Desde há poucos dias, a "carreta" das vindimas já está em Palmela, estacionada nos locais do costume, a cumprir a sua função: indicar o calendário da edição deste ano da Festa das Vindimas (3 a 8 de Setembro), adiafa grandiosa da vida do campo e desse símbolo que povoa as terras de Palmela. Para a agenda.
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sexta-feira, 31 de julho de 2015
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Azulejos do Mercado do Livramento, em Setúbal (IV)
Um quadro retratado pelos azulejos de Pedro Jorge Pinto no Mercado do Livramento, em Setúbal, peça que ficou destruída com o desabamento ocorrido em 7 de Fevereiro.
Cenas de um mundo rural, nas vindimas...
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terça-feira, 25 de setembro de 2007
Adiafa – A Festa das Vindimas
“Na última canastra o capataz dizia: vai lá buscar a bandeira. Iam as pessoas que a tinham feito e lá vinha a bandeira. No último cesto de uvas a subir para o carro era apresentada a bandeira e rebentados os morteiros. E toda a minha gente nesta zona sabia que se tinha acabado a vindima do sr. Álvaro Cardoso.” Quem
assim relembra é Marina Roque, feitora no Monte do Lau, uma das quatro herdades que integravam a Casa Agrícola palmelense de Humberto Cardoso (os outros montes eram os da Agualva, da Fonte Barreira e de Pegões, totalizando os quatro uma área de cerca de 650 hectares).
O testemunho da feitora é um dos vários que surge recolhido na exposição “Adiafa – A Festa das Vindimas”, patente na Biblioteca Municipal de Palmela até meados de Outubro. Tal como os outros testemunhos, este evoca um tempo que era o do final das vindimas porque final de um ciclo. Aí por meados de Outubro, acontecia o dia diferente, com a festa, havendo almoço (antigamente, resultando da partilha do contributo de cada trabalhador e, mais recentemente, oferecido pelos patrões) e baile, em que participavam todos os trabalhadores da vindima e os patrões.
Gesto simbólico mas de muito empenho era o da oferta da bandeira da adiafa aos patrões – uma bandeira em tecido sedoso, enfeitada com desenhos bordados, com flores e até fixando postais ilustrados emoldurados em bordado a propósito. Mais tarde, seriam os patrões a fornecer os materiais e a pagar o tempo de trabalho para a confecção da bandeira, coisa não pouca se pensarmos que três semanas era o tempo necessário para duas pessoas congeminarem a bandeira, período que começava a contar quando faltava esse prazo para o final da colheita.
A festa da adiafa era a alegria do fim de um ciclo, pois. E em muitas bandeiras havia registos de quadras simples, numa métrica por vezes irregular, associadas a desenhos naïfs, a assinalarem a alegria do fim da colheita, em que todos eram louvados, como se pode ler na bandeira do Monte de Fonte Barreira de 1984: “Acabamos a Vindima / Tudo fez o que foi capaz / Vivam os tractoristas / E o nosso capataz.”
Depois, havia ainda a adiafa das adegas, mais lá para o fim do mesmo Outubro, quando o tratamento das uvas era dado como concluído pelo adegueiro, festa mais reservada aos homens, com uma caldeirada e a exposição das bandeiras consideradas mais bonitas na adega.
As pessoas falam da adiafa já com saudade, como se pode verificar nos testemunhos que a exposição colecciona. Outros tempos, elevados custos, diferentes viveres. Fica a lembrança trazida para esta exposição, com bandeiras de adiafa da Casa Agrícola Humberto Cardoso, actual Carpal, feitas entre 1978 e 2004. A adiafa (palavra de origem árabe, com entrada bem antiga na língua portuguesa, a sugerir banquete) celebrava o fim do ciclo, mas, na verdade, não era mais do que um intervalo. É que, à porta, estava já a preparação do vinho, as podas e… um novo ciclo para a uva e para a vida agrícola.
assim relembra é Marina Roque, feitora no Monte do Lau, uma das quatro herdades que integravam a Casa Agrícola palmelense de Humberto Cardoso (os outros montes eram os da Agualva, da Fonte Barreira e de Pegões, totalizando os quatro uma área de cerca de 650 hectares).O testemunho da feitora é um dos vários que surge recolhido na exposição “Adiafa – A Festa das Vindimas”, patente na Biblioteca Municipal de Palmela até meados de Outubro. Tal como os outros testemunhos, este evoca um tempo que era o do final das vindimas porque final de um ciclo. Aí por meados de Outubro, acontecia o dia diferente, com a festa, havendo almoço (antigamente, resultando da partilha do contributo de cada trabalhador e, mais recentemente, oferecido pelos patrões) e baile, em que participavam todos os trabalhadores da vindima e os patrões.
Gesto simbólico mas de muito empenho era o da oferta da bandeira da adiafa aos patrões – uma bandeira em tecido sedoso, enfeitada com desenhos bordados, com flores e até fixando postais ilustrados emoldurados em bordado a propósito. Mais tarde, seriam os patrões a fornecer os materiais e a pagar o tempo de trabalho para a confecção da bandeira, coisa não pouca se pensarmos que três semanas era o tempo necessário para duas pessoas congeminarem a bandeira, período que começava a contar quando faltava esse prazo para o final da colheita.
A festa da adiafa era a alegria do fim de um ciclo, pois. E em muitas bandeiras havia registos de quadras simples, numa métrica por vezes irregular, associadas a desenhos naïfs, a assinalarem a alegria do fim da colheita, em que todos eram louvados, como se pode ler na bandeira do Monte de Fonte Barreira de 1984: “Acabamos a Vindima / Tudo fez o que foi capaz / Vivam os tractoristas / E o nosso capataz.”

Depois, havia ainda a adiafa das adegas, mais lá para o fim do mesmo Outubro, quando o tratamento das uvas era dado como concluído pelo adegueiro, festa mais reservada aos homens, com uma caldeirada e a exposição das bandeiras consideradas mais bonitas na adega.
As pessoas falam da adiafa já com saudade, como se pode verificar nos testemunhos que a exposição colecciona. Outros tempos, elevados custos, diferentes viveres. Fica a lembrança trazida para esta exposição, com bandeiras de adiafa da Casa Agrícola Humberto Cardoso, actual Carpal, feitas entre 1978 e 2004. A adiafa (palavra de origem árabe, com entrada bem antiga na língua portuguesa, a sugerir banquete) celebrava o fim do ciclo, mas, na verdade, não era mais do que um intervalo. É que, à porta, estava já a preparação do vinho, as podas e… um novo ciclo para a uva e para a vida agrícola.
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