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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Azulejos do Mercado do Livramento, em Setúbal (VI)

Quadro do mundo rural retratado pelos azulejos de Pedro Jorge Pinto no Mercado do Livramento, em Setúbal, peça que ficou destruída com o desabamento ocorrido em 7 de Fevereiro. A lavra e a sementeira.



quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Rostos (171)

Vendedora de galinhas e de ovos, de Augusto Cid (2011), em Setúbal, no Mercado do Livramento

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Faces do Mercado do Livramento


Na semana passada, o Mercado do Livramento, em Setúbal, reabriu nas suas já antigas instalações, remodelado, repensado, atraente. Obra de recuperação ainda não concluída, merece uma visita e um olhar de simpatia. Merca-se, aprecia-se, leva-se o olhar a saborear, sente-se a vida e a história - talvez a identidade também - de uma região.
Uma novidade são as esculturas de Augusto Cid alusivas a profissões ligadas aos mercados, particularmente ao Mercado de Setúbal. Quatro esculturas - quatro - de outras tantas figuras características deste espaço, em que o traço do humorista e do escultor vingou, deixando retratos apetitosos e elucidativos... Por lá nos encontramos com a vendedora de galinhas e de ovos e a vendedora de flores (ambas em cima) ou com o descarregador de peixe e o homem do talho (ambos em baixo). Um pormenor sobre estas quatro obras: foram oferecidas pela Fundação Buehler-Brockhaus, uma instituição que tem apoiado projectos vários na cidade sadina.

domingo, 4 de setembro de 2011

José Leon Machado, "Fluviais"

Se há justificação para um título como Fluviais, que reúne 37 narrativas, ela só pode ter relação com o que é a suposta vida de cada personagem, um corredor que, desde o nascimento à foz, é povoado por intrigas e problemas. Fluviais (Porto: Campo das Letras, 2001), de José Leon Machado, congrega, assim, quase quatro dezenas de caudais, uns mais tempestuosos do que outros – camilianos alguns deles –, mas todos no encalço de personagens mais ou menos misteriosas e detentoras de um segredo que a escrita vai desvendando.
Os contos estão divididos por dois grupos – “À sombra sob as parras”, com 21 histórias, e “Ao sol sobre as fragas”, com 16. O que separa uma e outra é a geografia em que as personagens se movem – no Minho, a primeira, em Trás-os-Montes, a segunda, ambas as regiões metonimicamente apresentadas por cenários como as “parras” ou as “fragas”, que as identificam; na primeira, girando as vidas na proximidade de Braga; na segunda, circulando entre Valpaços e a raia, com entradas na Galiza.
Por estes contos passam figuras que são os heróis das suas próprias vidas, por vezes com finais infelizes, num ambiente rural, em que a tasca é, frequentemente, centro – a do Canhoto, na primeira parte, a do Riqueto, na segunda – e em que convivem as infidelidades, as vinganças, as experiências de vida difíceis, a embriaguez, os amores contrariados, o contrabando, a emigração, as relações de vizinhança, a solidão.
Há personagens que se aproximam dos mitos – “De pé à ré, o pau como remo, em gestos lentos de quem está senhor do rio e do barco, parecia um deus”, referindo o tio Né, barqueiro, no conto “A Máscara da Ninfa” – e outras que vão construindo os seus próprios ditados, formulados à medida das suas necessidades e vícios – “Sem vinho não há alegria e antes alegria que tristeza; (…) tristeza bastava a que carregamos no lombo desde o berço”, pensava o Farra, no conto a que dá nome. Há personagens que se confrontam com questões intensas, como a descoberta da morte, no conto “O Armador” e há crítica de práticas habituais – “O que mais o espantava é que as pessoas, à frente de uma imagem por pintar, dificilmente se ajoelhariam e pronunciariam uma prece. Mas perante uma imagem pintada, imaginavam-se perante uma encarnação do santo”, reflecte Mestre Paulo em “Lascas de Cal”. E há o amor, curiosamente a determinar a abertura e o fecho do livro – idealizado, no início, em “A Máscara da Ninfa”, sugerindo a descoberta de uma ilha dos amores, e instintivo e realizado, no último conto, “A Professora Nova”, com o apelo do corpo a determinar a relação.
Contos breves são estes de Fluviais, que nos apresentam um modo de viver e de pensar longe de toda a globalização e constroem uma quase arqueologia do sentir humano, em que o instinto e a reacção a quente vencem, muitas vezes deixando o leitor desarmado perante finais inesperados ou rumos das histórias subitamente alterados.

domingo, 5 de julho de 2009

Rostos (121)

Monumento à mondadeira, em Águas de Moura, por Fernando Quintas (2001)
Na base, contém a seguinte inscrição: "As mulheres da minha terra / Mondadeiras de profissão / Trabalho com início na Primavera / E se prolongava pelo Verão."