quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Profissões quase extintas na "Magazine Reportagem"

Aí está o segundo número de Magazine Reportagem, a revista mensal que teve número inaugural em Agosto, devida ao fotógrafo sesimbrense Rui Cunha. O tema desta segunda edição é “Rostos do ofício – Retratos de uma vida de trabalho”, que alinha com fotografias de Rui Cunha e textos de Vanessa Pereira.
Por estas objectivas passam as experiências e as vidas de quatro pessoas: de Maria Emília Pinhal e Domingos Marçal Caiado, agricultores, em Caixas; de José Guilherme Páscoa Simões, barbeiro; de Abílio Caetano Carvalho, relojoeiro (falecido enquanto era preparado este número da revista).
Os textos – pequenas reportagens – descrevem as profissões respectivas e dão a palavra aos actores, excepto no último caso em que a fala é de Rita Carvalho, a viúva. Qualquer um deles constitui um bom pretexto para a identidade local e para a memória e o facto de usarem uma linguagem acessível pode mesmo possibilitar que entrem na sala de aula para estudar um género jornalístico como a reportagem ou o retrato ou para conhecer as profissões (ainda que quase em extinção) e a sociedade local, mesmo porque todos os retratados são também interessantes figuras humanas pelo seu exemplo.
Um pouco do “mundo à frente das objectivas”, pois. Que se vê com prazer, claro.

Bocage à vista (44) - 2ª série

Bocage, por Júlio Pomar (1983)

[a partir de programa do Prémio Literário Bocage 2001, promovido pela LASA (Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão)]

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Mistérios que o tempo resolve: a lápide que lembrava Tomás António Santos Silva, em Setúbal

Em 28 de Fevereiro de 2001, o Jornal da Região (na sua edição de Setúbal e Palmela) publicou um texto meu sobre o poeta Santos Silva, que se iniciava da forma seguinte: «O nome de Tomás António dos Santos e Silva não dirá muito à maioria dos setubalenses, apesar de constar na toponímia da cidade. O jornal A Mocidade, de 1 de Março de 1909, disse ter sido este poeta cruelmente perseguido pela fatalidade e, se isso foi verdade em vida, não foi menos verdade depois da sua morte. Com efeito, a memória tem tido tendência para apagar o nome de Santos e Silva: por um lado, o largo que tem o seu nome e onde se localizava a casa em que nasceu é incaracterístico e de escassa circulação; por outro lado, a casa foi demolida há anos, surgindo no seu lugar um edifício de vários andares; a acrescer, houve ainda o facto de a lápide que estava no exterior da casa que foi berço do poeta ter sido removida com a demolição e não ter havido a iniciativa de assinalar a ligação do poeta ao dito arruamento; finalmente, a sua obra não está divulgada, tendo o poeta sido remetido para o rol dos esquecidos.»
O tempo desvenda-nos sempre alguns mistérios e a edição de O Setubalense de hoje mostra aos leitores o destino da dita lápide numa reportagem sobre alguns sem-abrigo que usam a divisão de um prédio renovado, na Rua Francisco José da Mota. Segundo o jornal, as obras de recuperação terão abrangido também o prédio traseiro, onde nasceu, em 1751, o poeta setubalense Tomás António dos Santos e Silva, amigo de Bocage. A lápide que existia nessa casa, alusiva ao poeta ali nascido, terá ficado abandonada no chão e um morador arrecadou-a e preservou-a, “devido ao seu significado histórico”. O mesmo morador lamenta ao jornal que a lápide “não tenha sido devidamente conservada e afixada na fachada da renovada casa”.
Pois ainda se está a tempo, assim haja conjugação de vontades! A memória desta terra agradeceria o gesto da reposição.
Aqui reproduzo a fotografia de O Setubalense com a lápide encontrada, cuja inscrição é a seguinte: "N'esta casa nasceu em 12 de Abril de 1751 o distincto Poeta Thomaz Antonio dos Santos Silva na Arcadia Thomino Sadino /A redacção de A Mocidade por subscripção publica mandou collocar esta lapide no anno de 1909".
Uma lápide pela memória, em 1919
Foi no seu número centenário, em 1 de Março de 1909, que o quinzenário sadino A Mocidade, em artigo sobre o poeta Santos e Silva, lançou o seguinte repto aos leitores e à população de Setúbal: "sendo hoje conhecida a casa onde este poeta nasceu, bom seria tratar-se da colocação de uma lápide comemorativa de tal facto, para que de futuro se não perca a indicação desta casa célebre".
A ideia teve logo adeptos e, ao longo de vários números, o jornal foi publicando listas de subscritores, informando, no número do início de Abril, que já obtivera de António João Guerreiro, proprietário da casa, autorização para a colocação da lápide. Tal manifestação aconteceu em 30 de Dezembro de 1909, tendo a lápide sido descerrada por José Maria da Rosa Albino, vereador representante da Câmara Municipal, com os seguintes dizeres: "Nesta casa nasceu em 12 de Abril de 1751 o distinto poeta Tomás António dos Santos e Silva - na Arcádia, Tomino Sadino. A redacção de 'A Mocidade' por subscrição pública mandou colocar esta lápide no ano de 1909".
O trabalho de cantaria foi da responsabilidade de João Gomes e a colocação da lápide deveu-se ao mestre de obras Francisco Augusto Martins, que ofereceu os trabalhos. Na subscrição, foi conseguida a verba de vinte mil e quinhentos réis, de que foram gastos dezoito mil réis para pagar a pedra e o trabalho de cantaria. Quanto aos dois mil e quinhentos réis sobrantes, por iniciativa do jornal, foram parar direitinhos "ao estimado poeta popular Sr. António Maria Eusébio, o Cantador de Setúbal", como referia a edição do jornal do dia 15 de Janeiro de 1910.
Tomás António Santos Silva:
notas para uma biografia
Em 12 de Abril de 1751, nasceu numa casa que se situava no Largo do Cemitério, mesmo em frente da porta do Cemitério da Misericórdia, o filho de Manuel António dos Santos e de Francisca Inácia. A criança recebeu o nome de Tomás António dos Santos e Silva.
A casa tinha, no princípio do século XIX, o nº 2 sobre a porta e o largo tem hoje o nome de Santos e Silva e apresenta uma configuração incaracterística, estando reduzido a dois becos, ambos a sair da Avenida Jaime Cortesão, com circulação restrita. Tendo a casa sido demolida, hoje pode ser vista através de postais que circulavam no início do século XX ou por meio de reproduções fotográficas.
Os pais de Santos e Silva eram pobres e a criança apresentava deficiências nos pés logo à nascença. A família cedo reparou que Tomás tinha inclinação para as letras e, graças à protecção do seu padrinho, o desembargador Tomás da Costa de Almeida Castelo Branco, o jovem estudou, tendo chegado a frequentar a Faculdade de Medicina coimbrã. No entanto, devido ao falecimento do seu protector, os estudos foram abandonados e o jovem dedicou-se à escrita, pois já versificava desde os 15 anos e dominava várias línguas. A marca do desgosto não o largou e a morte roubou-lhe a mulher com quem estava para casar.
Com cerca de 30 anos, vivia já em Lisboa, onde se dedicava à literatura dramática. Integrou a academia "Nova Arcádia", onde escolheu o nome de Tomino Sadino, numa evocação da sua terra, tal como o fizera Bocage, conterrâneo com o qual Santos Silva privou e de quem foi amigo. Com 45 anos, adveio-lhe a cegueira e passou a viver no Hospital de S.José, graças à protecção dos enfermeiros-mores D.Lourenço de Lencastre e D.Francisco de Almeida Melo e Castro. Porém, a administração seguinte retirou-lhe os privilégios e não lhe deu abrigo. Santos e Silva voltaria para o hospital, em 1814, já aniquilado pela doença, falecendo em 19 de Janeiro de 1816.
Depois de ter cegado, Santos e Silva não parou na escrita e socorreu-se de amanuenses que lhe preparavam os seus textos e com quem repartia o pouco que tinha. Num texto com cunho autobiográfico, que serve como introdução à sua epopeia Brasilíada ou Portugal Imune e Salvo (1815), Santos e Silva fez alusão às circunstâncias em que escrevia, considerando que muita gente não as supunha: "Nesta Casa [o Hospital], eu entrei totalmente cego, estropiado, em uma idade já provecta; e nela eu me conservo sem outro auxílio mais que o proveniente de meus tais ou quais escritos, de pouco ou nenhum momento em dias tão calamitosos, e a Caridade, que diariamente recebo, da qual me vejo comummente obrigado a repartir com os meus amanuenses, aproveitando-me dos primeiros que me aparecem, qualquer que seja o seu préstimo". Para Santos e Silva, a urgência era escrever e tal desejo e as suas possibilidades não eram compatíveis com grandes escolhas quanto aos amanuenses. Aliás, noutro passo do mesmo texto, referiu não ter possibilidades de grande revisão, publicando o poema a partir "do seu primeiro borrão".
Nessa mesma memória, Santos e Silva revela profundos conhecimentos sobre autores clássicos e sobre as mais recentes sumidades e sobre as características da epopeia, antecipando uma defesa quanto a eventuais críticas ao poema épico de uma dúzia de cantos que editava.
Os antecedentes do poema Brasilíada (que teve 314 subscritores, conforme lista apresentada no final do volume) são curiosos e reflectem o sentir do início do século XIX. Santos e Silva era admirador de Napoleão e, depois da batalha de Austerlitz (ocorrida em Dezembro de 1805), iniciara um poema em honra do corso, intitulado "Napolíada". Mas, em 1807, devido à primeira invasão francesa com Junot, Santos e Silva rasgou o poema e compôs Brasilíada com o objectivo de manifestar o seu "zelo e amor da Pátria".
Entre outras obras, Santos e Silva deixou Écloga de Tomino e Laura (1781), Estro de Tomás António dos Santos e Silva Cetobricense (1792), Por Ocasião do Sempre Deplorável Falecimento do Excelentíssimo Senhor D.Pedro Caro e Sureda (1806), Silveira (1809) e El-Rei D.Sebastião em África (póstumo, 1817). Um dos seus poemas mais conhecidos, com várias edições, é "Sepultura de Lésbia - Poema em 12 Prantos", em memória da noiva falecida.
João Reis Ribeiro. Histórias da região de Setúbal e Arrábida (vol. 1).
Setúbal: Centro de Estudos Bocageanos, 2003, pp. 72-76.
[Fotos: Lápide na actualidade (trissemanário O Setubalense, de 03.Set.2008); Tomás António Santos Silva, por Luís Resende e F. T. de Almeida (1815); rostos de Poesias Originais e Traduções (1806) e de Brasilíada (1815)]

Bocage à vista (43) - 2ª série

Bocage é um dos símbolos de Setúbal
[painel de azulejo, trabalho colectivo, Escola dos Pinheirinhos (2001), em Setúbal]

João Ubaldo Ribeiro em 13 sublinhados de “A casa dos budas ditosos”

Americanos – “Americano consegue ser chato e cagar regra até em suruba, são muito piores do que os alemães, que, quando botam coisa no juízo, ficam completamente despirocados e não respeitam regra nenhuma. Nos Estados Unidos há um manual e um curso para tudo e sem dúvida lá muito se trepa de acordo com os manuais.”
Escrever – “Chega ao ponto de muitos débeis mentais se orgulharem de falar como se escreve, como se a grafia não fosse uma tentativa muito defeituosa de engessar as palavras em símbolos metidos a fonéticos, como se se pudesse pedir a um chinês para falar como se escreve, como se a escrita tivesse precedido a fala.”
Feminino – “Viver numa sociedade em que a honra feminina é portada entre as pernas, que coisa mais besta, meu Deus do céu. Mas, não é, não é? Às vezes me dá vontade de fazer um comício. Quantas vidas se perderam, quantos destinos se estragaram, quantas tragédias não houve, quantos conventos não foram abarrotados desumanamente, por causa da honra de tantas e tantas infelizes?”
França – “O que se fala e escreve de merda engalanada na França é inacreditável, eu mesma nunca engoli nada dessa empulhação que confunde ininteligibilidade e chatice com profundidade, nem Lacan, nem Godard, nem Robbe-Grillet, nada dessas merdas, tudo chute e chato, e quem gosta é porque foi chantageado a gostar e, no fundo, se sente burro.”
Ler – “As pessoas lêem romances, biografias, confissões e memórias porque querem saber se as outras pessoas são como elas. Não somente por isso, mas muito por isso. Querem saber se aquilo de vergonhoso que sentem é também sentido por outros, querem olhar mesmo pelo buraco da fechadura e, quanto mais olham, mais precisam olhar, nunca estarão saciadas. Faz bem, é reconfortante.”
Memória – “A gente pensa que lembra como eram as coisas, mas não lembra, há sempre filtros, filtros da memória, filtros das neuroses, filtros do voluntarismo, tudo quanto é tipo de filtro.”
Mistério – “É bom que haja mistérios insondáveis em nossas biografias.”
Palavrão – “É mais fácil dizer palavrão do que escrever palavrão, há exigência de passaporte para as palavras passarem do falado ao escrito, algumas não conseguem nunca, a humanidade é muito estranha.”
Pecado – “Quem peca é aquele que não faz o que foi criado para fazer.”
Religião – “Os católicos são politeístas, botaram os santos no lugar dos deuses especializados. Os gregos e os romanos tinham um deus menor para cada coisa, regras atrasadas, artistas falidos, transações impossíveis, dívidas alimentares, casamentos, músicos bêbedos, agricultores, criadores de cabra, tudo, tudo, tudo. Os católicos substituíram os deuses pelos santos. Os músicos? Santa Cecília. Os ruins da vista? Santa Luzia. As solteironas? Santo António. E por aí, como você sabe. Até lugares. São José de Não Sei Onde? Diana de Éfeso, a mesmíssima coisa. Os deuses não foram derrotados ou eliminados, continuam imortais como sempre foram e somente mudaram de nome, se adaptaram às mudanças.”
Terceira Idade – “Eu abomino a expressão terceira idade, hipocrisia de americano, entre as muitas que já importámos, americano é o rei do eufemismo.”
Verdade – “A verdade dói, a verdade machuca, a verdade contunde, a verdade fere, a verdade maltrata, a verdade mata.”
Vida – “A vida devia ser duas; uma para ensaiar, outra para viver a sério. Quando se aprende alguma coisa, está na hora de ir.”
João Ubaldo Ribeiro. A casa dos budas ditosos. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1999.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Agora, que o ano lectivo está a começar... (2)

Desidério Murcho escreve no Público de hoje uma crónica interessante intitulada "Lavoisier e a Escola", que pode constituir motivo de reflexão para o que vai ou pode ser o contributo de cada um para alguma felicidade na escola (clicar sobre a imagem para ler).
A propósito da leitura de Os Maias, Desidério Murcho traz García Marquez, traz o seu tempo de estudante, traz o quão perniciosas foram as análises "formalistas", traz memórias de falsa literatura, traz a luta entre a paixão de ler e o desinteresse pela cultura... Esta história passa um pouco pelas memórias de todos e também todos nos lembramos do professor Keating (de O Clube dos Poetas Mortos) a aconselhar os alunos que rasgassem as páginas introdutórias de um manual escolar pelas "aberrações" que ali eram ditas, por pretenderem ensinar a "medir" a poesia presente num texto literário... Desidério Murcho foi buscar a leitura d'Os Maias, mas podia ter ido buscar a d'Os Lusíadas, em que muita gente perdia o gosto da leitura em favor do desgosto da divisão das orações... Obviamente, o que tem faltado no meio de tudo isto é o encontro com a razoabilidade, algo que tem que estar entre o prazer de ler e de imaginar e recriar e o estudo da construção de uma obra de arte, um bom desafio, de resto, para todos...

Bocage à vista (42) - 2ª série

Bocage, em promoção do Campeonato da Língua Portuguesa 2008,
promovido pelo Expresso, JL e SIC (Fevereiro de 2008)

Rostos (82) [do cinema (I)]





James Dean, Marylin Monroe, Elvis Presley, Liza Minelli e Woody Allen
no FIESA 2008, em Pêra (Algarve)

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Bocage à vista (41) - 2ª série

Bocage, em prato comemorativo das Festas Centenárias de Setúbal, em 1960
(no mês em que se celebra o nascimento de Bocage)

Futebol, 1 – Língua Portuguesa, 0

No Público de ontem, sob o título “O futebol pesa mais do que a língua na ligação dos emigrantes portugueses ao país de origem”, assinado por Natália Faria, é dito aquilo que talvez não constitua novidade: «Não falam português, não sabem o que são bolinhos de bacalhau e a imagem que guardam é a de um Portugal rural e atrasado. Os filhos e os netos dos emigrantes portugueses tendem a perder as ligações ao país de origem e isso não é novidade para ninguém. O que é novo é constatar o papel do futebol junto destes luso-descendentes: à boleia de jogadores como Cristiano Ronaldo ou Luís Figo, este desporto está a conseguir "prender" os emigrantes de segunda e terceira geração ao país de origem. E, mais do que isso, afirmou-se, sobretudo a partir do Euro 2004, como a face moderna de Portugal. Resultado: "Aqueles jovens sentiram orgulho pela primeira vez em afirmar aos colegas 'ah, não sei se sabes, mas eu sou descendente de portugueses'", sustentou Nina Clara Tiesler, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.»
Nina Tiesler, socióloga, é responsável por uma investigação em curso sobre a importância do futebol em seis espaços lusófonos (Inglaterra, Alemanha, EUA, França, Brasil e Moçambique). Se as afirmações acima transcritas não surpreendem em absoluto, também não deverão surpreender algumas razões que a investigadora avança para esta diferença de pesos, conforme reproduz o jornal: «Para ajudar a explicar este cenário, Nina Clara Tiesler começa por explicar por que razão, entre os emigrantes, os elementos que tradicionalmente reproduzem a portugalidade, como a língua, a cultura popular e a política, se vão perdendo de pais para filhos. "Além dos fenómenos normais de assimilação, as 'escolinhas' de português no estrangeiro têm cada vez menos apoios e estão a desaparecer. Claro que alguns pais falam português em casa, mas o que as crianças aprendem é um português pouco sofisticado que nem sabem escrever". Por outro lado, à boleia do mesmo argumento de crise económica, muitas embaixadas e consulados fecham as portas. "Um emigrante que queira votar nas eleições portuguesas tem, por vezes, de andar 300 quilómetros", nota a investigadora.»
Aqui temos como a língua portuguesa tem andado a ser divulgada pelo mundo!