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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

No dia dos Namorados...


Painel de Teresa Cortez (1985)
(Lisboa, Avenida da Liberdade)

“As pessoas que amam estão sempre com ar de urgência, porque têm saudades quando não estão acompanhadas e sentem uma euforia bonita quando estão juntas.”
(Valter Hugo Mãe. O paraíso são os outros, 2014)

domingo, 10 de maio de 2015

Máximas em mínimas: António José da Silva, o Judeu




Depois de ler António José da Silva (1705-1739), o tal que foi vítima no mesmo auto-de-fé que acabou com a personagem Baltasar Sete-Sóis de Memorial do Convento, de José Saramago, o tal que foi cognominado "Judeu", ficam algumas verdades retidas a partir de Anfitrião, que tem o subtítulo de "Júpiter e Alcmena" (Col. “Clássicos Inquérito”, 14. Lisboa: Editorial Inquérito, s/d):

Amor – “Amor é como a Fénix que, para renascer mais belo, é preciso que, de quando em quando, se abrase nas chamas de um arrufo.”
Ausência – “Não há pior mal que o da ausência, pois ao mesmo tempo que acrescenta a saudade também acrescenta o tempo.”
Casamento – “Marido sem ser amante é o mesmo que corpo sem alma. Que importa que o matrimónio ligue o corpo se o amor não une as almas?”
Desejo – “Sempre a boca fala tarde quando madruga o desejo.”
Impossível – “Os impossíveis só se fizeram para os que verdadeiramente amam.”
Juiz – “Um juiz, para ser bom, há-de ser como um espelho: aço por dentro e cristal por fora. Aço por dentro para resistir aos golpes das paixões humanas e cristal por fora para resplandecer com virtudes.”

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Para a agenda: Adília Gaspar - a filosofia, o amor e o sexo



Adília Maia Gaspar, autora de várias obras ligadas ao ensino da Filosofia, ela própria também professora da área, chega com o seu título mais recente, Sexo, Amor e Filosofia. Na Biblioteca Pública Municipal de Setúbal, em 14 de Fevereiro, data em que se assinala também o Dia dos Namorados. A propósito. Para a agenda!

sábado, 29 de novembro de 2014

Valter Hugo Mãe: a simplicidade dos afectos



“Reparo desde pequena que os adultos vivem muito em casais. Mesmo que não sejam óbvios, porque algumas pessoas têm par mas andam avulsas como as solteiras (…)” Assim se inicia o recente livro de Valter Hugo Mãe, O Paraíso são os outros (Porto: Porto Editora, 2014).
E as observações da menina narradora seguem o caminho da visão do amor, acompanhado pelas ilustrações de Esgar Acelerado. A primeira frase convida-nos para a seguinte, a seguinte, a seguinte. E cada uma delas revela-se pela beleza da simplicidade, mostra-se repleta de sentido, dá um contributo para que o amor se apresente, ondule nos gestos de vida. Um livro bonito sobre os afectos, sobre a simplicidade dos afectos, sobre a vitória dos afectos. Entusiasma!

Sublinhados
Amar – “As pessoas que amam estão sempre com ar de urgência, porque têm saudades quando não estão acompanhadas e sentem uma euforia bonita quando estão juntas.”
Amor – “O amor é um sentimento que não obedece nem se garante. Precisa de sorte e, depois, de empenho. Precisa de respeito. Respeito é saber deixar que todos tenham vez. Ninguém pode ser esquecido.”
Feio – “Ser feio é complexo e pode ser apenas um problema de quem observa.”
Esperança – “A esperança parece inventada pela espera.”
Tristeza – “[A tristeza] é como algo descartável. Precisamos de usar mas não é bom ficar guardada.” 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Miguel Esteves Cardoso: Sobre o casamento


Na edição do Público de hoje, Miguel Esteves Cardoso é autor de um texto lindo sobre o casamento. Reproduzo-o, porque o subscreveria. Obviamente, com outra destinatária. Bonito! A ler e a sentir! 


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Máximas em mínimas (101) - Rosa Lobato de Faria


Depois de ler Os três casamentos de Camilla S., de Rosa Lobato de Faria (1997), seis máximas que dizem muito sobre o que somos.

Prazer - "Os prazeres e a capacidade de os apreciar acontecem desencontrados no tempo. Não se conjugam no momento certo o acto perfeito e a sabedoria da fruição."
Juventude - "Na juventude, com toda a vida pela frente, nunca há tempo. A cabeça foge, ligeira, para outros lugares, os pés partem, ágeis, para outros caminhos. Nunca se está onde se está, nunca se tem o que se tem."
Raiz - "A raiz é o que te está no sangue, o que sentes para lá de tudo o que aprendeste, aquilo que te vem do chão, aquilo que vem das estrelas que te viram nascer." 
Errar - "Porque é que não percebemos que erramos quando estamos a errar e só mais tarde o remorso nos cai em cima com uma força esmagadora e nos amargura o resto da existência?"
Amor - "O amor tardio é o melhor."
Autobiografia - "Nenhuma autobiografia verdadeiramente o é: alindam-se os pecados próprios, ensombram-se os dos outros, corrige-se ou contorna-se a verdade, procura-se uma lógica de crime e castigo que a vida não tem. Não fica claro à luz de que moral nos penitenciamos (...). E, acima de tudo, permitimo-nos apontar o comportamento dos outros, avaliar as suas consequências, julgar."

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Máximas em mínimas (87) - Júlio César Machado


Amor – “O primeiro amor é muito cantado, mas não lhe fazem nisso favor nenhum, porque realmente o merece; basta ser o único tão isento de amor próprio quanto o amor pode chegar a sê-lo!”
Casamento – “Se quase toda a gente se casa moça, muito moça, é provavelmente por ser essa a idade da audácia, da coragem – estavam com medo que eu dissesse ‘das loucuras’? Nunca!”
Inveja – “A inveja é talvez o único sentimento engenhoso dos portugueses: frouxos de imaginação para tudo mais, são, nesse ramo da sagacidade humana, vivos, espertos e intrépidos.”
Observação – “O espírito de observação desenvolve-se visitando alternadamente as diversas camadas sociais; é necessário ter um pé nas salas e outro nas caixas de teatro: de uma vez na sociedade, de outra na folia; hoje pintores, amanhã burgueses; e principalmente, indispensavelmente, mulheres; quantas mais se conhecerem, melhores auspícios para o observador; a observação vem sobretudo delas, por elas.”
Júlio César Machado. “Prefácio”.
Álbum de caricaturas – Frases e anexins da língua portuguesa (de Rafael Bordalo Pinheiro), 1876.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

António Oliveira e Castro: "Tambwe" ou o mundo pelos olhos de Eugénio

O mais recente romance de António Oliveira e Castro, Tambwe – A unha do leão (Lisboa: Gradiva, 2011), com ilustrações de Nuno David, é uma história que prende o leitor ao trajecto de uma personagem como Eugénio, figura que, ora procura a morte, ora assume o seu trajecto sozinho, ora peregrina até às raízes. A história é intensa e o leitor é convidado a passar por paisagens diversas, europeias (Portugal, França) ou africanas (Angola), por corredores diversificados de uma sociedade que nem sempre se rege pelos melhores princípios, convivendo com figuras da baixa política, com revolucionários, com mercenários, e tendo momentos de paragem, também fortes, em pensares de tempos de solidão ou em reflexão com figuras que constroem e se alojam na identidade.
É uma história dramática, em que o narrador dialoga com o leitor, tentando convencê-lo da verosimilhança das situações e levando-o a pensar a actualidade, o papel da política, o encaminhamento do mundo, o ser cidadão. É uma história dolorosa, com desvios e demandas, mortes e utopias, caos e ordem, poesia e horror, em que a liberdade e a prisão coexistem e a fragilidade do mundo e dos sistemas é posta à prova. É a história de uma solidão sempre e sempre testada, numa fuga ao tormento.
Sublinhados
Palavras – “As palavras, por maior que seja o seu conteúdo, não têm peso, sustentam-se de aparentes levezas, da aragem dos êxtases.”
Mistério – “Nem sempre o universo do homem se pode resumir ao encontro com a razão, na equação entram outras incógnitas, indecifráveis e misteriosas.” 
Faltas – “O que mais há na terra é paisagem e o que mais falta é o amor.”
Escrever – “Nenhum escritor escreve sobre acontecimentos insignificantes, procura sempre o lado sombrio, sujo, sanguinolento, colérico e escondido do Homem; descreve os campos de batalha onde se fuzilam os inocentes e assinam acordos de paz com os generais; o artífice da palavra relata, com a emoção de que é capaz, a loucura dos heróis, o medo dos cobardes; leva-nos até aos que jazem, na agonia da morte, debruçados sobre a terra que lhes escuta o lamento; faz-nos tropeçar nos corpos dilacerados que se espalham sobre os degraus dos edifícios em ruínas.”
Amor – “O amor é um fenómeno muito mais complexo que a morte; enquanto um regenera, o outro remete para o esquecimento.”
Vida – “Mesmo a vida mais verdadeira não passa do resultado do acaso, a que só a fé dos homens confere normalidade.”
Gerações – “O mundo acaba apenas para velhos que já não são capazes de se transformar, continua para os jovens generosos e sonhadores, que precisam de mudança.”
Futuro – “Nada, nada mesmo, obedece à lógica; apenas a aventura, o perigo, o risco, o sucesso imprevisto comandam o futuro.”
Castigo – “Os castigos são sempre subjectivos. Dependem de quem está no poder. Herói se vencer, traidor se for derrotado.”
História – “A história despreza os seus actores, reescreve-lhes o drama a seu bel-prazer; a qualquer instante pode matar num jogo de contradições, de paradoxos, de ironias, de injustiças; oportunista, caminha sobre uma estrada de cadáveres.”
Guerra – “A guerra não distingue os homens; tanto se lhe dá que sejam honestos ou assassinos, jovens ou velhos, pouco lhe importa que se encontrem exaustos ou frescos. Aliás, a violência tem especial predilecção pelos mais incautos, pelos mais fracos.”
Actor – “Apenas quando encarnam personagens que um qualquer dramaturgo inventou, os actores são belos, sedutores, insuspeitos, assim que abandonam o palco e a ribalta regressam à miserável condição humana que os agasalha.” 
Pátria – “Para que precisamos de nações? Os cidadãos precisam é de paz!”
Povo – “A história dos povos tem as suas regras, o seu tempo lento, mas as mudanças são muito mais definitivas quando a violência da guerra se torna conselheira da razão e das emoções.”
Trincheira – “Nas trincheiras, sempre morreram os jovens crédulos, cadáveres  condecorados com a crueldade do martírio. Indiferentes à hecatombe, os proprietários da pátria, latifúndio com milhares de hectares, que fazem crer ser também nossa, oferecem-nos o privilégio de lhes amanharmos o solo, de lhes produzirmos a riqueza.”
Horizonte – “A dimensão dos homens vê-se para onde olham, se para o umbigo, se para a montanha.”
Ambição – “Os homens, quando guiados apenas pela ambição, perdem a noção da realidade, escutam o umbigo quando tudo à volta se desmorona.”

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Gonçalo M. Tavares, “Uma Viagem à Índia”, canto IX

* “No exacto momento em que estão concentrados a roubar, os ladrões são mais facilmente assaltados que uma velhinha de vista imóvel e passo retrógrado.” (est. 8)
* “Nenhuma descoberta da ciência modifica tão fortemente o rosto de um homem como os momentos de prazer.” (est. 24)
* “A única velharia que chegou intacta ao estúpido século XXI é a do amor.” (est. 32)
* “Certas mulheres bem treinadas são capazes de acariciar com os seus seios mãos desprevenidas e ingénuas. Quem toca em quem, eis a questão.” (est. 68)
* “Fora do trabalho os homens descarregam para o solo a educação (como um peso) e mais leves ficam então preparados para a maldade ou para a diversão. No ócio o rosto desembaraça-se e sozinho ganha um estilo individual; portanto: perigoso.” (est. 70)
* “Quando não há líquidos como o vinho, homens e mulheres comportam-se de modo sério, discutem símbolos e não são abandonados pela inteligência e pela necessidade de a exibir.” (est. 71)
* “Os homens quando têm medo fogem e nessa fuga pisam o chão ou outros animais.” (est. 89)
Gonçalo M. Tavares. Uma Viagem à Índia. Alfragide: Leya / Caminho, 2010.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Gonçalo M. Tavares, “Uma Viagem à Índia”, canto III

* “Antigamente, uma grande cidade era o sítio onde vivia um excelente filósofo, agora uma grande cidade é aquela que tem muitos cidadãos em idade de votar e, pelo menos, um edifício com 140 andares. Se no meio dos 15 milhões existir um homem que pensa: excelente, sim, é certo, mas não indispensável.” (est. 16)
* “As mulheres sempre foram mais minuciosas na vingança. Folheiam-na sem saltar uma página. E tratam das unhas antes de pegar no machado. Pelo contrário, um homem com raiva e ressentimento é atabalhoado, desastrado, incapaz de encontrar a pronúncia perfeita da violência, como se pegasse em ferramentas despropositadas: a charrua para arrancar uma flor, o martelo para ver mais perto.” (est. 27-28)
* “O homem pensa a Natureza como se esta fosse uma mesa a que pode cortar uma das pernas para a endireitar.” (est. 36)
* “O ódio não necessita de grande tecnologia de suporte: bastam duas mulheres para um único homem, ou dois homens para um único território.” (est. 48)
* “Tantos se espantam com o facto de o amor ocorrer em seres vivos de idades muito diferentes, e nenhum assombro perante a bem maior diferença da idade que o ódio liga.” (est. 50)
* “Fazer e desfazer: as duas rectas mais paralelas da espécie humana. Nunca se cruzam.” (est. 64)
* “Ninguém é capaz de se acorrentar a um dia de sucesso como um cão a um poste. Os dias são, em geral, móveis, um autocarro que não pára.” (est. 73)
* “As derrotas devem surgir enquanto somos novos e fortes, pois aí os insucessos fortalecem, enquanto mais tarde poderão enfraquecer.” (est 74)
* “Agir é coisa longa que começa quando aprendemos a caminhar e termina apenas quando morremos ou quando já não temos inimigos.” (est. 79)
* “Bomba subtil e lentíssima, a velhice, a mais primitiva guerra que a Natureza nos declarou.” (est. 85)
* “Uma flor encolhe os ombros quer seja cheirada por uma linda menina de seis anos ou pela fealdade absoluta. Para a bela flor a beleza é insignificante.” (est. 88)
* “Vigiai os crápulas e vigiai os homens que falam manso; há no excesso de fragilidade exibida a preparação de uma maldade.” (est. 99)
* “A legislação de um país é um tratado de paz entre os seus habitantes, mas o ódio entre os homens é bem mais estável do que as leis que os homens estabelecem. Porque o ódio é uma lei da natureza.” (est. 110)
* “A vida é isto: a lua está mais próxima de alguns homens que treinam para astronautas que um prato quente da boca de outros homens. É aquilo a que podemos chamar: distâncias relativas.” (est 114)
* “O amor será útil internamente, mas externamente não carrega um tijolo.” (est. 137)
Gonçalo M. Tavares. Uma Viagem à Índia. Alfragide: Leya / Caminho, 2010.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Depois de ler uma história em que o narrador é um cão...

O ponto de partida destas citações é o livro Sempre do teu lado – Carta de um cão, de Maria Teresa Maia Gonzalez (Lisboa: Verbo, 2008 - reimp.), uma história de amizade entre um cão (Félix) e o seu dono (Guilherme, entre os 13 anos e o casamento). A história é cativante e Félix, o narrador, no que será o seu derradeiro gesto, conduz o leitor pela vida adolescente de Guilherme.
Felicidade - “Há momentos (…) em que só nos faz falta quem ali está connosco fazendo-nos sentir que, finalmente, ficámos completos, inteiros e tão emocionados de felicidade que mal conseguimos respirar.”
Mar - “A seguir aos astros, o mar é a coisa mais interessante do Universo (…). O mar tem tantos segredos como uma estrela bem antiga.”
Milagre - “Um milagre é assim uma espécie de fenómeno inacreditável que se espera que aconteça sem se acreditar que vai mesmo acontecer. Mas (…) a quem não acredita não acontece nenhum milagre.”
Amor - “O amor só conhece uma regra: amar sempre.”

sábado, 20 de setembro de 2008

Alice Vieira - As opiniões dos 13 anos

O que pode levar a que surja um diário de uma adolescente? Esta pergunta não tinha passado pela mente de Inês Tavares, que pensava receber um i-pod como prenda de aniversário, mas a avó trocou-lhe as voltas ao oferecer-lhe um “diário” e justificando: “Isto é para escreveres e guardares os teus segredos”. E Inês começou a escrever um diário, ainda que sem data, mas em 19 capítulos, que abrangeram o período de um ano, entre Janeiro, mês do seu aniversário, e o Natal, época de família, altura em que o volume do “diário” acabou.
É o que se passa em A vida nas palavras de Inês Tavares (Alfragide: Caminho, 2008), obra que tem o subtítulo de “Diário de quem só quer a paz no mundo e o Brad Pitt”, último livro de Alice Vieira. Por lá passa a vida encarada do alto dos 13 anos, com muitas opiniões resultantes da procura e afirmação da identidade, das preocupações juvenis, do ritmo da escola e das vivências com os amigos, da família, da sociedade e das suas convenções, das referências contemporâneas, da alucinação consumista. É uma história próxima no tempo, nossa contemporânea, que vai tendo marcas de acontecimentos recentes, seja pelos concertos, seja pelas opiniões, seja pelos heróis, seja pelos hábitos, seja pelos pequenos eventos que têm sido notícia… A título de exemplo, quase no final, em tempo de Outono e de castanhas, escreve Inês: “E depois há as castanhas. O cheiro das castanhas. O sabor das castanhas. O calor que passa para as nossas mãos quando as agarramos. Mas desde este ano que as castanhas estão diferentes. Por causa de uma lei qualquer, passou a ser proibido embrulhá-las em papel de jornal ou nas folhas das Páginas Amarelas. Agora tem que ser tudo muito limpo, muito sem micróbios, tal como manda a Europa. E, como todos sabemos, a Europa é que manda em nós. Mas ainda me lembro do que eu aprendia num pacote de castanhas.”
Escrita rápida, com humor bastante e um olhar para o mundo de forma descomplexada, o livro cativa pela simplicidade, num oscilar entre o conhecimento do passado e o confronto com o presente cheio de reticências e de desafios, à velocidade de uma forma de ver o mundo e a vida, justificando, aliás, o título. Pelo meio, vai havendo uma ou outra mensagem de apaziguamento e, no final… aquilo que a avó Gi (que foi a ofertante do caderno) nem sonharia: o “diário” acaba também por guardar um segredo que pertenceu ao passado da avó, que explica, por outro lado, o azedume que as duas avós de Inês amorosamente mantinham quando se encontravam.
Frases vivas
1. “Quando o nosso coração está completamente cheio de amor por alguém, nada o pode desviar para outros lugares, por mais próximos de nós que estejam.”
2. “O que a gente faz pela felicidade dos nossos pais não tem explicação.”
3. “O Natal devia ser um tempo tranquilo, um tempo em que devíamos ter mais paciência uns para os outros, um tempo de (…) forrarmos de amor o nosso coração. Pois devia. Mas infelizmente não é. O Natal tornou-se um tempo de correrias desenfreadas, de compras desenfreadas (e às vezes vai-se a ver e compramos tudo trocado) e quando finalmente ele termina estamos todos mais cansados do que se tivéssemos andado horas na montanha russa.”

4. “É a sorrir que nos devemos lembrar daqueles que amamos e que já não estão connosco.”

sábado, 28 de junho de 2008

Querer o amor

Em Setúbal, na Avenida Rodrigues Manito
A frase é forte. Por um pedido, que pode ser em jeito de grito; pelo retrato que traça de uma sociedade em que os afectos são deixados para trás com a maior das facilidades; pela vontade de exteriorizar, de publicar, o grito; pela voz que a solidão pode ter; pela diferença nada subtil entre "algum" e "alguém". A frase é forte...

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Rostos [de um grande amor] (56)


D. Inês de Castro e D. Pedro (Mosteiro de Alcobaça)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dia dos Namorados (3) - Num poema de Nuno Júdice

Variação sobre rosas

Como as rosas selvagens, que nascem
em qualquer canto, o amor também pode nascer
de onde menos esperamos. O seu campo
é infinito: alma e corpo. E, para além deles,
o mundo das sensações, onde se entra sem
bater à porta, como se esta porta estivesse sempre
aberta para quem quiser entrar.

Tu, que me ensinas o que é o
amor, colheste essas rosas selvagens: a sua
púrpura brilha no teu rosto. O seu perfume
corre-te pelo peito, derrama-se no estuário
do ventre, sobe até aos cabelos que se soltam
por entre a brisa dos murmúrios. Roubo aos teus
lábios as suas pétalas.

E se essas rosas não murcham, com
o tempo, é porque o amor as alimenta.

Nuno Júdice. Pedro, Lembrando Inês (2001)

Dia dos Namorados (2) - Num quadro

Robert Combas, Deux langues (1980), no Museu Colecção Berardo (Lisboa, Centro Cultural de Belém)
[é uma das obras em torno da qual o Museu assinala o Dia dos Namorados]

Dia dos Namorados (1) - Poema (na parede)

Escrito na parede da Escola, autor anónimo

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Amor é...

... construir o mapa do sentimento na escala 1:1!
... querer ver o que está depois da lomba!
... gostares que esteja no teu caminho!
(na estrada Viana do Alentejo - Vila Nova da Baronia, no início de Maio)