sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Manuela Tomé: A história de Setúbal pela sua arquitectura



O título Topologia e Tipologia Arquitectónica - Setúbal - Séculos XIV-XIX - Memória e Futuro da Imagem Urbana, de Manuela Maria Justino Tomé (Casal de Cambra: Caleidoscópio, 2018), é longo, mas conta tudo o que pode ser encontrado dentro do livro, haja em vista as referências ao objecto de estudo, à localização, à periodização e ao exercício de reflexão crítica.
Ao longo das suas mais de duas centenas de páginas, a obra está organizada em sete capítulos, intitulados de acordo com o seu assunto e com a cronologia (“A Cidade - Enquadramento Local e Histórico”, texto introdutório; “A Urbe - Sécs. XIV-XVI”, com a vila delimitada pela muralha medieval; “A Restauração”, abrangendo as alterações do séc. XVII; “Consolidação do Aglomerado Urbano”, sobre os efeitos dos sismos de 1755 e de 1858; “Núcleos entre Muros”, analisando o crescimento de Setúbal para Tróino, Palhais e Fontainhas; “Tipologia Arquitectónica” e “Memória e Futuro da Imagem Urbana”). Aqui, o leitor passeia pela história de Setúbal sob o ponto de vista da imagem urbana, com abundante recurso à cartografia, exemplarmente reproduzida. Os mapas, as cartas e os desenhos da cidade vão sendo os propulsores de uma história que já vem desde a Idade do Bronze final e que a autora, arquitecta de formação, nos faz acompanhar até ao presente.
A viagem permite a visita ao documento cartográfico mais antigo reproduzido, o portulano do genovês Angelino Dulcert (de 1339), ao mapa de Setúbal constante na “Tabula Hidrographica” (de 1594) e àquela que será a “planta mais antiga de Setúbal” atribuída a Filipe Terzio ou ao Capitão Fratino, apresentada por Alexandre Massay (em 1617), entre umas dezenas de representações do espaço designado por Setúbal que entram pelos séculos XV a XX.
Segue o viajante o texto e as imagens e vai-se tornando claro o que é o crescimento de uma cidade, um quase ser vivo que se vai ajustando às pressões do tempo, aos acontecimentos históricos, às necessidades dos moradores, às modas de cada época, ao desenvolvimento económico e também aos caprichos da Natureza. Os tempos explicam a forma da cidade e ajudam a compreender as estruturas do casario ou o traçado das ruas e vai sendo possível haver sobreposições de cartas para o encontro com o que se mantém e com o que foi sendo alterado, para a vista sobre qual foi o percurso que a cidade teve até ser o que é hoje - a povoação saiu das muralhas mas foi mantendo a forma que lhe fora transmitida, o centro urbano já passou pela Praça da Ribeira e pelo Largo de Santa Maria, a Feira de Santiago já assentou no Terreiro de Jesus, obviamente numa cidade que tinha outras geografias, mas cujo crescimento foi sempre acompanhando a janela de ver o rio e só bem mais tarde a mancha alastrando para o interior, numa evolução frequentemente pontuada pelos estabelecimentos públicos e militares e pelas construções religiosas.
Torna-se esta leitura um percurso para o encontro com o património cultural sadino e com aquilo que o define, num quase jogo com os valores que houve e com aqueles que se mantiveram, num cavaquear entre a memória e a singularidade construtora de uma identidade.
Necessariamente, este livro denota também preocupações pedagógicas e não deixa de lado algumas chamadas de atenção, como esta, quase no final: “A sociedade actual é fundamentalmente determinada pelo factor económico, que influencia todas as áreas da cidade, interferindo com os valores identitários da sua comunidade, aqueles que são pertença comum e que fazem com que esse património seja também nosso. É premente pensar e decidir, no presente, o futuro desse património, direccionado para a sua continuidade cultural e vivencial, e não apenas pelo domínio dos factores economicistas, actualmente, tendencialmente muito ligados à indústria do turismo, e em função das suas exigências, pelo crescimento e desenvolvimento económico que representa.” É que o temor advém da necessidade de sensibilidade para que aspectos fundamentais do que tem sido a cidade não sejam adulterados ou desajustados. E, quase a roçar a actualidade (lembremo-nos de que o livro, sendo de 2018, é o texto de dissertação de doutoramento em Arquitectura, apresentada pela autora na Universidade da Beira Interior em 2015), no que respeita às tipologias e às reconstruções ou adaptações, Manuela Tomé adverte: “Em zonas de grande sensibilidade os revestimentos e os pormenores de construção ou a cor assumem um papel muito importante na imagem urbana e autenticidade na arquitectura. A cor é uma referência cultural.” Valerá a pena o leitor questionar-se sobre a paisagem (re)construída que vai vendo e reflectir sobre a coerência dessa paisagem com a função do objecto e com as memórias da cidade...
Lê-seTopologia e Tipologia Arquitectónica - Setúbal - Séculos XIV-XIX - Memória e Futuro da Imagem Urbana e não se pode ficar indiferente à cidade, à sua forma e àquilo que ela nos diz. Será esta uma obra de consulta obrigatória para o conhecimento de Setúbal, aliando história e descrição, pondo ao nosso alcance um extenso, completo e rico acervo iconográfico no âmbito da cartografia e das tipologias, que muito enriquece a bibliografia da história local e da história da arquitectura.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Sebastião da Gama: O Último Texto



"Encarcerar a asa" foi o último texto que o poeta azeitonense Sebastião da Gama escreveu. Vale falar sobre a(s) simbologia(s) desse texto e sobre a esperança que o poeta tinha; por isso, aqui reproduzo texto que foi publicado no mensário Jornal de Azeitão, em Agosto (n.º 263, 2018-08, pg. 15).
A acompanhar o texto, uma fotografia de pintassilgo (a ave que motivou o texto) retirada do blogue de Armando Marques.como montar uma loja virtual


terça-feira, 28 de agosto de 2018

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Rostos (204) - Sebastião da Gama na Escola de que é patrono



Sebastião da Gama
escultura em aço recortado, na Escola Secundária Sebastião da Gama, em Setúbal

domingo, 26 de agosto de 2018

Rostos (203) - Carlos Alberto Ferreira Júnior, uma voz de Azeitão


Monumento a Carlos Alberto Ferreira Júnior
inaugurado em 25 de Abril de 2018, em Azeitão

sábado, 25 de agosto de 2018

Rostos (202) - Música e dança em azulejo, na biblioteca


Música e dança
painel azulejar, Biblioteca Camões, Lisboa

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Rostos (201) - Pescador do Montijo



Monumento ao Pescador Montijense
descerrado em 25 de Junho de 1999, por iniciativa da SCUPA

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Sebastião da Gama: "Pelo sonho é que vamos" - Um verso que vale uma obra



"Pelo sonho é que vamos" é um dos mais conhecidos versos do poeta azeitonense Sebastião da Gama. Vale falar sobre a expressividade desse verso e sobre a adesão que tem merecido; por isso, aqui reproduzo texto que foi publicado no mensário Jornal de Azeitão, em Julho (n.º 262, 2018-07, pg. 13).
A acompanhar o texto, uma fotografia da pintura mural que pode ser vista/lida na Rua das Oliveiras, no Bairro de Tróino, em Setúbal.


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Para a agenda: João Almeida, o último fuzilado, e outras histórias da Grande Guerra



Seis abordagens relacionadas com a Primeira Grande Guerra - “A recepção do antimilitarismo no movimento operário português”, “Os partidos políticos face à Guerra”, “Jaime Cortesão: Um intelectual perante a Guerra”, “Aquilino Ribeiro - Diário do início da Guerra”, “O impacto social e político da I Grande Guerra no movimento operário” e “O fuzilamento do soldado João Almeida - Da farsa de um julgamento à tragédia de uma execução” - constituem o conteúdo da obra João Almeida, o Último Fuzilado, e Outras Leituras da Grande Guerra, assinada por Albérico Afonso Costa e por João Reis Ribeiro e apoiada pelo Instituto Politécnico de Setúbal.
Está para breve, as provas já estão em revisão...

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

"Arrábida, em contínuo": Um livro virtual em louvor da serra e dos 40 anos do Parque Natural da Arrábida



Chama-se Arrábida, em contínuo. Não existe em suporte papel, mas está ao alcance no formato virtual. É um livro de uma centena de páginas que pretende assinalar os 40 anos da criação do Parque Natural da Arrábida, passados em 2016, agora editado pelo ICNF, sob a orientação editorial de Eduardo Carqueijeiro e Miguel Henriques.
A Arrábida é perspectivada em diversas áreas - da geografia à literatura, do ambiente à história, da geomorfologia à filosofia -, servindo para todas as áreas de interesse e para múltiplos saberes.
A lista de colaboradores é vasta e diversificada: Viriato Soromenho-Marques, Pedro Castro Henriques, Fernando Santos Pessoa, Robert Manners Moura, Tito Rosa, Francisco Ferreira, Miguel Henriques, Nuno David, Eduardo Carqueijeiro, Ricardo Paiva, João Reis Ribeiro, Anabela Trindade, Jorge Humberto, Pedro Soares Vieira, Pedro Holstein Beck, António Mira, Pedro Arsénio, João Joanaz de Melo, José-António Chocolate e Francisco Borba.
O livro pode ser descarregado aqui.