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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Da memória e da escola

«(...) A memória parece ter andado arredada da escola. O aprender de cor adquiriu uma conotação negativa entre nós, porque foi sempre associado a aprender sem qualquer "ganho hedónico". Entendo que não há melhor forma de aprender do que de cor (de cuore ou com o coração), ou seja, com esforço. Estou certo de que este esforço se traduz na aquisição de alguns automatismos que libertam a memória para o recurso a outras estratégias mais elaboradas. Devemos por isso encorajar e ensinar as nossas crianças a usarem estratégias de memória (e.g., mnemónicas motoras, mnemónicas verbais, cantilenas, etc.).
Trazer a memória para a escola dando às crianças algumas armas cognitivas que lhes permitam usá-la sem esforço e valorizá-las por as adquirirem pode ser mais um pequeno passo no sentido da melhoria do seu desempenho escolar.»
Pedro B. Albuquerque. "É preciso levar a memória de trabalho para a escola?".
Em Causa: Aprender a Aprender. Col. "Questões-Chave da Educação".
Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos / Porto Editora, 2011, pg. 92.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Guilherme Valente e o "eduquês"

Guilherme Valente. "Dois logros do eduquês". Expresso: 3.Julho.2010

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Intervalo (16)

Filosofia para a vida
Um professor, durante a sua aula de Filosofia, sem dizer uma palavra, pega num frasco de maionese, esvazia-o... e enche-o com bolas de golfe. A seguir, pergunta aos alunos se o frasco estava cheio. Os estudantes respondem que sim. Então, o professor pega numa caixa cheia de caricas e mete-as no frasco de maionese. As caricas enchem os espaços vazios entre as bolas de golfe. O professor volta a perguntar aos alunos se o frasco está cheio e eles voltam a dizer que sim. Então... o professor pega noutra caixa... cheia de areia e esvazia-a para dentro do frasco de maionese. Claro que a areia enche todos os espaços vazios e, uma vez mais, o professor volta a perguntar se o frasco está cheio. Nesta ocasião os estudantes respondem unanimemente um "Sim!". De seguida, o professor acrescenta duas taças de café ao frasco e claro que o café preenche todos os espaços vazios entre a areia. Os estudantes, nesta ocasião, começam a rir-se...mas reparam que o professor está sério e diz-lhes:
- Quero que se dêem conta de que este frasco representa a vida. As bolas de golfe são as coisas importantes como a família, os filhos, a saúde, os amigos, tudo o que os apaixona. São coisas que, mesmo que se perdêssemos todo o resto, manteriam cheias as nossas vidas. As caricas são as outras coisas que importam, como o trabalho, a casa, o carro, etc. A areia é tudo o demais, as pequenas coisas. Se puséssemos primeiro a areia no frasco, não haveria espaço para as caricas nem para as bolas de golfe. O mesmo acontece com a vida. Se gastássemos todo o nosso tempo e energia nas coisas pequenas, nunca teríamos lugar para as coisas realmente importantes. Prestem atenção às coisas que são cruciais para a vossa felicidade. Brinquem ensinando os vossos filhos; arranjem tempo para ir ao médico; namorem e vão com a vossa/vosso namorado/marido/mulher jantar fora; pratiquem o desporto ou hobby favorito. Haverá sempre tempo para limpar a casa e reparar as canalizações. Ocupem-se das bolas de golfe em primeiro lugar, das coisas que realmente importam. Estabeleçam as vossas prioridades, o resto é só areia...
Um dos estudantes levanta a mão e pergunta o que representava o café. O professor sorri e explica:
- O café é só para vos demonstrar que não importa o quanto a vossa vida esteja ocupada, porque sempre haverá espaço para um café com um amigo.

OBS: Texto cuja autoria desconheço, enviado por amigo. Num tempo como o nosso, esta história tem o seu quê de ensinamento...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Em louvor dos professores, da cultura e da ética

A falta que os professores não cometeram
«(…) A teoria e a prática da gestão têm avançado no sentido de organizações cognitivas ou inteligentes. A gestão da Educação parece não ter ido nesse sentido. O que é surpreendente, pois a tutela é detentora de um capital intelectual fantástico: o nível de instrução do seu pessoal docente.
Por outro lado, a audição dos envolvidos numa dada estrutura, quando o gestor pretende tomar medidas geradoras de mudança, torna‐se uma prática requerida por concepções teóricas, resultados previsíveis e bom senso social. Não falo de negociação, esta implica a igualdade das partes, em relação à mesma, o que não seria o caso.
Que fizeram, então, os professores para se sentirem ultrapassados nas concepções teóricas, nas boas práticas de gestão e no bom senso? Uns poucos terão andado distraídos, a maior parte, entregue aos seus ideais educativos, desactualizados, parece, sem saberem bem porquê.
(…) Que falta cometeram os professores para verem: os valores saírem da escola? O número de alunos a crescer, na sala de aula, à espera da saída? A aprendizagem a tornar‐se insignificante e os resultados escolares irrelevantes? O esforço, o trabalho e o mérito a abandonarem a escola? Seja qual for a razão, essa falta, os professores não cometeram.
‐ Os professores têm salários mais altos que os das profissões correspondentes. – Diz-se. Admita‐se o facto, se ele for verdadeiro; verbalize‐se, pois a língua que apreende e comunica o mundo aproxima e solidariza os cidadãos; também essa falta, os professores não cometeram.
‐ Os professores tinham um horário de trabalho liberal e estavam demasiado tempo fora da escola. – Ouve‐se. Fundamente‐se o facto e afira‐se a verdade; compare‐se o que, antes, faziam fora com o que, agora, fazem dentro da escola: talvez os 45% de homens e os 60% de mulheres do sector dos serviços, em Portugal, sintam a profissão do professor mais próxima da sua, mas os pais senti‐la‐ão bem mais longe da educação e da instrução dos seus filhos; também essa falta, os professores não cometeram.
‐ Os professores já não ensinam nem os alunos aprendem e sabíamos mais nós com a 4ª classe que eles com o 9º ano. ‐ Exclamam alguns pais. Tire‐se a limpo a situação e a frase; saber‐se‐á do que se fala; concluiremos: a comparação é inverosímil, pois mudaram o tempo, o espaço e as pessoas; também essa falta, os professores não cometeram.
‐ Os professores já são inúteis… ‐ Alguém decretou. Resta saber para que tarefas. Para a educação, não; para a instrução, não; para a formação do carácter, da vontade, da perseverança, do esforço, da sublimação, do altruísmo, não; também essa falta, os professores não cometeram.
Quem melhor que eles para conduzir crianças e jovens ao património / ideal educativo, clássico e moderno, em: Dos Deveres, de Cícero ou Da Educação das Crianças de Séneca; Da Natureza das Coisas de Lucrécio ou, mais tarde, do Discurso sobre a Dignidade do Homem, de Pico della Mirandola? Mais próximos de nós, em: Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, de Andre‐Comte‐Sponville ou A Sociedade em Busca de Valores de Edgar Morin e, ainda, Em Busca de um Mundo Melhor, de Karl R. Popper, entre outros. É verdade, também essa falta, os professores não cometeram.
Ai da sociedade cujos pais perderam a pergunta que, desde a Fenícia, iniciava o diálogo pai / filho, de regresso a casa: ‐ Que aprendeste hoje, meu filho, com o mestre, na “casa da tabuinhas” (a escola)?»
J. Esteves Rei. "A falta que os professores não cometeram".
Correio da Educação: nº 344, 16.Abril.2009.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Máximas em mínimas (46)

No restaurante, o empregado, brasileiro, olhou a miúda que ajudava o irmão a acabar de comer. Pelos 10 anos, ela; por metade dessa idade, o pequeno. E o empregado não resistiu...
-Gosto muito do que estou vendo, menina... Muito bonito, mesmo!
Ela sorriu e continuou na sua função. Passados minutos, o empregado regressou à mesa.
- Muito lindo, mesmo! É que existe ex-mulher, ex-marido, ex-prefeito, ex-presidente... mas não há ex-irmão, nem ex-pai, nem ex-mãe...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Máximas em mínimas (33)

"Todo o tempo é de aprender
desde a hora do nascer
até que a vida se acabe."
António Gedeão. História breve da Lua (1981).