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domingo, 27 de maio de 2012

Depois do prémio que Horácio deu...


Há poucas horas, a TVI apresentou curta reportagem a propósito do aluno português, António Gil, estudante na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, que, em Itália, ganhou o concurso internacional “Certamen Horatianum”, que ocorreu em Venosa, terra natal do poeta Horácio. Interessante a sensibilidade e a humildade do jovem vencedor! Interessante a forma como ele, na reportagem, transformou o latim em língua falada, saudando e apresentando-se aos telespectadores! Jovem a felicitar, sem dúvida, sobretudo num país que se encarregou de abandonar o estudo do latim e de dar ao estudo das humanidades o pouco interesse que neste momento existe.
Justamente por estas razões é que fiquei triste com o desabafo do jovem no final da conversa: já tinha recebido felicitações de muita gente, mas do Ministério da Educação… não! Que dizer? Haverá provavelmente boas razões para que tal (não) tenha acontecido, mas aposto que se o latim se escrevesse com os pezinhos, se desse golos e tivesse gente da que aparece todos os dias a dizer coisas por vezes certas e por vezes duvidosas, se aprender latim fosse um jogo (fosse do que fosse)… não faltariam parabenizações e longas entrevistas e reportagens a propósito. Como terá registado Horácio, o patrono do concurso: “Quem não souber viver com pouco será sempre um escravo”. Ou, melhor ainda: “Nada é feliz sob todos os aspectos.”
Parabéns ao António Gil! E aos seus professores também!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Setúbal não atribui medalhas no seu feriado por se estar em período eleitoral

A Câmara de Setúbal deciciu não atribuir medalhas de mérito no dia 15 de Setembro (feriado municipal) por se estar em período de campanha eleitoral, conforme noticiou O Setubalense de hoje, argumentando que já o mesmo aconteceu há quatro anos.
Recordo-me do que sucedeu no ano passado, em que três cidadãos viram rejeitada tal atribuição em sessão pública de Câmara, acto nada simpático uma vez que nenhum dos cidadãos tinha pedido condecoração. A questão é: ou o executivo autárquico se entende quanto ao mérito ou não, ou há figuras e colectividades com mérito assinalável no concelho ou não há. Favores, isso não!
É, aliás, por causa dos "favores" envolvidos em muita medalha que o próprio mérito anda, depois, de rastos, levando muitas pessoas e entidades a pensar que... medalhas assim, não!
Ora, a decisão da Câmara setubalense para este ano não faz sentido. Melhor: demonstra que a lógica do mérito não é clara. Se houve cidadãos ou instituições meritórias no concelho, o que tem isso a ver com a campanha eleitoral autárquica?
Percebo que seja difícil "arranjar" uma lista de cidadãos ou de instituições com actividades de mérito todos os anos, sobretudo quando ela é longa. Percebo. Mas fico decepcionado com esta dependência do reconhecimento do mérito do facto de haver ou não haver eleições... Ou será que, em ano de eleições, os únicos a terem direito a ver o mérito reconhecido (ou não) são os autarcas?
Seria bom que os vários elementos do executivo camarário se entendessem quanto a esta questão. Caso contrário, o mérito, que devia ser considerado, passa a ser muito negativo...