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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Para a agenda: "Eu depois inventei o resto", na Casa da Avenida



"Eu depois inventei o resto" é o título da tertúlia em torno do tema "de que falamos quando falamos de criação artística?". Intervenientes são José Teófilo Duarte, Maurício Abreu, João de Azevedo e Helder Moura Pereira. Na Casa da Avenida, em Setúbal, em 8 de Dezembro, pelas 17h30. O tema e os participantes prometem. Para a agenda!

sábado, 2 de novembro de 2013

Máximas em mínimas - Katherine Mansfield


Partilho algumas máximas, depois de ler o Diário, de Katherine Mansfield, em tradução de Fernanda de Castro (Col. “Contemporâneos”. Porto: Livraria Tavares Martins, 1944).

Criação – “Serei eu capaz de exprimir algum dia o meu amor pelo trabalho, o meu desejo de perfeição, a minha ânsia de um labor mais consciencioso? Serei eu capaz de dizer esta paixão que sinto – esta paixão que substitui a religião, porque é a minha religião… que substitui a companhia dos outros, porque sou eu que crio os meus companheiros… que substitui a vida, porque é a própria vida? Sinto-me às vezes tentada a joelhar diante do meu trabalho, a adorá-lo, a prostrar-me, a ficar um tempo infinito em êxtase ante a ideia da criação. (31 de Maio de 1919)”
Diário – “Tenho de pôr o meu diário em andamento e depois tenho de conservá-lo em dia. Mas serei eu capaz de ser honesta? Se mentir, esse diário não servirá para nada. (Fevereiro.1921)”
Honestidade – “A honestidade (porque será?) é a única coisa que me parece mais preciosa do que a vida, do que o amor e do que a morte. Só ela permanece. Acreditem-me! Feitas as contas, a verdade é a única coisa que merece ser possuída… A verdade é mais comovente, mais alegre e mais ardente do que o próprio amor… Tudo acaba por nos abandonar mas ela não pode trair-nos. (Setembro de 1919)”
Mal – “Quando um mal está diagnosticado, qualquer demora que atrase o esforço para curá-lo causa um enfraquecimento fatal. (…) Quando se é negligente, as más ervas pululam. (18 de Outubro de 1920)”
Mar – “O mar, aqui, é mar verdadeiro. Encapela-se, levanta-se e torna a cair com um barulho estrondoso, seguido de um longo rolar macio; por vezes, dir-se-ia que tenta escalar o céu e vêem-se os barcos empoleirados nas nuvens como querubins voadores. (22 de Maio de 1918, em Looe, Cournouailles)”
Morte – “Como seria intolerável morrer deixando apenas fragmentos, esboços, nada de verdadeiramente acabado! (19 de Fevereiro de 1918)”
Partir – “Cada vez que abandonamos um sítio qualquer deixamos atrás de nós qualquer coisa de precioso que não deveríamos matar mas que morre. (9 de Fevereiro de 1922)” (Katherine Mansfield. Diário. Col. “Contemporâneos”. Porto: Livraria Tavares Martins, 1944, pg. 256)
Representar – “Todos nós começamos por representar um papel e, quanto mais perto estamos do que desejaríamos ser, mais perfeito é o nosso disfarce. Por fim chega o momento em que já não representamos; este momento pode mesmo colher-nos de surpresa. Então, contemplamos, talvez com espanto, a nossa bela plumagem, que já não é de empréstimo. Os dois aspectos confundiram-se: o primitivo e este; representar, agora, é agir. (24 de Novembro de 1921)”
Ser – “Para fazermos seja o que for, para sermos seja o que for, precisamos de ser inteiros, de fortificar a nossa fé. Um ser desunido não pode fazer nada de jeito. (1 de Fevereiro de 1922)”
Sofrimento – “Não há limites para o sofrimento humano. Quando se pensa ‘Agora toquei o fundo do abismo, agora não posso descer mais fundo…’ – eis que descemos mais, ainda mais e assim até ao infinito. (…) O sofrimento não tem limites, é a própria eternidade. (…) O sofrimento pode ser vencido. (…) Temos de nos submeter. De não resistir. De o acolher. De nos deixarmos submergir. De o aceitar plenamente. De fazer da dor uma parte da vida. Tudo o que na existência verdadeiramente aceitamos sofre uma transformação. Assim, o sofrimento deve transformar-se em amor. (14 de Dezembro de 1920)”

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Rostos (186) - Rodin, 172 anos (2)

Rodin, "A mão de Deus ou a Criação" (Museu Rodin, Paris)

terça-feira, 8 de junho de 2010

Do Jogo ao Texto - Quando os alunos se encontram com a literatura

Ontem, na minha Escola, foi a apresentação da antologia de textos literários escritos por alunos intitulada Do Jogo ao Texto, alusiva a este ano lectivo, sessão que contou com alguns dos autores a lerem os seus próprios textos e com as intervenções de três grupos musicais participados por alunos da Escola.
Do Jogo ao Texto nasceu há 20 anos, perfeitos em Maio passado. Nessa altura, Maio de 1990, saiu o primeiro volume desta antologia, reunindo colaborações de meia centena de jovens. Depois, anualmente, até 1993, saíram mais três volumes. Dez anos passados, em 2003, surgiu a quinta edição deste projecto. E, volvidos mais sete anos, agora, foi a vez do sexto. No total, até hoje, 430 alunos deixaram palavras de criação neste suporte, em cerca de 400 páginas, alguns deles nunca tendo chegado a pensar que iriam ter o seu nome num livro por edição escolar que fosse.
Ainda agora isso aconteceu: quando enviei um mail aos alunos autores a dizer o que ia acontecer, uma aluna pensou que seria uma piada que o professor estava a fazer e não quis acreditar… e teve de certificar a informação com outras pessoas e, depois, comigo. “Não imaginava ser possível, professor!”
Nutro um certo carinho por este projecto, porque lhe dei início, tendo, nos anos seguintes, passado a responsabilidade de o manter a uma equipa que partia do seguinte princípio: aproveitar os textos de qualidade literária produzidos pelos alunos para que, no final do ano lectivo, houvesse uma antologia dessas mesmas peças. E assim tem sido, com envolvimento de professores, de turmas, da Escola, com entradas pela fruição estética e pelo aprender a desvendar os segredos que a literatura insiste em guardar e revelar.
Por esta selecta passam trabalhos amadurecidos, nuns casos, trabalhos surgidos de repente, noutros casos. Há textos que foram produzidos, revistos, demoradamente elaborados; há textos que surgiram em momentos especiais, como em testes ou trabalhos feitos na lufa-lufa das aulas. Há textos individuais e textos colectivos, uns e outros agora dados à partilha. Todos valem pela criatividade, pela mensagem, pelo tema, pelo esforço, pela experiência, pela estética.
A edição deste ano aloja 60 páginas por onde passam poemas e prosa, diários simulados, cartas a personagens, continuações de textos literários lidos em aula, recriações sobre a vida, sobre o amor, sobre a felicidade e sobre as dores, em português, em inglês e em moldavo.
É uma gota, eu sei. Mas que valeu a pena pelas alegrias que transpareceram nos rostos dos alunos ao lerem-se e ao lerem o que os outros escreveram. E também nos olhares dos pais que, na tarde de ontem, assistiram à apresentação.
A edição deste ano lectivo, a sexta, teve ainda a colaboração de uma dezena de professores e da Câmara Municipal de Palmela, através do Programa de Apoio a Projectos de Escola.

OS ROSTOS DAS EDIÇÕES ANTERIORES

Capas de Do Jogo ao Texto, de 1990, 1991 e 1992

Capas de Do Jogo ao Texto, de 1993 e 2003

domingo, 23 de novembro de 2008

Assim, o dia é bom...

"Ela era perfeita, tinha as pétalas lindas, enquanto nós, pequenas gotas de água, éramos desajeitadas e até parecia mal cairmos sobre uma rosa como ela. Tu tens o teu jardim, eu tenho o meu. O meu jardim e o das minhas irmãs gotas é a rosa, mas o teu é diferente, o teu é o planeta inteiro."
Este curto texto saltou-me numa resposta do teste de Língua Portuguesa de 7º ano feito pela A.S., que acabo agora de ver. Tive que partilhar a ideia, a sensibilidade e a beleza. E este gesto de escrita. Coisas lindas que surgem também nos testes! Era pedido que escrevessem um pequeno texto (podia ser apenas uma frase) em que fossem utilizados dois pronomes possessivos...