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terça-feira, 17 de outubro de 2017

Carlos Silveira: uma lente sobre as Festas da Agonia, em Viana do Castelo



As Festas de Nossa Senhora da Agonia, em Viana do Castelo, que ocorrem em Agosto, motivam leituras apaixonadas e apaixonantes. Um prazer para quem conhece e vê, uma perda para os que as não experimentam!
Carlos Silveira (declaração de interesses: somos amigos), a viver em Setúbal e dedicado às curtas sobre motivos vários do nosso país, visitou, olhou e interpretou uma parte das Festas da Agonia, justamente aquela que envolve as "mordomas". O filme "Dressed in gold" pode ser visto aqui. E é de ver!

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Para a agenda - Festas da Agonia, em Viana do Castelo



A Romaria da Senhora da Agonia, mais conhecida por Festas da Agonia, em Viana do Castelo, está marcada para o período de 20 a 23 de Agosto. A romaria das romarias! Única, inigualável, inesquecível. Com um programa (que se pode consultar aqui) que revela muito do que é a identidade local e alto-minhota. Para a agenda!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Viana do Castelo e a Grande Guerra


Em ano de centenário da Grande Guerra, a bibliografia a propósito é interessante. Relativamente a Viana do Castelo, depois que José Manuel Alves dos Santos publicou o artigo "Viana do Castelo - Para um roteiro português evocativo do centenário da Grande Guerra (Jornal do Exército. Lisboa: Estado Maior do Exército, nº 633, Dezembro.2013, pp. 36-43), foi agora a vez da publicação anual alusiva às Festas da Senhora da Agonia A Falar de Viana (Viana do Castelo: VianaFestas, série II, vol. 3, 2014) publicar mais alguns textos sobre o assunto. A saber: "As Festas no despertar da Grande Guerra", de Rui A. Faria Viana (pp. 11-19); "José Gomes da Cunha (1891-1976): Um vianense na I Guerra Mundial", de Porfírio Pereira da Silva (pp. 219-223); "Vianenses mortos na Primeira Guerra Mundial - Perfis dos herdeiros de pensões", de Henrique Rodrigues (pp. 225-235). Material a ler com atenção...

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Para a agenda - Cinema etnográfico em Viana do Castelo



De hoje até 5 de Julho, em Viana do Castelo, a Semana do Cinema Etnográfico. Programação e detalhes podem ser vistos aqui. Para a agenda.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Para a agenda - Feira Medieval em Viana do Castelo


No âmbito da comemoração do foral, Viana do Castelo propõe uma Feira Medieval de 14 a 18 de Junho. Bem no centro da cidade. Para a agenda.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

"Por este rio acima...", no Lima




Os rios são um factor de aproximação e de união entre populações por onde transitam contactos e identidades. Provam-no os alunos e professores do Agrupamento Vertical de Escolas de Darque (Viana do Castelo), que, contemplando as calmas águas do Lima, nele descobriram a motivação para projectos multidisciplinares de descoberta das identidades das populações ribeirinhas que constituem a comunidade do Agrupamento.
O resultado desta atenção sobre o rio levou à edição da obra Por este rio acima… (Darque: Agrupamento Vertical de Escolas de Darque, 2012), reunindo os trabalhos produzidos nas várias escolas do Agrupamento (EB 2,3 Carteado Mena e as EB 1 / JI Senhora da Oliveira, Cabedelo, Subportela, Vila Franca e da Areia), por onde passam descobertas e memórias, num encontro inter-geracional, em que os jovens se documentaram em suportes bibliográficos, é certo, mas sobretudo nos testemunhos dos mais idosos e também na observação e vivência de algumas experiências, com o acompanhamento dos respectivos docentes.
Os relatos recolhidos, documentados fotograficamente, constroem a ponte entre o presente e tempos de que já poucos se recordam ou mesmo com épocas de que já ninguém se lembra porque também há, entre os entrevistados, quem reproduza exemplos e histórias que já lhes foram contados.
Assim, viaja o leitor no rio e nos tempos e costumes, saltando chispas que vão realçando laços comunitários como se luz fossem sobre as malhas que tecem a rede de uma sociedade. É o encontro com profissões (não só ligadas ao rio, mas também ao mar – a seca do bacalhau é um exemplo – e ao campo), com as tradições (festas do calendário e tempos de encontro das famílias, lendas), com a natureza (as marcas do rio, mas também as do monte Galeão, a ombrear com o de Santa Luzia sobre a outra margem), com a história (as memórias da escola de outros tempos), com a arte (como são os casos de poetas ou de artistas locais, que revelam aos jovens a sua forma de trabalhar e de ver o mundo), com a partilha das experiências (cozer a broa, ofícios ligados ao rio), das formas de vida (da comunidade cigana, por exemplo) e dos saberes. É ainda o encontro com uma outra memória: a da educadora Zaida Garcez, darquense, ligada à gestão do Agrupamento e uma das responsáveis pelo projecto que deu corpo a este livro que já não foi visto por ela.
O rio Lima tem sido um bom pretexto para estudos monográficos e para artistas (da escrita ou da cor). Por este rio acima… é também uma boa motivação para o encontro com a memória, com usos, costumes e características que têm cimentado uma identidade. Permitir o contacto dos alunos jovens com essas marcas é um acto educativo e de cidadania. Por este rio acima… vale bem essa atenção do leitor, não só pelas chamadas de atenção que pode conter, mas também pelo que permitiu à comunidade que o fez de introspecção e de conhecimento. E, para os alunos que neste projecto participaram, haverá, um dia, boas memórias para contar…

terça-feira, 29 de maio de 2012

Memórias de António Manuel Couto Viana em conversa com Ricardo de Saavedra



António Manuel Couto Viana (1923-2010), nome para sempre ligado à poesia portuguesa e ao teatro, foi exímio memorialista dos outros, servindo-se de uma prodigiosa memória para contar sobre poetas e autores, lidos e conhecidos, sobre épocas e personagens que no seu caminho se cruzaram. Pena seria que a sua vida extremamente preenchida não desse origem a um volume de memórias, contando o seu trajecto sempre diversificado, absolutamente dominado por uma dinâmica que nunca lhe permitiu a paragem na escrita, tendo mesmo, na fase final da sua vida (a partir de 2004), encetado o caminho do conto. É assim de saudar o aparecimento da obra assinada por Ricardo de Saavedra, intitulada António Manuel Couto Viana – Memorial do coração (Conversa a quatro mãos), recentemente editada (Lisboa: Quetzal Editores, 2012).
O título informa-nos sobre a organização da obra: é, com efeito, uma entrevista, uma longa entrevista, edificada sobre onze capítulos e cerca de cinco centenas de páginas, resultante de um tempo de conversas de aproximadamente cinco anos (desde Março de 2005), tendo o entrevistado ainda tido a oportunidade de conhecer grande parte da versão escrita.
O que impressiona neste texto é a fidelidade de Ricardo de Saavedra ao tom de conversa de Couto Viana, quase sendo dada a possibilidade ao leitor de “assistir” a este diálogo entre os dois, viajando na memória, por vezes alterando a ordem cronológica, sempre contando histórias da vida ou a propósito dos momentos por que vai passando a revisitação. Bem marcante é o poder descritivo e a ordem narrativa de Couto Viana, conversador e nato contador de histórias, nunca deixando que a sua história ande apenas em redor de si, antes mostrando a sua vida na relação com os outros, na dedicação às artes – da literatura e da representação – e aos prazeres – gastronomia, leitura, viagens – e na luta pela sua independência e pelo seu caminho.
O nível de linguagem é sempre elevado, culto, com observações de uma nobreza de sentimentos e de saberes que impressionam, não só pela forma airosa como todo o seu trajecto é partilhado, como pela meticulosidade posta numa memória que deve ser um contributo para a história. São de ternura evidente as palavras que deixa sobre a sua “cidadezinha”, Viana do Castelo, e sobre o ambiente e experiências ali vividas, ponto de eterno retorno que sempre o chamou; são de realização assumida as entradas pela memória da sua vida dedicada ao teatro, enquanto actor, empresário, autor, cenógrafo, criador de companhias, num périplo que passa pelo Teatro-Estúdio do Salitre, Teatro da Mocidade, Teatro da Campanha Nacional de Educação de Adultos, Teatro do Gerifalto, Oficina de Teatro da Universidade de Coimbra, Grupo Português de Teatro (de Macau), entre outros, percebendo-se que a história do teatro português da segunda metade do século XX não estará completa se o nome de Couto Viana for omitido; são quase fílmicas as lembranças da chegada a Lisboa (em 1946) e os contactos com os escritores que sempre lera e de quem se ia tornando amigo ou com aqueles que, tal como ele, se iniciavam na aventura literária, atingindo especial elevação as referências àqueles que foram amigos de sempre, como David Mourão-Ferreira ou Fernando de Paços, por exemplo; é contributo para a história literária o seu esmiuçar pelas revistas e publicações em que participou ou a associação que faz de muitos momentos da vida a outros tantos instantes de poesia; é prestação para a história do teatro a dinamização a que procedeu no âmbito do teatro infantil, na “descoberta” de actores, no gesto de levar o teatro aos mais diversos recantos do país; é retrato de desolação a lembrança dos momentos menos bons provocados por uma remissão para o esquecimento a partir de 1974, com o consequente abandono por parte de muitos amigos, ou por um jogo de influências movido em Macau que lhe deixou feridas e desgosto, mesmo na apreciação destes casos não se vislumbrando linguagem menos nobre, antes exprimindo-se o lamento, ao mesmo tempo que a literatura se anuncia como contínua tábua de salvação.
António Manuel Couto Viana diz-se na alegria do reencontro com a sua obra, longa viagem que também o transportou ao oriente de Camões, deixando-se o leitor levar por um guia que entra na China e noutras orientais paisagens, vivamente descritas, quase se estando mais perante uma recriação literária do que na presença de algo que se diz de memória, de tal forma a riqueza das cores, das sensações, das emoções pulsa por estas páginas de reconstituição de uma vida, o mesmo se podendo dizer a propósito do pormenor na narração e na descrição do encontro com Savimbi na Jamba. O próprio entrevistador tem momentos em que interrompe a conversa para, apreciativamente, elogiar a memória do entrevistado, registo que se destinará também ao leitor, desta forma desperto – ou lembrado – quanto à realidade deste livro, que não é uma ficção, antes o retrato de uma vida.
Preocupações máximas de Couto Viana são a sua obra, os seus amigos e os seus lugares. Da obra vai falando enquanto mostra o regulador que ela foi da sua vida, com o verso sempre a renovar-se e o lirismo continuamente no seu caminho; dos amigos tem a preocupação de registar os nomes e os traços, às vezes em escassas referências, mas sempre querendo inscrevê-los no seu percurso e por vezes pedindo antecipadamente desculpa de qualquer omissão; os espaços, vai-os revisitando, com uma ternura particular sobre Viana do Castelo, berço da vida e da obra sobre o qual diz: “Viana influencia toda a minha obra! A infância marca, para sempre, a vida de um poeta e a minha foi toda passada em Viana, que continua a ser uma cidade sedutora. A timidez aguçou-me o sentido de observação e toda a minha meninice e juventude foi plena de motivos de interesse, rica de momentos inesquecíveis, vivida num ambiente familiar que muito contribuiu para estimular o meu crescente gosto pelas artes. Muitos dos meus escritos narram tudo isto, decorrem deste acumular de sensações e sentimentos, com raiz nos tempos em que cresci em Viana. E a raiz nasce no coração.”
O final do ciclo de conversas coincide com o termo da vida de Couto Viana, cujas últimas palavras para o entrevistador constituem um pedido para que o livro não esmoreça, para que o livro exista, para que a memória perdure. Um derradeiro capítulo mostra o sentimento de perda de um amigo que se tornará presente pela sua obra, extensa obra, de poeta, que António Manuel Couto Viana se chamava, nome que constitui “um decassílabo perfeito”, como Ricardo de Saavedra faz questão de lembrar logo na primeira frase do volume.
O leitor encontra ainda quarenta páginas, em dois cadernos, a constituírem um álbum fotográfico, disperso por geografias, por tempos e por amizades. E, no final, uma exaustiva lista de bibliografia activa ordenada por modos de escrita e por assuntos (poesia, teatro, contos, ensaios, memórias, gastronomia, traduções e adaptações, antologias, prefácios e apresentações), uma circunstanciada resenha da teatrologia e um índice onomástico (a que ainda poderia ter sido acrescentado um índice de títulos). A fechar, na lista dos “agradecimentos”, Ricardo de Saavedra relembra a construção do livro – desde a primeira reunião dos dois já velhos amigos, em 18 de Março de 2005, com a intenção de se contar esta vida, foi sendo construído “um livro nascido de conversas, registos avulsos e papéis dispersos, que cresce[u] ao sabor dos temas sem cuidar de cronologias, confiado quase exclusivamente na memória elefantina do interlocutor.”
Umas boas memórias de António Manuel Couto Viana. Num memorial também do coração!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

António Manuel Couto Viana - "Tens Visto o Antão? (Contos Pícaros e Outros Não)"

O primeiro livro póstumo de António Manuel Couto Viana não foi de poesia, mas de contos, arte e escrita a que se dedicou com afinco no último período da sua vida, tendo publicado três títulos que lhe granjearam elogios merecidos, além de terem constituído surpresa na sua ficha bibliográfica, sobretudo ocupada com poesia, teatro e memorialismo.
Tens Visto o Antão? – Contos Pícaros e Outros Não (Lisboa: Quetzal Editores, 2011), em edição preparada por Ricardo de Saavedra, prossegue a narrativa picaresca com que Couto Viana tinha brindado os seus leitores, enredada em dezena e meia de histórias de onde não estão ausentes a paródia de costumes, o retrato impiedoso das situações mais caricatas de uma determinada sociedade, a montra das fraquezas e das pequenas vaidades humanas.
Os narradores dos vários contos vão variando no nome e na sua caracterização, mas conservam sempre algo de uma memória que lhes é comum, construída nas vivências da “cidadezinha” que o leitor desde cedo percebe ser Viana do Castelo, terra de infância e raiz do próprio Couto Viana.
As histórias deste livro partem das memórias distantes do seu autor, cruzadas com o fazer narrativo, com a obra de arte, havendo lembranças de sítios, de pessoas, de hábitos e costumes, de saberes, da paisagem, sendo ainda possível ver tratados assuntos de todos os tempos, como a questão da identidade (em “Onde, o Natal?”) ou um elogio à paternidade (como em “Pai Incógnito”).
O leitor chega ao final de cada conto e tem vontade de sorrir, tais são o espírito certeiro com que as personagens são esculpidas ou a vivacidade posta na narração de situações caricatas que todos podemos facilmente imaginar por verosímeis. Mas o primeiro a usufruir desse prazer é o próprio narrador, como o demonstra no final da história de Elisete Fernandes, personagem do conto que fecha o livro e que lhe dá título: “Eu arrebatei a papelada, atirei para a mesa as moedas do café e do bagaço e corri para a esplanada, a soltar uma gargalhada colossal!”
Fim da história, conclusão do livro e a gargalhada da satisfação, depois de uma representação em que, pelo menos, outras tantas personagens quantos os contos desfilaram, mostrando-se e… talvez mostrando-nos.
Para mim, que conheci António Manuel Couto Viana e de quem ouvi a leitura de alguns dos contos aqui inseridos, acabadinhos de fazer (privilégio, eu sei), torna-se difícil ler estes contos sem ver passar a figura do seu autor, gargalhando e revivendo as histórias que estiveram na origem destes textos, ainda que ele se tenha disfarçado na escrita usando a personagem de outros tantos narradores.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Amorosa: um lugar com 100 anos

O livro Lugar da Amorosa (1911-1952-2008) – Ontem e hoje, de Maria Alberta dos Prazeres Gomes (Póvoa de Varzim: ed. Autor, 2009), é uma incursão na história das pessoas da Amorosa (freguesia de Chafé), sobretudo no seu núcleo autóctone, responsável pela manutenção e povoamento do lugar desde que, em 1911, o casal castelense Francisco Arezes Novo e Maria da Silva Vieira, vivendo da agricultura e da pesca, ali deitaram raízes.

Este estudo é, fundamentalmente, um repositório de memórias e de referências, por onde passa também a história da ligação (e dos afectos) da autora e da sua família ao próprio local. De facto, não é por acaso que o livro surge; é sobretudo por um acto de amor – ao lugar e às pessoas, é certo; mas também a José Teiga Mano (1917-2005), marido da autora, que teve responsabilidades na edificação urbana do lugar a partir da década de 50.

Assim, este livro aparece ao leitor como uma prova de dedicação a um local de adopção, com uma história construída graças aos testemunhos da população local, à experiência e vivência da autora e às poucas fontes que ainda podem constituir o acervo documental da Amorosa.

Pelos olhos do leitor passa ainda uma viagem no tempo, que assiste à evolução do núcleo populacional, desde sítio quase incógnito até ser dormitório de Viana do Castelo, ali a meia dúzia de quilómetros, passando naturalmente pela categoria de local de segundas residências ou de férias.

É por isso que este livro é também uma reflexão da autora sobre a identidade do local e sobre as alterações (ou sobre as eventuais ameaças) a essa mesma identidade. Simultaneamente, fica um desafio aos leitores, que pode ser partilhado por quem já viveu a Amorosa ou por quem lá queira rumar: “Quem admira hoje a Amorosa? Todos os que a viram. Todos os que nela viveram, pelo menos uma manhã, uma tarde ou uma noite.”

A mim, leitor que experimentei a Amorosa na infância, que lhe acariciei as águas e em cuja areia sonhei, que respirei o cheiro do seu sargaço e me deixei envolver pela cantilena do mar e pela companhia das rochas… este livro devolveu-me também um pouco da minha história. E um melhor entendimento da razão que me leva a visitar a Amorosa de cada vez que rumo a norte, independentemente da época do ano!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A filigrana e os sinais do tempo

«Primeiras alianças 'gay' de filigrana - Aos 70 anos, o ourives Manuel Freitas é conhecido por desenhar as mais modernas peças de ourivesaria na típica filigrana portuguesa. Em terra conservadora, rendido à modernidade, o ourives minhoto acaba de lançar as primeiras alianças para casamentos homossexuais de filigrana portuguesa.
Na montra da Ourivesaria Freitas, em pleno centro histórico de Viana do Castelo, acabam de surgir estas alianças que ostentam o género respectivo, sejam casais homossexuais ou lésbicas.
A filigrana tradicional de séculos mostra assim a mudança de hábitos em Portugal. "Toda a gente deve ter direito a aliança. Isto é, também, uma forma de propaganda ao que de melhor temos na ourivesaria que é a filigrana portuguesa", apontou o ourives.
As alianças custam 14 euros, de prata, enquanto as de ouro podem chegar aos 300 euros. "Em Viana do Castelo sei que vai ser mais difícil vender porque é uma cidade conservadora e as pessoas não se querem expor muito. Mas há outras pessoas, de fora, que até podem vir cá comprar ou encomendar", apontou Manuel Freitas.
Como qualquer outra aliança, as de casamento homossexual podem ser feitas com pormenores e inscrições à escolha do cliente. Não fosse Freitas o "desenhador" de serviço. "A minha paixão é a filigrana e desenhar novas peças, sempre inspiradas na nossa cultura. "
O anel que simboliza o casamento entre homossexuais é mais uma prova da versatilidade do ourives, que já desenhou alianças, como as de divorciados, "encalhados" ou mesmo de cibernautas.»

Paulo Julião, in Diário de Notícias: 18.Janeiro.2010

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

António Manuel Couto Viana e os contos pícaros

Que é que eu tenho, Maria Arnalda? e outros contos pícaros é a mais recente obra de António Manuel Couto Viana (Guimarães: Opera Omnia, 2009) e constitui o terceiro livro de contos na bibliografia do autor, todos eles publicados nos últimos cinco anos, faceta que torna curiosa a obra de Couto Viana, desde sempre ligada à poesia, ao ensaio memorialístico e à escrita teatral. Os outros títulos são Meias de seda vermelha e sapatos de verniz com fivelas de prata e outros contos (Lisboa: Prefácio, 2004) e Os despautérios do Padre Libório e outros contos pícaros (Guimarães: Opera Omnia, 2008).
Só nos dois últimos livros de contos é que Couto Viana assumiu, no título, o género das suas narrativas – “contos pícaros” –, desde logo dando a entender ao leitor que tipo de literatura pode esperar – histórias com um narrador que ridiculariza e explora a sátira social, pondo o heroísmo a favor desses objectivos, rindo dos outros e, muitas vezes, de si próprio, sem a preocupação de definir modelos de virtudes.
Ora, quem passa por estes contos vai encontrar narrador na primeira pessoa, a fim de sugerir credibilidade ao contado, dando a ideia de uma certa dimensão autobiográfica. No entanto, este “eu” vai variando a sua identidade de texto para texto, nome incluído, pelo que a própria sugestão autobiográfica só pode viver na linha de experiência do narrador, logo aí deixando campo aberto para a ficção.
As histórias acontecem no período da primeira metade do século XX, remetendo para retratos sociais dessa época, e situam-se, maioritariamente, na “cidadezinha”, burgo alto-minhoto, encostado ao mar, ao rio, ao campo e à serra, que outro local não pode ser senão Viana do Castelo, geografia de que não restam dúvidas depois de se ler a dedicatória da obra de 2008 à memória de uma tia do autor, que conhecia “toda a História e todas as histórias pícaras e dramáticas da sua cidadezinha, meu berço”.
São pequenas historietas, pois, coladas ao burgo que Couto Viana recorda, mas muito fantasiadas e reconstruídas. Por elas passa uma mestria de linguagem, assente na capacidade para descrever o pormenor ou os gestos, na graça com que a acção vai sendo dada a presenciar ao leitor. Por elas transitam personagens inesquecíveis, a que estão associados feitos não menos inolvidáveis e singulares, ficando o leitor a saborear o riso despertado por criaturas como o Maluquinho dos Comboios, o Lopes, o Toninho, o Sete-Cus ou a Cló (para lembrar o último livro) ou o Macário, o Malaquias, o padre Silvério, a Carminho ou o padre Libório (se falarmos do penúltimo conjunto de contos).
Se Couto Viana já era senhor de uma obra vastamente variada, estes três títulos, num género que ainda não experimentara nas suas seis décadas de vida literária, vêm reconfirmar o autor multifacetado sobre quem Ricardo Saavedra, no prefácio que integra o mais recente título, garantiu que terá “menção na História da Literatura Portuguesa”.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Os jornais de Viana na memória

A imprensa regional vianense conta agora com uma referência de elevado interesse – a obra Publicações periódicas vianenses, de Rui Faria Viana e António José Barroso (Viana do Castelo: Câmara Municipal de Viana do Castelo, 2009), integrada na série de edições a propósito dos 750 anos do foral afonsino atribuído à cidade do Lima.
Num conjunto de 640 páginas, os autores catalogaram 370 publicações por ordem alfabética (não tendo tido acesso directo a 17), “excluindo as impressas por meios não tipográficos, como as policopiadas e, até mesmo, as electrónicas”, fazendo constar em cada registo ficha técnica adequada (datas de início, responsáveis e colaboradores, conteúdos e características físicas), além de reprodução fotográfica do número mais antigo a que acederam. O período abrangido é lato, tão aberto quanto se sabe que tem sido a história do jornalismo vianense, desde 1855 (ano da criação de A Aurora do Lima) até Fevereiro de 2009 (data em que surgiu Vale do Neiva Filatélico, em Barroselas). No final da obra, surgem quatro muito úteis índices – de títulos, de responsáveis pelas publicações, geográfico e cronológico.
O maior período que houve sem o aparecimento de novas publicações foi o de 1859-1867, enquanto a maior sucessão de anos com novos títulos é a que se inicia em 1982 e vem até 2009, período de 28 anos durante os quais sempre surgiram novas publicações, havendo cinco desses anos em que nasceu apenas um novo título (1982, 1983, 1986, 1990 e 2009).
Os anos que revelaram maior número de nascimentos de títulos foram: no século XIX, o de 1892 (8); no século XX, os de 1922, 1970, 1985 e 1994 (8 títulos em cada) e 1913, 1914, 1959, 1991, 1992 e 1998 (7 por ano); mais recentemente, foram os anos de 2002 e 2004, cada um deles com 8 títulos.
A longevidade de A Aurora do Lima (saindo desde 1855, o que o torna no mais antigo título em publicação em Portugal continental) não esconde uma grande quantidade de jornais ou revistas que tiveram número único como edição – ainda no século XIX, a primeira situação aconteceu com Doris, em 1878, mas houve outros 14 títulos com igual destino; ao longo do século XX, em todas as décadas houve publicações de número único, totalizando 43; nos tempos mais próximos, os anos de 2002 e de 2003 tiveram também títulos de número único (um em cada ano). Em grande parte dos casos, estes números únicos são publicações com a finalidade de evocar efemérides ou acontecimentos sociais muito importantes (normalmente por solidariedade social), mas é curioso o paradoxo existente de uma publicação como Diário de Viana (de 1879), que não chegou a ter a periodicidade sugerida no título porque dela saiu apenas um número… Aliás, maior é o paradoxo se repararmos que, nesta história de mais de século e meio, não houve nenhum jornal diário a partir de Viana do Castelo, ainda que haja uma longa história de correspondentes de diários nacionais de referência na cidade.
Quanto aos títulos, há os que nos despertam a curiosidade, seja pelo que sugerem, seja pela originalidade: entre os primeiros, O snob (1905), A troça (1911), O peneira (1912), O gabiru (1913), O pedante (1913), Atira-le… Bernardo (1914), Zé da Gaita (1914) e O safado (1924), por exemplo; entre os segundos, refiro os casos de RTP (de 1958, publicação escolar surgida por altura do Natal, com propósito social, aproveitando o efeito do aparecimento recente da televisão em Portugal, mas identificando-se como Rápida, Total e Pronta a colaboração dos alunos para a consoada dos mais pobres), de Apolo (de 1969, jornal escolar saído em Abril, com título a propósito da proeza das 10 voltas à Lua feitas pela nave Apolo 8) e de Dar que falar (2004, aproveitando a sonoridade da expressão linguística para remeter para o ponto de origem, Darque).
Este volume Publicações periódicas vianenses é uma obra que se consulta com prazer, pelo que conta e pelo que dá a descobrir, com organização acessível e apresentação agradável, deixando no leitor a ideia de como a história local ou regional e a comunicação social se conjugam e se apoiam. Apesar de organizado alfabeticamente, este trabalho vai muito além do que é um registo enciclopédico de verbetes, quer pelo contributo que dá para o estudo da imprensa periódica, quer pelo pormenor a que desce na apresentação de cada título (orientações, tipo de conteúdos, colaboradores, mudanças na orientação, reprodução fotográfica do rosto de cada título), quer pela dificuldade na sua elaboração, uma vez que sabemos que, por se ligar à efemeridade, o jornal raramente é conservado, marca que dificulta a organização de um trabalho deste género. Aliás, os próprios autores o reconhecem ao mencionarem as bibliotecas (públicas ou particulares) que percorreram ou ao referirem as quase duas dezenas de títulos de que obtiveram referências mas que não conseguiram encontrar. Esta obra cultiva, pois, a memória local e a memória daquilo que se tem construído a partir da efemeridade, os jornais.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

1000º postal, com céu do Norte

Amorosa (Viana do Castelo), Abril de 2007

sábado, 16 de maio de 2009

Dos bordados de Viana do Castelo

Hoje, no quiosque, ao ver a capa de uma revista com bordados de Viana do Castelo, senti o tempo a recuar sob a pressão da memória. Recordo as toalhas e almofadas bordadas por familiares que se usavam na casa de infância, relembro a habilidade da mãe a decorar a vermelho e a azul pedaços de linho...
Trouxe a revista Belas Ideias (nº 2, Abril-Maio.2009), satisfeito, por esse reencontro. Introduz a história dos bordados vianenses e dá corpo a um lote de propostas de "designers" contemporâneos que jogam com os motivos e com os pontos usados no bordado de Viana do Castelo - toalhas, almofadas, abat-jours, quadros, malas, vestuário, etc. Lindas ideias! E, no final, ainda há uma reportagem fotográfica de algo que me é muito querido: o cortejo etnográfico das Festas da Agonia, que se realizam em Agosto.
Reproduzo um excerto do texto que abre a revista: "Bordar é uma arte antiga das gentes do Minho. Desde o gosto pela decoração da casa, ao traje alegre ou cerimonioso, cuidadosamente trabalhado, até à comunicação mais intimista e amorosa dos lenços de namorados, onde contam, bordando, o que lhes vai na alma. Assim é o Minho, cheio de cores, de formas, de brilhos, de encantos (...)."

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Rostos (115)

Frei Bartolomeu dos Mártires, por Manuel Rocha (2008), em Viana do Castelo

sábado, 7 de março de 2009

Vale do Neiva - coleccionismo em revista

A Associação de Filatelia e Coleccionismo do Vale do Neiva, com sede em Barroselas (Viana do Castelo), existe desde o segundo semestre de 1996. Entre as diversas iniciativas que tem promovido (exposições, publicações, divulgação), chegou agora a vez do primeiro número da revista Vale do Neiva Filatélico, publicação que pretende ser semestral e que tenciona, segundo o seu presidente, Marcial Passos, regista no “Editorial”, assumir este recurso como um “espaço aberto de informação”, que apresente “a filatelia como um elemento cultural do desenvolvimento humano numa perspectiva de partilha de conhecimento e informação”.
Por este número inaugural passam textos como “A telegrafia eléctrica em Portugal” (Pedro Vaz Pereira), “Curiosidades filatélicas – Correio-Andorinha” (Mota Leite), “Entrevista ao Jurado FIP Eduardo Sousa” (Núcleo Juvenil de Filatelia da Escola EB 2, 3/S de Barroselas), “Para a história do correio no Vale do Neiva – O correio em Balugães” (Mota Leite), “A 1ª Exposição Filatélica portuguesa” (Eduardo Sousa), “Coleccionando… Postais ilustrados” (José Manuel Pereira) e “Para a história da Associação” (Mota Leite). Há ainda lugar para diversos textos de carácter noticioso que lembram a recriação medieval do percurso a cavalo da mala-posta entre Barroselas e Viana do Castelo (que aconteceu em 28 de Outubro), a XX Exposição Filatélica Nacional e Inter-Regional “Viana 2008” (ocorrida entre 28 de Outubro e 2 de Novembro), entre outros eventos, sendo ainda antologiadas as emissões filatélicas nacionais do 2º semestre de 2008.
Neste número, é evidente a apresentação do coleccionismo – e da filatelia, em particular – como recurso alternativo para a ocupação dos jovens, quer pela intervenção de um núcleo filatélico da escola local, quer pela mensagem de um dos principais coleccionadores da região, com vários prémios já obtidos, Eduardo Sousa, que, em entrevista, recomenda aos jovens: “agarrem a filatelia como um meio instrutivo, como um meio educativo, de investigação, de estudo, que nos pode trazer novos conhecimentos.”
É uma publicação curiosa, a seguir com interesse, que apresenta outras facetas da história local e regional, não a desligando de factores identitários que a todos dizem respeito.
Com este número da revista, foram ainda distribuídos quatro postais, com fotografia de Olindo Maciel, a preto e branco, de uma série intitulada “Usos e costumes do Vale do Neiva” (“ida à feira”, “ida à fonte”, “lavadeira” e “o namoro”), que teve a colaboração do Grupo Folclórico S. Paulo de Barroselas.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Rostos (108)

Painel granítico, Museu do Traje (Viana do Castelo), por Rui Roque Gameiro

sábado, 7 de junho de 2008

Rostos (57)

Busto de Pero do Campo Tourinho (1º Donatário de Porto Seguro, no Brasil),
em Viana do Castelo (junto ao Lima)

sábado, 29 de dezembro de 2007

Rostos (18)

Estátua de Viana, Viana do Castelo