sábado, 11 de julho de 2009

Hoje, no "Correio de Setúbal"

... a crónica do "Diário da Auto-Estima" que aqui publiquei em 27 de Junho. Sobre os exames de Língua Portuguesa de 9º ano e reacções dos alunos à prova. A propósito: na segunda-feira, já vamos ver os resultados desse exame... que me merecem preocupação, como já expliquei.

Política caseira (26): Jorge Santana e a Feira de Sant'Iago

O Setubalense: 10.Julho.2009. (para ler, clicar sobre imagem)

Política caseira (25): BE setubalense com campanha interactiva

O Setubalense: 10.Julho.2009.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Exames do Ensino Básico: a Língua Portuguesa do 9º ano

Sou um deles. Já aqui deixei em aberto essa possibilidade (em 27 de Junho). Uma prova aparentemente equilibrada, onde pesaram muitas coisas e outras – que deveriam lá ter entrado – estiveram ausentes. No enunciado da prova, além das questões, os alunos podiam saber quanto valia cada resposta. No entanto, não sabiam – ninguém sabia, porque os critérios só foram divulgados depois da prova – o que era necessário para chegarem às cotações máximas ou o que os poderia levar a não terem sequer cotação nas respostas dadas. Três exemplos:
1º) As maiúsculas – uma resposta integralmente escrita em maiúsculas submete a cotação final a uma desvalorização de três pontos; o uso indevido de maiúscula inicial em qualquer resposta leva ao desconto de um ponto (se ocorrer até 2 vezes) ou de dois pontos (se ocorrer 3 ou mais vezes).
2º) No item sobre o episódio de Inês de Castro d’Os Lusíadas, a resposta deve contemplar um texto em que o examinando integra seis elementos, sendo um deles a indicação das personagens históricas mencionadas nas estrofes camonianas; no domínio dos conteúdos, se a resposta não identificar “inequivocamente as três personagens históricas mencionadas”, vale zero.
3º) No grupo de “funcionamento da língua”, a primeira questão pede ao aluno que indique, de uma lista de dez palavras, as cinco palavras graves (quanto à acentuação); o que o aluno não sabe é que só tem pontos nessa resposta se acertar em 5, em 4 ou em 3 das palavras graves (sendo necessário que, neste último cenário de resposta, não indique mais nenhuma palavra que esteja errada).
Naturalmente, gostaria que os meus alunos tivessem resultados que os compensassem pelo esforço que fizeram. Mas reconheço que critérios destes (que duvido que algum professor aplique ao longo do ano lectivo, sobretudo no domínio dos descontos) dificultam a resolução de uma prova com sucesso, havendo ainda a questão (que não é de somenos) de não terem sido divulgados previamente no que à tipologia da resposta respeita. Os critérios estão disponíveis na página do GAVE.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Santana Castilho faz 8 propostas para a paz nas escolas e era bom que os partidos se pronunciassem atè às eleições

«(...) No que à Educação respeita, a próxima legislatura tem uma tarefa: apanhar os cacos e trazer paz às escolas e aos professores. Para isso tem, entre outras, oito acções incontornáveis, a saber:
a) Assumir, finalmente, a autonomia das escolas. O paradigma tradicional de gestão do sistema está esgotado. O poder tem de confiar nos professores e entregar-lhes a responsabilidade efectiva de gestão das suas escolas. Como corolário óbvio, devem ser extintas as direcções regionais de Educação e proceder-se à adequação consequente da estrutura orgânica do Ministério da Educação. As valências centrais devem limitar-se à definição das políticas de natureza nacional, à supervisão, ao controlo da qualidade e aos instrumentos de avaliação e relativização dos resultados. Deste enunciado genérico emana a imperiosa necessidade de despolitizar todos os serviços técnicos. Há que ganhar uma estabilidade de funções, que persista para lá das mudanças dos políticos, protegendo a administração superior da volatilidade política.
b) Conceber um verdadeiro estatuto de carreira docente, em que os professores portugueses se revejam, que seja instrumento de desburocratização da profissão, fixador de claro referencial deontológico, gerador de estabilidade profissional e indutor de uma verdadeira autonomia responsável, de natureza pedagógica, didáctica e científica. Naturalmente que o fim da divisão da carreira em duas é obrigatório. Naturalmente que a adequação das necessidades das escolas à dimensão dos quadros é desejável.
c) Definir um modelo de avaliação do desempenho útil à gestão do desempenho, isto é, que identifique obstáculos ao sucesso e se oriente para os solucionar, que tenha muito mais peso formativo que classificador. Que se preocupe mais com a apropriação, por parte dos professores, dos valores que intrinsecamente geram sucesso e melhoram o desempenho, que com os instrumentos que extrinsecamente o pretendam promover. Que reflicta a evidência da complexidade do acto educativo, que não pode ser alvo dos mesmos instrumentos que se aplicam à medição de bens tangíveis. Que assente no reconhecimento de que a actividade docente tem uma natureza eminentemente colaborativa e dispensa instrumentos geradores de competição malsã. Que seja exequível e proporcional à sua importância no cotejo com outras vertentes da profissão.
d) Alterar o modelo de gestão das escolas, compatibilizando-o com o novo paradigma de autonomia, devolvendo-lhe a democraticidade perdida, adequando a natureza dos órgãos às realidades sociais existentes e abandonando a lógica concentradora do poder num só órgão.
e) Alterar o estatuto do aluno, orientando-o como instrumento promotor de disciplina e gerador de responsabilidade, rigor e trabalho. Deve ser abandonada a promoção estatística do sucesso e retomada a seriedade dos instrumentos de certificação dos resultados.
f) Redefinir globalmente os planos de estudo e os programas disciplinares, articulando-os vertical e horizontalmente. Cabe aqui a aceitação de que há limites institucionais e pessoais, uma hierarquização de importância das diferentes disciplinas, em função de faixas etárias, ciclos de estudo e orientação vocacional, e um papel nuclear de outras, que se deve reflectir na composição dos curricula.
g) Reorganizar as actividades de resposta a necessidades educativas especiais, com expresso abandono de utilização, em contexto pedagógico, da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) e retorno dos professores especializados ao trabalho exclusivo com crianças portadoras de necessidades especiais.
h) Devolver aos professores espaço e tempo para reflexão sobre a prática profissional e autoformação e promover o debate sobre conceitos educacionais não suficientemente apreendidos pela sociedade. Com efeito, a insuficiente tentativa de obter consensos possíveis sobre esses temas e o fomento de climas de quase ódio entre correntes doutrinárias opostas e ideologias políticas diversas têm impedido que as decisões perdurem para além dos tempos políticos e mudem em função do livre arbítrio de sucessivos governos e ministros.»
Santana Castilho. "A caixa negra do PS e a educação". Público: 08.Julho.2009.

Exames do Ensino Secundário: o rol dos "culpados"

«"Menos investimento, menos trabalho e menos estudo" do lado dos alunos, comentou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues,a propósito dos resultados no exame de Matemática A, realizado por 38.303 estudantes. A média dos alunos internos (os que frequentam as aulas todo o ano lectivo, que são a maioria) desceu de 14 para 11,7 e a percentagem de retenções mais do que duplicou (de sete para 15 por cento), o que, segundo a ministra, se deve à difusão, pela comunicação social, "da ideia de que os exames eram fáceis". Em conferência de imprensa, o secretário de Estado Valter Lemos alargou o leque de responsáveis, juntando a Sociedade Portuguesa de Matemática e "partidos e pessoas com responsabilidades políticas". "É um desincentivo ao estudo e ao trabalho", sublinhou.»
Público: 08.Julho.2009

terça-feira, 7 de julho de 2009

Máximas em mínimas (48)

O tempo exacto
"Nada há inútil debaixo do sol; o caso é saber quando e onde se deve aproveitar."
Ana de Castro Osório. "Meio de fazer fortuna". Contos maravilhosos (2ª série).

segunda-feira, 6 de julho de 2009

"Então o senhor o que faz?"

Numa pausa da montagem dos móveis, o homem perguntou-me: “então o senhor o que faz?” Disse-lhe que sou professor. E, na sua apreciação de quem trabalha com móveis, fazendo-os, e de quem vê e ouve o que se passa, observou: “Deve ser bonito! Mas, hoje, nota-se muita falta de respeito pelos professores… Isto foi um processo a crescer. Tem-se dado cabo do sentido da autoridade… E daí até à falta de respeito na sociedade ou até à sociedade que não se respeita a si mesma… é um passo!” Fiquei a ouvir. “É pena que os professores tenham sido desrespeitados…” E voltou ao trabalho. Não, não tem familiares ligados ao ensino; preocupa-se com o que vê, ouve e vive; comenta e aprecia. Ao mesmo tempo que trabalha na pequena empresa, quase exclusivamente familiar, lá para Paços de Ferreira, onde gera móveis por encomenda.

"Começaria por dar computadores aos professores"

Stephen P. Heyneman, professor de Política Educativa Internacional na Universidade de Vanderbilt (Tennessee, nos EUA), segundo notícia do Público de hoje, não se deixa convencer pelo computador "Magalhães", dizendo que "é um computador colorido" e que o "perturba ter sido dado às crianças como se elas pudessem ter autonomia para trabalhar sozinhas". Como estratégia, "começaria por dar computadores aos professores para trabalhar. Era isso que recomendaria à vossa ministra da Educação", disse, a contrariar o hábito instalado, porque, ainda segundo o jornal, «o que viu foi crianças a brincar com o Magalhães, "como se fosse uma máquina de jogos e não como se tivessem um computador para trabalhar". "Não deve ter sido para isso que os computadores foram distribuídos. Certamente não eram esses os objectivos do Ministério da Educação", conclui.»