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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Petição pública - Escola Secundária de Palmela




Caros Amigos,
Acabei de ler e assinar a petição: «Por um pavilhão desportivo na Escola Secundária de Palmela» no endereço http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PavilhaoAPEE-ESP
Pessoalmente concordo com esta petição e cumpro com o dever de a fazer chegar ao maior número de pessoas, que certamente saberão avaliar da sua pertinência e actualidade.
É necessária a solidariedade de todos para que os poderes deixem de fazer orelhas moucas perante um problema que criaram. Um Escola Secundária sem instalações desportivas condignas, sem um pavilhão desportivo há mais de uma década, com aulas de Educação Física a decorrerem ao sabor do clima e, muitas vezes, dentro de salas de aula normais... Assine e partilhe! Um dever de cidadania, apenas!
Uma 3ª fase das obras adiada e sucessivamente esquecida desde há 13 anos, faltando ainda sala de alunos, laboratórios e espaços de disciplinas específicas... Assine e partilhe! Um dever de cidadania, apenas!
Agradeço que subscrevam a petição e que ajudem na sua divulgação através de um email para os vossos contactos.
Obrigado.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Duas marcas da prática política no nosso país


1) «Em matéria de reformas sou licenciada já assisti a reformas do ensino da linguagem da administração do vocabulário dos costumes e sei lá que mais e só uma coisa é certa essa coisa é que “atrás de reforma vem reforma” tão certo como dois e dois serem quatro e que para reformar não há como os portugueses que reformam rerreformam e rerrerreformam e está tudo sempre a pedir reforma enfim como já percebi que a reforma é a vocação natural da Pátria (…) sento-me na minha cadeira e deixo-as passar porque as reformas são como o vento passam sempre até vir outra mais tarde ou mais cedo embora para dizer a verdade venham quase sempre mais cedo.»

2) «Está tudo na mesma e estar tudo na mesma quer dizer que os partidos não se entendem e os partidos não se entenderem é estarem a ter conversas uns com os outros para depois mandarem comunicados a dizer que não se entendem eu cá por mim acho que eles podiam poupar as línguas eliminando as conversas e mandando logo os comunicados sempre se poupava papel nos jornais e sempre se poupava a nossa paciência que está a rebentar.»

Os leitores mais atentos reconhecerão o estilo: as redacções da Guidinha, essa personagem criada pelo Luís de Sttau Monteiro (1926-1993), que compunha crónicas humorísticas e apimentadas sobre os hábitos sociais, lidas avidamente no Diário de Lisboa ou em O jornal. Os dois excertos que apresento mantêm-se oportunos, apesar de terem data: ambos foram publicados em O jornal, o primeiro em 22 de Junho de 1979 e o segundo em 8 de Setembro de 1978. Isto é: 35 anos não alteraram algumas práticas políticas do nosso país!
Algumas crónicas da Guidinha podem ser lidas em Redacções da Guidinha (Lisboa: Areal Editores, 2003), que recolhe uma selecção de algumas saídas no Diário de Lisboa entre 1969 e 1970, e em A Guidinha antes e depois (Lisboa: "O Independente", 2004), compilação de vários textos surgidos entre 1972 e 1979 em ambos os jornais.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Sobre educação, com justiça e mercantilismo à mistura

O artigo de Francisco Teixeira, intitulado "Educação, justiça e mercado", saído no Público de hoje (pp. 50-51) bem merece ser lido pela análise feita, contributo para se entenderem as actuais ideias que pairam quanto à escola. Reproduzo a conclusão do texto, que pode ser lido na íntegra aqui.


domingo, 17 de novembro de 2013

Daniel Sampaio e as classificações dadas pelos "rankings" às escolas



"Classificar para quê?" é o que pergunta Daniel Sampaio na crónica hoje saída na revista do Público (pg. 40), texto com interesse para a reflexão sobre os rankings.

Manuel Carvalho e a escola (pública ou privada)


No Público de hoje (pg. ), Manuel Carvalho escreve sob o título "O vírus da insolvência das escolas públicas". Aqui reproduzo o texto que respeita ao tema da escola.


domingo, 10 de novembro de 2013

Fernando Madrinha e o negócio do ensino (a propósito de uma reportagem da TVI)


A reportagem da TVI transmitida na semana passada, assinada por Ana Leal e por Gonçalo Prego, sobre o financiamento do Estado ao ensino particular não pode deixar ninguém indiferente. Absolutamente ninguém. Quer pelo que se fica a saber, quer pelas injustiças cometidas, quer pelas questões ideológicas subjacentes ao que está a acontecer, quer pela pobreza de argumentos de muitos dos envolvidos (dados assim como quem assobia para o lado), quer por todos nós, por este Portugal que é o meu país.
Fernando Madrinha, colunista do Expresso, na edição de ontem, acentuou a tónica da "promiscuidade". Vale a pena ler.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

A política como jogo - Os deputados "municiados"

Ontem, ouvi o deputado Nuno Magalhães na Antena 1 a  justificar o encontro entre os deputados do CDS e do PSD com o Governo, a propósito da proposta de orçamento, como uma medida útil e necessária para todos estarem informados e para os deputados ficarem "municiados"... para o debate que se irá seguir, supomos.
Como as palavras são traidoras das intenções, ou, por outras palavras, como as palavras revelam as intenções de quem as profere, fácil se torna perceber que ir buscar o termo "municiar", ainda que como metáfora, só revela que a política não passa de um jogo, que, por vezes, é perigoso, como são todos os jogos de guerra. "Municiar" é termo do vocabulário militar, da área do belicismo. Como exemplo de prática democrática, é pobre, paupérrimo. A democracia faz-se com argumentos, não com balázios! Tem sido esse o nosso azar desde há bastantes anos...

domingo, 13 de outubro de 2013

Invocar a educação em vão - Não é pecado, mas devia ser...



Filinto Lima escreve no Público de hoje sobre um tema que deveria ser pecado, isto é, que deveria ser lamentado por todos os portugueses: o facto de a educação, especialmente a escola pública, ser pau para toda a colher e de sobre ela se dizerem (e cometerem) aberrações e atrocidades.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Para a agenda - Crise, troika, alternativas e... um livro



Intervenções do Congresso Democrático das Alternativas, a várias vozes, na discussão de A crise, a troika e as alternativas urgentes (Lisboa: Tinta-da-china). Na Biblioteca Municipal de Setúbal, em 4 de Outubro, à noite. Para  a agenda!

domingo, 8 de setembro de 2013

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Marcas dos libertários em Setúbal vistas por João Freire e Maria Alexandre Lousada



Pelo trabalho de João Freire e de Maria Alexandre Lousada, Setúbal vê reconhecidos os seus pontos de contacto (e de acção) que a integram num pólo importante do “movimento social crítico e alternativo”, entendido como “identificação analítica de movimentos de acção colectiva (ou para isso tendentes) que tinham por objectivo transformar de maneira profunda, estrutural, a sociedade em que viviam, agindo essencialmente no plano social (e forçosamente também no terreno económico), com rejeição da possibilidade de concorrerem no plano das instituições políticas e do poder estatal”. Movimentos deste género serão o anarquismo, o sindicalismo, o cooperativismo e “outras manifestações públicas de sentido humanitarista”.
Na obra Roteiros da memória urbana – Setúbal: Marcas deixadas por libertários e afins ao longo do século XX (Lisboa: Edições Colibri, 2013), os autores deixam a garantia de que Setúbal foi uma das cidades em que este movimento “foi particularmente intenso e actuante”, haja em vista o crescimento de Setúbal no final do século XIX e início do século XX devido à actividade marítima e à indústria conserveira.
A obra surge dividida em seis partes: “Sítios com história”, “Militantes”, “Sindicatos de trabalhadores”, “Jornais”, “Grupos e associações” e “Bairros operários, piscatórios e populares”.
Relativamente ao primeiro grupo, são apresentados três trajectos, dominados pela parte mais antiga de Setúbal ou “os três núcleos tradicionais”, estruturantes que foram na construção da cidade e mesmo na organização social – o centro da cidade, Troino e Palhais-Fontainhas. Nesses três percursos são identificados 48 sítios com interesse para o “movimento social crítico e alternativo”, nem todos de igual importância, alguns já alterados na arquitectura, respeitando sedes de organizações e de jornais, de oficinas, residências de personalidades militantes, locais de trabalho, informações sobre as quais é fornecido algum contexto histórico.
Se os percursos são completos, diversificados e bem orientados, há, no entanto ressalvas. Assim, na terceira proposta, aquando da chegada ao Largo da Fonte Nova, é dito que o topónimo deriva do facto de tal fonte ter sido trazida “do Largo do Sapalinho após a implantação da República”. Ora, a designação “Fonte Nova” para este local existe já desde o século XIV, ainda que não se saiba exactamente a sua origem. Uma segunda observação decorre do facto de ser considerado “sítio” visitável (e identitário) uma pintura mural existente na rua Fran Paxeco alusiva a Jaime Rebelo, na fachada de um prédio abandonado. Ora, integrar uma manifestação de arte efémera num roteiro faz correr o risco da sua rápida desactualização, uma vez que tal pintura pode desaparecer – neste momento, tal prédio está entaipado, com o mural invisível ao visitante e em degradação…
O capítulo consagrado aos “Militantes” biografa muito sumariamente 53 nomes, considerados dos “mais destacados” (Afonso do Nascimento Ventura, Álvaro Figueiredo Simões, Aniceto, António Augusto das Neves, António Augusto Quaresma, António Casimiro da Silva, António Costa, António Francisco de Sousa, António Luís, António Mendes, Bruno Palhares, Carlos Alberto, David Augusto Correia, Emílio Freitas e Silva, Etelvina, Francisco José de Brito, Francisco Rodrigues Franco, Jaime Rebelo, Januário da Conceição Sabino, João Atanásio, João da boa-Viagem, João Maria Major, Joaquim Correia, Jorge José Silva, Jorge Quaresma, José Alves, José Artur Quaresma, José Benedy, José Bernardo, José Carlos Rates, José Franco, José Luís Martins dos Santos, José Maria Canoa, José dos Reis Couto, José Viegas Samurrinha, Júlio da Purificação Tavares, Justino Gomes, Laura Arrábida de Sousa, Leonardo, Leonídio Rodrigues, Libânio Leal, Lino de Andrade, Luís Branco, Luís Matias, Luísa do Carmo Franco, Manuel dos Santos Quintas, Manuel de Sousa, Mariana do Carmo Torres, Norberto Valido, Raul Elias Adão, Sabina Lopes Condeça, Valentim Adolfo João e Xavier Correia). Compreendem-se as limitações no traçar de uma biografia quando faltam elementos, mas, relativamente a alguns casos, poderia haver mais precisão – quem reconhecerá que Carlos Alberto, assim designado e com uma biografia escassa, é o azeitonense Carlos Alberto Ferreira Júnior, que teve intensa actividade profissional, política, cívica e cultural?
No capítulo “Sindicatos de Trabalhadores”, são indicadas quase 30 organizações para o período das primeiras três décadas do século XX, número impressionante e que bem atesta o papel interventivo de Setúbal neste movimento crítico e social, e, na parte respeitante aos “Jornais”, marcam presença os emblemáticos Germinal e Voz Sindical, ainda hoje de consulta obrigatória para conhecer a Setúbal de início do século XX e os seus movimentos sociais. Quanto aos “Grupos e Associações”, também brevemente apresentados, o número ascende a 22, um deles ainda com existência nos dias de hoje – Associação Operária de Socorros Mútuos Setubalense, Grupo Anarquista Avante, Sociedade de Instrução e Beneficência Germinal, Escola Liberal de Setúbal, Grupo de Propaganda Livre, Grupo Germinal, Grupo Anarquista Rebeldes, Federação Internacional de Regeneração Humana, Grupo Anarquista Os Cosmopolitas, Núcleo das Juventudes Sindicalistas, Centro de Recreio e Propaganda Livre, Grupo Acção Anarquista, Grupo Artístico Alma Nova, Grupo Esperantista Operário Nova Espero, Grupo Anarquista Os Intransigentes, Grupo Solidariedade Humana, Universidade Popular Portuguesa, Sociedade Promotora de Educação Popular, Ateneu de Estudos Sociais, Grupo Esperantista Disvastiga Stelaro, Grupo Anarquista Os Activos e Grupo Libertário de Setúbal. No capítulo dos “Bairros Operários, Piscatórios e Populares”, pode o leitor ver como tais aglomerados criaram identidades ainda hoje visíveis – Bairro de Troino, Bairro Libertário, Bairro dos Varinos, Bairros de Palhais-Quevedo-Fontainhas, Bairro da Monarquina e Bairro Baptista.
A obra encerra com uma cronologia que permite ao leitor seguir a vida política em Portugal e no Estrangeiro em paralelo com o desenvolvimento do movimento social, num período entre 1864 e 1998, e com a “Lista de militantes libertários de Setúbal”, em que constam 136 nomes, aí incluindo os já mencionados no capítulo “Militantes”.
Título produzido no âmbito do projecto MOSCA (“Movimento Social Crítico e Alternativo”), este contributo de João Freire e de Maria Alexandre Lousada revela-se interessante para a identidade de Setúbal, embora pudesse ser mais completo. O leitor poderá obter mais informação sobre este projecto e sobre outras localidades já em roteiro no sítio http://mosca-servidor.xdi.uevora.pt/projecto/

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Irrevogável semântica

Irrevogável – adj. Relativo a dramatizações imbuídas de afirmação, esteve para ter novo significado graças à interpretação intempestiva do governante e dirigente partidário Paulo Portas (n. 1962), mas ficou com o mesmo significado. Passou a designar governos que podem ser revogados, mesmo se a prazo e mesmo que por causa de um “irrevogável”, por interferência do político e governante Aníbal Cavaco Silva (n. 1939). Palavra impronunciável em situações que resultem de decisões políticas.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Da continuidade do teatro até ao risco da palhaçada


Corre o teatro de que escrevi ontem o risco de se tornar palhaçada? Temos nós, portugueses, de andar sujeitos a histórias de "tricas" e de jogos de ping-pong? E não há forma de incriminar estas criaturas que nos "governaram" e decidem abandonar o barco em que eles mesmos remaram para rumos sobre os quais não pediram conselhos? E sai-se do governo em alturas destas assim, virando costas a quem lhes pagou (e de que maneira), sem darem uma satisfação plausível, sem pelo menos mostrarem que nos respeitaram? E temos de continuar a suportá-los? Andamos todos a ser gozados. Alegremente. Tristemente.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ainda a propósito do teatro... kafkiano



Coincidências?
Há pouco, ouvi na televisão Alberto João Jardim a referir-se ao actual momento político português como algo de "kafkiano". Apesar de por norma não apreciar os comentários do governante madeirense, não pude deixar de reconhecer a oportunidade do adjectivo.
E não é que Jardim coincidiu nas datas? Ao chegar ao "google", vi a imagem de destaque... Passam hoje 130 anos sobre o nascimento de Kafka! A sorte que alguns políticos têm nas coincidências!!! E o azar que temos todos nós porque... data mais kafkiana não poderia haver!

Não há pachorra para este teatro!


Recordo-me de ter aprendido com os mais velhos que as "garotadas" eram de evitar. Sobretudo porque ninguém nos levaria a sério a partir dali; sobretudo porque não eram marca de responsabilidade e de ser adulto; sobretudo porque eram desrespeito pelos outros. Recordo-me bem, porque ouvi o termo aplicado muitas vezes a situações e a pessoas que tinham deixado muito a desejar.
A situação por que estamos a passar na política portuguesa assemelha-se a essas situações. Porque ninguém percebe (?). Porque não podemos acreditar. Porque não nos respeitam. Porque fomos "enganados" com promessas de horizontes de esperança e agora se esquecem os sacrifícios que foram pedidos, os sacrifícios que têm sido sofridos, valentemente sofridos.
Há políticos que deveriam ter vergonha do que têm feito e não mais se deveriam apresentar como pretensas soluções (que não são, nunca foram, não sabem ser). Indignação, sim, porque temos sido gozados, porque à nossa custa nos têm culpado do que não fizemos (nunca fizemos), porque à nossa custa têm esbanjado tempo, dinheiro, paciência, recursos, respeito.
Não há pachorra para este teatro (sem ofensa à arte)!

domingo, 26 de maio de 2013

Paulo Morais em luta contra a corrupção, por um imperativo cívico

Paulo Morais, autor de Da corrupção à crise (Gradiva, 2013), fundador da Associação da Transparência e Integridade, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto na equipa de Rui Rio, é entrevistado na “Revista” do Expresso de ontem (nº 2117, pp. 46-52). Uma entrevista a ler, que explica muitos dos mistérios com que vamos sendo brindados no quotidiano. Uma entrevista a ler, porque temos de saber. Deixo alguns excertos.

A sedução como corrupção – “Um político não se pode deixar contaminar, ou cair na sedução do croquete. Há a corrupção material, comprar pessoas, e há uma corrupção aparentemente menos grave mas gravíssima, que é a da sedução. Convites para jantar, fins de semana, quinzenas de férias, bilhetes, etc.”
Dominar o líder – “Os poderosos ou eliminam o líder ou dominam o líder. Foi o que aconteceu com Passos Coelho, que entrou relativamente solto.”
Dos mercenários – “Os que andam com a mão na massa, na sujidade, os mercenários, são 10 ou 15%. Mas são 15% que mexem em 90% do Orçamento. São pessoas que se sentem seduzidas pela função, vereadores, deputados, etc. Pelas borlas. Pelas facilidades e empregos.”
Corrupção em Portugal a aumentar – “A corrupção em Portugal está a subir. Nos indicadores internacionais, entre 2000 e 2010, passámos de 23º para 33º. Somos o país que mais caiu na transparência no mundo. O que mais regrediu. (…) Se a corrupção diminuir o país melhora.”
Partidos e (des)emprego – “No litoral, ou nas áreas metropolitanas, estar ligado a um partido é garantia de emprego. Nos pequenos municípios, no interior, não estar ligado é garantia para o desemprego.”
Da justiça – “Na justiça, para notificar um cidadão para prestar declarações, em vez de se fazer um telefonema manda-se uma carta registada assinada por um procurador a fazer de escrivão e vai um polícia fazer de carteiro. Kafkiano. Medieval. Justiça agressiva, medieval. A justiça é gongórica, muita pompa e circunstância. Togas e becas, frases bombásticas, e o tecto a cair da sala.”
As pontes sobre o Tejo, em Lisboa – “Expropriação, já, da ponte Vasco da Gama. Não é um negócio, é uma mentira. (…) Percebi ao fim de não sei quantos anos que os privados entraram com pouco mais de 20% do valor da ponte. E ficaram não só com aquela ponte como com a outra e com as travessias do Tejo.”
Resgate, qual resgate? – “Da troika prefiro nem falar. Devíamos ter tido uma intervenção externa se tivéssemos tido de facto um resgate. Mas não tivemos um resgate, tivemos uma intervenção para garantir que o Estado português continuava a pagar os empréstimos à banca. Um resgate é outra coisa. Existem resgates nas empresas, os chamados acordos de credores. Processos de reestruturação da dívida em que se isola a exploração do problema da dívida. Isto é um resgate. (…) Quando a primeira das despesas a efectuar é dívida, isto não é um resgate, é um sequestro. Não vale a pena dizermos que não vamos pagar, o que faz sentido é fazer um resgate a sério. Reestruturar a dívida.”
Gastar acima das possibilidades – “A história de que os portugueses andaram a gastar acima das suas possibilidades é o maior embuste. São as três maiores mentiras. Essa é uma, outra é de que não há alternativa à austeridade. E a terceira é a mania dos desvios, cada governo que vem diz que havia um desvio do governo anterior. (…) Na Administração Pública não pode haver desvios, as pessoas não têm a noção disto mas a despesa pública carece de orçamentação. (…) Dizer que há desvios é brincar com as pessoas.”
BPN e Alves dos Reis – “O caso BPN está para este regime como o caso Alves dos Reis para a I República. (…) Se houver uma investigação competente, conseguem identificar toda a gente. E confiscar os bens.”
Da censura e da intervenção social – “Acho que podemos criar uma forte censura social para dar a volta. Em Itália, durante a operação Mãos Limpas, os políticos entravam nos restaurantes e as pessoas atiravam-lhes moedas. O meu maior combate é contra o medo.”

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Procurar o consenso


O consenso entre as várias forças políticas presentes no Parlamento já há muito que é desejado pelos cidadãos relativamente a questões estruturantes do país. Porque a prática política tem sido estúpida ao pensar que cada um que chega ao governo acaba de descobrir a pólvora e nada se tem interessado por encontrar consenso em torno de questões que vão para além de uma legislatura ou até de duas. No entanto, os partidos nunca quiseram saber disso para nada. Lamentavelmente...
Agora, a palavra da moda é "consenso". Apenas um problema: é que os políticos ainda não chegaram a um consenso sobre o que seja o consenso. Depois de este ponto estar resolvido, talvez se possam começar a desenhar consensos. Não creio é que seja com os políticos que temos. Lamentavelmente para nós!

quinta-feira, 25 de abril de 2013

D. Manuel Martins: um outro 25 de Abril

Contra a "ditadura do medo" e por um 25 de Abril promotor da "paz e justiça" são as ideias fortes da comunicação do Bispo Emérito de Setúbal D. Manuel Martins, um olhar atento sobre a sociedade e uma voz da denúncia, em declarações que podem ser lidas aqui.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Fragmentos 03 - Seguro


Ao telefone, num inglês esforçado para que se percebesse a mensagem (a explícita e também a implícita), disse-me que estava tudo bem, apesar de um pouco preocupado. “É que a minha namorada, a X…., vai aí para Portugal por um período de seis meses, para Lisboa… Isso é seguro?” Sim, ainda vai sendo, pelo menos por enquanto… apesar de tudo! Parece que ficou um pouco mais sossegado com as condições para o estágio da jovem italiana, sua namorada.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Ramalho Eanes: entre o consenso, a indignação e a esperança


Uma entrevista de saber, de ponderação, de responsabilidade. Uma análise que não cala nem omite. Ramalho Eanes em entrevista com Cristina Figueiredo, José Pedro Castanheira e Ricardo Costa, no Expresso de hoje, em duas páginas. A ler. Deixo alguns destaques.

Consenso e futuro – «Na prática, os partidos têm privilegiado as áreas de divergência, de combate e diferenciação, esquecendo as outras. Um país que carece de alterações profundas deve procurar, em determinadas questões essenciais, a concertação e o consenso. E a partir daí estabelecer os seus próprios planos de reforma – o que é completamente diferente de ter de efectuar apressadamente as reformas impostas. Além disso, a interacção dos partidos com a sociedade civil tem sido incorrecta – mas isso também é da responsabilidade da sociedade civil. (…)»

Percursos – «(…) A Expo98 foi um sucesso. Mas seria necessário gastar o que se gastou? Duvido! E os estádios de futebol – para quê? E há aquilo que se devia ter feito e não fez: a ligação de Sines a Espanha e, possivelmente, do Porto à Galiza. (…)»

Reformar o país – «(…) Nunca se faz uma reforma contra os indivíduos que vão dar-lhe realização E nunca se faz uma reforma contra o país. Só se faz uma reforma utilizando um método capaz. (…) Quando o estudo é feito por um grupo que a sociedade civil reconhece e que tem competência e isenção, criam-se condições imediatas de aceitação e de discussão. (…) Não percebo que esse montante [de 4 mil milhões] ou até outro se procure através de uma reforma feita em dois meses. O estudo de uma reforma destas não demora dois meses, nem um ano – demora mais. (…)»

Cortes, desemprego e futuro – «(…) Até podem cortar ainda mais, mas mostrem-me que esses cortes têm resultados positivos. Primeiro, assegurem-me que não haverá ninguém com fome. (…) Segundo, não posso admitir que se olhe para o desemprego como se fosse uma realidade abstracta. O desemprego são desempregados! E um desempregado, sobretudo de longa duração, é um homem que, pouco a pouco, perde a sua autodignidade, perde respeito por si e pelos outros. Num jovem é muito pior: sente que lhe estão a roubar o futuro. E daqui resulta ou a desistência, a passividade, ou a evasão perversa, ou a revolta. Em muitos países as grandes revoltas foram feitas pela juventude, que não aceita que lhe roubem o futuro! (…) A pátria não é a entidade pela qual valerá a pena morrer, mas pela qual vale a pena viver – pelos filhos, pelos netos, nossos e dos outros. (…)»