domingo, 25 de junho de 2017

Memória: Isidoro Fortuna (1932-2017)



Conheci Isidoro Fortuna há não sei quantos anos. Quase trinta, talvez. Terá sido através do seu irmão António Matos Fortuna? Terá sido por via do seu amigo António Rodrigues Correia? Não sei, mas qualquer um deles poderia ter sido o amigo que nos aproximou...
Conversei com ele muitas vezes. Sobretudo para saber e para resolver coisas da minha ignorância e das minhas possíveis descobertas. E nunca Isidoro Fortuna se recusou a atender-me.
Ouvi-o para fazer reportagens, para aprender, para perceber o que é “ser montanhão” (nesta Quinta do Anjo, no concelho de Palmela, isso é importante e é causa de identidade), para saber o que é a raça da ovelha saloia, para aprender como se fazia o queijo de Azeitão e o queijo fresco, para conversar sobre a história e as histórias de Quinta do Anjo. E o que aprendi foi muito mais do que aquilo que eu alguma vez lhe poderia dar ou, pelo menos, agradecer.
Um dia, meus pais, vindos do Minho, estiveram por aqui num fim de semana. Tendo feito a sua vida na agricultura, achei sensato levá-los a conhecer Isidoro Fortuna. Vieram entusiasmados. E, sempre que eu os visito lá no Minho vianense, ainda perguntam por “aquele senhor que falou das ovelhas com o coração chamado Isidoro”... Lá lhes terei de dar a notícia, claro.
No sábado, dia em que Isidoro Fortuna foi levado para o cemitério da aldeia, fiz-lhe a derradeira visita. E não pude deixar de falar com a esposa, Maria Amália. Quando lhe apresentei os sentimentos, logo ela me respondeu: “Que são de paz!”. Exactamente como foi Isidoro Fortuna, que nunca vi zangado, mas sempre disponível, mesmo naquilo que poderia ser mais crítico. Que me contou da sua acção em prol da paróquia; em defesa da raça, do apuramento e da preservação das ovelhas; em afecto pelas coisas da Quinta do Anjo... sempre numa linguagem próxima, prática e pragmática, boa! Sobretudo boa. Porque a imagem que dele guardo é a de um “bom” homem, daqueles que são capazes de iluminar as vidas, daqueles que achamos que são umas bibliotecas de saber e de sentimentos. Ficar-lhe-ei sempre grato por isso!

1 comentário:

Francisco Borba disse...

Triste noticia. Também privei muito com o Isidoro Fortuna que foi membro da Assembleia Geral da ARCOLSA comigo, numa paixão comum - as Ovelhas. Visitava-me muitas vezes aqui em Gâmbia onde gosta de vir comprar borregas da minha criação e tinhas sempre longas, longas conversas e com ele aprendi muito. Deixa-me muita saudade Um homem que muito admirava, pelo seu saber e pragmatismo com encarava a vida. Deus o guarde !