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terça-feira, 12 de julho de 2016

No desporto, parabéns, a todos os títulos... (mesmo que custe aos franceses)



Dizia Rogério Alves há minutos na SIC-Notícias que "Descartes é francês, mas o futebol não é cartesiano". Eis uma lição que muita gente não percebeu, a começar pelos comentadores que eram pró-França no Europeu de Futebol!...
Claro que, no Domingo, Portugal mereceu todos, mas todos, os parabéns no desporto: no atletismo, pelo primeiro lugar de Sara Moreira (meia maratona feminina, em 1h10'19'') e de Patrícia Mamona (triplo salto, de 14,58 m), e pelo terceiro lugar de Jéssica Augusto (meia maratona feminina, em 1h 10'55'') e de Tsanko Arnaudov (lançamento de peso, com 20,59 m); no futebol, com o título de Campeões Europeus, obtido pela Selecção Nacional no Stade de France, com um golo de Eder aos 109'. Tudo, depois de Ana Dulce Félix, ter sido a segunda classificada nos 10 mil metros...
Quanto aos comentários... volte-se ao cartesianismo de que Rogério Alves falou.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Parabéns, Selecção Nacional...


... pelo trabalho desempenhado, pelas alegrias dadas, pela "garra" demonstrada, pelo espectáculo de hoje! São vencedores da nossa confiança! Parabéns!

domingo, 23 de agosto de 2009

Romeu Correia, "Desporto Rei" - reler uma obra de 1955 em tempo de início da época futebolística

Concluído no segundo semestre de 1954, Desporto Rei seria editado no ano seguinte (Lisboa: Livraria Clássica Editora). Hoje, passado mais de meio século sobre essa primeira edição, a história narrada mantém actualidade, ainda que devendo caber ao leitor a explicação para os saltos no tempo e a compreensão das mudanças.
Como o título do livro indica, o mundo é o do futebol. A história passa-se “numa pacata vila de província, onde só dois conterrâneos jogavam o futebol, mas com o qual vários especulavam – e a que quase todos assistiam.” Esta informação consta em epígrafe, a abrir a obra, mas encontra ecos em vários pontos da narrativa, como no dia em que a equipa joga com um visitante do Norte, disputando a passagem à divisão principal, e Campos Mota comenta para o director Olímpio Nunes “Hoje, é possível que vendas dez mil garrafas de refrescos… mas, em contrapartida, só dois conterrâneos nossos praticam desporto num concelho de vinte mil habitantes” ou no momento da Assembleia Geral que discutia o futuro do clube e alguém, contestando as políticas seguidas pela Direcção, grita “Queremos desporto! Não queremos negócio!...”
A trama passa-se em torno do Vila Clara Futebol Clube durante o mês de Junho, com uma Direcção que apostara a passagem da equipa para a 1ª Divisão, sobretudo pelo que isso significava em termos de reputação para o clube e para o concelho. É esse lugar que almejam Carvalhinho da Moagem, Joaquim Campino, Soares do hotel, Olímpio Nunes, Valentim da Silva ou Procópio Cabral, directores que pretendiam defender mais a sua posição (e ascensão) social do que o desporto, razões que levam a forte contestação local, com ameaças e maledicência à mistura. Pelos relvados, em representação do Vila Clara, passam nomes como Caralinda, Raposo, Juju (angolano), Horácio, Belarmino, Justo, Torres, Guilherme, Amílcar (o mais disputado) e Gomez e Alonso (ambos argentinos), em torno dos quais há o litígio com base no ordenado a receber, há as questões de origem, há as diferenças de qualidade na prática do jogo e há as relações com a direcção. O fenómeno do futebol faz saltar episódios em torno dos seus menos interessantes aspectos, como a tentativa de suborno de guarda-redes ou de jogador, as negociatas à volta da hipotética transferência de atletas (envolvendo mesmo um simulado rapto de jogador), o vínculo existente entre a permanência dos directores e o dinheiro que cada um foi pondo no clube em prol de uma grandiosidade difícil de atingir.
Mas a história passa também pela vida de vários dos directores, nem todos com um percurso absolutamente correcto ou socialmente aceitável. Por aqui vão passando também as tensões sociais; as relações empregador-empregados; as vidas duplas; o viver para lá das posses; a incapacidade de adaptação de empresários à mudança dos tempos, que vão vendo seus ex-empregados (depois empresários, também) com mais sucesso do que eles próprios, chegando a criar-se uma relação de dependência económica dos primeiros em relação aos segundos pelo recurso ao crédito e às letras.
A caracterização das personagens por parte do narrador é reduzida ao mínimo e abrange sobretudo a função social. O resto fica por conta do leitor, que pode traçar os retratos a partir das atitudes tomadas por cada um dos intervenientes, todos eles constituindo personagens-tipo, todos eles constituindo um panegírico da sociedade de um pequeno meio provinciano (com pretensões à ascensão e ao reconhecimento), em que se cruza a familiaridade e a proximidade com os ódios de estimação ou com as paixões e com os favores.
A escrita é, muitas vezes, teatral, com indicações precisas do tom de voz ou dos gestos das personagens quando intervêm, quase em jeito de didascálias. É sempre uma acção rápida, na tentativa de não ser o narrador ultrapassado pelos acontecimentos. Mesmo quando parece que vai surgir um capítulo longo como o que relata o tão falado encontro futebolístico em tarde domingueira e festivaleira, a verdade é que a notícia do jogo é circunstanciada até à expulsão de jogo de Amílcar (ocorrida algures na segunda parte), ficando o leitor e o narrador sem saber o resultado final, pormenor que só é dado a conhecer no capítulo seguinte, no momento em que uma personagem, que não tinha assistido ao desafio por desprezo, pergunta a transeuntes qual fora o desfecho… e o resultado motiva ainda mais o seu gáudio, da mesma forma que motivará o triste espectáculo vivido nas ruas da vila – cenas de pancadaria entre os adeptos visitados e visitantes, autêntica “batalha campal”, em que até o árbitro teve de receber assistência médica que lhe garantiu “treze costuras no coiro cabeludo” e “metade da cabeça rapada”, além de terem recebido curativos “para cima de trinta pessoas”…
No final, a necessidade de conciliação na vila entre todos os adversários e as diferentes linhas de pensamento para a vida do clube: finalmente, ia ser possível que o desporto voltasse para a prática de todos os interessados, com aulas de educação física e a promessa de construção de uma piscina, a fazer lembrar os “bons tempos da ginástica aplicada, da volta ao concelho em bicicleta, da corrida da légua pelo S. Pedro e dos torneios de basquetebol”.
O romance relata esse tempo de intervalo na prática desportiva para todos, equivalente a cerca de seis meses, desde que a Direcção estabelecera como objectivo olhar apenas para o futebol e com ele querer subir ao grupo de elite que era a divisão magna, recorrendo a jogadores estrangeiros e a treinador estrangeiro também (situações que estimularam algum trato racista). No entanto, a história é cheia de dissabores, o que leva mesmo o narrador, no momento em que é conhecido o caso do rapto de Amílcar, a exclamar: “Enfim! Estava-se perante uma nova tragicomédia!...” A frase, além de nos remeter para o mundo do teatro, justifica-se: ao trágico alia-se o riso e, na verdade, as situações contêm tanto de dramático quanto de hilariante – as cartas anónimas, a derrota no jogo, o rapto do jogador, a luta campal, a disputa entre as amantes de Carvalhinho… e, a finalizar a história, o roubo dos tijolos e sacos de cimento para a construção da nova piscina.
Do início ao fim, Desporto Rei é essa história de situações tragicómicas, retrato de um tempo, mas também de uma sociedade. No que à cultura desportiva e ao papel dos dirigentes respeita, não sei se as coisas mudaram muito neste meio século passado desde a publicação do livro. Mas continua a ser verdadeiro o princípio estabelecido na abertura da obra: “O Desporto só é escola de perene juventude e felicidade quando, através dele, se atinge o perfeito equilíbrio entre o músculo e o pensamento – síntese ideal que a velha Grécia nos legou no imorredoiro Discóbolo.” E Romeu Correia, ele mesmo desportista e biógrafo de desportistas, sabia do que falava…

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Fernando Mendes lembra o "Jogo sujo"

Fernando Mendes, nome dedicado ao futebol, é, juntamente com Luís Aguilar, o responsável pelo livro Jogo Sujo (Alfragide: Livros d’Hoje / Leya, 2009), título que a editora explicou promocionalmente em capa como sendo a maneira de conhecer “o verdadeiro mundo do futebol português”, ali se aliando “doping, prostituição, favorecimentos financeiros, acidentes de arbitragem e não só”. Um mundo, claro!, e que mundo!...
Quase três décadas andou Fernando Mendes no futebol, passando pelos considerados grandes clubes portugueses. O que sai agora na forma escrita é o testemunho do que de pior enfeita o desporto, de um mundo em que o próprio narrador participou – “Quero salvaguardar que este livro não é nenhum exercício gratuito de desculpabilização. Estou consciente de que, ao longo da minha carreira, participei em situações pouco dignificantes para a minha pessoa e para a verdade desportiva. Mas assumo o que fiz e aceito as minhas culpas no cartório.”
Ao longo do escrito, Fernando Mendes insiste na tecla da honestidade várias vezes, e não esconde ao leitor que a sua intenção é a de “contribuir para informar melhor os que vivem desinformados”. No entanto, a forma como a história é contada, não revelando nomes nem datas precisas, lança o leitor numa onda de suspeição, porque os envolvidos nas histórias contadas podem ser muitos. Questão de defesa, já se vê. Até porque, conforme nota final, numa primeira versão do livro, estavam apontados nomes, locais e datas relativos aos factos relatados, pormenores que saltaram da edição definitiva porque, “infelizmente, o clima de medo e de censura instalado no futebol português tornou impossível juridicamente que essas mesmas pessoas fossem expostas”.
Após a viagem por este testemunho, o leitor pode não ficar com mais informação quanto ao mundo do futebol do que aquela que consta na capa. Mas fica com a palavra de alguém que pretende não esconder e que assume ter aceite o doping enquanto futebolista: “Este livro, cheio de verdades e experiências na primeira pessoa, é um dever cumprido. Um dever para com todos os profissionais e adeptos do futebol. Pode ser que depois do meu relato as pessoas percebem porque é que em determinados momentos em determinados momentos certos jogadores rendem mais ou menos do que se estava à espera. Pode ser que passem a ver o jogador de futebol de uma forma mais humana.” Esta seria uma boa causa para dizer a experiência, embora no leitor possa ficar a dúvida se um testemunho como este (onde nem faltam as manifestações afectuosas para a família, especialmente para as filhas, ou o registo do apreço sentido com “uma boa queca”) conterá os elementos suficientes para esse rosto de humanidade que é necessário dar aos desportistas…
O livro é homenagem a uns tantos homens que com o autor privaram – colegas de jogo, treinadores, dirigentes – mas também uma denúncia do que vai mal no mundo do futebol em que todos esses protagonistas (autor incluído) se movimenta(ra)m.
Coisas que ficam:
De pequenino – “Se há coisa que me faz impressão hoje em dia é olhar para as camadas jovens dos clubes e ver alguns miúdos cheios de manias e balelas. Alguns têm qualidade, mas outros não passam de uns bananas que não sabem fazer nada sozinhos. Actualmente, um miúdo que viva a um quilómetro do campo de treinos precisa que a carrinha do clube o vá buscar a casa.”
Deus e o futebol – “Se Deus um dia resolvesse descer à Terra para vir a Portugal ver um jogo de futebol, esse jogo só poderia ser um Sporting-Benfica. (…) Nada se compara ao sentimento que existe num clássico entre leões e águias. É o derbi de todos os derbies. Faz lembrar as histórias de banda desenhada em que o herói não pode viver sem o vilão.”
Futebol – “O futebol é quase sempre racionalizado pela irracionalidade. (…) Os impropérios são a linguagem natural do futebol.”
Vitória de Setúbal – “Tive oportunidade de assinar o meu nome na história de um dos clubes mais bonitos de Portugal. (…) Serão poucas as equipas que têm uma relação tão afectiva e tão próxima das pessoas da sua terra como a que existe entre o Vitória e a cidade de Setúbal.”
Tudo e nada – “Durante os anos em que andei no mundo da bola, percebi da forma mais cruel que, para ganhar, vale quase tudo. A saúde humana é secundária.”
Retrato(s) – “No futebol, conhecemos muita gente enquanto estamos em alta, mas (salvo raras excepções) a maioria dessas pessoas não vale nada. São falsas, invejosas e perigosas. Além disso, no futebol também somos obrigados a crescer muito depressa. (…) Não aprendemos apenas a jogar futebol, aprendemos tudo o resto: as diversas artimanhas e truques que possamos colocar ao serviço da nossa equipa. Com o passar do tempo, vamos ficando peritos em lidar com colegas, adversários, dirigentes e árbitros.”

sábado, 6 de setembro de 2008

Força, Simone!

Há uns tempos, numa entrevista ao jornal Record, Simone Fragoso dizia: “uma boa classificação em Pequim seria melhorar os meus tempos e tentar chegar a uma final”. Hoje, quando vi a Simone no desfile da equipa portuguesa dos atletas para-olímpicos, do alto do seu metro, às cavalitas e a filmar, senti uma satisfação grande ao reconhecer a alegria, o optimismo, a energia e a boa disposição que sempre lhe vi enquanto aluna na minha escola. Força, Simone!
[foto no Expresso de hoje]