Mostrar mensagens com a etiqueta Olavo Bilac. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Olavo Bilac. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Para a agenda: TAS promove encontro entre Bocage e Olavo Bilac



O que diriam, em possível conversa, o português Bocage e o brasileiro Olavo Bilac? Perante a dúvida, fica-nos, pelo menos, o que disse Bilac sobre o poeta setubalense, pois, em 19 Março de 1917, o Teatro Municipal de São Paulo abria as portas para que se ouvisse a conferência que sobre Bocage ele proferiu. A comunicação foi tão considerada que, ainda nesse ano, em 28 de Novembro, a "Renascença Portuguesa" concluía a sua impressão, dando-a à estampa e trazendo na capa um desenho com Bocage e, no interior, um desenho de Bilac por António Carneiro. Em 2001, o Centro de Estudos Bocageanos reimprimiu essa conferência, associando-lhe ainda um soneto com que Bilac homenageou Bocage.
Mas, voltando à pergunta inicial, sobre a tal possível conversa... em 15 de Setembro, poderemos ficar a saber o conteúdo da mesma. A ideia deve-se a João Natale Netto, que teve a obra A Noite dos Poetas adaptada pelo TAS (Teatro Animação de Setúbal). A estreia ocorrerá no dia de Bocage, pelas 21h00, e terá repetição nos dias 22 e 23 e 29 e 30 de Setembro, pelas 21h30, na Casa Bocage. Para a agenda!

 
Bocage (à esquerda) e Olavo Bilac (à direita) nas reproduções que integraram
a obra Bocage, de Olavo Bilac (Porto: Renascença Portuguesa, 1917)

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Os centenários bocagianos recontados por António Chitas - V



Mais um centenário bocagiano: o de 1965, respeitante aos 200 anos sobre o nascimento de Bocage. O envolvimento da política, a ligação ao Brasil e a Olavo Bilac, a divulgação da obra bocagiana, a cidade de Setúbal e o contexto nacional nesse Setembro de 1965, pelo olhar de António Chitas. Em O Setubalense de hoje.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Bocage visto por Luís Forjaz Trigueiros - "bloco estriado de mil filamentos"

Em 27 de Setembro de 1947, a convite do então presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Miguel Bastos, o escritor e jornalista Luís Forjaz Trigueiros evocou, nos paços do concelho, a figura de Bocage, numa conferência que intitulou “Bocage – O Homem e a Obra”. O texto dessa conferência foi depois incluído pelo autor no livro Sombra do Tempo (Lisboa: Livraria Bertrand, 1950?, pp. 143-164) e republicado na obra Homenagem Nacional a Bocage no II Centenário do seu Nascimento (Setúbal: Junta Distrital de Setúbal, 1965, pp. 37-48) sob o título de “Numeroso Elmano”. São dessa palestra os excertos que seguem, numa evocação de Bocage no dia em que se assinala o seu nascimento.

«(…) Bocage tinha em si, por vocação e temperamento, todas as características do lirismo trovadoresco – vestido, evidentemente, à forma do tempo –: a métrica cinzelada, num aprumo hierático que não conhece semelhante na contextura do soneto, uma riqueza de léxico, em que a dignidade do conceito se casa à fácil e espontânea harmonia das rimas, nos princípios arcaicos do neoclassicismo setecentista. Este, o técnico de poesia, sempre poeta no entanto, num século que parecia essencialmente antipoético, e em que a moda era a imitação serviçal dos clássicos, a estrangeirização e o racionalismo.
Há também, é certo, a tradição de um Manuel Maria Barbosa du Bocage apenas panfletário ou satírico, em que predomina a vis irónica ou sarcástica, quando não arruaceira, popular, anedótica. Evidentemente que o que nessa tradição existe de real, deformado, embora, pertence ao exacto perfil do poeta e não há que ignorá-lo ou esquecê-lo. Mas a sua obra literária não precisa, para permanecer, da memória do que não a diminuiu, por ser verdadeiro, mas também não a exalta. (…)
Qualquer estudante cábula de Letras sabe, efectivamente, que, à tona dessa água revolta, que foi o génio poético de Bocage, vêm sempre todos os elementos que o esclarecem, precisam e definem. Não tanto a euforia de uma vida entregue às breves recompensas dos prazeres efémeros, como a ânsia inquieta, de ordem interior, que a justificava, afinal, deve ter influído no drama estético que é a inevitável moldura da obra que nos deixou. Manuel Maria Barbosa du Bocage só pode ser compreendido e interpretado inteiro, isto é, bloco estriado de mil filamentos, que constituem, afinal, o conjunto e a riqueza da sua personalidade – tão grande na sátira e no epigrama, como no mais apaixonado e lírico dos seus sonetos, tão forte no arroubo do ciúme, como na descrição paisagística, rica de cor, de uma noite tempestuosa. (…)
No final do século XVIII, a moda era ver pelos olhos alheios. Desse pecado ficaram isentos alguns dos poetas da Arcádia – e o próprio Bocage, que até nas suas sátiras mais mordentes mantinha uma tradição nacional. (…)
O gosto da confidência íntima, que o atira, de desabafo em desabafo, atrás de Marília, Elisa, Filena, Gertrúria, Anarda, num dolorido cortejo sentimental, é o mesmo, ainda, que o faz chorar, em verso, a morte de um amigo ou de um vizinho, o boato da morte de Nelson, ou cantar as aspirações do liberalismo, o dia de anos de um amigo, ou qualquer outro tema destes, alheio em absoluto à obra de arte… (…)
Poeta, como Olavo Bilac o exaltou; ser convivente, como Beckford o viu; eis Bocage, em quem luz, não algum talento, como ele disse, mas uma das mais pletóricas inspirações poéticas do século XVIII. (…)»
[foto: Bocage, no Museu do Traje, no Portugal dos Pequenitos, em Coimbra]

domingo, 27 de dezembro de 2009

Poemas de Natal (11) - Olavo Bilac

Há umas semanas, consegui adquirir, em alfarrabista, o livro Poesias, de Olavo Bilac (18ª ed. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1940), reunindo a obra poética deste escritor brasileiro, nome sério para a bibliografia sobre Bocage (ainda há poucos anos o Centro de Estudos Bocageanos reeditou um ensaio sobre o poeta setubalense, devido a Bilac) e que, em Setúbal, está homenageado, em monumento, desde 1965 (vai fazer no próximo ano 45 anos), na Praça do Brasil.
O último livro reunido nesse volume de poesia completa tem como título Tarde, obra que foi editada postumamente, em 1919 (Bilac falecera no ano anterior). É deste último livro que retiro o soneto "Natal" e aqui o divulgo.

Natal

No ermo agreste, da noite e do presepe, um hino
De esperança pressaga enchia o céu, com o vento...
As árvores: "Serás o sol e o orvalho!" E o armento:
"Terás a glória!" E o luar: "Vencerás o destino!"

E o pão: "Darás o pão da terra e o pão divino!"
E a água: "Trarás alívio ao mártir e ao sedento!"
E a palha: "Dobrarás a cerviz do opulento!"
E o tecto: "Elevarás do opróbrio o pequenino!"

E os reis: "Rei, no teu reino, entrarás entre palmas!"
E os pastores: "Pastor, chamarás os eleitos!"
E a estrela: "Brilharás, como Deus, sobre as almas!"

Muda e humilde, porém, Maria, como escrava,
Tinha os olhos na terra em lágrimas desfeitos;
Sendo pobre, temia; e, sendo mãe, chorava.