A gala da APPACDM de Setúbal terá lugar em Palmela, em 10 de Abril. Uma organização em que os utentes têm dado provas de valor, de capacidade, de energia. Para a agenda.
Mostrar mensagens com a etiqueta APPACDM. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta APPACDM. Mostrar todas as mensagens
segunda-feira, 6 de abril de 2015
terça-feira, 6 de novembro de 2012
A APPACDM de Setúbal entre a poesia, o teatro e a dança
Já lá vão 17 edições do
concurso de poesia que a APPACDM de Setúbal organiza anualmente, desde há sete
anos coincidindo também com a modalidade destinada à comunidade escolar. Assim,
há quase duas décadas que o início de Novembro vê acontecer em Setúbal a
respectiva entrega de prémios numa sessão que costuma envolver muitas pessoas e
não menos emoção.
No próximo fim de semana, tal
evento terá lugar no salão nobre da Câmara Municipal de Setúbal (dia 10, pelas
15h00), a que estará associada também a apresentação da obra antológica O teu sorriso… um poema, que reúne os
textos vencedores em ambas as modalidades nos três últimos anos do certame.
Entretanto, a lista dos premiados
da edição deste ano foi já divulgada, ainda que sem a indicação das
classificações. Assim, entre prémios e menções honrosas, os textos galardoados
no XVII Concurso de Poesia (a que se apresentaram 89 candidatos) foram: “Encolho-me
nos teus braços esculpidos no vento” (Maria da Conceição Bernardino, do Porto),
“Nos rebentos do tempo” e “Canção de Mimar” (Ana Coelho Antunes, do Carregado),
“Estilhaços” (Regina dos Anjos Sousa Gouveia, do Porto), “Dança Encantada” (Vânia
Isabel Veríssimo, de Setúbal), “Síndrome” (João Vítor Silva, de Mafra), “Moldura”
(Manuela Ferreira, de Ponte de Lima) e “As minhas mãos” (Teresa de Jesus
Ferreira Teixeira, de Vila Nova de Gaia). Na modalidade da “comunidade escolar”,
a VII edição (que teve 44 textos apreciados) distinguiu os seguintes títulos: “O
meu amor por ti” (Tiago Luís Roque Severino), “O Que Há Dentro De Mim” (Rui Alberto
Santos Caleira, da APPACDM de Setúbal), “És Para Mim Poesia” (Flávio Henrique
dos Santos Costa, da APPACDM de Setúbal), “Ser diferente...e igual” (Adélia
Maria Mendes, da APPACDM de Soure), “Tão diferente...mas tão igual a mim” (António
José Bento de Carvalho, da APPACDM de Soure), “A poesia que há em ti” (Catarina
Alexandra Oliveira Cordeiro, da APPACDM de Soure), “A Poesia que há em ti é a
mesma que há em mim” (Ana Sofia da Conceição Alves Teixeira, da Escola
Secundária de Palmela) e “É apenas paixão” (José Eduardo Nascimento Semedo, da CECD
Mira Sintra).
A cerimónia da entrega dos
prémios está incluída no programa do Festival EspressArte / XIII Encontro de
Teatro e Dança, iniciativa que decorrerá entre 9 de Novembro e 16 de Dezembro
em Setúbal, Palmela e Moita e que tem a participação da APPACDM de Setúbal nos
seguintes eventos: a) em Setúbal – “Gypsie Company” (9 de Novembro, 21h00, no
Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal), “Tarde de Folclore” (17 de
Novembro, 15h00, no Grupo Desportivo “O Independente”), “Manhã a Dançar” (28 de
Novembro, 11h00, no Auditório da Liga dos Amigos da Terceira Idade), “Todos a
Dançar” (7 de Dezembro, 14h00, no Auditório Municipal Charlot); b) em Palmela –
“Sou Igual a Ti” (5 de Dezembro, 14h30, no Auditório Municipal do Poceirão), “Grupo
Momentos de Talento” e “No Outro Lado do Espelho” (6 de Dezembro, 11h00 e 14h30,
no Cine-Teatro S. João); c) na Moita – “O Quarto dos Brinquedos” (22 de
Novembro, 14h00, na Biblioteca Municipal da Moita).
domingo, 15 de novembro de 2009
"Aprender contigo", uma antologia de poesia da APPACDM
Em 2006, a APPACDM de Setúbal procedeu à apresentação pública de uma antologia intitulada Um olhar diferente, que reunia os premiados de uma década de poemas e de concursos de escrita levados a cabo pela instituição. Mais três anos passaram e a mesma APPACDM mostra que não só insistiu no certame mas também o alargou ao público escolar, de modo a que também os jovens dissessem dos seus diferentes olhares sobre a realidade da vida, ainda que agora sob o tema “Aprender contigo”.E neste livro [Aprender contigo - Três anos de poesia (2006-2008). Coimbra: Temas Originais, 2009] está a partilha de mais três anos de reflexões, mais três anos de refúgios de escrita, mais três anos de dádiva, que congrega cerca de 50 textos, numa mensagem contra a indiferença e numa vertigem que nos obriga a olharmos para nós.
Estes textos são apenas uma parte dos muitos que apareceram. Este concurso tornou-se um evento com calendário marcado e esperado e é motivação forte para muitas vozes. Nesta antologia surgem apenas os textos contemplados com prémio ou com menção honrosa, amostra do vasto conjunto de missivas que chegaram, pontuada pelas preferências dos júris e por sentidos de vida.
Viajamos nestes poemas e confrontamo-nos com uma ecologia do sentir, em que cada poeta peregrina por si dentro para descobrir que com o outro aprendeu a ingenuidade, o saber esperar, o ser diferente, o dizer obrigado, o olhar para o lado, a dádiva, a generosidade, a alegria. Fica-se com a sensação de que foi preciso um confronto com este outro para se aprender algo que é natural, algo que andava cá dentro mas que não tinha sido descoberto, para aprender a simplicidade de viver.
E o mundo, como a vida, oscila em torno de sensações ou aprendizagens fortes, sejam elas as da dura realidade ou as da contemplação da natureza. Como não nos sensibilizarmos perante um poema de aprendizagem como “Fana”, em que se descobre a docilidade e as raízes de uma amizade? Como não alinharmos numa pequena fábula como a do poema “Historinha curta” em que se vislumbra o que aprender com os outros, mesmo quando são mais pequenos? Como ficar perante uma poeta que se confessa mãe, dizendo: “Que mais, meu filho, tu terás para me ensinar? Quero até aprender a esquecer a revolta tão contida… Ensina-me, meu amor, meu querido professor, meu exemplo de vida!”? Como ficar? Ou como não aderir a um caminho em que com o outro há lugar para “aprender coisas novas, o arco-íris procurar e para além dele ver o sol brilhar”?
São possíveis balizas as que acabo de indicar. Mas que só valem como figuração, como símbolo, como apelo à procura a fazer por cada um. Ou, como é dito noutro poema, “aprender contigo é uma luz para me encontrar”. E é esse um encanto deste livro: a disponibilidade de cada poeta para ir ao seu próprio encontro, para descobrir o que pode significar uma partilha do mundo com o outro, para descobrir o que de si deve ao outro. Tudo numa linguagem muito simples, onde se nota que os poemas são construídos sem outra pretensão que não seja a da partilha, a da alegria de viver nos outros ou com os outros.
[Na apresentação pública do livro, ocorrida ontem, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal]
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Aprender contigo... na APPACDM (4)
Ser diferente é relativoFalarei de um menino deficiente
De igual maneira que falarei de alguém
Cujo coração bate vivamente,
Como o da criança que encontrei…
A sua mão formatada apelava por ajuda.
Os seus traços expressivos, indecifráveis…
E o seu estrabismo bem notável…
Fizeram-me hesitar! Recuei!
Meu Deus! Como foi possível agir assim?!
Não, voltei a pensar:
E o seu estrabismo bem notável…
Fizeram-me hesitar! Recuei!
Meu Deus! Como foi possível agir assim?!
Não, voltei a pensar:
Estendi a mão, abri os braços…
Respirei fundo e…
Como soube bem aquele abraço!
O efeito que o seu sorriso em mim provocou
Fez de si uma pessoa diferente!
Esta sim, era a verdadeira razão para ser diferente!
Estas crianças são diferentes,
Não pelo problema mental,
Mas pela coragem especial
Não pelo problema mental,
Mas pela coragem especial
De enfrentar insensível gente
Que humilha, despreza, goza
E fere a ferida mais difícil de sarar…
Gente que não faz isto é rara
E emocionalmente valiosa.
Para sempre no coração
Fica o incómodo arranhão
Feito por estas mentes
Que rasgam almas bruscamente
E que extinguem a auto-estima já pouco existente.
Mão-de-obra?
O rude ser humano mau e ignorante!
Tudo isto que aqui escrevi,
Foi de facto o que senti!
Tudo isto que aqui escrevi,
Foi contigo que aprendi!
Sinto-me na obrigação
De obedecer ao meu coração
E dizer-te: Obrigada!
Que humilha, despreza, goza
E fere a ferida mais difícil de sarar…
Gente que não faz isto é rara
E emocionalmente valiosa.
Para sempre no coração
Fica o incómodo arranhão
Feito por estas mentes
Que rasgam almas bruscamente
E que extinguem a auto-estima já pouco existente.
Mão-de-obra?
O rude ser humano mau e ignorante!

Tudo isto que aqui escrevi,
Foi de facto o que senti!
Tudo isto que aqui escrevi,
Foi contigo que aprendi!
Sinto-me na obrigação
De obedecer ao meu coração
E dizer-te: Obrigada!
Inês Figueiredo
Este poema obteve o 1º lugar na modalidade escolar no Concurso de Poesia promovido pela APPACDM de Setúbal deste ano. A autora é aluna na Escola Secundária de Palmela, na turma 8ºC. [foto: a partir de www.fiocruz.br]
Aprender contigo... na APPACDM (3)
Aprender ContigoNo calor da tua voz,
eu sinto o teu sorriso,
mas sei que no meu mundo
das flores primaveris
a abrir,
onde o brilho do teu olhar
é como o Sol,
aprender contigo
é uma luz
para me encontrar
com o teu carinho.
Segue o pulsar do teu coração
e nunca estarás sozinho.
Vais sentir
que ouves

o chilrear dos pássaros,
o canto das fontes,
os campos verdejantes
a serem varridos pelo vento.
E, no mais inebriante
dos sonos,
na maior pureza
das palavras,
eu vou aprender contigo.
Filomena Caixas Peixeiro
Este poema obteve o 2º lugar na modalidade escolar no Concurso de Poesia promovido pela APPACDM de Setúbal deste ano. A autora é aluna na Escola Secundária de Palmela, na turma 8ºB. [foto: a partir de www.fiocruz.br]
Aprender contigo... na APPACDM (2)
FANAVou tentando perceber,
Que mensagem queres passar
Todo o dia em meu redor
Todo o dia a pedinchar...
Fana, Fana!
Tu tás boa?
Fana , Fana!
Como tás?
Dá-me um bolo!
Fana, Fana
Ou então, o que me dás?
Vai-te embora, Vera Lúcia,
Que eu
preciso trabalhar!Não te dou bolo nenhum,
Ficas gorda,
Faz-te mal!
Mas de novo, lá vem ela...
Toda muito redondinha,
Ar brejeiro e olhar doce
Com seu jeito de menina
Que vontade de apertar
A bochecha coradinha.
Fana, Fana!
Não te zangues,
Fico triste, vou chorar!
Não te zangues, Fana, Fana!
Que eu só te quero abraçar!

E ao sentir tanta ternura
Já consigo perceber
A razão porque tu estás
Presente na minha vida.
Foi para me ensinares,
Ou foi para eu aprender
Que uma amizade “diferente”
Tem raízes tão profundas
Que unem a Fana à Vera
Como se fosse só uma!
Maria Fernanda Esteves
Como prometido em postal de sábado, publico o poema que ficou em primeiro lugar no concurso de poesia promovido pela APPACDM de Setúbal, sujeito ao tema "Aprender contigo". Para próximos postais, ficarão outros poemas... [foto: a partir de www.fiocruz.br]
sábado, 24 de novembro de 2007
Aprender contigo... na APPACDM (1)
A APPACDM (Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental) de Setúbal acabou de atribuir os prémios do concurso de poesia que, desde há 12 anos, promove. No ano passado, por esta altura, editou o volume Um olhar diferente – 10 Anos de poesia (1996-2005), que reúne os poemas premiados e os que obtiveram menção honrosa ao longo dessa década. Ainda no ano passado, a delegação de Setúbal decidiu criar também a modalidade de poesia destinada a estudantes das escolas
dos concelhos de Setúbal e de Palmela, iniciativa que teve a sua segunda edição neste ano.
Até hoje, assisti a várias das sessões de entrega de prémios da APPACDM nesta iniciativa e sempre me emocionou a alegria, a jovialidade, o sorriso, a vivacidade, com que os jovens (e adultos) utentes da APPACDM se envolvem nesta actividade, quer como elementos de uma assistência participativa, quer (sobretudo) como autores de textos que nos apresentam uma visão do mundo e da vida perfeitamente ajustados.
Até há dois anos, o tema dos concursos de poesia era exactamente… “um olhar diferente” (de onde vem, de resto, o título da antologia que referi). Daí para cá, o tema é “aprender contigo”, algo que nos coloca na necessidade, na vertigem de olhar o outro, de sentir o outro.
Os poemas premiados assim o demonstraram, quer os que foram apresentados pelos adultos, quer os originários das comunidades escolares. Pedi alguns dos textos premiados e divulgá-los-ei aqui logo que os tenha. Para já, deixo os nomes dos dois primeiros contemplados de cada modalidade: na área escolar, foram Inês Sampaio Figueiredo (1º lugar) e Filomena Marilda Peixeiro (2º lugar), ambas da Escola Secundária de Palmela; na modalidade geral, Maria Fernanda Esteves (1º lugar) e Antonieta Carrilho Vilhena (2º lugar).
dos concelhos de Setúbal e de Palmela, iniciativa que teve a sua segunda edição neste ano.Até hoje, assisti a várias das sessões de entrega de prémios da APPACDM nesta iniciativa e sempre me emocionou a alegria, a jovialidade, o sorriso, a vivacidade, com que os jovens (e adultos) utentes da APPACDM se envolvem nesta actividade, quer como elementos de uma assistência participativa, quer (sobretudo) como autores de textos que nos apresentam uma visão do mundo e da vida perfeitamente ajustados.
Até há dois anos, o tema dos concursos de poesia era exactamente… “um olhar diferente” (de onde vem, de resto, o título da antologia que referi). Daí para cá, o tema é “aprender contigo”, algo que nos coloca na necessidade, na vertigem de olhar o outro, de sentir o outro.
Os poemas premiados assim o demonstraram, quer os que foram apresentados pelos adultos, quer os originários das comunidades escolares. Pedi alguns dos textos premiados e divulgá-los-ei aqui logo que os tenha. Para já, deixo os nomes dos dois primeiros contemplados de cada modalidade: na área escolar, foram Inês Sampaio Figueiredo (1º lugar) e Filomena Marilda Peixeiro (2º lugar), ambas da Escola Secundária de Palmela; na modalidade geral, Maria Fernanda Esteves (1º lugar) e Antonieta Carrilho Vilhena (2º lugar).
Resta dizer que, em cada ano, na sessão de entrega dos prémios, é homenageado um poeta ligado a Setúbal e há participação musical. Na edição que hoje se realizou, o contemplado foi António Maria Eusébio (1820-1911), conhecido por "Calafate" ou "Cantador de Setúbal", evocado pelo seu bisneto, Rogério Peres Claro, que anunciou o terceiro volume da obra completa do bisavô para o início de 2008 [tarefa necessária, de resto, uma vez que os dois anteriores volumes datam de 1985 (Lisboa: Ulmeiro) e ficou sempre a promessa da restante obra a publicar]. A parte musical esteve a cargo de alunos violinistas do Conservatório Regional de Setúbal, acompanhados ao piano pelo professor António Laertes.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


