Que fazer com este rio e com este mar? Bem podia ser uma pergunta para a região de Setúbal, com resposta a desembocar no turismo e na ligação das pessoas ao Sado e ao Atlântico. Bem pode ser um desafio a ser lançado por João Cabeçadas, navegador setubalense, que, na noite de sexta, amanhã, pela mão do Synapsis, vai abordar o tema "Competições de vela e turismo: como podem influenciar uma região?" Na Biblioteca Municipal de Setúbal, pelas 21h30. Para a agenda.
Mostrar mensagens com a etiqueta turismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta turismo. Mostrar todas as mensagens
quinta-feira, 9 de novembro de 2017
domingo, 5 de novembro de 2017
Entre Setúbal, a Arrábida, a literatura e o turismo
Há dias, no Portinho da Arrábida, uma fotografia de acaso recriava a história de “A Pequena Sereia”, de Hans Christian Andersen... Esse conto do escritor dinamarquês nada tem a ver com Setúbal. Escrito em 1837, Andersen só visitaria a região do Sado quase três décadas mais tarde, em 1866, deixando relato dessa visita na obra memorialística Uma visita em Portugal em 1866. A região entusiasmou-o ao ponto de ter registado que em Setúbal encontrara o paraíso terreal! Por cá, não terá escrito muito, mas confessou ter sido em Setúbal que encontrou a inspiração para o conto “O Sapo”.
Fosse por essa inspiração, fosse pelo que escreveu sobre Setúbal, Andersen poderia ser motivação para visitar as margens do Sado... Ao ver a informação de que a Regent Seven Seas Cruises tem rotas motivadas pela literatura, designadamente uma que, em Itália, leva os visitantes a Portofino e à aldeia de Sestri Levante, cuja baía o escritor dinamarquês baptizou como “Baía das Fábulas”, temos de pensar como poderia ser interessante Setúbal entrar nesses roteiros de literatura e de turismo.
Já houve várias oportunidades em que Setúbal como motivação literária podia ter sido capitalizada, sobretudo se associada à Arrábida. Agora, que a região parece estar na moda e é procurada por nacionais e estrangeiros, bom seria que esse trunfo cultural viesse também à superfície. Muita gente escreveu sobre Setúbal e uma rota apoiada nesses dizeres consolidaria identidades e fomentaria relações, estou certo.
Etiquetas:
Arrábida,
Hans Christian Andersen,
literatura,
roteiros,
Setúbal,
turismo
domingo, 18 de junho de 2017
Setúbal entre 40 destinos europeus da "Hola - Viajes"
O
nº 25 da revista espanhola Hola - Viajes,
recentemente saído, é dedicado ao tema “40 Escapadas desconocidas a lugares
únicos por Europa en bici, en barco, a pie, en coche”. A estas propostas são
acrescentadas mais “10 Viajes increíbles por el resto del mundo”.
Fixemo-nos
nas 40 primeiras, em que Portugal obtém três propostas de itinerários e de
visitas: às adegas e vinhedos do Douro, aos arredores de Lisboa (“De Belém a
Mafra”) e a Setúbal (“Avistar delfines en el estuário del río Sado”).
A
cada proposta de visita são atribuídas quatro páginas, incluindo texto e
fotografias. No caso do roteiro para o estuário do Sado, assinado por Andrés
Campos (que subscreve as outras duas propostas lusitanas), a referência começa
com a Arrábida, mais especificamente com o palácio da Comenda (“En 1964, pocas
semanas después de que asesinaran al presidente Kennedy, su viuda Jacqueline
decidió retirarse al lugar más discreto e insospechado del mundo, donde nada ni
nadie le recordaran constantemente quién era y lo que acababa de suceder. Ese lugar
no estaba en la Polinesia, ni en el Índico, ni en la Patagonia, sino en
Setúbal, a solo 50 kilómetros al sur de Lisboa. Medio siglo después, el palacio
da Comenda, donde Jackie se refugió con sus dos hijos, es una ruina melancólica
que no encuentra comprador porque custa 45 millones de euros y también porque
la gente que podría pagarlos prefiere fondear su yate en parajes exclusivos más
que un cala que, a diario, es un paraíso solitario de agua esmeralda, donde
nadan confiadamente los delfines.”
Assim
iniciada a rota, a proposta faz o viajante seguir pelo Parque Natural da
Arrábida, com visita às suas praias, incluindo a Lapa de Santa Margarida e a
prática de vários desportos e actividades radicais. Lembra ainda a observação
de aves no estuário, os golfinhos e, na gastronomia, o choco frito, que, com
ironia, refere da seguinte forma: “en realidad, lo extraño no es que haya delfines, sino
que aún queden chocos, porque entre los que devoran estos cetáceos y los que
comen a todas horas los setubalenses, sobre todo, fritos, debían de haberse
extinguido en la bahia hace siglos.” E termina com esta tirada, talvez irónica,
talvez mágica: “Ciertamente, estas aguas son milagrosas.”
A
proposta segue ainda pelo moinho de maré da Mourisca, onde pode ser feita a
prova do queijo de Azeitão e respectivo moscatel e onde o visitante pode avistar aves. Entre os
monumentos, a revista chama a atenção para o Mercado do Livramento, o Convento
de Jesus, a Galeria Municipal (no edifício do Banco de Portugal), a fortaleza
de S. Filipe.
As propostas podem ser lugares comuns, mas figurar ao
lado de recomendações de visita às baleias na Islândia, aos ursos selvagens na
Finlândia, às abadias de Lovaina na Bélgica, à magia da Cornualha em
Inglaterra, entre muitas outras, vale bem a pena esta promoção de Setúbal.
Entre os 40 destinos europeus, apenas Portugal, França e Áustria surgem com
três propostas; com duas, há a Islândia, a Escócia, a Itália, a Alemanha, a
Finlândia, a Croácia, a Noruega, a República Checa e a Grécia; com um
itinerário surgem países como Inglaterra, Geórgia, Montenegro, Chipre, Roménia,
Holanda, Polónia, Suíça, Eslovénia, Malta, Bélgica, Irlanda e Eslováquia.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Para a agenda: "Wine sunset party" - Vinhos de Setúbal apresentam-se
Cruzeiros enoturísticos no Sado. Com os vinhos da região de Setúbal, da Península de Setúbal, por companhia, nos seus aromas e sabores. De Junho até Setembro. A ritmo semanal. Para degustar. Para a agenda.
Etiquetas:
enoturismo,
para a agenda,
provas de vinhos,
Sado,
Setúbal,
turismo,
vinhos,
Wine Sunset Party
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Raul Brandão: de que cor são os Açores?

Em 13 de Maio de 1924, Raul Brandão escrevia a Teixeira de Pascoaes carta em que dizia: “Vou partir para Lisboa dentro de alguns dias e no dia 5 de Junho para os Açores (…). Conto demorar-me por lá dois meses e trazer notas para Os Pescadores e Os Lavradores e naturalmente um volume As Ilhas Desconhecidas sobre o Corvo, as Flores e o Pico.” Quando regressou, já datada da casa do Alto, de 7 de Setembro, Brandão enviava missiva ao amigo, rejubilando: “A viagem aos Açores foi esplêndida. Deve dar um livro interessante – quando eu o puder escrever.” (Raul Brandão – Teixeira de Pascoaes: Correspondência. Org.: António Mateus Vilhena e Maria Emília Marques Mano. Lisboa: Quetzal, 1994).
Dois anos depois saía, com efeito, As Ilhas Desconhecidas, conjunto de momentos e de retratos dessa viagem noticiada a Pascoaes, com registos datados do período entre 8 de Junho (a bordo do “S. Miguel”, rumo ao Corvo) e 29 de Agosto de 1924 (embarcado na Madeira para regressar ao continente). Na abertura, “em três linhas”, Brandão explica: “Este livro é feito com notas de viagem, quase sem retoques. Apenas ampliei um ou outro quadro, procurando sempre não tirar a frescura às primeiras impressões. (…) Não poder eu pintar com palavras alguns dos sítios mais pitorescos das ilhas, despertando nos leitores o desejo de os verem com os seus próprios olhos!...”
As notas reunidas por Brandão assinalam as emoções do viajante, mesmo aquelas que dão para reflexão sobre os mais caros temas ao homem, como a vida e a morte e a fronteira que as une – logo no primeiro capítulo, para descrever a fragilidade do barco, refere: “Toda a noite esta coisa complicada que é um transporte a vapor range pavorosamente como se fosse desconjuntar-se; toda a noite sinto a água bater no costado e a máquina pulsar contra o meu peito. A ideia da morte não nos larga: separa-nos do caos um tabique de não sei quantas polegadas.” O título do livro deixa adivinhar o que era o conhecimento destas ilhas na década de 1920 e todos os registos brandonianos caminham no sentido de anular esse desconhecimento, seja pelo tempo lá passado (longo, ainda que por causa dos transportes, cheio de minúcia e de descobertas), seja pela observação e chegada ao interior das pessoas e traçado dos elos que as ligam à paisagem.
As imagens das ilhas são surpreendentes – sobre S. Jorge: “Esta ilha esguia, que parece um grande bicho à tona de água, mostra-me no focinho penedos aguçados como dentes”; sobre o Pico: “uma nuvem branca e esguia cortou o Pico pelo meio e o cone sai da nuvem suspenso no ar por milagre” ou “está ali presente como um vagalhão que vai desabar sobre o Faial”; sobre as Sete Cidades: “as Sete Cidades é também a alma duma paisagem. As grandes paisagens que morrem a alguma parte hão-de ir ter… Deus colocou-a aqui, delicada e virgem, no fundo desta cratera tremenda, entre o fogo e o caos; rodeou-a de solidão e de montes; pôs-lhe à volta, para a defender, o mar”; sobre o Corvo: “O Corvo é uma democracia cristão de lavradores”; sobre as ilhas: “o espectáculo imenso que se desenrola diante de meus olhos atónitos dá-me impressão de que as ilhas nascem do mar e se vão formando à nossa vista pela mão do criador”.
As figuras humanas merecem um tratamento de proximidade, quer pelo relato das histórias de vida ouvidas, quer pelo tratamento das personagens pelo seu nome real, quase dando a impressão de que o narrador-viajante se integrara na família e se apropriara dos seus segredos. Outra coisa não seria de esperar de quem, a dada altura, estipula como princípio seu: “Aqui só uma coisa a fazer: não é olhar para fora, é olhar para as almas”. E é o mundo do trabalho, a dificuldade de viver, a comunidade, a solidão, a ligação da homem ao território, um conjunto de recursos da paleta humana ao dispor do observador.
Da paisagem açoriana sobressaem a cor, os campos, as quintas e jardins. Circulando no Faial, deixa-se cativar pela tonalidade das hortênsias para desabafar: “O homem que teve a ideia de bordar as estradas com estas plantas devia ter uma estátua na ilha”. Aliás, esta preponderância das hortênsias e do seu azul-ferrete levá-lo-á a definir a cor açoriana – “o azul que enche a terra e nunca mais acaba e que é talvez o verdadeiro céu dos Açores”.
É um viajante sequioso de conhecimento e de contemplação que se vai conhecendo a si próprio até ao ponto de dizer, inebriado pela maravilha e sensibilizado: “Já percebi que o que as ilhas têm de mais belo e as completa é a ilha que está em frente”. Esta ideia de infinito, de resto, perpassa várias vezes e, conjugada com o deslumbramento que sente pela riqueza dos caracteres humanos – haja em vista o capítulo sobre a caça à baleia ou aqueloutro em que fala dos pescadores, por exemplo – o viajante nestas ilhas deixa-se arrebatar: “Oh! Quem me dera ser patrão dum barco e ir de ilha em ilha abicar aos portos, de barrete azul adebruado de vermelho na cabeça e a mão no leme”…
À Madeira dedica Brandão capítulo curto, em que, apesar de apreciar a cor, mais quente, lhe fica a sensação dominante de algum desconforto – “Esta ilha é um cenário e pouco mais – cenário deslumbrante com pretensões a vida sem realidade e desprezo absoluto por tudo o que lhe não cheira a inglês. Letreiros em inglês, tabuletas em inglês e tudo preparado para inglês ver e abrir a bolsa.” Esta conclusão servir-lhe-á para um retrato social impiedoso dos madeirenses: “Cada vez se cava mais funda a separação entre as classes chamadas superiores e as outras. O que se faz neste país é um crime que havemos de pagar muito caro”. Em causa estavam também conceitos de turismo, entre a familiaridade e a indústria que começava a ser: “Detesto o turismo e adoro a hospitalidade. (…) Uma nação não deve ser um hotel – e Deus nos livre que o seja!”
Apesar desta sensibilidade na apresentação do que eram as “desconhecidas” ilhas, Brandão não se consegue desviar do seu estatuto de visitante. Ainda em S. Miguel, no início desse Agosto, escreverá: “Devo dizer que já me cansa um pouco e que anseio por outra luz… Começo a ter saudades do velho muro do meu quintal, tostado do sol, onde se criam as sardónicas, os líquenes amarelos e rosados, e até mesmo as pedras amadurecem como as uvas!...” E o relato desta viagem terminará com essa homenagem à luz, quando, já na bacia de Cascais, fotografa: “a luz irrompe, uma luz alegre, uma luz que vibra toda, uma luz em que cada átomo tem asas e vem direito a mim como uma flecha de oiro. No céu imenso e livre, o sol bóia como num grande fluido. Portugal!...”
O que entusiasma na escrita de Brandão é essa multiplicidade da cor, fortemente matizada, intensamente definida, algo que decorre de uma escrita que navega sobre a sensibilidade. Como António M. B. Machado Pires referiu no prefácio de As Ilhas Desconhecidas (Col. “Obras Completas de Raul Brandão”. Lisboa: Editorial Comunicação, 1987), “Raul Brandão era um emotivo, no que esta palavra, de semântica vaga, quer significar de predomínio das primeiras impressões e sentimentos sobre a elaboração cerebral, uma espécie de ‘matéria-prima’ de sentimento, ‘em bruto’, passada ao papel: assim escrevia principalmente Brandão.”
Marcadores
“As figuras horríveis da vida e do inferno não são as atormentadas – são aquelas cujos traços se esquecem.”
“Nenhum sonho se chega a concluir – o sonho não cabe no mundo.”
“A exuberância, quando é impetuosa, fica a dois dedos da destruição.”
“O mar é a vida – mas o mar é também a imagem da realidade ou do inferno, que é tudo a mesma coisa.”
“Quem pode acreditar na morte, no frio horrível e eterno, diante da natureza que nos estende os braços cheia de flores e de perfumes em pleno inverno?”
Etiquetas:
Açores,
ilhas,
leitura,
livro,
Madeira,
Raul Brandão,
Teixeira de Pascoaes,
turismo
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Política caseira (62): Jorge Santana (PSD) em entrevista - o turismo em Setúbal como aposta e desafio
Jorge Santana, o candidato apresentado pelo PSD à Câmara de Setúbal como independente, foi entrevistado hoje no Setúbal na rede. Insistindo na sua condição de independente e no facto de “ser um setubalense” (“O meu partido é Setúbal”, disse), Santana falou do centro histórico (que precisa de ser habitado e reabilitado, embora haja os graves problemas de estacionamento e de segurança), do “Polis” (“reduzido e redutor”, que trouxe obras de estética à Avenida Luísa Todi, mas piorou o trânsito), do Parque de Albarquel (obra bem feita), da Feira de Santiago (que quer ver voltar à Avenida e estendida para a zona ribeirinha), do Parque Santiago (onde pretende que haja uma feira franca semanal), do Vitória (tema que ocupou sete minutos de uma entrevista de meia hora, por responsabilidade do entrevistador) e do turismo, que se revela a maior aposta do candidato para os próximos quatro anos.
Assumindo que “Setúbal tem um turismo de praticamente zero” porque “não têm sido aproveitadas as valências que existem”, Santana defendeu que Setúbal deveria estar preparada para o desenvolvimento de Tróia (que lamentou não pertencer ao concelho de Setúbal), que o município deve ter a jurisdição da frente ribeirinha (apenas partilhada em alguns casos), que o porto deve ser deslocado para o interior, que a zona entre Fontainhas e Pedra Furada “tem de pertencer rapidamente à cidade de Setúbal” e ser de forte investimento turístico.
Assumindo que “Setúbal tem um turismo de praticamente zero” porque “não têm sido aproveitadas as valências que existem”, Santana defendeu que Setúbal deveria estar preparada para o desenvolvimento de Tróia (que lamentou não pertencer ao concelho de Setúbal), que o município deve ter a jurisdição da frente ribeirinha (apenas partilhada em alguns casos), que o porto deve ser deslocado para o interior, que a zona entre Fontainhas e Pedra Furada “tem de pertencer rapidamente à cidade de Setúbal” e ser de forte investimento turístico.
Etiquetas:
autarquias,
eleições,
entrevista,
Jorge Santana,
Partido Social-Democrata,
Setúbal,
turismo
Subscrever:
Mensagens (Atom)



.jpg)
