Mostrar mensagens com a etiqueta autoridade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta autoridade. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Manuel Villaverde Cabral – entre a leitura e a escola

Carlos Vaz Marques entrevistou o sociólogo Manuel Villaverde Cabral para a revista Ler deste mês (Lisboa: Círculo de Leitores, nº 98, Janeiro.2011). A cultura, a sociedade, a política, a comunicação entre estratos, as elites, as gerações… são vários bons pretextos para ler uma análise que nos toca. Aqui ficam excertos relacionados com a leitura e com a escola.
Leitura – “A leitura de livros acrescenta. Nomeadamente, a leitura de ficção e de poesia, mas também de livros de reflexão. (…) As pessoas que lêem vão sempre distinguir-se das outras e terão sempre o seu nicho de mercado. (…) Nada activa mais o neurónio do que a leitura.”
Escola – “Nós ainda estamos a ensinar a ler a crianças cujos pais não sabem ler. A pretensão da escola de fazer tudo – o que as famílias faziam, o que a sociedade devia fazer – é que está a matar a escola. Porque é evidente que não vai poder fazê-lo. A escola, para funcionar bem, supõe que os pais fazem o seu papel.”
Autoridade – “Uma escola onde a autoridade desapareceu, onde só uma autoridade intrínseca, moral, etc., se pode exercer, é uma escola onde as famílias em que a crise de autoridade foi melhor resolvida, melhor negociada, voltam a ter uma espécie de vantagem. Ou seja, quanto mais anárquica a situação, mais beneficiados saem aqueles que têm uma boa estrutura familiar e social.”
Motivação – “Na escola (…) há uma crise de motivação. E porquê? Por causa da massificação dos diplomas escolares. A massificação aconteceu numa sociedade envelhecida, rígida, estatizada até ao tutano, onde de facto os jovens com habilitações tinham emprego. Ainda hoje, a taxa de desemprego do estudante universitário em Portugal é comparativamente baixa. Tem é aumentado muito, o que cria um trauma. Daí a dizer que não valia a pena massificar dessa maneira vai um passo que muita gente dá imediatamente. Mas há o tal problema da motivação. O problema dos bairros problemáticos é que muitos jovens não vêem como e em quê aquilo lhes vai servir. Depois, alguns deles exprimem-se para o lado. Musicalmente, por exemplo. E muito bem.”

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Fernando Savater: a revolução da ética

Escola e democracia – “A escola não é democrática. Nem deve sê-lo. A escola é a preparação para a democracia. Uma aula é hierárquica. O professor está sempre acima dos alunos. A escola deve estar a preparar os jovens para ser cidadãos. A escola não tem os mecanismos da democracia nem deve ter.”
Professor e autoridade – “Há uma teoria, uma tendência, que iguala os professores aos alunos e que faz com que os professores percam o respeito dos alunos. Convencionou-se que o professor tem de inspirar respeito dentro da aula. Ora, se o professor tem tanta autoridade como o aluno a aula não funciona.”
Aulas e treinadores – “As aulas não são uma reunião de amigos nem um recreio. São um lugar onde se transmite o conhecimento. Toda a gente aceita e entende que um treinador de futebol dê ordens aos seus jogadores. Já o mesmo modelo numa escola parece que começou a ser (erradamente) entendido como algo escandaloso.”
Políticos e nós – “Os políticos somos todos nós. Se os políticos que ocupam os cargos são incompetentes, somos nós que os elegemos, e fomos nós que, apesar de acreditarmos que podemos ser melhores do que eles, não nos oferecemos para o lugar deles. Os políticos não são seres de outro planeta que desceram à terra para nos dificultar a vida.”
Fernando Savater, entrevistado por Cristina Margato. Expresso (“Atual”): 31.Out.2010.

segunda-feira, 22 de março de 2010

"A violência da ignorância", por José Gil

José Gil. Visão: nº 889, 18.Março.2010.

Só hoje li o artigo “A violência da ignorância”, assinado por José Gil no último número da revista Visão. E não posso estar mais de acordo. E este texto deve ser lido, partilhado e meditado. Pelo que há, pelo que pode haver, pelo que tem de deixar de ser.
Há dias, um aluno do ensino superior dizia-me que, nas aulas, por vezes, dificilmente conseguem perceber o que dizem os professores, porque a conversa entre os alunos é em tal quantidade que os docentes se vêem obrigados a interromper o raciocínio e a aula para chamarem a atenção aos prevaricadores. Fiquei admirado, devo mesmo dizer: chocado. Que isso aconteça em níveis iniciais da escolaridade, ainda se compreende por causa da fragilidade da noção de responsabilidade e por causa de alguma dose de infantilidade. Que isso aconteça no ensino superior… Pensei, no momento, tratar-se de caso isolado. Dois ou três dias depois, conversava com um colega, mostrando o meu espanto por esta prática, em que os alunos do ensino superior se comportavam nas aulas de forma algo semelhante a muitos do ensino básico. Resposta dele: era verdade, muita gente se queixava, parecia que a onda se estava a generalizar na falta de respeito pelas aulas e estava a chegar ao universitário!
Percebe-se onde nos está a levar a onda de facilitismo. Viu-se (e ouviu-se, aliás) pela reacção dos deputados que bateram com as tampas dos computadores na Assembleia da República na semana passada, protestando contra o Presidente da Assembleia. Só não percebe quem não quer… É que as atitudes de desrespeito que tais alunos vão mantendo são não apenas desrespeito pelos professores mas também pela instituição escolar e ainda pelos colegas. Mas nada disto lhes diz seja o que for de importante. Infelizmente!

terça-feira, 16 de março de 2010

No mundo da educação...

"(...) Os sindicatos fariam melhor se centrassem as reivindicações em matérias que não trazem aumento de despesa. O combate à indisciplina, bullying e violência nas escolas não provoca aumento de despesa e gera o apoio e simpatia de largos sectores da população. O reforço da autoridade dos professores e a alteração ao estatuto do aluno são duas áreas, interligadas, que mereceriam mais atenção dos sindicatos. E as alterações ao actual modelo de gestão escolar também. (...)"
Quem o diz é Ramiro Marques. E subscrevo.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

"Então o senhor o que faz?"

Numa pausa da montagem dos móveis, o homem perguntou-me: “então o senhor o que faz?” Disse-lhe que sou professor. E, na sua apreciação de quem trabalha com móveis, fazendo-os, e de quem vê e ouve o que se passa, observou: “Deve ser bonito! Mas, hoje, nota-se muita falta de respeito pelos professores… Isto foi um processo a crescer. Tem-se dado cabo do sentido da autoridade… E daí até à falta de respeito na sociedade ou até à sociedade que não se respeita a si mesma… é um passo!” Fiquei a ouvir. “É pena que os professores tenham sido desrespeitados…” E voltou ao trabalho. Não, não tem familiares ligados ao ensino; preocupa-se com o que vê, ouve e vive; comenta e aprecia. Ao mesmo tempo que trabalha na pequena empresa, quase exclusivamente familiar, lá para Paços de Ferreira, onde gera móveis por encomenda.