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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Para a agenda: A Greve Geral de 1912 na imprensa, lida por Álvaro Arranja



Álvaro Arranja tem dedicado grande parte da sua investigação aos tempos de início da República, através de vários títulos que também se têm relacionado com a história local de Setúbal.
Amanhã, 7 de Outubro, mais uma obra surge, A República e os Operários - a greve geral de 1912 na imprensa da época, em edição do Centro de Estudos Bocageanos, a ser apresentada na Casa da Cultura, pelas 15h00.
Para a agenda.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Hoje, no "Correio de Setúbal"

Diário da Auto-Estima – 91
Escola – Na manhã do dia da greve de professores, o Secretário de Estado Jorge Pedreira dizia na rádio que o anterior sistema de avaliação de professores não passava de “um simulacro”. É injusto e não é verdade. Pode-se discordar do sistema, mas não se pode acusar de fingimento uma coisa que não era a fingir. Por inerência ou por convite, participei em Comissões de Avaliação e houve professores que não progrediram, outros a quem foi recomendado que refizessem o relatório de acordo com a legislação por pouco crítico ser o apresentado e outros que, tendo-se candidatado a “bom”, o viram recusado por não preencherem condições para tal. Isto, num tempo em que os sucessivos governos não tiveram a coragem de regulamentar a classificação de “bom” que estava prevista no Estatuto da Carreira Docente! Não é preciso estar-se a coberto de nenhum sindicato para dizer isto. Na tarde do mesmo dia, o Secretário de Estado Valter Lemos dizia que a adesão à greve fora “significativa”, mas regozijava-se porque a greve não tinha atingido os números que os sindicatos tinham alvitrado. E assim ficava a descoberto o essencial da luta: governo contra sindicatos e vice-versa, visto por um governante. Os sindicatos cavalgaram a onda de descontentamento? Acredito que sim. E o que fez o governo quando lhe deu jeito arranjar bodes expiatórios para explicar o que estava mal? Não esqueço que o discurso de tomada de posse do Primeiro-Ministro iniciou logo a abertura de hostilidades com grupos profissionais e com sectores económicos… Tudo em nome da explicação para problemas que os governos não têm conseguido (ou sabido) resolver. Assim como, na educação, não resolvem os desenhos curriculares desajustados, os programas mal concebidos, as cargas horárias dos alunos por vezes maquiavélicas, as disciplinas de pouca ou nenhuma relevância prática ou cultural…
Convento S Francisco – “Unus non sufficit orbis” (“um só mundo não basta”) é o título da exposição de fotografia e pintura que, até fim de Fevereiro, pode ser vista no Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal. A fotografia é de José A. Carvalho (professor em Setúbal); a pintura é de Andreas Stöcklein (alemão residente em Setúbal, com trabalhos no âmbito da pintura e do azulejo). O tema de ambas as formas de expressão é o Convento de S. Francisco, em Setúbal, nelas perpassando uma quase poética das ruínas e, simultaneamente, um grito contra a incúria e contra a afronta à memória cultural, pois das obras expostas não anda distante o que é o actual estado desta peça do património construído em Setúbal ou o que tem sido o seu trajecto de cerca de seis séculos (a serem cumpridos dentro de dois anos, provavelmente sobre um monte de ruínas ou sobre uma degradação ainda maior). “O Convento que andou de mão em mão” – assim chamou Almeida Carvalho (1827-1897) ao Convento de S. Francisco, aquele que foi o primeiro convento fundado em Setúbal, em 1410, graças a D. Maria Anes Escolar, e que pertenceu a franciscanos e a jesuítas, foi propriedade particular, pertenceu ao Estado, albergou soldados, serviu de residência a famílias vindas de África aquando da descolonização, esteve a cargo da Casa Pia e… jaz ao abandono. Com cores de ruína. Com rugas de história. Com marcas de memória.
Três livros a não perder – Embarcações Tradicionais – Contexto físico-cultural do Estuário do Sado, editado pelo Museu de Arqueologia e Etnografia do Distrito de Setúbal, sobre barcos (construção, história) e a perícia da construção naval, aliados à fotografia e à pintura; Versos do Cantador de Setúbal, o terceiro volume dos poemas de Calafate (António Maria Eusébio), editados 26 anos depois do segundo volume, organizado por Rogério Peres Claro, com cantigas sobre a cidade e sobre a vida, que andaram em folhetos e, agora, surgem em livro; Sebastião da Gama – Milagre de vida em busca do eterno, de Alexandre Santos, sobre a alegria de poetar do poeta de Azeitão, obra a ser apresentada no Salão Nobre da Câmara de Setúbal na noite de 12 de Dezembro.
aditamento
Estas notas foram redigidas na quarta-feira à noite, dia da greve de professores, para respeitar o "timing" de elaboração do jornal em que colaboro. Entretanto, a questão das escolas, aliás, da avaliação do desempenho docente, já evoluiu, melhor, já teve (des)envolvimentos: tudo indica que vai voltar a haver diálogo e, ontem, na Assembleia da República, não foi aprovada uma recomendação de suspensão deste processo porque 30 deputados faltaram na hora de votar. Vale a pena ler o postal "Negociações envenenadas" do companheiro Campo lavrado...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O "depois" da greve de professores visto por José Manuel Fernandes

«(...) O que é essencial para os professores (e escrevemos professores e não sindicatos, pois aquilo a que assistimos ultrapassou muito a capacidade de mobilização dos sindicatos, foi algo que veio do fundo da alma de dezenas de milhares de docentes que nunca imaginaram ir a uma manifestação ou fazer uma greve)? Que se perceba que este modelo de avaliação é impraticável, burocrático e gerador de injustiças e que se reabra o debate sobre um Estatuto da Carreira Docente e a bizarra criação da figura do "professor titular". O que é essencial para o ministério? Que exista um sistema de avaliação mais rigoroso do que o antes existente (apesar de não ser verdade repetir que os professores não eram avaliados quando o problema estava nas debilidades do sistema de avaliação e de carreiras). Onde é que ontem se viram sinais de que pode haver uma luz ao fundo do túnel? Quando Mário Nogueira se recusou a reafirmar, na RTPN, que não haveria negociações sem a suspensão imediata do processo de avaliação e quando, minutos depois, Jorge Pedreira disse que o ministério não aceitava desistir do "processo da avaliação", não tendo repetido a fórmula habitual, que insistiu sempre "neste modelo de avaliação".
E onde é que, aqui, podiam e deviam entrar todos os que se interessam pelo problema da qualidade do nosso ensino - e também devia entrar a oposição? Onde é que deviam entrar os que no passado foram demasiado passivos e agora são os principais protagonistas, os professores que não têm de se rever obrigatoriamente nos sindicatos existentes? Num processo que demonstrasse, do lado dos professores, e que revelasse, do lado dos outros protagonistas, que há uma genuína vontade de melhorar o sistema que temos. Para as escolas, esta é uma oportunidade para ganharem mais autonomia. Para os pais, o momento em que devem mostrar mais interesse. Para a oposição, a oportunidade que não está apenas do lado do contra. Para os outros agentes, que têm propostas e querem ser ouvidos - mesmo quando defendem soluções radicalmente diferentes.
Os responsáveis do ministério, a não ser que estejam definitivamente autistas, só podem ter percebido que, com este modelo e à força, fazem mal às escolas e se desgastam politicamente. Aos professores, agora unidos na recusa do que era realmente um modelo disparatado, não deve meter medo reivindicarem mais autonomia e mais responsabilidade, mesmo sabendo que depois podem voltar a dividir-se sobre a melhor solução. E a oposição deve correr o risco de fazer propostas que não se destinem a agradar a todos, mas procurem ser melhores, mais coerentes e mais realistas do que as deste ministério.
É isto muito difícil? É, mas não é impossível. Até porque não implica abdicar das ideias próprias, apenas respeitar as daqueles com quem se debate e negoceia. No limite, apenas exige humildade para ouvir e a convicção de que é pela argumentação, e não pela força, que as melhores ideias se impõem.»
José Manuel Fernandes. "Professores e Governo: negociar implica respeitar". Público. 04.12.2008.

A greve de professores vista por Luís Afonso

Luís Afonso. Público ("P2"), 04.Dezembro.2008

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Os professores e o ME vistos por José Manuel Silva

O Governo está completamente equivocado na forma como está a gerir o conflito com os docentes. Na verdade, o entendimento necessário não é com os sindicatos, mas com os professores. Bem pode o presidente da FENPROF acentuar que são os sindicatos que representam os professores, é verdade, mas só representam alguns e já há muito tempo que a dinâmica de rejeição das políticas e da atitude do ME para com toda a classe ultrapassa largamente a acção dos sindicatos.
Se o Governo quer pacificar o campo educativo, e só admito que o faça pelo diálogo, tem de perceber que o obstáculo não são os sindicatos nem os professores, mas a própria equipa do ME. Se o Primeiro Ministro quiser ser parte da solução e não do problema tem de demitir rapidamente a equipa que dirige o ME, por uma razão simples e que é do domínio das teorias da liderança e se fundamenta nos princípios da inteligência emocional.
Quebrou-se totalmente o vínculo emocional que liga os professores ao Ministério e o que devia ser ressonância (Goleman et al, 2003) tornou-se dissonância, o que impede qualquer entendimento ou colaboração. As emoções tóxicas tornaram-se dominantes e inviabilizam o restabelecimento da confiança e do diálogo.
Tal como na Saúde Correia de Campos percebeu isso e o Primeiro Ministro também, é forçoso que no conflito da Educação se entenda que não há saída para o problema sem mudança de caras e de procedimentos. Os professores perderam, há muito, a confiança em quem supostamente os devia liderar, e quando os líderes perdem a confiança dos liderados, deixam de o ser.
Espero, sinceramente, que não se caia na tentação de fazer da anunciada greve do dia 3 uma forma de tentar partir a espinha ao movimento de contestação docente, e que haja a iniciativa política suficiente para encontrar uma solução que resolva o problema de fundo e não qualquer cosmética de ocasião.
José Manuel Silva. "O conflito na educação visto pelo prisma da liderança e da inteligência", in Campo lavrado.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Em greve...

... pelas razões apresentadas pela "Plataforma Sindical de Professores". E por outras, que com elas se ligam e dão lugar à indignação.
Não, não é fim-de-semana prolongado. Tenho estado a corrigir trabalhos dos alunos, não em qualquer paraíso de viagem, mas em casa. E mais: com uma das turmas com quem teria aula hoje combinei leccioná-la na 2ª feira. E mais ainda: não sou adepto das greves (até hoje, é a segunda vez que participo; a outra vez tem já muitos anos) e lamento que elas surjam encostadas aos fins-de-semana ou aos feriados!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007