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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Para a agenda - Palmela vive o centenário da morte de Hermenegildo Capelo





Palmela vai assinalar o centenário da morte de Hermenegildo Capelo (ocorrida em 4 de Maio de 1917) com um programa promovido pelo Grupo dos Amigos do Concelho de Palmela que inclui passeio BTT, descerramento de placa evocativa, sessão solene e concerto com a Banda da Armada em 6 de Maio.
Hermenegildo Capelo (n. 1841), que nasceu em Palmela (sendo patrono da Escola de 2º e 3º Ciclos aqui localizada), destacou-se no quadro da exploração e reconhecimento do continente africano, tendo deixado obras como De Benguela às Terras de Iaca (publicado em 1881, respeitante à viagem de exploração realizada em 1877-1880) e De Angola à Contracosta (publicado em 1886, relativo à viagem efectuada em 1884 com o objectivo de estabelecer a melhor rota comercial entre Angola e Moçambique), um e outro escritos em colaboração com o seu companheiro das viagens, Roberto Ivens (1850-1898).
O feito de Hermenegildo Capelo e dos seus companheiros rapidamente lhe mereceu o título de herói pátrio, consagrando o seu nome na toponímia e em muitas evocações e estudos. Mesmo na área da literatura mais virada para os jovens o percurso deste palmelense encontrou eco, como se verificou em obras de Rafael Ávila de Azevedo (A Grande Travessia Africana de Capelo e Ivens. Col. "Os Portugueses no Mundo". Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora, 1946) e de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada (No Coração da África Misteriosa. Col. "Viagens no Tempo". Lisboa: Caminho, 1998).
Para a agenda!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A propósito dos "chumbos" na escola...

A entrevista da Ministra da Educação ao semanário Expresso (edição de 31 de Julho) ficou marcada pela questão dos “chumbos” e da vontade que Isabel Alçada mostrou de acabar com eles. Relativamente a este assunto, que o jornal puxou para título na primeira página, a entrevista é um tanto inócua, pois limita-se a dizer que poderá haver outras alternativas ao “chumbo”, que a questão vai ser apresentada aos parceiros, que “os chumbos quase nunca são benéficos”.
Começando pelo último ponto… é verdade. Todos sabemos do curto bem que pode advir de uma reprovação. Aliás, já em pequenos éramos brindados com máximas dos pais, dizendo que “chumbar” era um atraso na vida, quer pelo tempo, quer pelo dinheiro gastos; o remédio era… trabalhar, que o mesmo era dizer: estudar. Assim se valorizava o trabalho na escola e a escola ela mesma, assim se valorizava o percurso do estudante e o trabalho docente. Será que os argumentos devem ser diferentes?
Sobre a questão da audição dos parceiros… e porque não ter começado por aí? Valeria a pena, de resto, os parceiros estudarem e perceberem qual é o retrato do aluno que “chumba” em Portugal. A partir daí, talvez pudessem ser criadas as tais “alternativas”…
E, por falar em alternativas, aquelas de que Isabel Alçada fala são: “outras formas de apoio, que devem ser potenciadas para ajudar os que têm um ritmo diferenciado”, fazendo notar que em Portugal já existem muitas dessas medidas, tais como “aulas de apoio ao aluno, estudo acompanhado, projectos especiais com mais professores e técnicos”. Essas medidas já existem, de facto, mas o problema subsiste; donde, não sei se constituirão uma forte “alternativa”…
Percebe-se o apetitoso que este assunto dos “chumbos” é para os políticos – seja para os quererem eliminar, seja para os acentuarem, seja para esgrimirem pontos de vista ideológicos que se afastam, muitas vezes, da causa que é a educação. Percebe-se o apetitoso que este mesmo assunto é para os pais e para os alunos, seja por revelar preocupação de afirmação, seja por interferir com níveis de exigência, seja por poder passar pela alteração das regras de avaliação, seja por criar uma noção de facilitismo. O que não se percebe é sobre quem se está a pôr a pressão: sobre os estudantes, sobre as famílias, sobre a sociedade, sobre o sistema educativo, sobre as escolas, sobre os professores?
A política pode ditar muitas medidas. Até pode transformar em falso o que ontem era absolutamente verdadeiro. Sempre em nome da evolução (que nem sempre sabemos muito bem o que é!). Até pode acabar com as famigeradas “negativas” e o aluno transitar ou ser aprovado para o nível seguinte desde que tenha notas em todas as disciplinas, independentemente do quanto tem. As questões de fundo, no entanto, subsistirão: como deve o trabalho ser valorizado a partir da escola, como deve haver co-responsabilização nos apoios, deve haver diferenciação entre os alunos quanto aos diferentes estádios em que se encontrem num mesmo nível de ensino, o que valem as notas? Em conclusão: que sistema queremos?

sábado, 24 de outubro de 2009

Não havia necessidade...

... de, num dia, ser motivo de primeira página em jornais, ao dizer que não recebera convite do Primeiro-Ministro para ser ministra (quando, há muito, se falava do seu nome para ocupar a pasta da Educação), e, no dia seguinte, o seu nome aparecer como titular da pasta da Educação, integrando o governo proposto pelo mesmo Primeiro-Ministro!

sábado, 12 de julho de 2008

Farol do Cabo Espichel em selo

Os faróis voltaram a ser tema numa emissão filatélica dos CTT (em circulação desde 19 de Junho), depois de, em 1987, já o terem sido a partir de desenhos de Maluda. Desta vez, a série é constituída por doze selos, com outros tantos faróis portugueses, sendo 10 do Continente (Montedor, Leça, Penedo da Saudade, Esposende, Santa Marta, Cabo Espichel, Cabo da Roca, Bugio, Cabo Sardão e Cabo de São Vicente), um da Madeira (Ponta do Pargo) e outro dos Açores (Arnel), em desenhos do atelier Acácio Santos / Hélder Soares.
O farol do Cabo Espichel, na zona de Sesimbra, tem construção datada de 1790, com reformulações várias ao longo dos séculos XIX e XX. Com uma altura de 32 metros, o farol tem um alcance de 26 milhas. Em escrito de 1872, Francisco Maria Pereira da Silva apresentou-o desta forma: “A luz deste farol é fixa e branca produzida por dezassete candeeiros de Argand com reflectores parabólicos, distribuídos na respectiva árvore em três ordens horizontais, formando um sector iluminado de 260º, com seis candeeiros na primeira ordem, cinco na segunda e seis na terceira, tendo um alcance de 13 milhas. A lanterna que abriga o aparelho tem 6,80 m de altura com seis faces de 1,30 m cada uma de largo. A cúpula tem uma chaminé no vértice que dá suficiente tiragem ao fumo; mas faltam-lhe em roda tubos para a ventilação e não tem pára-raios. O edifício em que assenta a lanterna é uma torre hexagonal formada de três corpos construídos de grossas paredes de alvenaria (…) A altura de todo o edifício, desde a base da torre até ao vértice da lanterna, é de 30,7 metros. (…) Para o serviço deste farol há só um faroleiro, que tem um homem a quem paga para o coadjuvar, o que bem mostra a necessidade de haver ali mais outro faroleiro para se alternarem naquele serviço, principalmente de noite.”
Na pagela que acompanha esta série, escreve J. Teixeira de Aguilar [também ele autor de uma obra como Onde a terra acaba – História dos faróis portugueses (Pandora, 2005)] que, “diferentemente do que sucede com os mareantes, que neles vêem sobretudo uma ajuda à navegação, os faróis são para o observador desinteressado ou ocasional uma fonte de mistério, que facilmente convoca toda a espécie de mitos e lendas”. Com efeito, o viajante sabe que onde há um farol há uma paisagem para deslumbrar, seja por aquela noção de que se chegou ao fim de uma linha, seja porque a costa se apresenta agressiva na sua natureza, seja porque a nossa imaginação se refugia na solidão e no silêncio deste ponto em que a terra acaba… O Cabo Espichel e o seu farol já foram, de resto, cenário privilegiado para uma história de mistério destinada ao público juvenil, quando Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada resolveram escrever Uma aventura na falésia (Lisboa: Caminho, 1983). Suscitando a aventura ou o mistério ou não, continua Aguilar, “a verdade é que se trata de construções humanas, cuja vida foi desde o início votada a preservar a de quem anda no mar – ontem por necessidade apenas, hoje também por prazer.”