quarta-feira, 25 de março de 2026

Arrábida “serra-mãe” há 80 anos (11)

 


As críticas ao livro Serra-Mãe, desde a sua publicação, em meados de Dezembro de 1945, até outubro do ano seguinte, de uma maneira geral, enalteceram o aparecimento da obra e do novo poeta, ao mesmo tempo que recomendaram a construção de um caminho mais pessoal, a necessidade de as influências literárias não se sentirem como imitação e a busca de uma linguagem mais elaborada; simultaneamente, desafiavam o jovem Sebastião da Gama a dar continuidade ao percurso encetado e mostravam-se esperançosas no crescimento do poeta. 

As influências mencionadas apontam para nomes como Frei Agostinho da Cruz (1540-1619), António Nobre (1867-1900), Fernando Pessoa (1888-1935), Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), José Régio (1901-1969) e Teixeira de Pascoaes (1877-1952), alguns deles citados diversas vezes nas obras de Sebastião da Gama. Entre os 62 poemas que constituem o livro Serra-Mãe, os críticos dessa época assinalaram 36 como sendo das suas preferências, num registo de escolhas em que há repetições e, em vários casos, apenas uma menção — os poemas mais citados são “Rebentação” (por Lindley Cintra, João Pedro de Andrade, Amorim de Carvalho, Carlos Relvas, David Mourão-Ferreira e Armando Ventura Ferreira), “Serra-Mãe” (por António Quadros, A. Pinto de Carvalho, João Pedro de Andrade, Maria de Lourdes Belchior, Vitorino Nemésio, João Ameal e A. Russinho) e “Vida” (por Manuel Antunes, José Noronha Gamito, Maria de Lourdes Belchior, Amorim de Carvalho, Carlos Relvas e Armando Ventura Ferreira). Os outros poemas valorizados nas críticas são, por ordem alfabética: “A corda tensa”, “A meus irmãos”, “Aceitação”, “Alegria”, “Canção”, “Céu”, “Claridade”, “Cortina”, “Diário de bordo”, “Do meu Amor”, “Elegia breve”, “Elegia desta manhã”, “Em que se fala do Menino Jesus”, “Eternidade”, “Harpa”, “Itinerário”, “Minuto”, “Nevoeiro”, “Nós”, “Oração da tarde”, “Oração de todas as horas”, “Para que tu não chores”, “Pequeno poema”, “Poema da minha esperança”, “Poesia”, “Presença”, “Remoinho”, “Ressurreição”,  “Romântico”, “Teimosia”, “Versos para eu dizer de joelhos”, “Versos quase tristes” e “Vontade”.

Pela voz de todos os críticos deste primeiro momento de recepção da obra Serra-Mãe passa a ligação à Arrábida como tema predominante, uma forma de olhar o outro, o mundo ou a vida personificados na serra, uma referência que, como já visto, foi crucial para Sebastião da Gama, não só como motivo literário, mas também como motivação local, como fascínio, como espaço de vida.

A produção literária do jovem poeta prosseguiu, em 1947, com a publicação de Cabo da Boa Esperança, o que iniciou um novo ciclo de recepção da sua obra. Contudo, Serra-Mãe viria, ao longo dos tempos, a ser tema de abordagem, na imprensa ou em livro, pelo olhar crítico de muitos nomes, de que se destacam Alexandre Ferreira dos Santos, Alexandre Ogino Sartório (que lhe dedicou uma tese de mestrado em 2021, Linda longa melodia imensa: Poesia e Mística em ‘Serra-Mãe’, de Sebastião da Gama, apresentada na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa), António Manuel Couto Viana (1923-2010), António Cândido Franco, António José Borges, António Mateus Vilhena, Artur Portela (1901-1959), Daniel Pires, Fernando Eloy do Amaral (1922-2008), Guilherme d’Oliveira Martins, João Maia (1923-1999), José do Carmo Francisco, Luciano Pereira, M. Gonçalves Martins, Manuel de Campos Pereira (1906-1981), padre Manuel Marques (1921-2007), Ruy Ventura, Virgínia Motta (1909-??) e Viriato Soromenho-Marques.

Apesar de o ano de 1947 ter tido um novo impulso na obra de Sebastião da Gama com um novo título, a verdade é que esse foi também o ano em que o jovem poeta de Azeitão interveio civicamente em favor da Arrábida, alertando vários jornais e personalidades para a iniciada destruição da Mata do Solitário. É conhecido o teor da carta enviada de Azeitão em 23 de Agosto desse ano, dirigida ao engenheiro Miguel Neves: “Socorro! Socorro! Socorro! O José Júlio da Costa começou (e vai já adiantada) a destruição de metade da Mata do Solitário que lhe pertence. Peço-lhe que trate imediatamente. Se for necessário, restaure-se a pena de morte. Socorro!” O tom da carta era exagerado, obviamente, mas intencional — urgia defender a Serra. Chegada a missiva ao conhecimento de Carlos Baeta Neves (1916-1992), ela foi o início de um processo que levou à criação da Liga para a Protecção da Natureza (LPN) em 1948, organização que viria a ter influência na preservação da Serra e, mais tarde, na constituição do respectivo Parque Natural. A Arrábida continuaria a ser tema de apresentação e de convite à descoberta no opúsculo A Região dos Três Castelos, editado em 1949, concebido para a empresa Transportadora Setubalense.

Quanto à obra literária de Sebastião da Gama, Serra-Mãe foi, na verdade, o início de um ciclo — Alexandre Ferreira dos Santos defendeu, em Sebastião da Gama: Milagre de Vida em Busca do Eterno (2008), a existência de uma trilogia evolutiva na obra ântuma do poeta, iniciada com Serra-Mãe, constituído por poemas produzidos até 1945, correspondentes a uma época de “adolescência poética”; uma segunda fase, “contra o derrotismo e o triste fado lusitano”, com os poemas produzidos entre 1945 e 1947, que alimentaram Cabo da Boa Esperança (1947); finalmente, a terceira fase, de “maturidade poética”, com textos escritos entre 1948 e 1951, que compõem Campo Aberto (1951). Esta explicação faz sentido e vai ao encontro da opinião que defende serem os poemas mais tardios os melhores de Sebastião da Gama. No entanto, para o poeta, Serra-Mãe foi, apesar de todas as considerações críticas, a obra que mais peso terá tido no seu trajecto. Livro organizado e composto durante o período em que estudava em Lisboa, quando concluiu a licenciatura (1947, tempo em que já preparava o segundo livro), escreveu à amiga Maria dos Remédios Castelo-Branco (1929-2024), que o tinha felicitado por já ser “Poeta, Prosador e... Doutor”, afirmando: “Doutor. É cómico, sabes? O que me interessa na vida, o que, a meus olhos, me dá importância social e individual, aquilo, ainda, por que tudo sacrificaria — é isto de ser Poeta. A minha verdadeira licenciatura foi a Serra-Mãe. (...) E vou agora de cabeça erguida para o Cabo da Boa Esperança.” O primeiro livro era, assim, a carta de apresentação que obrigava a prosseguir o trajecto, tal como a obtenção da licenciatura se lhe afigurava como um instrumento para fazer o caminho...

* João Reis Ribeiro. "500 Palavras". O Setubalense: n.º 1719, 2026-03-18, pg. 10.


domingo, 15 de março de 2026

Arrábida “serra-mãe” há 80 anos (10)

 


Entre os meses de Junho e Outubro de 1946, Sebastião da Gama pôde ainda ler mais cinco comentários ao seu livro Serra-Mãe, publicados na imprensa, assinados por Dinis da Luz (1915-1988), António Russinho (?-década de 1990), Manuel Antunes (1918-1985), Carlos Relvas (pseudónimo de Armando Filipe Cerejeira Pereira Bacelar, 1919-1998) e Joel Serrão (1919-2008).

Na edição do jornal A Voz, de 10 de Junho, Dinis da Luz reconhecia que Sebastião da Gama ainda estaria “à espera de poiso”, detentor de “uma bela e sonora lira”, que denota “uma independência afoita, sinal de viva personalidade numa idade em que a ousadia dificilmente se furta à tutela dos grandes”, apesar de reconhecer que, de vez em quando, “José Régio sai-lhe ao caminho”. Quanto às marcas de Frei Agostinho da Cruz, o crítico considerava serem “variações modernas, originais, em novas medidas, de uma inspiração antiga”, concluindo o artigo cheio de esperança: “O poeta tem alma suficiente para uma família de cultores da poesia.”

Cerca de duas semanas depois, em 23, no albicastrense Reconquista, A. Russinho interpelava: “Quem conhece o recente livro de poemas Serra-Mãe, com que o jovem poeta Sebastião da Gama se estreou?” Depois, apresentava-o: “Pois este rapaz de 21 anos, aluno da Faculdade de Letras, acaba de gravar o seu nome na já longa lista dos nossos poetas. (...) Nos seus olhos, nas suas palavras, na requintada sensibilidade, enfim, na sua maneira de ser, nota-se que há nele aquele dom com que Deus costuma premiar as grandes almas.” Para cimentar a sua opinião, concluía o artigo com citações das apreciações entretanto publicadas por António Quadros (no jornal Victoria, em Dezembro de 1945) e por Vitorino Nemésio (no Diário Popular, em Fevereiro de 1946).

Na edição da revista Brotéria do mês de Junho, era a vez de o jesuíta e crítico literário Manuel Antunes apontar linhas de leitura da obra iniciática de Sebastião da Gama, cuja voz poética apresentava como “o eco já remoto, mas ainda nítido, da voz lírica e religiosa de Fr. Agostinho da Cruz”, com “muitos e belos cantos, impregnados da mais pura religiosidade”. Elogiando poemas como “Harpa”, “Vida”, “Oração da Tarde”, “Ressurreição” e “Oração de Todas as Horas”, a obra era vista como de um “poeta de vincada personalidade”, que “não se limita a ser o eco, embora remoto, de vozes alheias”, pois “aos motivos, que recebeu de outrem, imprimiu tonalidades próprias”. A obra Serra-Mãe surgia como a de “um poeta de real valor”, eivada de “profundeza e certa originalidade de concepção, um rico e variado poder expressional, feito de ritmo espontâneo, de imagens frescas, rescendentes ainda ao perfume silvestre da Arrábida, e entretecido, a revezes, de belos achados formais”. A concluir o artigo, Manuel Antunes confessava que leu o livro “várias vezes” e que lhe ficou “a grata impressão de que uma nova estrela de brilho invulgar se acendera no céu atormentado da poesia portuguesa dos últimos anos”.

Ainda no mês de Junho, a edição da revista Vértice, pela mão de Carlos Relvas, dedicava texto a Serra-Mãe, numa opinião que assinalava alguns pontos menos positivos: a quantidade de versos inspirados em José Régio (dando exemplos dos poemas “Vida” e “Rebentação”); a serra apresentada como “apenas um ‘suporte’ material para toda a espécie de idealizações do autor”, o que lhe concedia um estatuto de algum “artificialismo literário”; o tom “confessional” utilizado, que não parecia aquele que “mais se coaduna com o temperamento do escritor”. No entanto, Relvas reconhecia nesta obra “inegáveis qualidades de expressão poética que só é pena que não sejam orientadas num sentido mais humano, nem se apresentem mais depuradas pelo senso crítico do autor dos excessos de linguagem”. Reconhecendo as influências dos autores presencistas e de Fernando Pessoa, o crítico admitia, a finalizar, que, “com este livro, fica em aberto se terá qualidades de expressão poética original”.

Igualmente reservada quanto ao sucesso do poeta foi a opinião de Joel Serrão vinda a público na revista Aqui e Além, em Outubro de 1946 (publicação de que Sebastião da Gama foi colaborador, inclusive nesta edição). Num longo artigo, Serrão começava por dizer que este livro “sugere maior número de reservas do que de louvores”, afirmação justificada porque “a maior pecha de quase todos os poemas de Sebastião da Gama é o eles ficarem-se nessa região intermediária entre a expressão pessoal e a expressão poética, que, sendo pessoal, transcende o sujeito que canta”. Confesso admirador do texto “Pequeno Poema”, o crítico reconhecia ao autor “evidente sensibilidade de poeta”, mas ainda sem “uma expressão poética adequada à riqueza do seu mundo emotivo”, apesar de a sua “linguagem poética sobejamente nos evidenciar um poeta pleno de coisas para nos dizer”. No final, Joel Serrão confessava: “A sua poesia interessou-me. (...) Sebastião da Gama revela-se sem dúvida um poeta, independentemente de não ter conquistado ainda a mestria artística sem a qual a poesia dificilmente transborda cá para fora.”

* João Reis Ribeiro. "500 Palavras". O Setubalense: n.º 1714, 2026-03-11, pg. 2.


sexta-feira, 6 de março de 2026

Arrábida “serra-mãe” há 80 anos (9)

 


Duas das críticas mais contundentes a Serra-Mãe apareceriam em Maio de 1946: uma, assinada por Jorge de Sena (1919-1978); outra, por João Gaspar Simões (1903-1987).

No jornal Mundo Literário, de 18 de Maio, Sena intitula o seu longo artigo como “Alguma Poesia e outras considerações desagradáveis”, nele abordando, entre outros, o livro Serra-Mãe, de Sebastião da Gama, parte que se inicia em tom acutilante sobre os novos poetas portugueses — “Há, nitidamente, na mais jovem poesia portuguesa, um retrocesso. Tenho observado, com mágoa, a infinita suficiência destes livros. Quer formal, quer intimamente, estamos na época da ‘Maria-vai-com-as-outras’. E tudo serve: as descobertas ou hábitos formais dos outros, o grande destino do homem (que merecia mais meditação e menos declamação), até a própria habilidade rítmica. Tudo serve, desde que seja possível o indivíduo convencer-se, e aos seus pares, de que é poeta.” O comentário prossegue, em tom mais ou menos metafórico, para criticar a busca das influências nos novos autores, algo que Sena qualifica como uma “miopia extrema”, percebendo-se que as considerações são também para os críticos, sobre quem escreve: “Nunca se publicaram tantas críticas, e nunca, suponho eu, se leram tantos metros de prosa, impressionista, didáctica ou erudita, falando de tudo, menos da essência da obra criticada.” Talvez estas palavras se dirigissem aos que já tinham escrito sobre Serra-Mãe, porque, para Sena, louvar este livro apresentava-se como uma fragilidade: “Aplaudir, hoje, o Sebastião da Gama de Serra-Mãe, sem denunciar que quase sempre repete outros maiores (repetir é diferente de encorporar na própria expressão); aplaudi-lo como, há anos, se aplaudiu um Marques Matias — e deixar rodeado de silêncio um José Régio, que terá muitos defeitos menos o de repetir Sebastião da Gama... — é enganar o poeta de Serra-Mãe.”

Embora Sena enalteça poemas como “Céu”, “Nós”, a primeira metade de “Cortina”, “Elegia desta Manhã” e “Poesia”, o tom das suas observações afigura-se exagerado nos comentários ao uso da sinestesia ou de outras construções e à aproximação à poesia mística: “Observo-lhe que, para ser na Arrábida um poeta místico, não é necessário um misticismo topográfico-literário, que eleva ou abaixa Fr. Agostinho da Cruz à categoria de ‘genius loci’. Que para falar de amor ou dulcificar a voz, não é preciso escrever com ‘soluços do sol’, ‘beijos na alma’, ‘carícias azuis’, ‘luz de seda’, etc.”

Uma dúzia de anos depois, em 1958, ao publicar a terceira série da antologia Líricas Portuguesas, por si organizada e anotada, Jorge de Sena incluía nove poemas de Sebastião da Gama e comentava que “a personalidade de Sebastião da Gama, o seu nobre carácter, a sua simplicidade pessoal, a frescura do seu juvenil e fraterno amor da vida, o seu destino cruel e malogrado, têm complicado muito — com o comovido culto que suscitaram — uma justa apreciação de uma produção poética vasta e irregular como a sua.” Relativamente à evolução dessa obra, acrescentava emergir “pouco a pouco, (...) apesar da tendência do poeta para ver-se como um ser infantil, ignorante, aberto sem discernimento a todas as solicitações da sentimentalidade, uma voz lírica de excepcional frescura, capaz de uma singela concentração expressiva, capaz também de uma fina transcendência do convencionalismo burguês, e fundamente sensível às coisas naturais e ao ar livre”.

A apreciação de João Gaspar Simões apareceu no jornal Sol, em 25 de Maio, também ela eivada de considerações sobre o que a crítica dizia a propósito de Serra-Mãe. Simões, recorde-se, tinha sido um primeiro leitor de Serra-Mãe, a quem o jovem azeitonense entregou os textos para apreciação quanto a publicação pela casa Portugália e, se ignoramos qual foi o comentário exarado, sabemos que a editora não assumiu a publicação. As considerações de Gaspar Simões não terão andado longe do que ficou registado nas páginas de Sol, onde, depois de elogiar o poema de abertura, “Harpa”, considera que, em vários poemas do volume, “a expressão não passa de um penoso exercício literário, onde o mau gosto se espoja correndo parelhas com o pior verbalismo”; que, quanto à religiosidade, “uma das coisas que mais concorre para esfriar qualquer entusiasmo pela poesia de Serra-Mãe é o despropósito com que se lançam súplicas místicas e se fazem protestos de humildade e devoção numa linguagem alheia a qualquer mero sentimento religioso”; que as marcas de Pascoaes, Régio e Sá-Carneiro são “falsas inspirações na sua adequação ao estro exuberantemente verbal que nos parece ser o de Sebastião da Gama.” E termina, entre a decepção e o que se diz sobre o livro: “O certo é que de um verdadeiro poeta ou não, o livro Serra-Mãe é livro que não passa despercebido no nosso movimento literário.”

Estes dois comentários não passaram ao lado para Sebastião da Gama, que, se não deu resposta pública, enviou ao seu amigo David Mourão-Ferreira um poema datado de 26 de Maio de 1946 (o dia seguinte à apreciação de Simões e pouco mais de uma semana depois das palavras de Sena), intitulado “Versos fora dos eixos”: “Estou-me matando prós críticos. / Hei-de cantar o que muito bem me apeteça, / hei-de sentir, hei-de pensar, hei-de berrar o que muito bem me apeteça. / Um grande raio que os parta mais às suas sentenças. // Se me der na maluca desato para aí a dizer palavrões / ou a escrever sonetos de Camões / começados do fim prò princípio / e com os acentos todos trocados. / Ou então (e que têm eles com isso?) não faço nada / senão olhar os Astros, de cócoras, / e fazer certa coisa para eles todos. // (...) // Deixem-me cá sossegado a fazer versos / marrecos ou escorreitos ou anémicos ou cheios de sangue na guelra / mas de toda a maneira versos / — uma coisa melhor que todas as suas pretensões, / todas as suas ciências, todas as suas opiniões, / e que mais belo do que eles só uma flor encarnada a nascer em cima de um telhado / sem se importar de saber se olham pra ela ou não...” 

* João Reis Ribeiro. "500 Palavras". O Setubalense: n.º 1709, 2026-03-04, pg. 10.