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sábado, 18 de setembro de 2010

Sobre o "estado social"

"(...) O grande problema, que quase ninguém entre nós aborda, é este: o Estado social está ameaçado em toda a Europa e não só em Portugal, mas não por uma mirífica direita. Está ameaçado, porque, concedendo direitos que hoje consideramos inalienáveis, tornou o factor trabalho caro, ao mesmo tempo que a globalização permitiu que países sem regras de humanidade social produzam bens muito baratos, beneficiando de deslocalizações e/ou através de mão de obra miseravelmente retribuída. O velho Ocidente endivida-se às mãos de chineses, indianos, brasileiros, angolanos ou russos. Os défices sucessivos vão obrigar-nos a refrear inúmeros direitos e subsídios que agora distribuímos. E este é um problema de hoje que é preciso resolver. (...)"
Henrique Monteiro. "O Estado social e a demagogia". Expresso: 18.Setembro.2010.

domingo, 5 de setembro de 2010

Em louvor dos pequenos passos

"Acho que as grandes transformações se dão por pequenos passos. Por outro lado, como sou muito pessimista em relação a estes grandes fenómenos de hoje - a globalização da economia, do domínio tecnológico, etc., e das transformações ecológicas que nos põem cheios de medo diante do futuro -, é nesses pequenos passos que ponho a minha esperança. (...) [Aquelas] são transformações provocadas pelo excesso de poder. Excesso de poder tecnológico, de poder financeiro, de poder político, de poder de controlo sobre a vida das pessoas. Excesso também de domínio ideológico - ou melhor, não é ideológico porque não há ideologia. É alienação. Portanto, os grupos que poderiam evitar as alterações climáticas são aqueles que não querem perder o domínio económico. Não vão alterar tudo o que leva aos detritos poluentes, aos produtos tóxicos. Não vão evitar o recurso à invasão da vida privada das pessoas para se garantir a segurança. Não vão fazer isso e não é lógico que o façam. Só o farão se houver uma catástrofe."
José Mattoso, em entrevista a Carlos Vaz Marques. Ler. Lisboa: Fundação Círculo de Leitores, nº 94, Setembro.2010.

domingo, 4 de maio de 2008

Máximas em mínimas (24)

O mundo global e cada um de nós
«(...) Pode parecer despropositada a relação entre a escassez dos alimentos e o relativo imposto sobre os pobres com questões de mentalidade e educação, conhecendo a produção exacerbada de biocombustiveis. Contudo, a médio-longo prazo o problema tem de ser equacionado a partir da responsabilização de cada sujeito no mundo global. T.S. Eliot disse num ensaio que a educação "é um assunto que não pode ser discutido no vazio: as nossas questões levantam outras questões, sociais, económicas, financeiras, politicas. E o resultado dessas recai em problemas ainda maiores; para se saber o que se quer em geral, temos de fazer surgir a nossa teoria da educação da nossa filosofia de vida. O problema passa a ser um problema religioso". Numa perspectiva cristã anglicana, Eliot levanta uma questão importante e actual. A de pensar a educação a partir de questões como "aonde queremos ir?", e "o que queremos ser, afinal"? Não obstante as respostas possíveis de hoje, é preciso que se identifiquem as causas e se actue responsavelmente, para uma humanidade com uma filosofia de vida mais equilibrada onde a prosperidade de uns não signifique o sofrimento de outros. (...)»
Faranaz Keshavjee. "A educação para a participação cívica". Público. 04.05.2008
[foto: monumento à solidariedade, Vila Franca de Xira (ABEI), por João Duarte, 2003]