terça-feira, 16 de outubro de 2018

Para a agenda - Leituras da Grande Guerra: o último fuzilado, as memórias, o impacto social e político



A Biblioteca Pública Municipal de Setúbal recebe no sábado, 27 de outubro, a apresentação da obra “João Almeida, o último Fuzilado, e outras leituras da Grande Guerra”, da autoria de Albérico Afonso Costa e João Reis Ribeiro.
A obra, apoiada pelo Instituto Politécnico de Setúbal, será apresentada por Viriato Soromenho-Marques, em sessão marcada para as 18h00.
Quase a completar-se o ciclo de memória do centenário da Grande Guerra, este livro é constituído por seis abordagens relacionadas com esse momento histórico: “A receção do antimilitarismo no movimento operário português”, “Os partidos políticos face à Guerra”, “Jaime Cortesão: um intelectual perante a Guerra”, “Aquilino Ribeiro – diário do início da Guerra”, “O impacto social e político da I Grande Guerra no movimento operário” e “O fuzilamento do soldado João Almeida – Da farsa de um julgamento à tragédia de uma execução”. As fontes principais para a organização desta obra foram a imprensa da época, os testemunhos memorialísticos sobre esse tempo histórico e documentação preservada em alguns arquivos.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Sebastião da Gama e Luís Amaro: Uma amizade para sempre



Por meados da década de 1990, estava com alunos numa visita de estudo em Monsaraz. A dada altura, três pessoas aproximavam-se do restaurante. Uma dessas pessoas era Luís Amaro. Reconheci-o por uma fotografia que vira pouco antes, sabia do seu trabalho em favor da literatura portuguesa, tinha alguma informação sobre a sua amizade com Sebastião da Gama. Tendo ao alcance a oportunidade de o conhecer, meti conversa. Ficou admirado por o ter reconhecido, pois não era dado a publicitações e cultivava a sua discrição. Lá contei como o conhecia e falei-lhe de Sebastião da Gama, da “Colóquio-Letras” e de literatura. Mantivemos um bom bocado de conversa. E, à despedida, voltou a manifestar a sua admiração por o ter reconhecido...
Passaram uns anos e, por 2007, voltei a contactá-lo, agora por carta. Fomos mantendo diálogo, ora por telefone, ora epistolarmente. Deu-me informações sobre Sebastião da Gama, fez-me chegar indicações bibliográficas, enviou-me anotações sobre a edição do “Diário” de Sebastião da Gama que preparei no sentido de melhorar uma próxima edição, ofereceu-me o seu livro com dedicatória a propósito, usando sempre uma afabilidade e disponibilidade que me impressionaram. Em duas das cartas referiu a lembrança daquele encontro em que nos conhecemos em Monsaraz, num gesto de memória extraordinário.
Senti perder um amigo e uma grande oportunidade de mais saber quando fui informado do seu falecimento em finais de Agosto.
Inevitavelmente, na rubrica “Evocar Sebastião da Gama”, teria de lembrar a extraordinária relação de amizade e essa aproximação fraternal que envolveu Luís Amaro e Sebastião da Gama (Jornal de Azeitão: nº 265, 2018-10, pg. 15).

sábado, 15 de setembro de 2018

Bocage, poeta, português, setubalense, 253 anos



Uma inscrição num canto de Setúbal traz-nos Bocage e uma universal verdade sobre que poetou - esta consta num soneto: "De quantas cores se matiza o Fado! / Nem sempre o homem ri, nem sempre chora, / Mal com bem, bem com mal é temperado."
Parabéns, Bocage!

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Sebastião da Gama, a Arrábida e a criação da Liga para a Protecção da Natureza (LPN)


Sebastião da Gama tinha 23 anos quando tomou uma atitude de defesa do património da serra da Arrábida, tentando conquistar parceiros para a causa. A protecção desse património natural não foi imediata, mas a LPN (Liga para a Protecção da Natureza), criada um ano depois, foi a primeira consequência do "grito" deste jovem em defesa da "sua" serra.  Vale relembrar aspectos da história; por isso, aqui reproduzo texto que foi publicado no mensário Jornal de Azeitão, em Setembro (n.º 264, 2018-09, pg. 15).
A acompanhar o texto, uma fotografia de Sebastião da Gama na praia de Galapos, em 1940.criar site


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

José Tolentino Mendonça e a biblioteca


D. José Tolentino Mendonça, arcebispo e poeta, no dia em que assumiu o cargo de responsável pela Biblioteca do Vaticano, em entrevista a António Marujo (no Público, de 1 de Setembro), deu uma definição extraordinária de biblioteca - por um lado, pela simplicidade, e, por outro, pela linguagem metafórica. Prova de sabedoria, de facto. A reter, porque para pensar.

“Digo muitas vezes que a minha primeira biblioteca foi a minha avó materna. A minha avó não sabia ler e a única palavra que, com imensa dificuldade, conseguia escrever era o seu próprio nome. Nada mais do que isso. Mas tinha dentro da cabeça um inteiro reportório do cancioneiro oral com os seus contos, os romances tradicionais, as múltiplas formas da lírica popular, que não se cansava de transmitir. Com a minha avó analfabeta aprendi aquilo que depois os meus anos de estudo só confirmaram: que a palavra escrita é inseparável da voz humana. Que todos os textos do mundo têm dentro de si os vestígios de uma voz. Que a literatura outra coisa não é do que uma fantástica concha acústica, onde podemos reencontrar a interminável conversa que os seres humanos mantêm. Que o silêncio das bibliotecas outra coisa, na verdade, não é do que um impressionante coral com milhões de vozes que atravessam os tempos, cuja audição nos avizinha do inesgotável e fascinante mistério da vida...”

sábado, 1 de setembro de 2018

Prémio literário Bocage já tem vencedor: "A Casa do Ser", de António Canteiro



António Canteiro é o vencedor da XX edição do Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage, promovido pela LASA (Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão) com o trabalho A Casa do Ser, na modalidade de poesia, cujo prémio será entregue na tarde de 15 de Setembro, feriado municipal em Setúbal e dia de Bocage.
António Canteiro, pseudónimo de João Carlos Costa da Cruz, é natural de Cantanhede. Detentor de vários galardões literários, mereceu em 2013 o primeiro lugar no Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama com a obra O Silêncio Solar das Manhãse, em 2015, o primeiro lugar no XVII Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage com a obra Na Luz das Janelas Pestanejam as Sombras.
O júri decidiu não atribuir prémio na modalidade de “Revelação”.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Manuela Tomé: A história de Setúbal pela sua arquitectura



O título Topologia e Tipologia Arquitectónica - Setúbal - Séculos XIV-XIX - Memória e Futuro da Imagem Urbana, de Manuela Maria Justino Tomé (Casal de Cambra: Caleidoscópio, 2018), é longo, mas conta tudo o que pode ser encontrado dentro do livro, haja em vista as referências ao objecto de estudo, à localização, à periodização e ao exercício de reflexão crítica.
Ao longo das suas mais de duas centenas de páginas, a obra está organizada em sete capítulos, intitulados de acordo com o seu assunto e com a cronologia (“A Cidade - Enquadramento Local e Histórico”, texto introdutório; “A Urbe - Sécs. XIV-XVI”, com a vila delimitada pela muralha medieval; “A Restauração”, abrangendo as alterações do séc. XVII; “Consolidação do Aglomerado Urbano”, sobre os efeitos dos sismos de 1755 e de 1858; “Núcleos entre Muros”, analisando o crescimento de Setúbal para Tróino, Palhais e Fontainhas; “Tipologia Arquitectónica” e “Memória e Futuro da Imagem Urbana”). Aqui, o leitor passeia pela história de Setúbal sob o ponto de vista da imagem urbana, com abundante recurso à cartografia, exemplarmente reproduzida. Os mapas, as cartas e os desenhos da cidade vão sendo os propulsores de uma história que já vem desde a Idade do Bronze final e que a autora, arquitecta de formação, nos faz acompanhar até ao presente.
A viagem permite a visita ao documento cartográfico mais antigo reproduzido, o portulano do genovês Angelino Dulcert (de 1339), ao mapa de Setúbal constante na “Tabula Hidrographica” (de 1594) e àquela que será a “planta mais antiga de Setúbal” atribuída a Filipe Terzio ou ao Capitão Fratino, apresentada por Alexandre Massay (em 1617), entre umas dezenas de representações do espaço designado por Setúbal que entram pelos séculos XV a XX.
Segue o viajante o texto e as imagens e vai-se tornando claro o que é o crescimento de uma cidade, um quase ser vivo que se vai ajustando às pressões do tempo, aos acontecimentos históricos, às necessidades dos moradores, às modas de cada época, ao desenvolvimento económico e também aos caprichos da Natureza. Os tempos explicam a forma da cidade e ajudam a compreender as estruturas do casario ou o traçado das ruas e vai sendo possível haver sobreposições de cartas para o encontro com o que se mantém e com o que foi sendo alterado, para a vista sobre qual foi o percurso que a cidade teve até ser o que é hoje - a povoação saiu das muralhas mas foi mantendo a forma que lhe fora transmitida, o centro urbano já passou pela Praça da Ribeira e pelo Largo de Santa Maria, a Feira de Santiago já assentou no Terreiro de Jesus, obviamente numa cidade que tinha outras geografias, mas cujo crescimento foi sempre acompanhando a janela de ver o rio e só bem mais tarde a mancha alastrando para o interior, numa evolução frequentemente pontuada pelos estabelecimentos públicos e militares e pelas construções religiosas.
Torna-se esta leitura um percurso para o encontro com o património cultural sadino e com aquilo que o define, num quase jogo com os valores que houve e com aqueles que se mantiveram, num cavaquear entre a memória e a singularidade construtora de uma identidade.
Necessariamente, este livro denota também preocupações pedagógicas e não deixa de lado algumas chamadas de atenção, como esta, quase no final: “A sociedade actual é fundamentalmente determinada pelo factor económico, que influencia todas as áreas da cidade, interferindo com os valores identitários da sua comunidade, aqueles que são pertença comum e que fazem com que esse património seja também nosso. É premente pensar e decidir, no presente, o futuro desse património, direccionado para a sua continuidade cultural e vivencial, e não apenas pelo domínio dos factores economicistas, actualmente, tendencialmente muito ligados à indústria do turismo, e em função das suas exigências, pelo crescimento e desenvolvimento económico que representa.” É que o temor advém da necessidade de sensibilidade para que aspectos fundamentais do que tem sido a cidade não sejam adulterados ou desajustados. E, quase a roçar a actualidade (lembremo-nos de que o livro, sendo de 2018, é o texto de dissertação de doutoramento em Arquitectura, apresentada pela autora na Universidade da Beira Interior em 2015), no que respeita às tipologias e às reconstruções ou adaptações, Manuela Tomé adverte: “Em zonas de grande sensibilidade os revestimentos e os pormenores de construção ou a cor assumem um papel muito importante na imagem urbana e autenticidade na arquitectura. A cor é uma referência cultural.” Valerá a pena o leitor questionar-se sobre a paisagem (re)construída que vai vendo e reflectir sobre a coerência dessa paisagem com a função do objecto e com as memórias da cidade...
Lê-seTopologia e Tipologia Arquitectónica - Setúbal - Séculos XIV-XIX - Memória e Futuro da Imagem Urbana e não se pode ficar indiferente à cidade, à sua forma e àquilo que ela nos diz. Será esta uma obra de consulta obrigatória para o conhecimento de Setúbal, aliando história e descrição, pondo ao nosso alcance um extenso, completo e rico acervo iconográfico no âmbito da cartografia e das tipologias, que muito enriquece a bibliografia da história local e da história da arquitectura.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Sebastião da Gama: O Último Texto



"Encarcerar a asa" foi o último texto que o poeta azeitonense Sebastião da Gama escreveu. Vale falar sobre a(s) simbologia(s) desse texto e sobre a esperança que o poeta tinha; por isso, aqui reproduzo texto que foi publicado no mensário Jornal de Azeitão, em Agosto (n.º 263, 2018-08, pg. 15).
A acompanhar o texto, uma fotografia de pintassilgo (a ave que motivou o texto) retirada do blogue de Armando Marques.como montar uma loja virtual


terça-feira, 28 de agosto de 2018

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Rostos (204) - Sebastião da Gama na Escola de que é patrono



Sebastião da Gama
escultura em aço recortado, na Escola Secundária Sebastião da Gama, em Setúbal

domingo, 26 de agosto de 2018

Rostos (203) - Carlos Alberto Ferreira Júnior, uma voz de Azeitão


Monumento a Carlos Alberto Ferreira Júnior
inaugurado em 25 de Abril de 2018, em Azeitão

sábado, 25 de agosto de 2018

Rostos (202) - Música e dança em azulejo, na biblioteca


Música e dança
painel azulejar, Biblioteca Camões, Lisboa

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Rostos (201) - Pescador do Montijo



Monumento ao Pescador Montijense
descerrado em 25 de Junho de 1999, por iniciativa da SCUPA

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Sebastião da Gama: "Pelo sonho é que vamos" - Um verso que vale uma obra



"Pelo sonho é que vamos" é um dos mais conhecidos versos do poeta azeitonense Sebastião da Gama. Vale falar sobre a expressividade desse verso e sobre a adesão que tem merecido; por isso, aqui reproduzo texto que foi publicado no mensário Jornal de Azeitão, em Julho (n.º 262, 2018-07, pg. 13).
A acompanhar o texto, uma fotografia da pintura mural que pode ser vista/lida na Rua das Oliveiras, no Bairro de Tróino, em Setúbal.


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Para a agenda: João Almeida, o último fuzilado, e outras histórias da Grande Guerra



Seis abordagens relacionadas com a Primeira Grande Guerra - “A recepção do antimilitarismo no movimento operário português”, “Os partidos políticos face à Guerra”, “Jaime Cortesão: Um intelectual perante a Guerra”, “Aquilino Ribeiro - Diário do início da Guerra”, “O impacto social e político da I Grande Guerra no movimento operário” e “O fuzilamento do soldado João Almeida - Da farsa de um julgamento à tragédia de uma execução” - constituem o conteúdo da obra João Almeida, o Último Fuzilado, e Outras Leituras da Grande Guerra, assinada por Albérico Afonso Costa e por João Reis Ribeiro e apoiada pelo Instituto Politécnico de Setúbal.
Está para breve, as provas já estão em revisão...

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

"Arrábida, em contínuo": Um livro virtual em louvor da serra e dos 40 anos do Parque Natural da Arrábida



Chama-se Arrábida, em contínuo. Não existe em suporte papel, mas está ao alcance no formato virtual. É um livro de uma centena de páginas que pretende assinalar os 40 anos da criação do Parque Natural da Arrábida, passados em 2016, agora editado pelo ICNF, sob a orientação editorial de Eduardo Carqueijeiro e Miguel Henriques.
A Arrábida é perspectivada em diversas áreas - da geografia à literatura, do ambiente à história, da geomorfologia à filosofia -, servindo para todas as áreas de interesse e para múltiplos saberes.
A lista de colaboradores é vasta e diversificada: Viriato Soromenho-Marques, Pedro Castro Henriques, Fernando Santos Pessoa, Robert Manners Moura, Tito Rosa, Francisco Ferreira, Miguel Henriques, Nuno David, Eduardo Carqueijeiro, Ricardo Paiva, João Reis Ribeiro, Anabela Trindade, Jorge Humberto, Pedro Soares Vieira, Pedro Holstein Beck, António Mira, Pedro Arsénio, João Joanaz de Melo, José-António Chocolate e Francisco Borba.
O livro pode ser descarregado aqui.

Helena Buescu e Inger Enkvist: duas opiniões sobre educação a ler hoje


No Público de hoje, dois bons textos sobre educação que merecem uma leitura e um olhar atentos.

   

O primeiro, de Helena Carvalhão Buescu (a ler aqui), sobre as aprendizagens essenciais, sobretudo no domínio do Português do ensino secundário. Um texto de preocupações que, mais do que serem dos professores, deviam ser dos pais, das famílias e da sociedade. Reduzir o ensino secundário ao “essencial”, seja isso o que for, é dar uma machadada no espírito crítico tão necessário, é deixar ao livre arbítrio dos níveis de exigência (não da exigência em si) a preparação e o apoio aos alunos, á ajudar a que se pense e conheça cada vez menos. Os argumentos de Buescu, que subscrevo (para que dúvidas não restem), fazem-me lembrar uma história passada com um colega, professor de Português, há uns anos: uma mãe de um seu aluno de 11º ano encontrou-o e, feliz, contou-lhe que o filho estava a estudar Os Maias. Quando o colega quis saber como era feito esse estudo (que só podia ser através da leitura da obra, obviamente), a progenitora explicou que, todos os dias, à noite, lhe lia um bocadinho do romance até ele adormecer...

O segundo texto é uma entrevista feita por Bárbara Wong à professora universitária sueca Inger Enqvist (que pode ser lido aqui), que, nos seus 71 anos de saber e com uma simplicidade impressionante, diz verdades fundamentais que variadas correntes têm andado a contestar e a alastrar essa oposição, estando a deixar marcas nos sistemas educativos. Marcas que, como sabemos, são fenómenos de moda e que deixarão resquícios de que nos viremos a arrepender, por certo. Vale a pena ler a entrevista na íntegra, independentemente de nos situarmos na sociedade como pais, como professores ou como educadores. Acho que serve para todos, sem excepção. Deixo algumas citações:
“Aprender a aprender”- O “aprender a aprender” dá a ideia de que se aprendeu alguma coisa que se pode usar noutras situações, mas a investigação diz que não. É preciso aprender os factos para se ser capaz de pensar, compreender e chegar a conclusões. É preciso ter muito conhecimento para ser capaz de pensar bem. 
“Em Portugal ou no Reino Unido, ninguém quer ser professor” -É um problema também noutros países. Em comum, têm o facto de terem introduzido a “nova pedagogia” que diz que o estudante tem direitos e não é obrigado a obedecer ao professor. Quando o aluno pode entrar ou sair da sala de aula, quando pode chegar e não trazer os trabalhos feitos, ou pode dirigir-se ao professor de forma desrespeitosa, ninguém quer ser professor.
Perfil de um bom professor- Para ter bons professores é preciso ter um Governo que imponha boas regras. Um bom professor tem de ter uma boa preparação, em termos da língua e do conhecimento, e gostar de aprender. Mas é preciso aceitar que qualquer aluno possa estar em turmas de diferentes níveis. 
Os pais nunca devem falar mal dos professores?- Nunca. Podem dizer: “Se fosse eu, não faria assim, mas aprende tudo o que puderes com essa pessoa.”
Nas férias do Verão, os alunos devem continuar a estudar?-Primeiro, é necessário ir com eles para a rua, depois pô-los a ler. Ler pelo prazer. Até podem oferecer uma recompensa: “Lê dez livros e oferecemos-te uma viagem.” Se não forem bons leitores, não serão bons alunos.

Castelo do Neiva - A comunidade piscatória retratada por Abel Coentrão



Há reportagens que nos surpreendem pela positiva. Aliás, deviam sempre surpreender, pois a reportagem é o caminho entre o jornalismo e a literatura, assim ficando sempre o desejo de que uma reportagem seja uma obra de arte, mesmo se pequena...
Hoje, ao ler uma reportagem do Público, de imediato me veio o nome de Raul Brandão por causa da sua obra Os Pescadores (1923). Estou a referir-me à peça que Abel Coentrão assina no “P2” de hoje, entre as páginas 1 e 3, intitulada “Em Castelo do Neiva há um barco chamado Esperança”.
A delicadeza e o conhecimento com que o repórter entra na peça é inebriante e denota uma boa preparação e sensibilidade. Fala-se das pessoas, dos seus problemas, da pesca, do papel das entidades, dos receios, da vida, daqueles que olham o mar tentando adivinhar-lhe a emoção, oscilando o vocabulário ligado ao mar com o sentimento, a descrição e o discurso reproduzido. Fala-se de um modo de viver, acreditando na esperança, jogando metaforicamente com o nome da embarcação.
É lindo de ler este texto de Abel Coentrão. E assalta logo a vontade de ir até à Pedra Alta, ali em Castelo do Neiva, olhar o rio (Neiva, claro) e o Atlântico, correr a memórias da infância em que, da praia da Amorosa, íamos à do Castelo para ver o movimento dos barcos e dos pescadores.
Creio que Raul Brandão, na sua obra Os Pescadores, não fala de Castelo do Neiva (não posso agora confirmar), muito embora escreva sobre a costa norte entre Caminha e Póvoa de Varzim. Mas, se fosse possível, Brandão iria agora ao Castelo, mesmo que fosse apenas para ver se Coentrão não o teria lido...

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Para a agenda - Fundação Oriente promove exposição sobre Livraria do Convento da Arrábida



Em 1994, foi publicado pela Fundação Oriente o Catálogo da Livraria do Convento da Arrábida, organizado por Ilídio Rocha. Já lá vão 26 anos sobre essa obra e, agora, quando a Fundação Oriente assinala o seu 30º aniversário e a primeira década do Museu do Oriente, a Livraria do Convento da Arrábida volta a estar em destaque.
Uma das acções de aniversário que a Fundação vai levar a cabo é a exposição “Olhares sobre a Livraria do Convento da Arrábida”, no Museu do Oriente, durante três meses, entre 26 de Julho e 28 de Outubro. Haverá visita comentada e conferência de encerramento, conforme informação no “site” da Fundação.
Para a agenda!

Para a agenda: "A Casa Verde" no centenário de Silva Duarte



Silva Duarte, setubalense, nasceu há 100 anos numa casa sita na Avenida Luísa Todi, ainda hoje existente, que ele próprio designou como “casa verde”.
A sua vida foi uma peregrinação pelo mundo, pelo saber e pela cultura. Pintor, escritor, poeta, tradutor, professor, Silva Duarte foi o mais importante andersenista português, sendo o responsável pela maioria das traduções de Hans Christian Andersen disponíveis no mercado português, aí se incluindo a totalidade dos contos e o relato de viagem que o autor dinamarquês fez em Portugal em 1866.
A LASA (Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão) e a Câmara Municipal de Setúbal, com o apoio indispensável de Fátima Ribeiro de Medeiros, estudiosa de Silva Duarte, têm um programa para cumprir durante um ano, homenageando este autor setubalense em diversas actividades - a primeira, uma conferência sobre a sua vida e obra, proferida por Fátima Medeiros, teve já lugar em 5 de Junho, o dia dos 100 anos. A segunda vai acontecer no sábado, 30 de Junho, pelas 17h00, na Casa Bocage, com a apresentação do livro A Casa Verde, homenagem do autor à casa em que nasceu.
Para a agenda!

segunda-feira, 25 de junho de 2018

"Ainda que a nuvem passe por cima da luz", uma coreografia contra o "bullying"



"Ainda que a nuvem passe por cima da luz" é um trabalho de mérito, inteligente, sentido, imprescindível. 
Concebido por Sofia Luz, jovem palmelense, e pelo seu grupo de dança, é necessário que seja visto e reflectido. O tema é o bullying, algo que preocupa a sociedade de hoje. A música, a dança e as palavras caracterizam-no, mas também incentivam à coragem. Peça notável! A ver, em cerca de sete minutos que não serão um desperdício...

sábado, 2 de junho de 2018

Máximas em mínimas - Correr e Esperar



"Correr sem rumo é esperar em movimento", numa parede de Lisboa.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Para a agenda - Festa da Ilustração em Setúbal


A  Festa da Ilustração 2018, em Setúbal, está a chegar: amanhã é o dia de abertura da Festa e de algumas exposições: João Fazenda, na Casa da Cultura, às 00:00; Silva Duarte, ilustrador de Andersen, na Casa Bocage, às 15:00; José Paulo Simões, no Museu do Trabalho, às 15:30; ilustrados vários do concelho, na Galeria Municipal (ex-Banco de Portugal), às 16:00; Alberto Lopes e Outros, na Casa d'Avenida, às 16:30; pessoas reclusas no Estabelecimento Prisional de Setúbal, na biblioteca Municipal de Setúbal, às 17:00; ilustrados vários, no Cais 3 do Porto de Setúbal, às 17:30.
Para o dia 9, está prevista, pelas 19h00, a abertura da exposição de Tóssan, na Galeria Municipal do 11.
Um programa e uma oportunidade a não perder. Absolutamente! Para a agenda! 

Para a agenda - Silva Duarte: O maior andersenista português é setubalense



Em 5 de Junho, passam 100 anos sobre o nascimento do setubalense João José Silva Duarte, que ficou conhecido pelos apelidos de família Silva Duarte, nome com que assinou a sua produção literária.
Investigador na área da literatura, andersenista, professor, tradutor, poeta e pintor, Silva Duarte vai ser tema de diversas actividades ao longo do ano do seu centenário, que se inicia já em 5 de Junho com uma conferência na Casa da Cultura, em Setúbal, por Fátima Ribeiro de Medeiros, a pessoa que mais conhece sobre a obra de Silva Duarte. Na mesma sessão, vai ser feita a apresentação da obra A Casa Verde, poema em que o autor homenageia a casa (na Avenida Luísa Todi) e a terra que o viram nascer, pela primeira vez publicado autonomamente em livro.
Uma parte da obra de Silva Duarte poderá também, a partir de amanhã, ser vista na Casa de Bocage, com abertura prevista para as 15h00, em exposição incluída na Festa da Ilustração 2018, apresentando ilustrações a propósito dos contos de Hans Christian Andersen.
A não perder! Para a agenda!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Carlos Silveira: Festa de Nossa Senhora do Rosário da Tróia em filme



A festividade de Nossa Senhora do Rosário da Tróia é tema de uma curta metragem de Carlos Silveira intitulada "Rio de Cera", datada de 2018.
Recorrendo a filmagens de 2015 e de 2016, a peça, com cerca de 10 minutos, dá a medida da participação, do entusiasmo, da religiosidade, da festa de uma das mais antigas manifestações religiosas ligadas aos pescadores e muito participada. A ver!

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Para a agenda: Em Setúbal, a Feira do Livro do Autor Setubalense é na Culsete



Há uns tempos, a Biblioteca Municipal de Setúbal promoveu uma exposição bibliográfica com obras de autores ligados a Setúbal; agora, é a livraria Culsete que organiza uma Feira do Livro do Autor Setubalense. As duas iniciativas andam ligadas neste fenómeno que é o da identidade, da promoção da leitura e da história e da cultura local.
Será entre 28 de Maio e 1 de Junho. A pôr na agenda!

sábado, 26 de maio de 2018

Setúbal: A "cidade vermelha" que Albérico Costa nos lembrou



Quando, em 1610, Duarte Nunes de Leão publicou a sua obra Descrição do Reino de Portugal, deixou-se ofuscar pelas cores que dominavam a construção da cidade sadina: “Na vila de Setúbal há uma pedra de várias cores, convém a saber branco, vermelho, encarnado, toda feita de remendos como seixinhos, que parece que se pegaram com a mão e que não nasceram assim, a qual a gente vulgarmente e erradamente chama jaspe, por aquela diversidade de cores. Desta pedra está edificada toda aquela grande vila (...). A que é sólida e maciça e que acerta não ser variada, mas fica só em vermelho, parece verdadeiro pórfido.” Nunes de Leão acentuava o vermelho resultante do material usado na construção, uma questão física, que dava cor a Setúbal.
Cerca de três séculos e meio depois, o tom do vermelho voltaria a ser chamado para classificar a cidade, desta vez não por razões físicas, mas por questões de identidade e de intervenção cívica e social - em 12 de Março de 1975, o jornalista Rogério Severino chamava para primeira página de O Setubalense o título da sua reportagem “Em Setúbal, Cidade Vermelha - Conferência de imprensa: Importantes declarações sobre os acontecimentos do 7 de Março”; em 1976, era apresentado o filme-documentário Setúbal - Ville Rouge, com realização de Daniel Edinger e de Michel Lequenne, rodado no início de Outubro de 1975, abordando o papel das comissões de trabalhadores, de soldados e de moradores, dando destaque à actividade das comissões existentes na Setenave e na Movauto; em 2017, o epíteto serviu para o título da obra de Albérico Afonso Costa - Setúbal Cidade Vermelha - Sem perguntar ao Estado qual o caminho a tomar (Setúbal: Estuário, 2017) -, monografia que estuda o período entre 25 de Abril de 1974 e final de Novembro de 1975 em Setúbal.
Logo no preâmbulo da obra, o autor dá conta das dificuldades e das apreensões na construção da história deste período em Setúbal: ora pelo papel das memórias dos intervenientes, ainda ligadas aos “afectos e desafectos que sentiam à data”, ora pela conflitualidade entre o que a memória preserva e o que a realidade é (foi), ora porque “a paixão e o ódio convivem no tempo efémero de uma Revolução”. Assim fica claro que a forma como cada um dos intervenientes conta a história é uma leitura da sua participação e das suas convicções, como se torna evidente que a necessidade deste livro decorre da urgência de salvaguardar do esquecimento o que foi um período intenso da vida política e social em Setúbal e que “este trabalho deve ser entendido como uma primeira tentativa, ainda que limitada, de síntese interpretativa de um período tão rico da história da cidade.”
Organizado em cinco partes, o estudo de Albérico Afonso Costa parte do ciclo conserveiro, para explicar as convulsões sociais na cidade que chegou a ser identificada como a “Barcelona Portuguesa”, haja em vista o papel que o operariado teve na luta pelas suas reivindicações, bem como a posição de força que o regime republicano adoptou para controlar as formas como as exigências eram manifestadas, questão que mereceu já títulos de investigação por parte de autores ligados a Setúbal, como Albérico Afonso Costa e Álvaro Arranja. A segunda parte estabelece a ligação entre o que se passou em Setúbal e o que foi a história política do país no período entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro do ano seguinte, com os episódios alusivos ao 28 de Setembro e ao 11 de Março; a terceira parte chama a atenção para a nova organização política e social levada a cabo sobretudo em Setúbal (papel das comissões de moradores, das comissões de trabalhadores, da Assembleia Geral do Concelho de Setúbal e do Comité dos Organismos Populares de Setúbal), talvez sendo esta a parte que mais razão confere ao subtítulo que o autor escolheu para a obra; a quarta parte abre caminho pelas relações do poder autárquico com este período histórico, trajecto nada fácil pelas dificuldades em conciliar a ideia de revolução com a ponderação necessária, dando destaque especial a acontecimentos como a manifestação das betoneiras (14 de Junho de 1974), a relação conflituosa com a comissão de trabalhadores ou o conhecido episódio do hasteamento da bandeira da União Soviética no edifício da Câmara de Setúbal (em Junho de 1975, aquando da visita da astronauta Valentina Tereshkova); a quinta parte faz o ponto da situação relativamente a diversas instituições (partidos políticos, imprensa - com relevo para a intervenção do jornal O Setubalense -, igreja - com a importância da criação da diocese de Setúbal na altura - e organizações sociais como a Casa do Gaiato, o Asilo Dr. Paula Borba ou a Santa Casa da Misericórdia) e à acção que tiveram ou sofreram durante o período em apreço.
Esta obra é um bom repositório dos acontecimentos que marcaram Setúbal nesse tempo, percebendo o leitor que as principais causas que dominaram o panorama terão sido a resolução de “múltiplos problemas da vivência urbana e a melhoria das condições de trabalho nas empresas”. Por outro lado, a luta pelo espaço político foi outra das dominantes, haja em consideração o “confronto de perspectivas entre o Partido Comunista Português e as organizações da esquerda revolucionária” ou a oposição nítida aos partidos de centro e de direita. Com papel relevante surge também o Círculo Cultural de Setúbal, verdadeiro cadinho de formação vanguardista para diversos actores deste período histórico em Setúbal.
A obra insere ainda uma cronologia exaustiva do dia-a-dia vivido em Setúbal, recorrendo aos principais acontecimentos que povoaram o quotidiano, muitas vezes ilustrados com fotografias ou fac-símiles ou reprodução de documentos surgidos durante este período - notícias, correspondência, comunicados.
Na bibliografia, nota-se a quase inexistência de estudos relativamente a esta época vivida em Setúbal, devendo ser dado destaque a essa obra de memória e de registo testemunhal que é Memórias da Revolução no Distrito de Setúbal - 25 Anos Depois, devida a Pedro Brinca e a Etelvina Baía, dois volumes que reúnem mais de uma centena de entrevistas (Setúbal: “Setúbal na Rede”, 2001-2002). Por essa quase inexistência, é de sublinhar a atenção dada aos arquivos (Arquivo Nacional da Torre do Tombo - arquivo da PIDE/DGS, Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Setúbal e Arquivo Distrital de Setúbal), à imprensa (O SetubalenseO Distrito de SetúbalNotícias de Setúbal Margem Sul) e às entrevistas com diversos protagonistas (23, no total).
Como o autor sublinhou no início da obra, compreendendo o risco de historiar sobre assuntos contemporâneos, esta obra é “uma primeira tentativa” de interpretação dos factos, exigindo, por isso, outras abordagens ao mesmo período temporal, designadamente quanto à intervenção de outros sectores, como o militar ou o patronal, forçosamente fornecedores de dados importantes quanto às vivências, às causas e às condições como este tempo foi sentido, ou quanto à acção desenvolvida nos concelhos limítrofes, na península de Setúbal, uma vez que muitas ocorrências a sul do Tejo deram visibilidade, em termos mais vastos, a Setúbal, quer por ser capital de distrito, quer por aqui haver a representação do poder que era o Governo Civil.
Até que outras análises sucedam, temos este Setúbal Cidade Vermelha como roteiro adequado, que faz o filme do sucedido, muitas vezes seguindo o ardor posto nas informações recolhidas, sempre perseguindo a acção, numa perspectiva em que o tempo se deixa dominar pelo que acontece, quase havendo a sensação de se estar a presenciar ou a viver os acontecimentos, o que torna esta obra indispensável para conhecer esse momento e para ajudar a entender a identidade desta região, sendo por isso importante que Albérico Afonso Costa conclua a obra da forma que o faz: Setúbal “é a cidade onde a esquerda se movimenta com o à-vontade próprio de quem está na sua casa; (...) é a cidade que se organiza nos grandes momentos de tensão (...); é a cidade da vigilância revolucionária, que discute, efabula, sonha e desnorteia; é a cidade em que o PCP ganha as eleições, ocupa parte significativa do aparelho de Estado em recomposição e apesar disso não consegue um controlo total das greves e das ocupações; (...) é, por fim, a cidade onde a trama da Revolução melhor se urde e onde melhor se sente a mudança abrupta que o 25 de Abril trouxe consigo. (...) O que se ganhou foi o produto desta acção.”
A questão dos acontecimentos ligados a Setúbal e da identidade desta região tem sido uma preocupação de Albérico Afonso Costa. Aos títulos História e Cronologia de Setúbal 1248-1926 (Setúbal: Estuário, 2011) e Setúbal sob a Ditadura Militar 1926-1933 (Setúbal: Estuário, 2014) veio agora juntar-se este Setúbal Cidade Vermelha 1974-1975, todos eles construídos com informação segura e um estilo acessível, tornando-se marcos incontornáveis para o conhecimento da terra sadina.

(Revista LASA. Setúbal: nº 4, Primavera.2018, pp. 17-20)

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Grande Guerra - Saudação aos combatentes palmelenses


Os deputados da coligação PSD/CDS da Assembleia Municipal de Palmela apresentaram voto de saudação aos combatentes palmelenses que participaram no Corpo Expedicionário Português (CEP), na Primeira Guerra Mundial, iniciativa que teve unanimidade.
O concelho de Palmela já anteriormente homenageou os seus combatentes e aqueles que tombaram na Grande Guerra, como, por exemplo: na exposição “Quadros da Guerra 2015” (entre Setembro e Dezembro de 2011); na exposição bibliográfica “Quando os Portugueses andaram na Grande Guerra”, na Biblioteca Municipal de Palmela, entre 14 de Janeiro e 11 de Fevereiro de 2012; na inauguração de memorial a propósito, em 1 de Novembro de 2012; na “newsletter” do Arquivo Municipal de Palmela de Setembro de 2013, em que foi dado destaque aos combatentes palmelenses mortos durante o conflito. Abaixo se reproduz notícia sobre a moção apresentada pela coligação PSD/CDS, saída em O Setubalensede hoje.

domingo, 29 de abril de 2018

Para a agenda: Obras de Autores do Concelho de Setúbal, na Biblioteca Municipal



“Obras de Autores do Concelho de Setúbal” é o título de exposição que pode ser vista até 4 de Maio na Biblioteca Municipal de Setúbal, na Avenida Luísa Todi.
São cerca de 200 títulos de autores naturais ou residentes em Setúbal, abrangendo a história local, a literatura e o ensaio, podendo o visitante encontrar títulos recentes ou mais antigos, como Representação Pastoril na Festividade do Natal, do padre Caetano de Moura Palha Salgado (Setúbal, 1872), padre palmelense que viveu entre 1818 e 1880 e esteve à frente da paróquia de Nossa Senhora da Anunciada, ou Descripções Enigmáticas ou Divertidas Adivinhações Facilmente Inteligíveis, por F. de S. I. C., precedido de nota bibliográfica sobre o autor devida a Manuel Maria Portela (1831). Pela mostra circulam ainda manuscritos e dactiloscritos de Arronches Junqueiro, setubalense cujo 150º aniversário de nascimento ocorre neste ano.
A abertura da exposição coincidiu com o Dia Mundial do Livro. 4 de Maio é a data de fecho. Uma visita a não perder! Para a agenda!

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Para a agenda: Eugénio Lisboa traz José Régio a Setúbal



Eugénio Lisboa é um nome que não precisa de apresentações, tão vasta é a sua obra, tão excelente tem sido o seu contributo para a cultura portuguesa! Em Setúbal, vamos ter oportunidade de o ouvir sobre um dos seus temas de eleição, sobre um dos autores para cujo conhecimento muito tem contribuído, sobre um poeta que é intemporal e é já um clássico - José Régio.
Uma organização da Casa da Poesia de Setúbal marcada para as 18h00 de 14 de Abril, sábado, na Biblioteca Municipal de Setúbal. Para a agenda!

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Para a agenda: Abril, mês de Sebastião da Gama



Em 10 de Abril de 1924, em Azeitão, nascia Sebastião da Gama. Na sua vida intensa de 27 anos, houve tempo para muito: para crescer, para ler, para escrever, para viver, para testemunhar, para ensinar, para aprender, para legar. E também para "arrabidar" na sua "serra-mãe"!
Passam agora 94 anos sobre essa data, que convém não esquecer. A evocação vai fazer-se, no dia 10,  com flores e com poemas, em Azeitão, justamente com "coisas" de que ele gostava. Mais tarde, em 21, vai ser com poesia, com a entrega do prémio que leva o seu nome a outro poeta, Xavier Zarco.
Será uma iniciativa conjunta da Associação Cultural Sebastião da Gama, da Casa da Poesia de Setúbal, da Junta de Freguesia de Azeitão e da Câmara Municipal de Setúbal. Para a agenda!

Para a agenda: João Limpinho em Setúbal



A Casa da Cultura e a Casa d'Avenida, ambas em Setúbal, vão receber, em 7 de Abril, esculturas de João Limpinho: "Mar", na primeira; "Quadraturas", na segunda. Para a agenda!

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Para a agenda: "Património Arquitectónico Civil de Setúbal e Azeitão" em seminário


Eis o programa do seminário "Património Arquitectónico Civil de Setúbal e Azeitão", que terá lugar entre 18 e 20 de Abril em Setúbal, com organização da Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão (LASA). Um programa rico, a prometer excelentes contributos para a história local e para o conhecimento do património cultural. A não perder! Absolutamente! Exige inscrição.








terça-feira, 3 de abril de 2018

Memória: Gabriel José dos Santos Fernandes (1935-2018)


Gabriel Fernandes na inauguração do memorial a Sebastião da Gama
(Portinho da Arrábida, 7.Fevereiro.1987)

Gabriel Fernandes deixou-nos hoje. Grande parte da sua vida passou-a em conciliação permanente com a memória do que foi seu professor, Sebastião da Gama. É um dos alunos mais citados no Diário, registo que ficou do tempo de leccionação de Sebastião da Gama na Escola Veiga Beirão, em Lisboa.
Tendo-se dedicado à área da contabilidade (foi revisor oficial de contas), Gabriel Fernandes foi também um dos impulsionadores dos encontros anuais dos que foram alunos de Sebastião da Gama e um dos mais empenhados obreiros para a construção do memorial ao poeta azeitonense, erguido no Portinho da Arrábida em 1987.
Fica-me a imagem de um homem disponível, sempre pronto para testemunhar, empreendedor, a quem devo alguns conhecimentos sobre o homem que foi seu professor. Obrigado, Gabriel Fernandes!

Depoimento de Gabriel Fernandes sobre Sebastião da Gama
(Boletim da Associação Cultural Sebastião da Gama: nº 2, 2006-12)

Rui Canas Gaspar conta as histórias da várzea sadi(n)a



“Esta será provavelmente a última oportunidade que teremos para salvar o pouco que ainda resta da várzea de Setúbal, ou seja, dar o devido uso aos terrenos ainda livres de betão. (...) Trata-se de terra agrícola onde, em tempos passados, existiram lindas e produtivas quintas e que presentemente se encontra parcialmente ocupada por edifícios habitacionais, de comércio ou serviços. É aqui que agora se pretende construir o maior parque verde sadino, como se de uma última e necessária fronteira entre o passado e o futuro se tratasse.” Estas são as frases iniciais do mais recente livro de Rui Canas Gaspar, A Última Fronteira - Várzea de Setúbal (Setúbal: ed. Autor, 2018), que, no sábado, vai ter apresentação pública na Biblioteca Municipal de Setúbal.
Pelas suas cerca de duas centenas e meia de páginas passa um texto introdutório assinado por Carlos Frescata, que relembra a sua intervenção em prol do ambiente em Setúbal e o papel que a sua geração teve em torno do movimento “Setúbal Verde”, e passam crónicas repletas de histórias e de memórias da várzea setubalense, que foi povoada por quintas, experiências e vidas agrícolas, um espaço a fazer a ligação entre a Setúbal à beira-rio e próxima do mar e a Palmela mais vocacionada para a agricultura.
Aquilo a que hoje se vai chamando “várzea” é apenas uma parte do que ela na verdade foi. Mas o crescimento da cidade foi implacável com esse território ao longo dos tempos, desde a instalação do liceu e da escola básica de 3º ciclo, dos espaços desportivos, das habitações, dos estabelecimentos comerciais, até às faixas rodoviárias. As quintas que alimentaram e sustiveram a várzea são hoje nomes de referência histórica que preenchem memórias. Neste livro, Canas Gaspar leva-nos a visitar algumas dessas quintas (da Azeda, da Azedinha, da Boa Esperança, da Inveja, da Môca, das Palmeiras, do Paraíso, de Prostes, do Quadrado, da Restaurada, da Saudade, da Varzinha); evoca histórias como as do Palácio dos Aciprestes, da tragédia do dono da Quinta do Paraíso numa escaramuça entre liberais e absolutistas, do corte de passagem junto à azinhaga de São Joaquim levado a efeito por jovens da Quercus; relembra personagens como o chefe escutista Joaquim Farinha (que chegou a encontrar-se com o astronauta Neil Armstrong) ou como Joaquim, “o último pastor da várzea”; chama traços caracterizadores de Setúbal como a produção de laranja e os respectivos licor e doce, como as memórias ligadas à ribeira do Livramento (é, aliás, este curso de água que constitui importante pista para uma visita à várzea e às suas histórias).
No final do livro, Canas Gaspar refere ainda o que é o projecto para o futuro da várzea, um Parque Urbano em que é apontada a área de 400 mil metros quadrados, que, “para além de parque lúdico, deverá ter a importante função de defesa da cidade contra o risco de inundação” e constituirá um espaço recreativo e ambiental de elevada importância. Ainda que este projecto venha pôr fim à várzea enquanto espaço agrícola, Canas Gaspar conclui com optimismo que “a necessária e urgente obra só por si será uma lufada de ar fresco e puro, constituindo certamente a última fronteira entre o tentacular betão que paulatinamente tem vindo a impermeabilizar os solos e o verdejante campo que envolve esta linda cidade localizada estrategicamente entre o verde e o azul, uma terra que cada vez mais pessoas escolhem para viver.”
A Última Fronteira - Várzea de Setúbalé um livro que se lê com agrado, ao ritmo da crónica, apontando como máxima pretensão uma viagem pela identidade através de uma viagem no tempo e também a consciência que todos devemos ter quanto ao papel que a Natureza para si reivindica e que passa pelas condições para que a vida seja mais equilibrada.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Para a agenda: Conhecer o Bairro de Troino, em Setúbal



O Centro de Cidadania Activa vai levar os interessados a conhecerem o Bairro de Troino, uma zona da cidade de Setúbal que cresceu fora das muralhas. Património e identidade serão etiquetas fortes nesta acção que lembrará "História e Estórias do Troino" em dois momentos: em 9 de Abril, numa "Conversa sobre o Bairro" (às 16h00); em 13 de Abril, num passeio guiado (às 10h00), a partir da Rua João Eloy do Amaral. Para a agenda!

quarta-feira, 21 de março de 2018

Dia Mundial da Poesia - A poesia em sete reflexões


“Todo o poema - por mais dramático, áspero, dissonante... - infiltra-nos pelos poros a música, e o silêncio, do rumor de fonte da Harmonia.” (José Fernandes Fafe. Curriculum Vitae. S/L: Editorial Fragmentos, 1993)

“O poema / (…) / são palavras que caem, abatidas pela vida, / e que esperam por nós para se erguerem, / como se a música assim pudesse permanecer.” (Luís Filipe Castro Mendes. “Rater. Rater encore. Rater mieux”. Outro Ulisses regressa a casa. Col. “Poesia Inédita Portuguesa”, 149. Lisboa: Assírio & Alvim, 2016)

“A grande poesia é aquela que, de repente nos oferece um mundo, no qual a vivência deste se altera em cores e dimensões não sonhadas. É a criação de um outro mundo que se acrescenta realmente ao nosso mundo visível. É isso e não os versos que são muito bonitos.” (Eduardo Lourenço, entrevista a Carlos Vaz Marques. Ler. Lisboa: Fundação Círculo de Leitores, nº 72, Setembro.2008)

“A poesia é a linguagem segundo a qual deus escreveu o mundo.” (Valter Hugo Mãe. A Desumanização. 7ª ed. Porto: Porto Editora, 2016)

“A poesia nasce como os rios / e as pessoas / as avenidas / e o mar // Porque a poesia vive em tudo / e em tudo se confunde / com o sonho.” (Costa Andrade. “A voz da terra”. Terra de acácias rubras. Lisboa: União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa - UCCLA, 2014)

“As pessoas lêem poesia porque fazem parte da raça humana e a raça humana arde de paixão! Medicina, direito, a banca… Estas coisas são necessárias à vida. Mas poesia, romance, amor, beleza? São estas coisas que nos mantêm vivos! (...) Se toda a gente fosse poeta, o planeta morreria à fome! Mas a poesia tem de existir, e nós temos de reparar nela, reconhecê-la na mais ínfima, na mais insignificante das coisas, ou teremos perdido e deixado passar muito do que a vida tem para nos oferecer.” (N. H. Kleinbaum. O Clube dos Poetas Mortos. Col. “Os Livros do Cinema”, 4. Lisboa: “Diário de Notícias”, 2004)

“Toda a verdadeira poesia é um frémito diante do mistério ou da injustiça; um pressentimento do que está ou devia estar para além da apreensão imediata, da complexidade vibrante das coisas e do tempo, de tudo o que a ciência e a filosofia procuram depois de desvendar e resolver.” (José Rodrigues Miguéis. É Proibido Apontar. 2ª ed. Lisboa: Estampa, 1984)

Águas de Moura: Sobreiro "Assobiador" é "árvore do ano"



O sobreiro conhecido como “Assobiador”, em Águas de Moura, no concelho de Palmela, mereceu hoje o título de “Tree of the Year”, depois de uma votação do público que o tornou vencedor com 26606 votos, seguido dos ulmeiros ancestrais de Cabeza Buey (Badajoz, Espanha), com 22323 escolhas, e do carvalho ancião da floresta de Belgorod (Dubovskoye, na Federação Russa), com 21884 indicações.
Na página da organização, que pode ser lida aqui, a história do “Assobiador” é assim contada: “O Assobiador deve o nome ao som originado pelas inúmeras aves que pousam nos seus ramos. Plantado em 1783 em Águas de Moura, este sobreiro já foi descortiçado mais de vinte vezes. Além do contributo para a indústria, é impossível quantificar o seu impacto na manutenção do ecossistema e no combate ao aquecimento global. Com 234 anos, o Assobiador está classificado como ‘Árvore de Interesse Público’ desde 1988 e inscrito no Livro de Recordes do Guinness como ‘o maior sobreiro do mundo’!”