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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Para a agenda: Sebastião da Gama em destaque na "Letras com Vida" - 21 de Setembro



Letras com Vida - Revista de Literatura, Cultura e Arte, editada pelo CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias) da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, vai ter o seu número 9 apresentado em Setúbal, no Salão Nobre da Câmara Municipal, em 21 de Setembro, pelas 16h00, acção incluída na programação das Comemorações Bocageanas.
Acompanha esta edição um suplemento em livro intitulado Sebastião da Gama - Pelo sonho é que vamos, de 128 páginas, coordenado por João Reis Ribeiro, que reúne 15 abordagens à obra do poeta de Azeitão e 2 testemunhos de setubalenses que foram seus alunos.
A obra de Sebastião da Gama é lida em múltiplas perspectivas: a sua arte poética, a correspondência e a ligação com Teixeira de Pascoaes, a amizade com David Mourão-Ferreira, a imagem da Arrábida, a experiência de professor no Diário, a expressão lírica, as quadras ao gosto popular ou a experiência religiosa. São autores das várias intervenções: Alexandre Ferreira dos Santos, Annabela Rita, António José Borges, António Mateus Vilhena, Fátima Ribeiro de Medeiros, João Reis Ribeiro, Luciano Pereira, Manuela Cerejeira, Mariagrazia Russo, Miguel Real, Pedro Martins, Risoleta Pinto Pedro, Ruy Ventura, Sofia A. Carvalho e Viriato Soromenho-Marques.
Os testemunhos sobre o antigo professor são devidos a Maria Margarida Brázinha Soromenho Pires e a Nicolau da Claudina.
A capa deste suplemento reproduz aguarela sobre Sebastião da Gama da autoria de Olívia Fletcher.
No interior da revista, há ainda espaço para reproduções facsimiladas de alguns textos e cartas do poeta de Azeitão.
Esta edição resultou de uma parceria entre várias instituições, em que se destacam o CLEPUL, a Câmara Municipal de Setúbal e a Associação Cultural Sebastião da Gama.
Uma edição a não perder: pela actualidade, pela análise, pelo património, por afirmar Sebastião da Gama no patamar que merece na cultura portuguesa.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama em 13ª edição

A 13ª edição do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama está em curso, podendo os trabalhos ser entregues até 31 de Março. Organizado pelas Juntas de Freguesia de Azeitão (S. Lourenço e S. Simão), tem a parceria da Câmara Municipal de Setúbal, da Associação Cultural Sebastião da Gama e da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense. O trabalho que venha a ser premiado (em sessão que decorrerá em 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente), além do valor pecuniário, terá também incluída a sua publicação a cargo da organização do Prémio.
O Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama foi certame criado em 1988, em Azeitão, pelas Juntas de Freguesia de S. Lourenço e de S. Simão, e teve realização anual até 1993 (6ª edição). A partir daí, passou a ser um concurso bienal até à sua 10ª edição, tendo depois sofrido interrupção. O certame foi retomado em 2007 (11ª edição) e teve a mais recente edição em 2009.
O primeiro trabalho vencedor deste Prémio, em 1988, foi a obra Água das Pedras, assinado pelo pseudónimo Maria Helena Salgado, correspondendo à autora Maria do Rosário Pedreira, escritora e editora reconhecida. Este trabalho mereceu publicação no ano seguinte (Setúbal: Folha d’Hera). Nesta primeira edição do Prémio, houve 131 trabalhos a concurso e, simultaneamente, foi lançado o concurso de “Jogos Florais Juvenis O Segredo é Amar”, que, devido à escassa participação, não teve prémio atribuído. Pelo júri de 1988 passaram Arlindo Mota, Joana Luísa da Gama e José Jorge Letria.
Outros vencedores das várias edições deste Prémio foram Hugo Santos (1989 e 1991), Maria Graciete Besse (1992), Graça Pires (1993), João Carlos Lopes Pereira (1995), Alberto Marques (1997), António Menano (2001), Amadeu Baptista (2007) e José Carlos Barros (1990 e 2009). Além do primeiro vencedor, outros trabalhos que obtiveram o primeiro lugar nas várias edições deste Prémio tiveram publicação: Uma abstracção inútil, de José Carlos Barros (Évora: Declives, 1991); O aprendiz de ventos, de Hugo Santos (Lisboa: Vega / Ulmeiro, 1992); Errâncias, de Maria Graciete Besse (Lisboa: 1992); Labirintos, de Graça Pires (Murça: Câmara Municipal de Murça, 1997); O Bosque Cintilante, de Amadeu Baptista (Azeitão: Juntas de Freguesia de S. Lourenço e de S. Simão, 2007). Pelo júri deste Prémio passaram, além dos nomes já referidos, também Ana Mafalda Leite, Luís Rosa, Ernesto Rodrigues, Luís Fagundes Duarte, Fernando Campos, Maria Helena Reis Horta, José Correia Tavares, Vergílio Alberto Vieira, José do Carmo Francisco e Ruy Ventura, entre outros.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Memória: Matilde Rosa Araújo (1921-2010)

Não sei quando conheci Matilde Rosa Araújo, mas foi há muito tempo, há muito, quando comecei a ser leitor, talvez, ou um pouco mais tarde. Sempre gostei da simplicidade e dos valores que Matilde fazia perpassar pela sua mensagem. Uns anos mais tarde, no início da década de 90, conheci-a pessoalmente, graças ao Manuel Medeiros, numa sessão havida na Culsete, espaço onde, nos anos seguintes, a vi mais vezes. Recordo desse primeiro encontro a afabilidade, a ternura, a quase ingenuidade e a calma que irradiava, num falar sereno e num querer saber interessado. Estas marcas mantiveram-se nos encontros seguintes e, em cada uma dessas vezes, eu sentia estar perante alguém que sabia muito e que parecia ter a curiosidade das crianças.
Depois, em virtude da Associação Cultural Sebastião da Gama, contactei Matilde Rosa Araújo mais algumas vezes. E, em cada vez que se falava do "Poeta da Arrábida", o seu rosto iluminava-se e arrebatava, num rememorar do que fora o são convívio e a amizade entre eles e numa insistência da educação através do amor, pedagogia absolutamente única.
Quando, hoje, a Joana Luísa me telefonou a noticiar a morte de Matilde Rosa Araújo, fiquei triste. Não porque este desfecho não fosse esperado, porque sabia o declínio em que Matilde tinha entrado em termos de saúde; mas porque sentia estar a partir alguém muito bom, alguém com quem era um gosto aprender e conversar. Minutos depois, ouvi nas notícias o testemunho de António Torrado, que dizia ter sido Matilde Rosa Araújo "a fada madrinha" de muitos escritores de literatura dedicada à infância e à juventude, ao mesmo tempo que sublinhava aquele seu saber. E quando, a meio da manhã, encontrei ocasionalmente Pedro Tamen e, na conversa, lhe noticiei a morte da Matilde, ele teve apenas um comentário: "Das várias vezes que a contactei, sempre a vi como uma pessoa excepcional".
Fica-me, pois, a memória da escritora (que poderei revisitar sempre que queira, felizmente) e também a recordação da bonomia em pessoa, que, nos nossos curtos encontros, me marcou e me ensinou.
Ver mais aqui e aqui.
[foto: Matilde Rosa Araújo, Sebastião da Gama e Maria Alice Botelho Moniz, em Dezembro de 1947, momentos depois de Sebastião da Gama ter levantado da tipografia os primeiros exemplares de Cabo da boa esperança]

domingo, 6 de junho de 2010

Apresentação do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora"

O final da tarde de ontem teve, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, a apresentação pública do cd "Sebastião da Gama - Meu caminho é por mim fora", produzido pela Associação Cultural Sebastião da Gama, projecto em que intervieram as vozes de Célia David, José Nobre, Fernando Guerreiro, Maria Barroso e Maria Clementina, a música de Rui Serodio e o trabalho de montagem e de grafismo de Jorge Calheiros.

terça-feira, 6 de abril de 2010

10 de Abril, dia de Sebastião da Gama

Dentro de poucos dias, em 10 de Abril, passará o 86º aniversário do nascimento de Sebastião da Gama, o poeta que transformou o dia em que nasceu num "Pequeno Poema", que cantou a Arrábida, que deixou um Diário como obra pedagógica de referência, que deixou marca na poesia e na cultura portuguesa. A Associação Cultural Sebastião da Gama e a Câmara Municipal de Setúbal têm previstas várias actividades para esse dia. Consulte o programa aqui.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Sebastião da Gama na Vialonga

Ontem, estive na Escola Básica 2, 3 de Vialonga para apresentar Sebastião da Gama a alunos do 9º ano. Houve boas coisas que me impressionaram.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sebastião da Gama em blogue

Começou hoje. Chama-se "Sebastião da Gama" e tem endereço em http://sebastiaodagama-acsg.blogspot.com Apresenta-se com saudação de boas-vindas e com um registo de cunho biográfico sobre o patrono - o nascimento e a primeira casa. Vive sob a responsabilidade da Associação Cultural Sebastião da Gama, que integro. Dirá sobre a biografia, sobre a literatura, sobre a bibliografia, sobre as actividades da Associação. Objectivo: divulgar a obra e a pedagogia do poeta da Arrábida. Também lá colaboro.

sábado, 30 de maio de 2009

Uma sessão sobre Sebastião da Gama

Na tarde de quinta, estive em Azeitão, no Museu Sebastião da Gama (que completa, em 1 de Junho, os 10 anos de vida) para promover uma sessão sobre o poeta patrono do Museu, natural de Azeitão (freguesia de S. Lourenço), destinada a um grupo da Universidade Sénior de Setúbal (Uniseti).
Foi uma hora e tal de passeio pela vida, pelo tempo e pela obra de Sebastião da Gama, numa tarde quente, com as atenções presas, embaladas no interesse de mais contactar com o poeta. Antes, a visita ao pequeno núcleo sobre Sebastião da Gama fora guiada por Joana Luísa, a viúva do poeta, e por Nicolau da Claudina, um dos seus alunos de Setúbal.
Depois desta navegação, notei o prazer das pessoas em mais saberem sobre o poeta e o pedagogo, sensação que não me é nova, pois a tenho experimentado em várias outras sessões a propósito do poeta.
Que fascínio podem as pessoas encontrar numa visita a Sebastião da Gama? A poesia, claro; a mensagem educativa, também; a história de uma vida de 27 anos que muito deixou para contar, evidente; a fusão do poeta, do homem e do professor num sentir único, impossível de segmentar, talvez; um trajecto de alegria pela e com a vida, apesar da rapidez com que passou… Talvez um pouco de tudo isto seja verdade ou molde essa verdade, talvez. Mas tem-me sensibilizado que a história deste poeta tanto comova jovens como adultos, mais novos como mais velhos.
E, depois, vêm os testemunhos. Há sempre alguém que se cruzou com Sebastião da Gama. Num poema, numa citação, numa lembrança. Na tarde de quinta, havia a característica comum de quase todo o público ser sadino, com interesse pela poesia e com empenho cultural assinalável, trazido pela animação de uma oficina de poesia orientada por Alexandrina Pereira e por Fernando Paulino, ambos poetas, com obra publicada e prémios obtidos. E houve ainda a presença de Julieta Ferreira, que foi professora, que é escritora, leitora e emigrante na Austrália há quase três décadas, que se emocionou com a história e pareceu encontrar-se com uma das suas referências enquanto pedagogo e poeta. Coincidências. E momentos felizes. A Julieta testemunhou, lendo um excerto de um dos seus livros, num passo autobiográfico em que, a propósito de um olhar sobre o monumento a Camões, em Lisboa, regista: “O poeta cujos sonetos me encantavam e eram motivo de suplício para os meus alunos dedicados aos estudos das matemáticas ou ciências, para quem era um desperdício o estudo da nossa língua e literatura. Nunca desistia nas minhas tentativas de incutir neles o apreço pelas letras, o que resultava em tarefa bem árdua, na maior parte das vezes. Contudo, sempre munida de um entusiasmo redobrado, enfrentava a classe todos os dias, lembrando-me das palavras de Sebastião da Gama que tanto me inspirava e com quem partilhava a mesma paixão. A aula de Português acontece… Acontece na sala… Não sou, junto de vós, mais do que um camarada… Sei coisas que vocês não sabem, do mesmo modo que vocês sabem coisas que eu não sei ou já esqueci. Estou aqui para ensinar umas e aprender outras. Ensinar, não: falar delas. E eu falava com os meus alunos acerca da minha paixão pela língua portuguesa e pelos escritores que a trabalharam e enobreceram.” (Julieta Ferreira. Regresso a Lisboa – Confissões proibidas. Linda-a-Velha: DG edições, 2006, pp. 62-63).
Foi uma das coisas boas na tarde de quinta, só agora escrita, mas desde logo inscrita.
[fotos: na direita, Joana Luísa da Gama e Nicolau da Claudina; na esquerda, Julieta Ferreira]

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama – notas do fim-de-semana

A entrega do Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama ocorreu em Azeitão, nas instalações da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, na noite de sábado.
Gostaria de deixar três notas a propósito: a primeira, de congratulação com o espectáculo que o grupo “ArsLuce” proporcionou, apresentando danças renascentistas, cheias de subtileza e de poesia, com guarda-roupa simpático a ajudar nesse transporte para tempos bem distantes; a segunda, de igual congratulação pelo concerto que a Banda da Sociedade Perpétua Azeitonense ofereceu, sob a batuta do maestro Carlos Medinas, bem capaz de arrancar muitos aplausos, cheio de criatividade e dedicação; a terceira, a propósito do contemplado com o prémio, José Carlos Barros, e da sua simplicidade para o acto de falar de poesia, bem expressos nos exemplos para justificar o orgulho e vaidade que sentia por o seu texto ter agradado – o de seu pai, alfaiate de ofício, e o do agricultor Linhares, um e outro sempre vaidosos do trabalho que conseguiam: o fato, num caso, e a perfeição do acto de podar, no outro.
Na minha intervenção, enquanto responsável da Associação Cultural Sebastião da Gama, saudei este evento, partilhando outras três razões: a primeira, porque naquele mesmo dia, tinha partido um poeta, Miguel de Castro, descoberto para a poesia por Sebastião da Gama, compositor na senda do lirismo como fora o próprio Sebastião da Gama, partida que o terá levado, provavelmente, a um encontro com o mestre para falarem de poesia, francesa quase de certeza, que era também a poesia francesa que os ajudava; a segunda, porque neste ano ocorrem os 60 anos do início da escrita do Diário, obra máxima na pedagogia de Sebastião da Gama, a necessitar de ser concretizada, texto também poético que bem merece ser meditado e considerado fonte de inspiração, que poderia levar os educadores (pais ou professores), os políticos e a sociedade a encarar a educação de outra maneira, talvez a encontrar soluções para vários problemas que se põem hoje no acto educativo, sobretudo no que se prende com a relação pedagógica, com os laços, com os afectos (e a falta de tudo isto); finalmente, a terceira, com a oportunidade justificada pelo facto de este Prémio, ao longo das doze edições, além de prolongar a memória do seu patrono, ter aberto caminho a poetas e ter consagrado outros, mencionando os casos de Maria do Rosário Pedreira (a primeira vencedora, em 1988, sob o pseudónimo de Maria Helena Salgado), Maria Graciete Besse, Amadeu Baptista e José Carlos Barros, “repetente” nestas andanças, uma vez que já ganhara este Prémio em 1990.
Agora, resta aos leitores uma espera no sentido de que o texto de José Carlos Barros seja publicado. E, a avaliar pelo testemunho deixado pelo poeta Ruy Ventura, em nome dos membros do júri, boas razões (literárias) haverá para se esperar a publicação, assim o poeta lhe dê corpo, tal como fez com o texto que, em 1990, lhe trouxe o galardão (Uma abstracção inútil. Évora: Declives, 1991)!

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dia Mundial do Livro e Sebastião da Gama na Escola Secundária da Bela Vista, em Setúbal

Neste Dia Mundial do Livro, fui à biblioteca da Escola Básica 2, 3 / S da Bela Vista, em Setúbal, apresentar uma sessão sobre Sebastião da Gama, que teve a colaboração de alunos (como a Rita, a Joana, o Zé, o Fábio, a Cassandra e outros) e de professores. Viram fotografias, leram poemas, ouviram a vida, cruzaram-se com a invocação do poeta da Arrábida, serra que, de resto, veio a propósito dos textos e da relação que a poesia e o poeta com ela estabeleceram.
Tarde quente, instalações abafadas e obsoletas (ao lado, está a ser construída a futura escola, a abrir, talvez, ao longo do próximo ano lectivo), alunos do 3º ciclo, num espaço normalmente rotulado como problemático (a Escola está alinhada no TEIP). Mas a sessão correu nos seus cerca de 60 minutos com os alunos empenhados, atitude demonstrada quer pela participação, quer pela atenção com que seguiram a viagem sugerida. E nem as condições os levaram a desviar o rumo…
Para mim, a experiência foi simpática. Os jovens manifestaram-se interessados. Talvez porque a mensagem do poeta lhes é cara; talvez porque alguns puderam ser protagonistas na sessão; talvez porque estavam com alguém de fora; talvez porque a Escola lhes é querida e familiar; talvez porque ali ainda é um espaço feliz; talvez porque a curiosidade lhes fale mais alto; talvez por tudo isto; talvez porque a vida é assim.
Notei que os próprios professores da Escola (a Solange, a Ana e outros) ficaram satisfeitos porque os seus alunos agiram como alunos absolutamente normais, nada a fazerem lembrar conotações menos felizes ou de despromoção. Até por isto, por esta possibilidade de se ver que os alunos da Escola Básica 2, 3 / S da Bela Vista são jovens que têm direito a não serem rotulados, acho que foi bom. E, no fim, todos quiseram o material que lhes levei – o Boletim Informativo da Associação Cultural Sebastião da Gama e a pequena antologia de textos do poeta que a Associação lhes ofereceu.
Tive ainda outro prazer pessoal: o do encontro com o Tiago, que há anos foi meu aluno e agora lecciona naquela Escola, e o do encontro com a Cristina, também há anos minha aluna no secundário e que ali quis ir ouvir falar sobre Sebastião da Gama porque o quer integrar num projecto de eco-turismo. O tempo recua e salta uma boa dezena de anos e volta para o agora, mostrando que continua a haver coisas que nos marcaram e uniram…

domingo, 19 de abril de 2009

Alunos apresentaram Sebastião da Gama

85 anos teria feito Sebastião da Gama neste mês de Abril (no dia 10), 60 anos passam neste 2009 desde que o seu Diário (de professor) teve início (em 11 de Janeiro de 1949). Estas duas efemérides justificam que o mês de Abril tenha sido o tempo de várias actividades em Setúbal ligadas à memória e leitura do “poeta da Arrábida”.
Uma delas aconteceu na noite de ontem, no Clube Setubalense, intitulada “Sonhos em Sebastião da Gama”, promovida por Ermelinda Capoulas, professora na Escola Secundária Sebastião da Gama, e por um grupo de alunos das turmas B e F de 8º ano da mesma Escola, com o apoio da Associação Cultural Sebastião da Gama e da Câmara Municipal de Setúbal. O público era maioritariamente constituído pelos familiares dos jovens participantes.
Por ali passaram poemas vários e muitos excertos do Diário, numa selecção preparada e apresentada pelos alunos. E foi interessante ver o entusiasmo e o deslumbramento com que todos intervieram no desvendar e no partilhar de textos e de emoções. Simultaneamente, houve entrevista sobre o poeta e o professor, com perguntas a privilegiar a prática do professor que Sebastião da Gama foi – métodos, forma de disciplinar, relações com os alunos, percurso e especificidade da sua forma de agir – e houve o piano de Rui Serôdio a pontuar a musicalidade das palavras. A segunda parte foi integralmente ocupada com a intervenção do grupo coral da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, num reportório diversificado por onde passaram as toadas populares, a poesia de José Gomes Ferreira ou os espirituais.
No final, foi agradável notar o prazer dos alunos por terem conseguido partilhar o fruto do seu trabalho. Mas não menos interessante foi sentir o entusiasmo dos familiares, alguns surpreendidos com a capacidade do que o grupo conseguiu transmitir. E dizia-me um pai, que tinha sido aluno na Escola Secundária Sebastião da Gama, que foi bom ter vindo ali porque não imaginava a importância do patrono da Escola, porque não sabia quase nada sobre ele… e tinha sido graças à participação da filha que tinha acedido a um bocadinho desse saber.
Fosse pelo facto de ser professor, por ter sido poeta, por chamar a Arrábida para as suas mensagens ou por qualquer outra razão, certo é que os jovens envolvidos nesta actividade demonstraram acentuado entusiasmo com a obra de Sebastião da Gama, talvez a dar razão ao que um dia escreveu Arnaldo Saraiva (“Sebastião da Gama – Poeta da Arrábida e da juventude”. Horizonte – Revista Portuguesa de Cultura: Guarda, nº 49, Abril 1958) sobre este poeta: “A sua obra é a sua autobiografia, é a sua vida, ora mística, ora terrena; ora infantil e inocente, ora amadurecida e grave; ora fácil e feliz, ora dura e dolorosa; a sua vida simples, sincera, despretensiosa, mas sempre adolescente.”

sábado, 11 de abril de 2009

Mostra bibliográfica sobre Sebastião da Gama

Ontem, 10 de Abril, passaram os 85 anos sobre o nascimento de Sebastião da Gama, o “Poeta da Arrábida”.
Em Setúbal, essa data é, desde há dois anos, celebrada como sendo o Dia Municipal da Arrábida e de Sebastião da Gama e, neste ano, várias actividades são levadas a cabo no concelho ao longo do mês de Abril para evocar o poeta e a serra por iniciativa de diversos parceiros.
Uma delas é a exposição bibliográfica organizada pela Associação Cultural Sebastião da Gama, em mostra na Biblioteca Pública Municipal de Setúbal, até 18 deste mês, intitulada “Sobre os escritos de Sebastião da Gama (nos 60 anos do Diário)”.
A exposição surge organizada em cinco sectores: “Os 60 anos do Diário (nas diferentes capas)”, “As outras obras (em vida)”, “As outras obras (póstumas)”, “Textos nos periódicos” e “Obras que leram Sebastião da Gama”, aqui se indicando as referências bibliográficas das respectivas peças.
Os 60 anos do Diário (nas diferentes capas)
Ø Reprodução da 1ª página do manuscrito do Diário – 11 e 12 de Janeiro de 1949.
Ø GAMA, Sebastião da. Diário. 1ª ed. Pref.: Hernâni Cidade. Lisboa: Edições Ática, 1958.
Ø GAMA, Sebastião da. Diário. 3ª ed. Col. “Poesia”. Lisboa: Edições Ática, 1967.
Ø GAMA, Sebastião da. Diário. 7ª ed. Col. “Poesia”. Lisboa: Edições Ática, 1986.
Ø GAMA, Sebastião da. Diário. 12ª ed. Mem Martins: Edições Arrábida / Sebenta Editora, 1993.
Ø GAMA, Sebastião da. Diário. 13ª ed. Mem Martins: Edições Arrábida / Sebenta Editora, 2005.
Ø GAMA, Sebastião da. Diário: un metodo didattico nel Portogallo della prima metà del Novecento (tesi di Laurea in Lingua e Traduzione Portoghese, por Maria Antonietta Rossi). Viterbo: Università degli Studi della Tuscia / Facoltà di Lingue e Letterature Straniere Moderne, s/d (policopiado).
As outras obras (em vida)
Ø GAMA, Sebastião da. Serra-Mãe. 1ª ed. Lisboa: Portugália Editora, 1945.
Ø GAMA, Sebastião da; CALEIRO, Miguel. Loas a Nossa Senhora da Arrábida. [Lisboa: Imprensa Artística] 1946.
Ø GAMA, Sebastião da. Cabo da boa esperança. 1ª ed. Lisboa: Portugália Editora, 1947.
Ø GAMA, Sebastião da. A região dos três castelos. Azeitão: Transportadora Setubalense, 1949.
Ø GAMA, Sebastião da. Campo Aberto. 1ª ed. Lisboa: Portugália Editora, 1951.
As outras obras (póstumas)
Ø GAMA, Sebastião da. Pelo sonho é que vamos. 1ª ed. Lisboa: Portugália Editora, 1953.
Ø GAMA, Sebastião da. Lugar de Bocage na nossa poesia de amor. Lisboa: Faculdade de Letras, 1953 [separata da Revista da Faculdade de Letras, tomo XVIII, 2ª série, nº 1 e 3].
Ø GAMA, Sebastião da. Itinerário paralelo. 1ª ed. Lisboa: Edições Ática, 1967.
Ø GAMA, Sebastião da. O segredo é amar. 1ª ed. Lisboa: Edições Ática, 1969.
Ø GAMA, Sebastião da (poemas); ABREU, Maurício (fotografias). Itinerários da Arrábida. Setúbal: Câmara Municipal de Setúbal, 1987.
Ø GAMA, Sebastião da. Cartas I (a Joana Luísa). 1ª ed. Lisboa: Edições Ática, 1994.
Ø GAMA, Sebastião da. Não morri porque cantei… - Quadras. 1ª ed. Mem Martins: Edições Arrábida / Sebenta Editora, 2003.
Ø GAMA, Sebastião da. Estevas. 1ª ed. Mem Martins: Edições Arrábida / Sebenta Editora, 2004.
Ø GAMA, Sebastião da. A minha arca de Noé (antologia). Mem Martins: Edições Arrábida / Sebenta Editora, 2006.
Textos nos periódicos
Ø GAMA, Sebastião da. “Portugal independente”. Gazeta do Sul. Montijo: nº 518, 8.Dezembro.1940.
Ø GAMA, Sebastião da. “Remoinho”. Aqui e Além. Lisboa: nº 2, Maio-Agosto.1945.
Ø Aqui e Além. Lisboa: nº 2, Maio-Agosto.1945.
Ø GAMA, Sebastião da. “Sol posto”. Ver e Crer. Lisboa: nº 11, Março.1946.
Ø Ver e Crer. Lisboa: nº 11, Março.1946.
Ø GAMA, Sebastião da. “Moça jeitosa do Minho”. Correio do Minho. Braga: 28.Novembro.1946.
Ø GAMA, Sebastião da. “Carruagem de terceira”. Jornal de Sintra. Sintra: nº 728, 7.Janeiro.1948.
Ø GAMA, Sebastião da. “O Cais”, “A companheira”, “Apolo”. Távola Redonda. Lisboa: nº 1, 15.Janeiro.1950.
Ø Távola Redonda. Lisboa: nº 1, 15.Janeiro.1950.
Ø GAMA, Sebastião da. “Sábado em Estremoz”. Brados do Alentejo. Estremoz: 22.Julho.1951.
Ø GAMA, Sebastião da. “Carta de Estremoz”. Jornal do Barreiro. Barreiro: nº 63, 2.Agosto.1951.
Ø GAMA, Sebastião da. “Largo do Espirito Santo, 2 – 2º”. Árvore. Lisboa: nº 1, Outono de 1951.
Ø Árvore. Lisboa: nº 1, Outono de 1951.
Obras que leram Sebastião da Gama
Ø A Ilha (à memória de Sebastião da Gama). Setúbal: 1957.
Ø BELCHIOR, Maria de Lourdes. Sebastião da Gama: poesia e vida. Castelo Branco: Câmara Municipal de Castelo Branco, 1961.
Ø HERRERO, Jesús. Pedagogia de Sebastião da Gama – O ‘Diário’ à luz da psicopedagogia. 2ª ed. Lisboa: Editorial O Livro, 198[?].
Ø MALPIQUE, Cruz. Sebastião da Gama – Poeta de primeira água. Guimarães: 1967 [separata da revista Gil Vicente].
Ø MOURÃO-FERREIRA, David. “Sebastião da Gama – O papel da morte na sua poesia”, “Na publicação de Pelo sonho é que vamos” e “Convívio com Sebastião da Gama”. Vinte poetas contemporâneos. 2ª ed. Lisboa: Edições Ática, 1980, pp. 217-222. 223-226 e 227-237.
Ø MOURÃO-FERREIRA, David. “Sebastião da Gama: música, poesia, Arrábida”. Os ócios do ofício. Lisboa: Guimarães Editores, 1989, pp. 122-125.
Ø MOURÃO-FERREIRA, David. Evocação de Sebastião da Gama. Lisboa: Edições Ática, 1993.
Ø GASPAR, Regina Faria Januário Cabrita. A poesia de Sebastião da Gama: da escrita egocêntrica à escrita do diálogo (dissertação de Mestrado em Literatura Portuguesa). Lisboa: Universidade de Lisboa / Faculdade de Letras, 1999 (policopiado).
Ø GODINHO, José Luís. Sebastião da Gama – Poeta pedagogo / Pedagogo poeta (trabalho de candidatura ao 8º escalão). Sintra: Escola Preparatória D. Fernando II, s/d (policopado).
Ø GUERREIRO, Maria Antónia Leitão Marques. Solidão e solidariedade em Sebastião da Gama (dissertação de Licenciatura em Filologia Românica). Lisboa: Universidade de Lisboa / Faculdade de Letras, 1969 (policopiado).
Ø LIMA, Maria Luísa Loureiro Costa. Breve estudo sobre a obra poética de Sebastião da Gama (dissertação de Licenciatura em Filologia Românica). Lisboa: Universidade de Lisboa / Faculdade de Letras, 1961 (policopiado).
Ø MOREIRA, Cacilda; SAMPAIO, Maria Jorge; PORTELA, Margarida; CALDEIRA, Otília. A pedagogia do amor e da criatividade em Sebastião da Gama. Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 1994 [?] (policopiado)
Ø RIBEIRO, João Reis (sel.). Sebastião da Gama – ‘Meu caminho é por mim fora…’. Azeitão: Associação Cultural Sebastião da Gama, 2007.
Ø RIBEIRO, João Reis. “Sebastião da Gama: Nos 60 anos do Diário”. Brotéria. Lisboa: vol. 168, nº 1, Janeiro.2009, pp. 57-72.
Ø SANTOS, Alexandre Ferreira. Sebastião da Gama – Milagre de vida em busca do Eterno. Lisboa: Edições Roma, 2008.
Ø Sebastião da Gama – 50 anos de poesia - Exposição. Setúbal: Câmara Municipal de Setúbal / Biblioteca Pública Municipal de Setúbal, 1998.
Ø Sebastião da Gama – Biblioteca-Museu Sebastião da Gama. Setúbal: Câmara Municipal de Setúbal, 2001.
Ø VÁRIOS. Sebastião da Gama – O poeta e o professor (Estudos e perspectivas). Azeitão: Associação Cultural Sebastião da Gama, 2007.
Ø VIANA, António Manuel Couto. “Sebastião da Gama”. Coração arquivista. Lisboa: Verbo, 1977, pp. 264-274.
Ø VIANA, António Manuel Couto. “Sebastião da Gama”. Ler, escrever e contar. Lisboa: Universitária Editora, 1999, pp. 129-142.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Associação Cultural Sebastião da Gama - Boletim nº 6

Saiu o nº 6 do Boletim Informativo da Associação Cultural Sebastião da Gama. Conteúdos: “O Diário tem 60 anos”, “Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama 2009”, “Serra-Mãe oferecida a alunos”, “Monumento a Sebastião da Gama em Azeitão vai ter preservação”, “Sebastião da Gama estudado por Alexandre Santos" (com intervenções de D. Carlos Azevedo, José Eduardo Franco e João Reis Ribeiro), “Uma medalha para Sebastião”, “Pintores homenageiam Sebastião da Gama”, “Assinalados os 60 anos do Diário” e “Algumas achegas muito avulsas para a bibliografia (activa e passiva) de Sebastião da Gama (1)” (por Luís Amaro). São oito páginas de informação sobre a vida da Associação e sobre o seu patrono.
Pode ser pedido directamente para a Associação ou para o e-mail que figura ali em cima.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Hoje, no "Correio de Setúbal"

Diário da Auto-Estima – 92
Escola – As recentes negociações entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical pautaram-se pela desconfiança. E, enquanto tal, tiveram o resultado que mereciam: o peso da irredutibilidade, da obstinação e da teimosia, com resultado de empate. Era esperado mais de parte a parte – pelo respeito que deveriam merecer a Escola, a sociedade, os alunos e os professores. A presença no(s) poder(es) não pode ser a justificação para todos os fins. E a verdade, como disse recentemente Licínio Lima, é que, em educação, a pedagogia foi substituída pela economia. A semelhança está apenas na rima. É quase certo que, no futuro, ambas vão perder por causa desta confusão. Mas todos perderemos muito mais do que elas. Se me estiver a enganar, ficarei feliz…
Deputados – Haverá ainda algo para dizer sobre aquela cena maquiavélica que se passou na Assembleia da República quanto à presença ou ausência de deputados, voltada a notar porque uma votação que parecia ser escaldante volveu votação vencida? Haverá ainda algo a dizer sobre a sugestão de que a sexta-feira fosse libertada do trabalho dos deputados? Não podemos estar a ver o trabalho no Parlamento como uma coisa de somenos, como algo que soa a jogo combinado. Que interesse terão os cidadãos em aproximar-se dos políticos se as políticas andam distantes, se as aprovações parlamentares mais fazem lembrar estratégias do que convicções? E o pior é que o sistema se reproduz – quantas vezes se vê, em sessões públicas, alguns dos intervenientes a sair da sala no momento das votações, só para que o seu nome não lhes esteja associado? Creio que não é para isto que se vota…
Sebastião da Gama – O poeta da Arrábida tem um estudo que merecia e que já aqui sugeri na última crónica. Sebastião da Gama - Milagre de vida em busca do Eterno é o título de que se fala, devido a Alexandre Santos. Linguagem acessível (apesar de ser um trabalho académico), com dose quanto baste de registos biográficos que ilustram o passeio pela obra publicada. Uma chave para entender a escrita e o sonho do poeta de Azeitão, deambulando pela sua poesia e pelo seu Diário, na busca da alegria de viver e na construção de um caminho de amor feito. E fica a convicção de que o poeta, o homem e o pedagogo funcionavam em conjunto, num todo, numa forma poética de ser vida. E também a de que Sebastião da Gama ultrapassa em muito o interesse eventualmente apenas regional, antes sendo uma expressão importante da cultura portuguesa do seu tempo. A ler, obrigatoriamente.
2009 – O ano que está a chegar tem números redondos para gostos plurais. Eis algumas hipóteses de trabalho com a memória: 900 anos do nascimento de Afonso Henriques, 250 anos da morte de Bernardo Gomes de Brito, 200 anos do nascimento de José Estêvão, 150 anos do nascimento de António Feijó, centenário do nascimento de Soeiro Pereira Gomes, de António Pedro e de Adolfo Simões Muller, 90 anos do nascimento de Ricardo Alberty, 60 anos da morte de António Aleixo e 50 anos das mortes de António Botto e de Gago Coutinho. No que à região de Setúbal respeita, as oportunidades de celebrar a vida, a cultura e a memória são também algumas: 390 anos da morte de Frei Agostinho da Cruz, 200 anos da morte do Morgado de Setúbal, 150 anos do nascimento do Padre Cruz e de João Vaz, 80 anos do nascimento de José Afonso, 35 anos da morte de Celestino Alves e de Antoine Velge e, finalmente, 60 anos sobre o início da escrita do Diário de Sebastião da Gama.
Votos – Boas Festas é o desejo inevitável nesta quadra, que gostaria de transmitir a todos os leitores, ainda que sabendo que a realidade dos tempos é difícil. Seja com o calor do presépio, seja com o ritmo comercial e global do Pai Natal, votos de Boas Festas, pois! E também de um 2009 que seja o melhor possível!

terça-feira, 1 de julho de 2008

Associação Cultural Sebastião da Gama - "Boletim" nº 5

O quinto número do Boletim Informativo da Associação Cultural Sebastião da Gama, datado de Junho, já está em distribuição. Publicação semestral, com 16 páginas nesta edição, por lá passam títulos como: “A propósito de uma caricatura…” (sobre o livro de curso da licenciatura do poeta), “10 de Abril de 2008 – O primeiro Dia Municipal da Arrábida” (relato dos acontecimentos dessa celebração, com comunicações, discursos e fotografias), “Sebastião da Gama em Lamego e em Moimenta”, “Sebastião da Gama na Secundária de Caneças” e “Em Pegões, na Escola, com alunos e com Sebastião da Gama” (registos de acções levadas a cabo pela Associação nas respectivas escolas), “Sebastião da Gama estudado por Alexandre Santos em investigação de mestrado” (sobre provas de mestrado que tiveram a obra do poeta de Azeitão como objecto de estudo, prestadas na Universidade Aberta), “Relatório de Actividades e contas referentes aos anos de 2006 e de 2007”, “Pintores em homenagem a Sebastião da Gama” (sobre exposição promovida pela Associação), “Sebastião da Gama na Vila Faia” (a presença do monumento a Sebastião da Gama na telenovela), “O poeta beija tudo…” (sobre reportagem divulgada na net alusiva a Sebastião da Gama), “In memoriam” (a propósito dos falecimentos de Artur Pascoal Cardoso, de Manuel Pereira Pires e de Maria Alice Botelho Moniz, respectivamente familiar, aluno e colega de Sebastião da Gama), “A Serra da Arrábida” (texto da mais jovem associada da Associação, com 12 anos), “Sebastião da Gama oferecido ao Concurso Nacional de Leitura do Distrito de Setúbal”, “Sebastião da Gama e os brinquedos” (sobre livro alusivo aos brinquedos populares editado pelas Câmaras de Fundão, Marinha Grande, Montemor-o-Novo e Vila Real de Santo António), “A proximidade da poesia” (a propósito de antologia organizada por Alice Vieira), “António Osório lembra Sebastião da Gama” (a partir de livro de memórias de outro poeta de Azeitão, que conheceu Sebastião da Gama), “Matilde Rosa Araújo celebra aniversário com novo livro para crianças” (sobre evento recentemente ocorrido) e “Já temos uma sede” (sobre as instalações da Associação, em Azeitão).
O Boletim, de distribuição gratuita, teve tiragem de 2000 exemplares e pode ser pedido à Associação Cultural Sebastião da Gama (Praça da República, 37 – 1º Esq, em Azeitão) ou ao responsável por este blogue (utilizando o e-mail indicado em cabeçalho).

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Em Pegões, na escola, com alunos e com Sebastião da Gama

“O senhor pode dizer-me que história vai contar?” perguntava, com voz curiosa, a pequena. “Mas, se quiseres, podes assistir…”, esbocei, como convite. “Mas a que horas é?” Que ia ser às dez. “Mas, às dez e cinco, vou ter teste… Eu sou de 6º ano e quem cá vem são os de 7º ano”. Quis saber o nome. Laura. Que gostava muito de ler. “Eu venho contar a história de uma pessoa… É difícil contar-ta em cinco minutos…” Que já sabia que eu ia falar sobre Sebastião da Gama e que sabia que era um poeta, que agora andava a ler coisas sobre o Andersen porque estavam a trabalhar sobre contos dele. “E sabes que ele viveu durante um mês em Setúbal?” Que não sabia. “E começou um conto em Setúbal…” Como se chamava? “O sapo”. Tinha que se ir embora. Dei-lhe um caderninho sobre Sebastião da Gama, os olhos brilharam de prazer, gostava de ler, muito… “É uma boa leitora que aqui temos”, explicava-me a professora que assistira ao final da conversa. E a Laura lá foi, textos de Sebastião da Gama debaixo do braço, para o teste…
Os colegas da Laura, de 7º ano, começavam a chegar e a sentar-se em semi-círculo pelo chão da biblioteca, numa operação de sossego e de expectativa. Apresentei-me, disse ao que ia. Viram uma pequena reportagem sobre Sebastião da Gama, feita pela Joana Fernandes, e viram, em power point, muito do que foi a obra e a vida do poeta, entremeada com cenas da Arrábida, da literatura, da escola, dos livros. Uma hora e tal de atenção, com as entradas na leitura de poemas por parte de alguns dos jovens, de que recordo os nomes de Sónia, Raquel, João, Letícia, Marcela, Cátia e Jessica… No final, perguntas. O que é que faz a mulher do Sebastião da Gama agora? Quantos anos é que ele foi professor? Que doença o vitimou? Porque foi ele para o Portinho da Arrábida? O senhor acha que é um professor igual ao Sebastião da Gama? Ia respondendo à medida do possível e pensei alto quando estava a responder a esta do tipo de professor que podia ser, sem os querer defraudar… Pelos vistos, algumas citações do Diário quanto à forma de um professor olhar os alunos tocou-lhes! Deixei-lhes o último número do “Boletim Informativo” da Associação Cultural Sebastião da Gama e doze páginas de poemas do “Poeta da Arrábida” para cada um. Alguns confessaram que tinham gostado muito. Havia alegria estampada. Ainda me ofereceram um desenho com os autógrafos, a título de recordação. Aquele espaço irradiava vida.
Foi na manhã de ontem, na Escola Básica 2, 3 de Pegões. Com alunos mesmo motivados, curiosos, interessados, participantes, ávidos de saber… E com professoras e professores que também os têm feito assim. Uma manhã em cheio, que tenho que agradecer a todos, também.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Sebastião da Gama - "O poeta beija tudo"

É de Abril, mês do Poeta da Arrábida e da própria serra que o adoptou. Chama-se "O poeta beija tudo - Sebastião da Gama". É uma reportagem de cerca de 12 minutos, assinada por Joana Fernandes. Está na Plataforma do Sado e vale a pena ver.

Sebastião da Gama em Ponte de Lima, em 21 de Setembro de 1947

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Pintores em leituras de Sebastião da Gama

Vinte pintores homenageiam Sebastião da Gama desde 12 de Abril no Club Setubalense (na Avenida Luísa Todi, em Setúbal), num conjunto de cerca de três dezenas de telas, numa acção promovida pela Associação Cultural Sebastião da Gama e pela Câmara Municipal de Setúbal e organizada pela associação ECOSD’ART.
As motivações dos quadros expostos ligam-se à Arrábida, a Azeitão, a versos e à ideia do humanismo do poeta, numa mescla em que os pintores conseguem encontrar marcas da universalidade e da arte em Sebastião da Gama.
As assinaturas nos quadros são de Abílio Pereira, Adelina Pereira, Amélia Sousa, Ana Maria Godinho, Anabela Santos, António Lisardo, Cristina Ramalho, Fátima Alface, Fernanda Marialva, Idalina Meirinhos, Irene Delmar, Isabel Pena, Jaime Fidalgo, Manuel Garcia, Maria Adelaide Fonseca, Maria José Cardoso, Maria do Céu Batista, Marly Carvalho e Teresa Quintela, todos membros da ECOSD’ART, associação nascida na Quinta do Conde em 2004.
No desdobrável que acompanha a exposição, pode ler-se: “Homenagear Sebastião da Gama em Abril é corresponder ao respeito pelo tempo e pela memória. O poeta da Arrábida nasceu no dia 10 deste mês, em 1924, e, nos 27 anos que viveu, elegeu a Arrábida como imagem e motivo poético, defendeu-a da destruição e cantou-lhe as formas, as vistas, os silêncios e o corpo, num acto de dádiva e de criação. Foi por essa razão que a Associação Cultural Sebastião da Gama propôs à Câmara de Setúbal, em 2006, que o Dia Municipal da Arrábida fosse assinalado nessa data, repto que teve aprovação da autarquia em Fevereiro do ano seguinte e que tem primeira realização neste 2008. A esta efeméride quiseram associar-se as telas dos artistas de ECOSD’ART, cujas paletas se envolveram na homenagem ao poeta, que, com letras e versos, pintou a Arrábida a que chamou serra-mãe.”
A exposição, patente até 26 de Abril, pode ser visitada todas as tardes.
[fotos: "Sebastião da Gama na Arrábida", por Anabela Santos, e "Serra e mar", por Maria Adelaide Fonseca]