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domingo, 17 de novembro de 2013

Daniel Sampaio e as classificações dadas pelos "rankings" às escolas



"Classificar para quê?" é o que pergunta Daniel Sampaio na crónica hoje saída na revista do Público (pg. 40), texto com interesse para a reflexão sobre os rankings.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Rankings para o futuro

O Público de ontem, só visto agora, traz várias referências à educação. Interessante é ler, para ser tido em muita conta no futuro, o artigo de Joaquim Azevedo sobre os "Rankings 2008", orientado para um outro trabalho por parte do Ministério da Educação no fornecimento de números a propósito das escolas e do sucesso dos alunos, em vez de ser apenas a entrega de números à imprensa para cada qual fazer o "ranking" que mais lhe aprouver. E os princípios de que Joaquim Azevedo parte são fortes e nascem dos arrazoados que se têm apregoado. Eis, então, os cinco princípios para daqui a um ano:
"1) Está a aumentar rapidamente o caudal de efeitos perversos que resultam sobretudo da confusão gerada entre avaliação de resultados de exames e avaliação da qualidade das escolas (...);
2) A erosão que estes rankings estão a provocar sobre a avaliação (ou as representações) da qualidade das escolas públicas estatais em nada interessa à melhoria da educação no nosso país;
3) É possível (...) melhorar a informação à população acerca da qualidade da rede pública de escolas, estatais e privadas, em nome da transparência e da melhoria do desempenho das escolas;
4) A administração educacional (...) pode e deve melhorar muito a informação que é disponibilizada;
5) A informação que interessaria facultar a todos os cidadãos (...) deveria repousar no valor acrescentado de cada escola, ou seja, no valor que cada escola acrescenta aos alunos, entre o momento em que os recebe e o momento em que finalizam os seus cursos."
Depois, é apresentada a sugestão do quadro mais consentâneo com os pretextos de que a análise partiu. Bom seria que esta hipótese de trabalho fosse tida em conta!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Hoje, no "Correio de Setúbal"

DIÁRIO DA AUTO-ESTIMA – 70
Escola I – A Escola tem andado nas bocas do mundo, um pouco como consequência da conjugação da publicação dos “rankings”, da aprovação do “Estatuto do Aluno” e da avaliação de professores. Se este último aspecto tem sido centrado quase exclusivamente nas discussões entre docentes, já os outros dois têm tomado tempo e reflexão a variadíssimos intervenientes. O que mais aflige no meio de tudo o que tem sido dito é o facto de a Escola estar a ser vista apenas como um conjunto de números, fáceis de trabalhar estatisticamente e podendo essas análises servir interesses plurais e diversos, ficando-se muitas vezes a pensar que é esquecido o aspecto mais importante da Escola: é que lá estão pessoas, todas a trabalhar no âmbito da formação e dos valores humanistas, devendo haver regras claras quanto aos deveres e direitos de cada um, não podendo a Escola dar o exemplo da prevaricação. Nos tempos da globalização (desejada umas vezes, imposta a martelo e com cantos de sereia noutras ocasiões), seria útil que a Escola fosse um espaço de respiração, de humanismo, de formação, de aprendizagem, de cidadania, algo bem diferente daquilo para que parece estarem sempre a tentar empurrá-la.
Escola II – O abandono e a disciplina escolar e o caso dos “repetentes” andam também em discussão na vizinha Espanha e o jornal El País deixou a pergunta na sua versão on-line: “Cómo resolverías la situación de deterioro escolar y el aumento de repetidores?” Entre 2 e 11 de Novembro, houve 78 respostas, sendo insignificante a quantidade de respostas que preferiu opinar sobre outras coisas que não o objecto da pergunta. Talvez a discussão de lá não tenha grandes diferenças relativamente à de cá: a autoridade para os professores, a reorganização do sistema educativo, a responsabilização dos pais, a educação, a educação, a educação e também algum humor à mistura. Ficam algumas respostas a merecer o nosso olhar: “um pouco de mão dura e autoridade do professor e uma grande colaboração dos pais”, “educando primeiramente os pais”, “educando os jovens na filosofia do esforço, para que olhem como os seus pais lutam duramente nada lhes sendo oferecido e para que pensem que vale a pena trabalhar para ter cultura e trabalho”, “mais autoridade dos professores e fazer os pais responsáveis subsidiários dos actos dos filhos menores”, “impondo disciplina, disciplina e mais disciplina escolar e pedindo responsabilidades aos pais indisciplinados e a todos os que não respeitem o professorado”, “começando por reduzir o número de alunos por turma e não construindo guetos”, “ensinando às crianças o sentido da responsabilidade, convencendo os pais de que têm que educar os seus filhos, baixando o número de alunos por turma”, “com menos férias, dias livres, passeios e actividades extracurriculares e mais estudo e trabalho”, “estudar é cumprir um dever, que sempre tem esforço, e aprender divertindo-se é uma tonteria, embora quem estude acabe por apreciar o que faz e se sinta bem”, “não deixando as crianças à sua conta, compensando com prendas a falta de convivência”, “à maneira espanhola, isto é, diminuindo o nível necessário para ter aprovação em cada disciplina e deixando passar todos os alunos para o ano seguinte”, “com mais atenção em casa, mais respeito pelos professores, menos dinheiro, automóveis, motas, roupas de marca, em suma, os jovens devem saber o que custam as coisas para as valorizarem” e “despolitizando o ensino”.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

O Conselho das Escolas e o ranking

A direcção do Conselho das Escolas divulgou um comunicado sobre listas de estabelecimentos de ensino baseadas em resultados de exames, que se reproduz.
A recente divulgação de listas ordenadas (“rankings”) de estabelecimentos de ensino, a partir dos dados dos resultados dos exames nacionais de 2007, veio, uma vez mais, traçar um quadro subjectivo e incompleto da qualidade de trabalho concretizado por muitas escolas públicas.
Essas várias ordenações, baseadas em métodos e critérios diferentes, comparam entidades não equivalentes, colocando em paralelo dimensões díspares e incomparáveis.
Não têm em conta a desigual proveniência sociocultural dos alunos, as diferentes condições de acesso a bens culturais, as estruturas familiares, a heterogeneidade dos ambientes sociais, nem a diversidade e a adequação das ofertas educativas, em resposta às necessidades locais e ao combate às saídas precoces ou ao abandono do sistema de educação, ignorando todas as boas práticas que as escolas públicas vêm desenvolvendo, local e regionalmente, muitas vezes em contextos adversos.
Para além disso, tratam-se da mesma forma estabelecimentos de ensino com poucas provas ou com centenas de provas realizadas (alguns não chegam a atingir o número equivalente ao de uma turma de vinte e quatro alunos).
O que não se vislumbra, a partir destas tabelas, é a selecção de alunos muitas vezes realizada à partida, com base em estratos sociais, nem o acesso a um mercado de educação que tende a acentuar a desigualdade por via dos recursos económicos das famílias.
Há escolas públicas que, apesar de trabalharem em ambientes sociais e culturais heterogéneos ou mesmo adversos, e de não praticarem uma política agressiva de selecção de alunos, com a preocupação exclusiva da obtenção de bons resultados em exame, surgem bem situadas nestas ordenações.
Assim, a direcção do Conselho das Escolas considera que os resultados dos exames nacionais constituem, apenas, um indicador entre outros que não permite, por si só, aferir a qualidade das escolas.
Em conclusão, esta direcção sublinha o bom trabalho e o esforço que os estabelecimentos de ensino públicos, na sua grande maioria, realizam, não obstante as condicionantes com que se confrontam, na preocupação de gerar oportunidades de igualdade a todos, sem discriminação baseada em factores de ordem social, económica, cultural e/ou étnicos, contribuindo para a mobilidade social da população.
Finalmente, a direcção do Conselho das Escolas subscreve as iniciativas que conduzam a uma avaliação rigorosa dos estabelecimentos de ensino que tenham em conta os contextos em que se inserem e as respostas que encontram para elevar o nível escolar das crianças, jovens e dos adultos das respectivas comunidades.
A Direcção do Conselho das Escolas (Álvaro Almeida dos Santos, João Paulo Mineiro, Maria Teodolinda Silveira)

Minudências (15)

Rankings para que vos quero...
No Público de hoje: «A ministra da Educação afirmou que os rankings não são da responsabilidade do seu ministério, mas sim dos órgãos de comunicação social que consideram que esse trabalho é útil. "O ranking não é a forma correcta de avaliar as escolas, que são realidades muito mais complexas e exigentes do que a média das disciplinas", considerou. Segundo a ministra, os rankings são feitos a partir do Programa de Avaliação Externa das Escolas, que é um documento público. "A nossa responsabilidade no ranking é nenhuma", frisou.»
De facto, a “rankinguização” tem sido um processo em tudo semelhante àquelas febres noticiosas com data marcada, numa busca de repetidos acontecimentos, de análises iterativas e de luta que inferioriza a escola pública. Alguns peregrinos têm insistentemente dado a cara por essa onda do ranking, só eles sabendo o que os move… e pretendendo fazer passar a ideia de que o ranking que surge nesta altura do ano deveria ser factor a considerar na escolha da escola para os jovens. O que está aqui em jogo?
Fez bem a Ministra da Educação em explicar esta questão do ranking. Mas a verdade é que, nos anos anteriores, o Ministério não se tem pronunciado nestes termos, descolando-se dos rankings. E podia tê-lo feito. Mesmo para bem do ambiente nas escolas!...