imagens actuais dos mesmos lugares, construções ou monumentos, apresentados numa composição francamente atractiva.

"ViVER Setúbal" - Os roteiros de uma exposição (2)

Viver Setúbal. Uma forma de ver a cidade
- Notas críticas a um roteiro (I)
por Carlos Mouro
Entre Junho e Setembro puderam os setubalenses apreciar, na sede da AERSET e, depois, na casa da Sociedade Musical Capricho Setubalense, uma exposição intitulada "Viver Setúbal. Uma forma de ver a cidade", da responsabilidade da Sociedade SetúbalPolis. Na ocasião foram editados três pequenos roteiros, organizados em torno de outros tantos percursos pela História e património setubalenses – Do Largo de Jesus ao Largo da Fonte Nova (1.º), Avenida Luísa Todi (2.º), Da igreja de S. Julião à igreja de Santa Maria (3.º) – com textos adaptados de outros, da responsabilidade de técnicos do Museu de Setúbal/Convento de Jesus, também editados, em separado. Com a desmontagem daquela exposição desaparecerá o que de bom e de menos bom se expunha. Pelo contrário, os roteiros impressos manter-se-ão, perpetuando o que de bom e de mau encerram. Justificam-se, pois, estas notas corrigindo erros grosseiros com que ali nos deparámos.
I. No primeiro caderno somos surpreendidos por uma inaudita versão da conhecida lenda sadina que narra a origem da freguesia de Nossa Senhora Anunciada: “Reza a lenda da criação desta igreja que uma peixeira pobre estava a assar cavalas quando uma delas saltou do fogo. Depois de várias tentativas para a assar, a peixeira apercebeu-se de que a cavala era, afinal, uma imagem de Nossa Senhora.” (p. 7). O disparate já foi notado por João Reis Ribeiro que o causticou no seu “Diário da auto-estima” (Sem Mais – Jornal, 13-6-2009). Interrogamo-nos, também: Onde desencantaram tamanho disparate? Para mais, o desconhecimento andou de braço dado com a distracção já que, na página seguinte do opúsculo, se transcreve a versão correcta da lenda, sem referência a cavalas, cavalinhas ou qualquer outro teleósteo.

A lenda da Senhora da Anunciada com a leitura errada


II. Na página 9 há novo descuido na legenda da segunda fotografia. O espaço urbano registado por Américo Ribeiro, no cliché reproduzido, não se designa (nem nunca se designou) por Largo dos Combatentes. Denominou-se, antigamente, Largo das Almas. Com a República – em homenagem ao vice-almirante Cândido dos Reis (1852-1910), mentor, chefe e mártir da Revolução de 5-10-1910 – passou a conhecer-se por Praça Almirante Reis.

A foto com o monumento aos Combatentes e a legenda imprecisa


III. Logo na página seguinte – em capítulo intitulado, vá lá saber-se porquê, “Os caminhos de Roma” – refere-se o pelourinho de Setúbal: “Originalmente construído para a Praça da Ribeira (antigo Largo da Ribeira Velha) e depois de duas deslocações, o pelourinho é reconstruído na época de D. José I. Por representar o poder do Duque de Aveiro, o antigo símbolo local foi mandado demolir e construiu-se um novo, aproveitando a coluna antiga. (…). No cimo da coluna está o capitel de estilo coríntio trazido de Tróia”. O pelourinho que se ergue na Praça Marquês de Pombal foi construído para aquele lugar e não para o Largo da Ribeira (hoje Largo Dr. Francisco Soveral), como se depreende da leitura do citado parágrafo. Depois, são referidas “duas deslocações” que aquele vetusto símbolo terá sofrido. A que deslocações se referem os autores? Mais: no pelourinho levantado em 1774, não se aproveitou a coluna do anterior, nem o capitel que a encima proveio de Tróia. O que veio daquela península, o elemento romano daquela construção, é, precisamente, a coluna e não o capitel como, erradamente, querem os autores do roteiro (este particular aspecto consta do texto original).

O texto impreciso sobre o Pelourinho

(continua)

"ViVER Setúbal" - Os roteiros de uma exposição (1)


Entre Junho e Setembro, Setúbal pôde visitar a exposição “ViVer Setúbal - Uma forma de ver a cidade”, promovida pelo Programa Polis, primeiro no antigo edifício do Banco de Portugal e, depois, na sede da Sociedade Musical Capricho Setubalense.
A exposição, coordenada por Isabel Victor e Bruno Ferro, sobre fotografias de Américo Ribeiro e de Ricardo Cordeiro, teve a acompanhá-la a edição de três roteiros: “Do Largo de Jesus ao Largo da Fonte Nova” (1), “Avenida Luísa Todi” (2) e “Da Igreja de S. Julião à Igreja de Santa Maria” (3), todos com textos de Patrícia Silva Alves e de Paula Castro Rosa. Os textos destes roteiros partiram de outros textos, também publicados: “Da tentação à redenção – Os caminhos do Troino”, de José Luís Neto, “Avenida Luísa Todi”, de Francisca Ribeiro, e “As elites d’Ouro Branco – De Santa Maria a Bocage”, de José Luís Neto, respectivamente.
As informações que constam no texto dos roteiros padecem de algumas falhas inexplicáveis. O problema é que essas foram as publicações mais distribuídas e que ficarão para informar. E um erro, quando escrito, tem tendência a propagar-se… além de ser um atentado à memória.
Com a devida autorização, transcrevo, em duas partes, a opinião de Carlos Mouro, investigador e autor de obra sobre a história de Setúbal, por constituir uma reposição da verdade em informações que não denota(ra)m esse cuidado.