Ary dos Santos, autor de poemas fortes de intervenção, completaria 80 anos neste mês de Dezembro. A efeméride vai ser assinalada pela Casa da Poesia de Setúbal numa sessão a ocorrer em 7 de Dezembro, pelas 18h00, na Biblioteca Municipal de Setúbal, em que intervirá Maximiano Gonçalves, que testemunhará sobre o seu convívio com o poeta. "As Portas que Ary Abriu" é o título da sessão, inspirado no título de Ary As Portas que Abril Abriu. Para a agenda!
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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
sábado, 11 de novembro de 2017
Maximiano Gonçalves: Poesia que ouve palavras
Para
que outro fim existem as palavras senão para serem ouvidas, seja pelos ouvidos,
seja pelo olhar? A pergunta pode parecer supérflua por incidir sobre uma coisa
óbvia, mas são justamente as coisas evidentes aquelas sobre que menos se diz.
Vem
isto ao caso por um título como Ouvir a
Palavra (Lisboa: Letras Paralelas, 2017), livro de poemas de Maximiano Gonçalves (n. 1942), conjunto de quatro dezenas
de textos com um prefácio assinado por Eugénio Lisboa e uma nota inicial do
autor. Os dois textos introdutórios assinalam as linhas gerais de que se faz
este livro: por um lado, Lisboa chama a atenção para o primeiro poema, “Ode à
Palavra”, que considera uma “belíssima e muito explícita ars poetica”, contendo esse texto “toda uma filosofia sobre o valor da palavra, no texto literário, em
geral, e no texto poético, em particular”. E, ao olharmos o poema, logo somos convidados,
melhor, interpelados para esta captação da palavra através de uma festa dos
sentidos - “Ao leres, / Ouve a Palavra em silêncio, / Olha o corpo que tem / E
prova-lhe o sabor, / Enche dela a tua boca.” Ouvir, olhar, gostar. Poderíamos
até adivinhar o tactear. Esta Palavra, grafada com maiúscula, apresenta-se com
identidade, dela se falando com palavras (desta vez, com minúscula). A
“Palavra” contém a sua energia no que está para lá do soletrável, do dizível, e
apresenta-se como “chave-mestra dos assombros”, como “ressonância do Mundo”.
Grandioso
é este poder metafórico que Maximiano Gonçalves atribui à palavra poética,
aquela que está muito para lá do dicionário, do uso corrente, prenhe de
“assombro”, de revelação, de fantasia, de mundo a descobrir, albergando todos
os ecos do Universo, em combinação musical, algo que nos remete para o
entendimento bíblico daquela frase, também ela assombrosa e totalizadora, “no
princípio, era o Verbo”. Por isso mesmo, o poema termina de forma reincidente e
insistente, quase pleonástica, ao sublinhar: “Ouve a Palavra. / Ao leres, ouve
a Palavra.”
Percorre
o leitor este livro e sempre se encontra com palavras da enorme família do
sentido que nos dá esse prazer que é o ouvir, seja na forma do que nos chega,
seja na coragem do “belo esforço das palavras”, seja na co-relação com o
“falar”, seja num acto tão aritmético quanto o “perguntar e responder”, seja na
faceta musical de “som da eternidade” ou do “ouvinte do silêncio”, seja na sua
forma de esplendor em que “a luz de cada palavra / passa a outra palavra”.
Percorre o leitor este livro e vê homenagem à poesia e a poetas, sobretudo a um
chamado Fernando Pessoa de quem se diz “que quase tudo escreveu”, porque foi um
poeta que, mais do que ver, ensinou a olhar, esse acto de interiorização que
sucede ao ver!... Percorre o leitor este livro e, mesmo num poema com o
fascínio do visual como aquele que se intitula “À mulher que dançava, sozinha,
na Praia”, o que se ouve é música, porque, como é dito noutro poema, “ouvimos o
olhar”. A palavra só contém sentidos se for lida, se for ouvida, isto é, se
houver uma coesão sensorial, se nos deixarmos invadir pela sua força, que, no
poema, é mais intensa, pois, como disse José Fernandes Fafe, “Todo o poema -
por mais dramático, áspero, dissonante... - infiltra-nos pelos poros a música,
e o silêncio, do rumor de fonte da Harmonia.” (Curriculum Vitae. S/L: Editorial Fragmentos, 1993, pp. 14-15)
Para
regressar ainda ao que diz Eugénio Lisboa no seu prefácio a este Ouvir a Palavra, o poeta milita em busca
da poesia, “porque ela - a poesia - está em todo o lado, se bem a procurarmos”.
Uma forma imediata de referir esta totalidade a ser desvendada que um outro
poeta, Luís Filipe Castro Mendes (que para aqui convoco porque também ele
conjuga a palavra com a harmonia dos sons), assim versou: “O poema / (…) / são
palavras que caem, abatidas pela vida, / e que esperam por nós para se
erguerem, / como se a música assim pudesse permanecer.” (Outro Ulisses regressa a casa. Lisboa: Assírio & Alvim, 2016,
pg. 63)
O
outro texto introdutório a este livro é de Maximiano Gonçalves, que, não
ultrapassando a simplicidade de um título como “Nota inicial”, refere uma
tónica que vai sobrepor-se em vários dos seus poemas. Por entre os
agradecimentos, o autor menciona que todas as suas palavras são dedicadas aos
que lhe ensinaram “as Letras e a alegria de Pensar”, aqueles que lhe abriram o
caminho em que “a dignidade do homem que se entende como cidadão (...) o obriga
a lutar por uma Sociedade Nova”.
Há,
assim, a presença da convicção, da afirmação, do compromisso. E, neste caminho,
Ouvir a Palavra contém espaço para a
denúncia (“A espécie única”), para a ironia (“Index Librorum Prohibitorum”),
para a reflexão sobre o menos bom no homem (“Há duas classes de homens”), para
o desafio (“Se um dia falar com Deus”), para a contemplação das grandes vidas e
grandes percursos (míticos, como o herói Heitor, ou reais, como essoutro herói, Beethoven), para a
auto-reflexão (“Conversa sobre hipocrisia”), para as reflexões a partir dos
encontros casuais da vida (“Uma gata da rua morreu na minha rua” ou “O nosso
irmão, cão-guia”).
Todas
estas valências surgem agrupadas na primeira das duas partes do livro, singular
e laconicamente intitulada “Vária”, uma designação que, habitualmente, é
reservada para o não-agrupável, remetida para depois das arrumações temáticas.
Mas até esta ordem parece resultar do composto que a vida é nas suas
oportunidades de tudo, inclusivamente de se manifestar pela poesia. “Vária”,
assim como quem diz Vida ou Caminho ou Mundo ou, apenas, Tudo. “Vária”, assim
como quem diz Olhar ou Gostar ou Tocar ou Ouvir ou, apenas, Sentir. “Vária”,
assim como quem diz Paleta ou Sonoridades ou Sinfonia do Mundo. “Vária”, porque
é esse imenso mar ou conjunto do que o exterior nos oferece para que se faça,
para que se construa Poesia.
A
segunda parte, mais curta, recorre ao universo “Do Amor”, povoada por treze
poemas, todos com um destinatário implícito, recolhido numa segunda pessoa que
se pressupõe causa dos dizeres. Ainda aqui, surgem referências de poetas
outros, mas perpassa sobretudo o afecto, o gesto, o erotismo, todos inseparáveis,
como se nota no poema “Se não visse”: “Se não visse, / Amar-te-ia pela pele. /
Se não ouvisse, / Amar-te-ia pelo olhar. / Se não falasse, / Amar-te-ia pelo
gesto. / Se não escrevesse, / Amar-te-ia pela fala.”
Finalmente,
com este livro também se descobre. Parodiando Fernando Pessoa, o poeta é um
perguntador. Faz poemas que fixam olhares, sons, gostos, questões, crenças,
valores e descobertas. Faz poemas que questionam sentidos. E remata: “Perguntar
é a viagem / De saber como somos / E o deslumbre / De só sabermos pouco, /
Pouco a pouco, / Ou que temos de voltar atrás.” As perguntas obrigam a
tentativas de pensar e só existem porque há respostas. Umas e outras
combinam-se sempre que o leitor está disposto a... ouvir a palavra!
(Na apresentação pública da obra, na tarde de hoje, na Biblioteca Municipal de Setúbal,
iniciativa da Casa da Poesia de Setúbal)
iniciativa da Casa da Poesia de Setúbal)
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
Para a agenda: Maximiano Gonçalves e a poesia da palavra
Maximiano Gonçalves já esteve em Setúbal para falar de textos em que Fernando Pessoa nos disserta sobre gestão. Autor de crónicas na Antena 2, depois publicadas em livro (Dizer É Preciso, 1998), melómano, desta vez vem a Setúbal para nos inspirar sobre poesia e sobre o seu livro, Ouvir a Palavra, que foi considerado por Eugénio Lisboa como uma "belíssima ars poetica". Uma realização da Casa da Poesia de Setúbal, na Biblioteca Municipal de Setúbal. Sábado, 11, pelas 15h00. Para a agenda!
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Dia Mundial dos Professores é hoje! (3+1 pensamentos sobre ser professor)
Para
assinalar este Dia Mundial dos Professores, criado pela UNESCO, neste ano
dedicado ao tema de reflexão “Ensinar em liberdade, autonomizar os professores”,
escolhi quatro pensamentos: os três primeiros são devidos a Manuel Nunes na sua
obra A Professora, os Porcos e os Cisnes
– O Pântano da Educação em Portugal (Lisboa: Gradiva, 2012); o quarto tem
como autor Maximiano Gonçalves e vem no livro Dizer é Preciso - Crónicas em ‘Allegro Vivace’ (Porto: Campo das
Letras, 1998)
1
“O educador
tem o dever de, perante o educando, ser arauto de Apolo. O horizonte último do
humano é a luz e é para esse horizonte que o educador tem o dever de orientar
toda a acção educativa.”
2
“A escola
existe para educar para o sublime. A sua missão consiste em conduzir para o
mais alto do mais alto. Ela tem a obrigação moral de ter como meta e como
horizonte a perfeição.”
3
“Quem é
professor ou professora tem o dever de nunca ser vulgar. Tem o dever de nunca
agir nem reagir de forma vulgar. Em nenhuma circunstância!”
4
“Uma sociedade que não saiba olhar com deferência os
seus professores, que não os respeite e acarinhe (não me venham com essa dos
maus professores, que é desvio pateta e mauzinho do cerne da questão), não se
respeita nem se estima a si mesma.”
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quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Para a agenda - Transmitir o objecto cultural
"A comunicação do objecto cultural" será o tema de palestra marcada para 2 de Novembro, na Biblioteca Pública Municipal de Setúbal. Uma conversa com Maximiano Gonçalves, membro da Associação Cultural Sebastião da Gama, que promove a actividade em parceria com a própria Biblioteca. Por esta comunicação hão-de circular temas como: definir cultura, o Objecto Cultural, o turista perante
os objectos culturais, turismo e turismo cultural, comunicação do Objecto
Cultural, o que caracteriza uma individualidade em Turismo, Comunicação
Orientada, Imagem e imagem do conjunto de objectos culturais, a iniciativa da
Comunicação Cultural, a conjugação dos objectos culturais, disponibilizar
recordatórios – uma sugestão a propósito de Literatura, a Comunicação do
Objecto Cultural – o que fazer.
Linhas assaz importantes para que a palestra se não perca. Para a agenda!
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
domingo, 29 de setembro de 2013
Para a agenda - Fausto Gonçalves em Setúbal
Um nome que colaborou no jornal Alvorada, de Setúbal, e que deixou obra no âmbito do jornalismo, do sindicalismo e da intervenção cívica. Em Setúbal, a exposição que foi inaugurada na Biblioteca-Museu República e Resistência e que já percorreu outros pontos do país. No momento da abertura da mostra, em 5 de Outubro, o filho, Maximiano Gonçalves, falará sobre o homenageado. Para a agenda!
domingo, 28 de outubro de 2012
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