Tempo
– “Na literatura, o tempo suspende-se e deixa marcas; nas fotografias, o tempo
passa e deixa rugas.” [Francisco José Viegas. Um gosto pela imperfeição. Col.
“100 anos da Grande Guerra” (1). Lisboa: Glaciar, 2014, pg. 12]
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quinta-feira, 14 de agosto de 2014
segunda-feira, 11 de agosto de 2014
Máximas em mínimas - Moralista
Moralista
– “Um moralista é alguém que acha que a sua moral é melhor do que a tua.”
[Francisco José Viegas. Um gosto pela imperfeição. Col. “100 anos da Grande
Guerra” (1). Lisboa: Glaciar, 2014, pg. 89]
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domingo, 6 de março de 2011
O número 100 da revista "Ler"

Já está nas bancas o número 100 da revista Ler (da Fundação Círculo de Leitores) correspondendo à sua 101ª edição, uma vez que da colecção faz parte o número 0 (zero), saído no Outono / Inverno de 1987, com a indicação “fora do mercado” (o número 1 corresponderia ao Inverno de 1988, já ao preço de 300$00, algo como 1,50 €).
Em torno do número 100 andam as recolhas que esta edição apresenta: “100 capas”, “100 imagens de páginas”, “100 livros”, “100 figuras”, “100 ideias para o futuro” e “100 citações”, antologias a partir das colaborações e das entradas na revista ao longo da sua história. Depois, vários dos seus cronistas dissertam sobre essa simbologia do centésimo número ou sobre o que foram as 100 saídas da publicação, com destaque para o nome que é colaborador desta revista desde o seu número zero: José Guardado Moreira.
Por falar no número zero, dirigido por António Mega Ferreira, algumas ligações a Setúbal eram nele evidentes: o grafismo era devido ao setubalense José Teófilo Duarte; era anunciada a obra Março Desavindo, de Mário Ventura (nome ligado a Setúbal e à criação do Festróia).
E, neste número 100, dirigido por Francisco José Viegas, também passam diversos nomes que cruzaram a sua história com a região de Setúbal, a saber: nas “100 figuras”, Manuel da Fonseca (de Santiago do Cacém), Pedro Tamen (a viver nas terras de Palmela), Al Berto (de Sines), António Osório (ligado a Azeitão), Luiz Pacheco (que por Setúbal peregrinou), Fernando Campos (que incluiu a Arrábida no seu romance histórico); na rubrica “100 citações”, uma reflexão de António Osório sobre a palavra – “Mas eu entendo que as palavras precisam de ser limpas do sarro que as envolve. Do sarro, do lixo comum. E assim as palavras podem purificar-nos.”
O leitor confronta-se também com uma entrevista a George Steiner conduzida por Beata Cieszynska e José Eduardo Franco. O ensino, o papel necessário das Humanidades, a supremacia da economia ou a corporação multinacional, a crise europeia, a história, a necessidade de ler, as redes sociais e a cultura portuguesa são temas por que passa este académico de Cambridge. Conhece bem Fernando Pessoa, José Saramago, António Lobo Antunes e gostaria de conhecer Camões – “Precisamos de Camões – falta à nossa cultura europeia o conhecimento do génio de Camões”, diz. E, já agora, mais uma achega, que é um bonito elogio à leitura: “Eu sou muito velho, mas tento, todos os dias, ou quase todos, aprender um poema, ou fragmentos de um poema, de cor, porque é assim que se agradece uma bela obra. Que outra maneira tenho eu de agradecer a Dante, a Cervantes, a Lope de Veja ou a Shakespeare?”
Com estes nomes grandes da literatura se cruza ainda o texto assinado por Harold Bloom, “O cânone do génio”, justificação de uma obra, Genius, cuja tradução para língua portuguesa é anunciada para este ano. A problemática em torno daquilo que define um génio é o eixo deste ensaio: a sua vitalidade, a sua sabedoria, o facto de alimentarem civilizações, a sua indispensabilidade. O texto termina com um aviso para os tempos em que somos protagonistas: “Não podemos enfrentar o século XXI sem esperar que ele nos traga um Stravisnki ou um Louis Armstrong, um Picasso ou um Matisse, um Proust ou um James Joyce. Desejar um Dante ou um Shakespeare, um J. S. Bach ou um Mozart, um Miguel Ângelo ou um Leonardo é pedir demais, uma vez que os talentos de tal magnitude são muito raros. Contudo, desejamos, necessitamos de algo que esteja acima do século XXI, seja lá o que for.”
A Ler tem sido assim: múltipla, surpreendente, englobando no seu recheio escritores, cientistas, pensadores, livreiros, leitores, livros, escritas e muito mais. Um acervo de tal forma importante que bem se justificaria a publicação de um índice, tal como é justificada a curiosidade perante cada número que sai para as bancas.
Concluo como Guardado Moreira no final da sua crónica evocativa que entra neste número 100: “e agora, pouco dado a nostalgias, aguardo”, lendo, “a próxima chegada do nº 200”!
domingo, 30 de novembro de 2008
domingo, 27 de abril de 2008
Já chegou a "Ler"
A revista Ler, do Círculo de Leitores, ressurgiu. Com novo formato e a qualidade que sempre a caracterizou. Dirigida por Francisco José Viegas, que já a dirigira entre 1990 e 2000 (nº 9 a nº 48). E volta-se a sentir o prazer de viajar pela escrita da literatura e da edição. A partir desta saída – com o nº 69, correspondente a Maio –, a revista terá periodicidade mensal, depois de ter acompanh
ado o ritmo das estações.
Após dois anos de interrupção (o nº 68 foi publicado em 2006), é bom o reencontro com a Ler, ideia, aliás, perfilhada pelo próprio director, que escreve no editorial: “O número que o leitor tem nas mãos é apenas o recomeço de uma ideia que não se perdeu e não poderia perder-se, apesar de ter mudado o seu rosto.”
Pela sua cerca de centena de páginas passam motivos diversos e cativações plurais. Há as entrevistas longas com António Lobo Antunes (em luta contra a intelectualidade, testemunhando que a doença o mudou, falando do amigo Cardoso Pires e de outros, denunciando as suas preferências literárias) e com Paulo Teixeira Pinto (o novo dono da Guimarães, na sua vertente de esteta e de amador de livros e de pintura, que se comenta como estando na entrada de uma quarta vida, depois da política, da academia e da banca) e a entrevista curta com Diogo Pires Aurélio (mais específica, sobre a filosofia e a política). Há o dossier “Os 50 autores mais influentes do século XX e o que aprendemos ou devíamos ter aprendido com eles”, organizado por José Mário Silva, por onde passam os nomes de todas as bibliotecas e a cultura do século, com chamadas de atenção, em duas ou três linhas, para “o que nos ensinou” cada um deles. Há ensaio, como o de Miguel Real, sobre as heterodoxias de Eduardo Lourenço, caminhos de antecipação e de pensamento. Há apreciações a livros, em extensão variável, de géneros díspares, onde até cabe o comentário à última edição do Dicionário de Espanhol-Português da Porto Editora. Há pré-publicação (em extractos), de Lainez e Cortázar. Há autores que se dizem e (se) mostram, como Teolinda Gersão (em escrita de um romance) ou Pedro Tamen (entre a tradução e a sua casa em Palmela). Há crónicas (muitas), entre as penas de Abel Barros Baptista (o primeiro neste número) e de Onésimo Teotónio de Almeida (o último, com um texto sobre a escrita, o ciúme e a rivalidade entre sportinguistas e benfiquistas). Há espaço para ler e pensar, para escolhas e deleites, para esperar pelos números que se seguirão.
ado o ritmo das estações.Após dois anos de interrupção (o nº 68 foi publicado em 2006), é bom o reencontro com a Ler, ideia, aliás, perfilhada pelo próprio director, que escreve no editorial: “O número que o leitor tem nas mãos é apenas o recomeço de uma ideia que não se perdeu e não poderia perder-se, apesar de ter mudado o seu rosto.”
Pela sua cerca de centena de páginas passam motivos diversos e cativações plurais. Há as entrevistas longas com António Lobo Antunes (em luta contra a intelectualidade, testemunhando que a doença o mudou, falando do amigo Cardoso Pires e de outros, denunciando as suas preferências literárias) e com Paulo Teixeira Pinto (o novo dono da Guimarães, na sua vertente de esteta e de amador de livros e de pintura, que se comenta como estando na entrada de uma quarta vida, depois da política, da academia e da banca) e a entrevista curta com Diogo Pires Aurélio (mais específica, sobre a filosofia e a política). Há o dossier “Os 50 autores mais influentes do século XX e o que aprendemos ou devíamos ter aprendido com eles”, organizado por José Mário Silva, por onde passam os nomes de todas as bibliotecas e a cultura do século, com chamadas de atenção, em duas ou três linhas, para “o que nos ensinou” cada um deles. Há ensaio, como o de Miguel Real, sobre as heterodoxias de Eduardo Lourenço, caminhos de antecipação e de pensamento. Há apreciações a livros, em extensão variável, de géneros díspares, onde até cabe o comentário à última edição do Dicionário de Espanhol-Português da Porto Editora. Há pré-publicação (em extractos), de Lainez e Cortázar. Há autores que se dizem e (se) mostram, como Teolinda Gersão (em escrita de um romance) ou Pedro Tamen (entre a tradução e a sua casa em Palmela). Há crónicas (muitas), entre as penas de Abel Barros Baptista (o primeiro neste número) e de Onésimo Teotónio de Almeida (o último, com um texto sobre a escrita, o ciúme e a rivalidade entre sportinguistas e benfiquistas). Há espaço para ler e pensar, para escolhas e deleites, para esperar pelos números que se seguirão.
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sábado, 19 de abril de 2008
Francisco José Viegas traz Júlio Dinis ao público mais jovem
A "Colecção de Clássicos da Literatura Portuguesa contados às crianças" (Vila Nova de Famalicão: Quasi Edições), que acompanhou o semanário Sol ao longo de doze semanas, chegou hoje ao fim, com a adaptação de Os fidalgos da
Casa Mourisca, de Júlio Dinis, versão a cargo de Francisco José Viegas, ilustrada por Helena Simas.
Casa Mourisca, de Júlio Dinis, versão a cargo de Francisco José Viegas, ilustrada por Helena Simas.O que é de valorizar nesta adaptação é a simplicidade da narrativa e da escrita, o que nem sempre aconteceu nos outros títulos da colecção. É, aliás, o narrador quem, no início, dá o mote para essa simplicidade, revelando que esta história não é mais complexa do que as outras que se contam - "Em todas as histórias há uma história de amor. E em todas elas há heróis."
O amor é, então, uma tónica; os heróis são outra constante. e assim se conquista o público infantil, habituado à presença dos heróis e também conhecedor de que é costume haver encontros em que amor manda.
Depois, são as coordenadas essenciais desta narrativa, logo a justificar o título e a dar a notação temporal: "Esta história aconteceu há mais de cem anos, quase há duzentos, com uma família que outrora fora rica e que, com o tempo, foi empobrecendo até se encontrar perto da ruína. Essa antiga família de fidalgos vivia numa velha casa que, por ser construída como os velhos castelos mouros, inspirada nos antigos palácios encantados que existiam mesmo antes de Portugal ter nascido, era conhecida por Casa Mourisca." A associar às marcas já apontadas, há neste início os elementos necessários ao encantamento, ao fascínio, ao maravilhoso - os "palácios encantados" entrelaçados com os "velhos castelos mouros".
Está criado o cenário espacial e temporal para a história que congrega personagens como D. Luís, tomé da Póvoa, Jorge e Berta. Apesar de haver referências a outras personagens (Maurício, Frei Januário, LUísa, Beatriz e Gabriela), o protagonismo está reservado, quase em exclusivo, àqueles, numa operação de simplificação narrativa, em que não falta quem ajude o herói ou quem se lhe oponha...
Ao longo da história, há ainda sítio para aprendizagens e transmissão de valores: a dignificação pelo trabalho - "havia do outro lado da colina uma outra propriedade que seguia um rumo muito diferente: a herdade de Tomé da Póvoa e da sua mulher Luísa, um modelo para todos, em que se trabalhava desde cedo e onde as colheitas animavam todo o vale, cheio das cores dos seus pomares e dos ruídos alegres dos quintais onde tudo crescia e nada faltava" - e a primazia da excelência
da personalidade - "mais importante do que Berta ser rica ou ter nascido numa família nobre, era o seu carácter, a sua doçura, a sua bondade".
da personalidade - "mais importante do que Berta ser rica ou ter nascido numa família nobre, era o seu carácter, a sua doçura, a sua bondade".No final, dois sinais de sucesso e de paz: o amor conseguido entre Jorge e Berta (vencendo todos os obstáculos, nomeadamente os sociais) e o regresso da Casa Mourisca ao "seu antigo esplendor".
Francisco José Viegas conseguiu, nesta adaptação, manter o essencial dos linhas comuns das narrativas de Júlio Dinis: na caracterização das personagens, na força das figuras femininas, na valorização do trabalho, na questão social, no traçar dos costumes.
Escrever sobre esta adaptação pode ser ainda pretexto para lembrar uma outra publicação destinada ao mesmo público sobre Júlio Dinis, recentemente aparecida: o nº 8 da revista Na crista da onda (2ª série, Outono.2006), editada pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, que apresenta, à semelhança dos outros números, um pequeno roteiro biográfico dinisiano, uma resenha das principais obras e uma cronologia contemporânea do autor.
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domingo, 3 de fevereiro de 2008
Francisco José Viegas volta à "Ler"
Francisco José Viegas vai voltar à revista Ler, editada pelo Círculo de Leitores. A notícia é boa, por duas razões: pelo crédito do nome do director no mundo dos livros e pela revista, que, desde a Feira do Livro de 2006, não voltou aos escaparates.Foi com o número de Outono/Inverno de 1987, com 78 páginas, que a Ler se iniciou. Era o nº 0, “fora do mercado”. Dirigia-a António Mega Ferreira. O grande entrevistado era José Cardoso Pires, a propósito de Alexandra Alpha, em peça de… Francisco José Viegas. No mesmo número, havia ainda outro importante destaque para obra a sair brevemente – eram as Histórias para ler e deitar fora, de Joaquim Letria, apresentadas por Inês Pedrosa. Outros autores que colaboraram com escrita para este número inaugural foram João de Melo, José Mattoso, Joel Serrão, Luís Filipe Barreto e Clara Pinto Correia.
Personalidades de capa e de tratamento foram Lídia Jorge (nº 1, do Inverno de 1988, a 300$00), Vergílio Ferreira (nº 2), Vasco Graça Moura (nº 3), José Saramago (nº 6) e novamente Cardoso Pires (nº 8). Entre os dez primeiros números, vários temas passaram
também por outras capas: o livro escolar (nº 4), a Itália (nº 5), a Revolução Francesa (nº 7) e a “Geografia dos Escritores” (nº 10).Foi no nº 9, do Inverno de 1990, que Francisco José Viegas passou a constar como director da revista, edição para que foram entrevistados João de Melo e Luís Amaro e em que escreveram Vaclav Havel, João Barrento, Manuel Hermínio Monteiro, Baptista-Bastos, Ernesto Rodrigues e Mário Cláudio, entre outros.Francisco José Viegas dirigiu a revista até ao nº 48 (Inverno de 2000, quando o preço de capa era de 800$00). A partir do nº seguinte, e até ao último número saído (em 2006), a direcção da revista esteve a cargo de Mafalda Lopes da Costa.
Como curiosidade, registe-se ainda que os primeiros 14 números da revista tiveram a direcção gráfica de José Teófilo Duarte, nome ligado a Setúbal e com obra reconhecida no mundo editorial.
O regresso da Ler, pela mão de Francisco José Viegas, está anunciado para a Primavera.
Como curiosidade, registe-se ainda que os primeiros 14 números da revista tiveram a direcção gráfica de José Teófilo Duarte, nome ligado a Setúbal e com obra reconhecida no mundo editorial.
O regresso da Ler, pela mão de Francisco José Viegas, está anunciado para a Primavera.
[fotos: capas dos números 0 e 68 da Ler, de 1987 e de 2006, respectivamente]
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
O mundo perfeito
Depois de, ontem, o Público ter feito longa peça sobre os "chumbos" e de se ter lido que o Secretário de Estado Valter Lemos disse ser "um facto real que os países que não têm repetência, ou que têm taxas baixas, apresentam também melhores resultados escolares medidos em termos de aprendizagem", quando poderia ter dito o contrário, ou seja, que "os países que apresentam melhores resultados escolares medidos em termos de aprendizagem não têm repetência ou têm-na em taxas baixas"; depois de se ter entendido que há uma corrente que pretende impedir as reprovações como forma de as estatísticas pró-sucesso serem mais benevolentes (convindo lembrar que, se os governantes quiserem, podem acabar com o insucesso escolar, bastando não permitir os "chumbos", ainda que não acabem - porque isso não podem fazer! - com o insucesso no plano dos conhecimentos); depois de se ter percebido que os professores voltam a ser responsabilizados pela grande quantidade de reprovações; depois de sabermos que o Presidente da República voltou a chamar a atenção para a necessidade de bom relacionamento entre o Ministério da Educação e quem trabalha nessa área, especialmente os professores, e também para o facto de que a Matemática (como outra qualquer disciplina, acrescento) não se aprende brincando... vale a pena ler o artigo "O mundo perfeito" que Francisco José Viegas assina no Jornal de Notícias de hoje e de onde extraio o seguinte passo:
"Os pais sabem, às vezes tardiamente, os bons professores sabem, por muitos anos de experiência, que 'facilitar as coisas' pode mostrar um mundo perfeito. Mas o mundo perfeito não existe. Eu entendo bem os pedagogos visionários e utópicos, que prevêem que com divertimento e tolerância tudo se arranja e o mundo ficará melhor. Mas não fica. Não vai ser. Pensamos que basta dar o exemplo, ler, ouvir música, usarmos computadores, sermos tolerantes - e generosos, educados, prestáveis, interessados. Com isso o mundo seria melhor. Mas não basta, infelizmente não basta. Com isso, os adolescentes das escolas seriam pessoas melhores, não usariam aquela gramática de grunhos, não faltariam às aulas, não desdenhariam dos professores que se esforçam e lhes ensinam a diferença entre o culto e o inculto, o cru e o cozido, o bem e o mal. O mundo seria perfeito. As famílias seriam honradas, pacíficas, passeariam ao domingo, fariam piqueniques, todos ajudariam a arrumar a cozinha e dormiriam a horas. Os nossos filhos leriam Dickens e Eça - ou, na pior das hipóteses, arrumariam os livros nas estantes. Interessar-se-iam por ciência e por política. Eu bem os entendo - mas não basta. É muitas vezes necessário ser cruel, usar a autoridade quando não se quer, dizer 'não'quando até poderíamos dizer 'sim', pensar no que significa, de facto, a palavra exigência. A vida não é fácil. Não nos basta sermos o que somos. É preciso pensarmos nisso - que a vida não é fácil e que aprender exige esforço. A democracia, que transformou as escolas em 'estabelecimentos de ensino', como se fossem 'lojas do cidadão', tem de resolver esse problema. Para ver se a escola volta a ser escola."
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