O Catálogo Geral da Festa da Ilustração, iniciativa que já leva dois anos em Setúbal, vai ser apresentado publicamente na quinta-feira, 27 de Outubro, na Casa da Cultura, em Setúbal, pelas 19h00. Para a agenda.
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segunda-feira, 24 de outubro de 2016
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Bocage no seu mês - 250 anos depois (16)
Ilustrações de Nuno Saraiva para o projecto "Bocage Reconhecido" promovido pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior (Lisboa) [Fonte: sítio da JF de Santa Maria Maior]
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Para a agenda: Bocage na Festa da Ilustração, em Setúbal
A Festa da Ilustração de Setúbal promete animar este Junho. "É preciso fazer um desenho?" Que o diga Manuel João Vieira na exposição "Bocage porno". A abrir na noite de hoje, na Casa Bocage. Para a agenda!
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domingo, 10 de junho de 2012
Memória: Maria Keil (1914-2012)
Maria Keil morreu. Assim entra na memória uma das ilustradoras
de referência da literatura dedicada à infância e juventude. Creio que um dos
seus últimos trabalhos foi a ilustração do livro Florinda & o Pai Natal, publicação póstuma de Matilde Rosa Araújo
(Lisboa: Calendário, 2010), área a que se dedicou depois de, na década de 1960,
ter ilustrado a obra Páscoa feliz, de José Rodrigues Miguéis.
Em 2004, a Biblioteca Nacional organizou uma mostra
bibliográfica sobre Maria Keil, com exposição de cerca de 160 referências. No
catálogo, um texto de Matilde Rosa Araújo contava uma história que começava
assim: “Maria fica sempre fora de todos os discursos. Há algo de imponderável,
de não tocável ou que possa ser descrito na pessoa física, na personalidade tão
rara de Maria Keil.” A história-testemunho avançava. E concluía desta maneira: “Maria,
obrigada de todo o coração. Encontrar seu voo em livros meus foi, para mim, um
raro presente da vida que a sua generosidade nunca me recusou. (…) Maria sábia
em sua varanda.”
Provavelmente, muitos outros autores poderiam dizer o mesmo.
Os desenhos de Maria Keil ficaram a enriquecer ainda obras de nomes como Alexandre
Honrado, Alice Vieira, Álvaro Magalhães, Aquilino Ribeiro, Esther de Lemos, Graça
Vilhena, Irene Lisboa, Maria Cecília Correia, Maria Isabel César Anjo, Maria
Lúcia Namorado, Sophia de Mello Breyner e Teresa Balté, entre outros.
Fica-nos a alegria desses desenhos (bem como as outras
múltiplas obras em que se desdobrou, designadamente a azulejaria). E a
consciência do que é desenhar para crianças: “Não se deve entreter as
criancinhas com as nossas fantasias, pois o trabalho é para elas. Não se deve
minimizar, nem fazer coisas que os miúdos não possam entender. Eles percebem
tudo, não é preciso estar a deformar uma figura…”, dizia Maria Keil numa
entrevista a João Paulo Cotrim, publicada no Expresso em 2004 (“Maria Keil – A linha e o traço”. Expresso – supl. “Actual”:
28.Agosto.2004, pp. 18-19).
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Camões e "Os Lusíadas" para os mais novos
Com a edição do Público de ontem foi vendido, como opção, o livro Os Lusíadas – Episódios fabulosos, com selecção e adaptação do texto feita por Elsa Pestana de Magalhães e ilustrações de Jesús Gabán (Sintra: Girassol Edições). 
Em nota introdutória, a autora da adaptação dirige-se ao “pequeno grande leitor” para curta biografia de Camões e para justificar a obra – “Ao adaptarmos esta obra para ti, quisemos que começasses a ter contacto com Os Lusíadas e a conhecer o seu conteúdo. Foi por isso que seleccionámos apenas alguns episódios e lhes demos uma forma reduzida e simplificada, procurando, porém, ser fiel ao sentimento de Camões.”
A intenção é a melhor e o livro afigura-se agradável. As ilustrações são elucidativas e equilibradas e acompanham a história. A selecção dos episódios é adequada, com excertos de todos os cantos e inserindo, por vezes, versos camonianos sem dificultar a compreensão e sem forçar o conjunto do texto. Frequentemente, o discurso não se distancia do registo de Camões, utilizando até as mesmas imagens ou palavras, mas com simplificação e explicação a propósito. O leitor ora se julga perante o texto original, ora se confronta com a adaptação, sem que haja cortes abruptos.
Há, no entanto, algumas dificuldades que seriam bem escusadas, tais como: nem sempre ser evidente quem é o narrador do que está a ser contado; o discurso directo assumir vários parágrafos sem que se perceba no imediato que se continua a "ouvir" a mesma personagem; frequência de mistura de formas verbais no tempo pretérito e no tempo presente no mesmo parágrafo, respeitando a mesma acção; manutenção no texto de alguns termos não usuais que poderiam ter sido substituídos, sem necessidade de recorrer aos significados em rodapé.
Esta é mais uma das obras que vem juntar-se à fortuna editorial em torno de Camões e da adaptação da sua vida e obra visando um público juvenil. Deixo aqui, sem exaustiva preocupação, alguns exemplos, nem todos recentes, mas em que vale a pena manter a aposta: Aventuras do Trinca-Fortes – Pequena história de Camões e do seu poema, de Adolfo Simões Müller (Porto: Livraria Tavares Martins, 1946), com ilustrações de Júlio Resende (em 1980, houve nova edição a cargo do Círculo de Leitores, com ilustrações de Antunes); Os Lusíadas contados aos jovens, de Adolfo Simões Müller (Mem Martins: Publicações Europa-América, 1980), com ilustrações de Fernando Bento; Os Lusíadas de Luís de Camões contados às crianças e lembrados ao povo, de João de Barros (Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1930), com ilustrações por Martins Barata (em 2008, houve nova edição, com ilustrações de André Letria); Camões, poeta mancebo e pobre, de Matilde Rosa Araújo (Lisboa: Prelo, 1980), com ilustrações de Maria Keil; Chamo-me… Luís de Camões, de Zacarias Nascimento (Lisboa: Didáctica Editora, 2007), com ilustrações de Ernesto Neves; Barbi-Ruivo – O meu primeiro Camões, de Manuel Alegre (Lisboa: Dom Quixote, 2007), com ilustrações de André Letria; "Os Lusíadas" para os mais pequenos, de Alexandre Honrado (Porto: Âmbar, 2008), com ilustrações de Maria João Lopes; Era uma Vez um Rei que Teve um Sonho: Os Lusíadas Contado às Crianças, de Leonoreta Leitão (Lisboa: Dinalivro, 2007). Quanto a adaptações em bd, lembro: Os Lusíadas em banda desenhada, por José Ruy (Lisboa: Editorial Notícias, 1983); Camões aos quadradinhos, por Rui Pimentel e Jorge Serrão (Lisboa: Aguiar & Dias, s/d) e Camões, por Carlos Alberto Santos (Porto: Edições ASA, 1990).

Em nota introdutória, a autora da adaptação dirige-se ao “pequeno grande leitor” para curta biografia de Camões e para justificar a obra – “Ao adaptarmos esta obra para ti, quisemos que começasses a ter contacto com Os Lusíadas e a conhecer o seu conteúdo. Foi por isso que seleccionámos apenas alguns episódios e lhes demos uma forma reduzida e simplificada, procurando, porém, ser fiel ao sentimento de Camões.”
A intenção é a melhor e o livro afigura-se agradável. As ilustrações são elucidativas e equilibradas e acompanham a história. A selecção dos episódios é adequada, com excertos de todos os cantos e inserindo, por vezes, versos camonianos sem dificultar a compreensão e sem forçar o conjunto do texto. Frequentemente, o discurso não se distancia do registo de Camões, utilizando até as mesmas imagens ou palavras, mas com simplificação e explicação a propósito. O leitor ora se julga perante o texto original, ora se confronta com a adaptação, sem que haja cortes abruptos.
Há, no entanto, algumas dificuldades que seriam bem escusadas, tais como: nem sempre ser evidente quem é o narrador do que está a ser contado; o discurso directo assumir vários parágrafos sem que se perceba no imediato que se continua a "ouvir" a mesma personagem; frequência de mistura de formas verbais no tempo pretérito e no tempo presente no mesmo parágrafo, respeitando a mesma acção; manutenção no texto de alguns termos não usuais que poderiam ter sido substituídos, sem necessidade de recorrer aos significados em rodapé.
Esta é mais uma das obras que vem juntar-se à fortuna editorial em torno de Camões e da adaptação da sua vida e obra visando um público juvenil. Deixo aqui, sem exaustiva preocupação, alguns exemplos, nem todos recentes, mas em que vale a pena manter a aposta: Aventuras do Trinca-Fortes – Pequena história de Camões e do seu poema, de Adolfo Simões Müller (Porto: Livraria Tavares Martins, 1946), com ilustrações de Júlio Resende (em 1980, houve nova edição a cargo do Círculo de Leitores, com ilustrações de Antunes); Os Lusíadas contados aos jovens, de Adolfo Simões Müller (Mem Martins: Publicações Europa-América, 1980), com ilustrações de Fernando Bento; Os Lusíadas de Luís de Camões contados às crianças e lembrados ao povo, de João de Barros (Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1930), com ilustrações por Martins Barata (em 2008, houve nova edição, com ilustrações de André Letria); Camões, poeta mancebo e pobre, de Matilde Rosa Araújo (Lisboa: Prelo, 1980), com ilustrações de Maria Keil; Chamo-me… Luís de Camões, de Zacarias Nascimento (Lisboa: Didáctica Editora, 2007), com ilustrações de Ernesto Neves; Barbi-Ruivo – O meu primeiro Camões, de Manuel Alegre (Lisboa: Dom Quixote, 2007), com ilustrações de André Letria; "Os Lusíadas" para os mais pequenos, de Alexandre Honrado (Porto: Âmbar, 2008), com ilustrações de Maria João Lopes; Era uma Vez um Rei que Teve um Sonho: Os Lusíadas Contado às Crianças, de Leonoreta Leitão (Lisboa: Dinalivro, 2007). Quanto a adaptações em bd, lembro: Os Lusíadas em banda desenhada, por José Ruy (Lisboa: Editorial Notícias, 1983); Camões aos quadradinhos, por Rui Pimentel e Jorge Serrão (Lisboa: Aguiar & Dias, s/d) e Camões, por Carlos Alberto Santos (Porto: Edições ASA, 1990).
[A ordem por que se reproduzem as capas dos livros segue a da entrada dos mesmos no texto.]
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sábado, 2 de agosto de 2008
Minho em ponto cruz por Nuno Neves
Ao olhar a capa deste Minho de Nuno Neves (Algés: Publicações Serrote, 2008), três recordações me assaltaram: os lenços de namorados e o seu genuíno e emotivo bordado num loquaz ponto cruz; o verde, tom dominante na paisagem minhota; uma citação de Miguel Torga no seu Portugal (1950) a propósito do recanto minhoto classificando-o como “bovino”.
Três motivações para se desenhar o Minho, pelo menos o Minho que o seu autor viu e guardou. Nuno Neves fez desta apresentação do Minho um trabalho original – os dizeres que traz ao visitante do seu livro são desenhos de temática minhota feitos em ponto cruz, por si construídos informaticamente. Ele próprio o diz em curta nota introdutória: “Depois de ter visto uma colecção de Lenços de Namorados de Vila Verde e ter feito algumas viagens pelo Minho, resolvi fazer estas ilustrações. Apliquei a técnica do ponto cruz num formato digital, desenhando pixel a pixel todas as páginas deste livro.” Está o leitor perante um trabalho artesanal, também, se escândalo não é misturar o artesanato com as modernas tecnologias... Pelas páginas deste livro de ilustrações passam algumas das imagens que associamos à terra minhota: lenços de namorados, as bandas de músicos em barro e o galo de Barcelos, a “coca” monçanense, os “zés pereiras”, os “cabeçudos”, as juntas de bois, os espigueiros do Soajo, os trajos de pastor de Laboreiro (chancas e croça), a música popular, o sarrabulho, o vinho verde, a gastronomia, os recantos (farol de Montedor, por exemplo), a apanha do Sargaço (da Apúlia), o guerreiro das Terras de Basto, a filigrana, os cestos da Festa das Rosas de Vila Franca do Lima, as procissões em tempos de festa, as devoções (ex-votos de cera), a festa (na pirotecnia, por exemplo). É uma maneira bonita de se ver o Minho, original, ainda que talvez pudesse ter ido um pouco mais além dos estereótipos que uma certa visão turística tem propagandeado.
[fotos: capa do livro e desenho das mordomas que transportam os cestos de flores na Festa das Rosas,
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