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terça-feira, 11 de setembro de 2012

11 de Setembro, duas vezes



11 de Setembro de 1973, em Santiago; 11 de Setembro de 2011, nos Estados Unidos. Como escreve o blogoperatório de hoje: "É preciso recordar, nestes tempos em que tudo parece desabar à nossa volta."

domingo, 11 de setembro de 2011

Outra lembrança de 11 de Setembro - Antero de Quental

Alertado para um outro significado deste 11 de Setembro pelo Manuel Medeiros, aqui deixo o registo da homenagem que Ponta Delgada prestou a Antero de Quental, passando hoje 120 anos sobre a sua morte.
Em 1942, foi a inauguração do monumento a Antero, segundo um projecto do escultor açoriano Canto da Maia. Incompleto, o memorial viria a ser concluído em 1995, com esculturas laterais de Soares Branco, seguindo a ideia de Canto da Maia.
É a parte central do memorial que aqui se reproduz.

11 de Setembro, 10 anos

Dez anos sobre o 11 de Setembro, a data que arrecadou a marca da mudança no mundo, sobretudo no plano das relações entre povos e sistemas políticos, acentuada por sofrimento desmesurado.
É difícil escolher uma das memórias que retrataram esse dia, mas sempre me impressionou a fotografia captada por Richard Drew do homem em queda nas torres gémeas de Nova Iorque. Ainda ontem, num programa da SIC, o correspondente Luís Costa Ribas evocava essa fotografia para questionar o que teria pensado aquele homem, bem como todos os outros que tomaram idêntica decisão… Talvez a opção por uma corrida escolhida para a morte depois de se ter visto num beco sem saída, talvez o encontro da paz, numa fuga ao inferno, talvez... Mas fica também o sofrimento individual, o desespero, no meio da amálgama, sentido numa queda a velocidade vertiginosa num percurso de 400 metros, antecipadamente sabendo que a saída não seria para a salvação. E fica a figura humana, superior aos destroços, às alturas, aos conflitos… mas frágil e sempre vítima!
Nesse 11 de Setembro as vítimas foram quase três mil!

domingo, 5 de outubro de 2008

Eduardo Lourenço em sete citações

No Público de hoje, há uma entrevista a Eduardo Lourenço feita por José Manuel Fernandes (do Público) e por Graça Franco (da Rádio Renascença). Aos 85 anos, Eduardo Lourenço reflecte sobre a actualidade e sobre o mundo com a frescura (e também o pessimismo) que o caracteriza(m). Eis sete pensamentos recolhidos dessa entrevista.
Passado – “A fixação no nosso passado é muito de tipo onírico. Mesmo as pessoas menos ilustradas têm impressa a marca do que fomos. Vejam os portugueses emigrados. Na zona onde vivo, Vence, onde os portugueses vieram quase todos da zona de Espinho, quando fazem as suas festas recorrem sempre à simbologia das caravelas. A nossa imagem de marca lá fora ainda é essa, a de gente que descobriu uma parte do mundo. Isso aprende-se na escola, transmite-se oralmente, e ser português é ser o antigo descobridor. E como não temos presente à altura desse tipo de façanhas - nem barcos temos... -, temos imaginação.
Os dois blocos da Europa – “O maior acontecimento cultural da modernidade europeia foi a revolução protestante que dividiu a Europa em dois blocos. Essa linha continua a passar pelo interior da Europa, a dividi-la. São duas Europas, pois não devemos esquecer que as maiores divisões que há dentro das nações são do tipo religioso.
Europa e os outros – “[O] problema (…) das minorias muçulmanas é o principal problema do futuro da construção europeia. Ainda não é muito visível, porque são uma minoria, mas a questão é como poderemos resolver, antes da Europa se afirmar em todas as suas dimensões, o problema de relacionamento com uma civilização com a qual, historicamente, sempre nos confrontámos. Não sou apologista das guerras de civilizações, mas elas existem.
A realidade e a ilusão – “Vivemos hoje tempos melhores do que os que conhecemos no nosso passado recente, e só quem não passou por eles pode desvalorizar esta evolução. Não podemos ser tão pessimistas, talvez tenhamos de reconhecer que os intelectuais, e eu também, sofrem por vezes de um excesso de espírito sonhador, até com uma carga utópica. Depois desiludimo-nos porque a realidade não desaparece e está onde está para nos tirar as ilusões.
Pós-11 de Setembro – “Foi isso o 11 de Setembro, essa espécie de apocalipse virtual. Entrámos numa zona de tempestades onde nos confrontamos com crises como a que hoje vivemos e que há dez ou vinte anos julgaríamos impossíveis de acontecerem. A nossa surpresa também deriva de estarmos habituados a ver o mundo de acordo com os parâmetros do modelo europeu, um modelo que fomos nós, portugueses, sem o saber, que começámos a difundir, e depois vimos como universal. Já o Fernando Pessoa dizia, "a Europa está em toda a parte". Só que essa "toda a parte" não é a Europa nossa, pelo que o triunfo do nosso modelo não foi tão absoluto como imaginávamos, sobretudo no domínio dos valores e dos comportamentos. Outras culturas foram resistindo e hoje estamos confrontados com os desafios que nos colocam.
Primeiro, o religioso – “Devíamos ter presente que, por regra, a primeira expressão da Humanidade em cada país é uma expressão do religioso.
Portugal – “Somos um povo entre os povos, não somos o centro do mundo. Já Camões se tinha apercebido de que éramos uma espécie de milagre... Esse milagre é uma coisa que nos enlouqueceu. Mas todos precisamos de loucura para suportar a vida. Não temos é necessidade de querer estar sempre nas primeiras páginas do mundo.
[foto: Eduardo Lourenço fotografado por Daniel Rocha, no Público de hoje]

terça-feira, 11 de setembro de 2007

11-09-2001

Foto a partir de www.images.google.pt
A reunião decorria e um telefone tocou. Mateus atendeu e, ao longo da conversa, que não foi longa, o seu rosto transfigurou-se. Algo de impossível parecia acontecer. “Ó João, podes ligar aí a televisão?” A operação foi rápida. Ouviu-se, primeiro, o discurso do jornalista, ainda com o ecrã negro. Recordo que me parecia estar a ouvir mal. Depois, veio a imagem, sempre ela, a valer mais do que tudo. Uma das torres em chamas e um segundo avião a atirar-se contra a outra. O desmoronamento. A dor. A impotência. A fragilidade. A descrença. O inacreditável e o incalculável. O sofrimento, o sofrimento, o sofrimento. Enquanto reportagens de outras partes do mundo mostravam festejos pelo acontecido nas coordenadas de Nova Iorque…
Seis anos depois, o mundo está diferente, é verdade. Mas porque se acredita menos que as soluções para um mundo melhor existam!