segunda-feira, 11 de junho de 2012

Para a agenda - um livro de José Francisco Costa


Mais uma actividade cultural promovida pela livraria Culsete, na sua já longa história de animação da leitura e do livro, que tem levado a cabo nas margens do Sado.
É no domingo, 17 de Junho, pelas 16h30.
Em foco estará a obra Ficou-me na alma este gosto..., de José Francisco Costa.
Leonor Simas-Almeida apresentará esta obra do escritor açoriano que, na década de 1970, chegou a Setúbal.
É um convite...

domingo, 10 de junho de 2012

O discurso de António Nóvoa no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas



António Sampaio da Nóvoa, presidente da Comissão Organizadora das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, discursou hoje, mostrando a necessidade de conciliar o presente com todos nós e com Portugal, povoando a sua intervenção com vários nomes grados da cultura portuguesa, sobretudo ligados ao pensamento. Desse discurso, que pode ser lido na íntegra aqui, ficam excertos:
«Começa a haver demasiados “portugais” dentro de Portugal. Começa a haver demasiadas desigualdades. E uma sociedade fragmentada é facilmente vencida pelo medo e pela radicalização. Façamos um armistício connosco, e com o país. Mas não façamos, uma vez mais, o erro de pensar que a tempestade é passageira e que logo virá a bonança. Não virá. Tudo está a mudar à nossa volta. E nós também. (…)
Gostaria de recordar o célebre discurso de Franklin D. Roosevelt, proferido num tempo ainda mais difícil do que o nosso, em 1941. A democracia funda-se em coisas básicas e simples: igualdade de oportunidades; emprego para os que podem trabalhar; segurança para os que dela necessitam; fim dos privilégios para poucos; preservação das liberdades para todos. (…)
No final do século XIX, um homem da Geração de 70, Alberto Sampaio, explica que as nossas faculdades se atrofiaram para tudo que não fosse viajar e mercadejar. Nunca nos preocupámos com a agricultura, nem com a indústria, nem com a ciência, nem com as belas-artes. As riquezas que fomos tendo “mal aportavam, escoavam-se rapidamente, porque faltava uma indústria que as fixasse”, e o património da comunidade, esse, “em vez de enriquecer, empobrecia”. Nos momentos de prosperidade não tratámos das duas questões fundamentais: o trabalho e o ensino. Nos momentos de crise é tarde: fundas economias na administração aumentariam os desempregados, e para a reorganização do trabalho falta o capital; falta o tempo, porque a fome bate à porta do pobre. Então a emigração é o único expediente: silenciosa e resignadamente cada um vai partindo, sem talvez uma palavra de amargura. Este texto foi escrito há 120 anos. O meu discurso poderia acabar aqui. Em silêncio. (…)
É esta fragilidade endémica que devemos superar. O heroísmo a que somos chamados é, hoje, o heroísmo das coisas básicas e simples – oportunidades, emprego, segurança, liberdade. O heroísmo de um país normal, assente no trabalho e no ensino. Parece pouco, mas é muito, o muito que nos tem faltado ao longo da história. (…)
Nas últimas décadas, realizámos um esforço notável no campo da educação (da escola pública), das universidades e da ciência. Pela primeira vez na nossa história, começamos a ter a base necessária para um novo modelo de desenvolvimento, para um novo modelo de organização da sociedade. É uma base necessária, mas não é ainda uma base suficiente. (…)
Existe conhecimento. Existe ciência. Existe tecnologia. Mas não estamos a conseguir aproveitar este potencial para reorganizar a nossa estrutura social e produtiva, para transformar as nossas instituições e empresas, para integrar uma geração qualificada que, assim, se vê empurrada para a precariedade e para o desemprego. (…)
25 anos depois, não esqueço José Afonso: Enquanto há força, cantai rapazes, dançai raparigas, seremos muitos, seremos alguém, cantai também. Cantemos todos. Por um país solidário. Por um país que assegura o direito às coisas básicas e simples. Por um país que se transforma a partir do conhecimento. Não podemos ser ingénuos. Mas denunciar as ingenuidades não significa pôr de lado as ilusões, não significa renunciar à busca de um país liberto, de uma vida limpa e de um tempo justo (Sophia).
Foi esta busca que me trouxe ao Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.»

Memória: Maria Keil (1914-2012)


Maria Keil morreu. Assim entra na memória uma das ilustradoras de referência da literatura dedicada à infância e juventude. Creio que um dos seus últimos trabalhos foi a ilustração do livro Florinda & o Pai Natal, publicação póstuma de Matilde Rosa Araújo (Lisboa: Calendário, 2010), área a que se dedicou depois de, na década de 1960, ter ilustrado a obra Páscoa feliz, de José Rodrigues Miguéis.
Em 2004, a Biblioteca Nacional organizou uma mostra bibliográfica sobre Maria Keil, com exposição de cerca de 160 referências. No catálogo, um texto de Matilde Rosa Araújo contava uma história que começava assim: “Maria fica sempre fora de todos os discursos. Há algo de imponderável, de não tocável ou que possa ser descrito na pessoa física, na personalidade tão rara de Maria Keil.” A história-testemunho avançava. E concluía desta maneira: “Maria, obrigada de todo o coração. Encontrar seu voo em livros meus foi, para mim, um raro presente da vida que a sua generosidade nunca me recusou. (…) Maria sábia em sua varanda.”
Provavelmente, muitos outros autores poderiam dizer o mesmo. Os desenhos de Maria Keil ficaram a enriquecer ainda obras de nomes como Alexandre Honrado, Alice Vieira, Álvaro Magalhães, Aquilino Ribeiro, Esther de Lemos, Graça Vilhena, Irene Lisboa, Maria Cecília Correia, Maria Isabel César Anjo, Maria Lúcia Namorado, Sophia de Mello Breyner e Teresa Balté, entre outros.
Fica-nos a alegria desses desenhos (bem como as outras múltiplas obras em que se desdobrou, designadamente a azulejaria). E a consciência do que é desenhar para crianças: “Não se deve entreter as criancinhas com as nossas fantasias, pois o trabalho é para elas. Não se deve minimizar, nem fazer coisas que os miúdos não possam entender. Eles percebem tudo, não é preciso estar a deformar uma figura…”, dizia Maria Keil numa entrevista a João Paulo Cotrim, publicada no Expresso em 2004 (“Maria Keil – A linha e o traço”. Expresso – supl. “Actual”: 28.Agosto.2004, pp. 18-19).

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Lígia Figueiredo - a homenagem

Na manhã de hoje, houve lançamento de balões nas escolas que constituem o Agrupamento Vertical de Escolas Barbosa du Bocage, primeira manifestação da homenagem à professora Lígia Figueiredo, diretora do Agrupamento, falecida em 4 de Janeiro.
A homenagem vai prosseguir amanhã, envolvendo várias actividades:: missa campal, aberta a toda a comunidade, no pátio da escola-sede (Escola Básica 2, 3 de Bocage, em Setúbal), pelas 10h00; sessão solene, no auditório da Escola, reservada a representantes institucionais, pelas 11h00; cerimónia de descerramento de uma placa com a atribuição do seu nome ao auditório da Escola, pelas 12h00; visita à exposição evocativa do seu percurso pessoal e profissional, pelas 12h15.
Gesto simpático e merecido, organizado pelo Agrupamento, com convite à comunidade escolar para participar na cerimónia.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Para a agenda: Gestão "bipolar" do espaço urbano ribeirinho na zona central de Setúbal


Na zona urbana ribeirinha central, em Setúbal, a gestão do espaço público está repartida entre o Município de Setúbal e a Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra. Convidamo-los a reflectir sobre a forma como a cidade se vai construindo tendo como base esta gestão ”bipolar”. A visita será feita pelos limites da gestão destas duas entidades e será guiada pelo Engº Francisco Silva Alves. Em vez de discutirmos este assunto entre quatro paredes, vamos para a rua ver como se passa.
Não é necessária inscrição prévia, basta aparecer.

É no sábado, 9 de Junho, acontecendo a concentração para a partida pelas 9h30, na sede da LASA (Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão), entidade organizadora, situada na Travessa do Garim, 6 (perto da capela de Santo António).


Rostos (177)

O leitor (no Palais Medina & SPA Hotel) em Fez (Marrocos)

quarta-feira, 6 de junho de 2012

A reorganização da vida na escola e o Despacho Normativo 13-A/2012


O Despacho Normativo 13-A/2012, do Ministério da Educação e Ciência, ontem publicado, provocou um bombástico título na imprensa de hoje: o dito normativo iria revolucionar a vida das escolas no próximo ano lectivo, graças a novas regras de organização do serviço docente.
Vale a pena ler o Despacho mencionado e ver até que ponto a imaginação pula e avança no sentido de tornar tudo algo estranho e muito complicado. É a reorganização da escola ou é a desconfiança sobre a escola? É a autonomia ou o controlo sem peias? É a igualdade de oportunidades ou é a dificuldade na organização do trabalho, com desconfianças sobre o trabalho dos professores?
Lê-se o normativo e fica-se a perceber o porquê de já ter sido anunciado que os directores das escolas vão ter reuniões com as direcções regionais de educação para explicação do normativo… É suposto que a lei careça de explicações adicionais para se saber o que quer dizer e como é aplicada? Onde fica o cidadão que deve conhecer a lei e usá-la convenientemente?
As escolas serão incompetentes ou o normativo está feito para criar dificuldade?
Termino com as palavras aqui lidas, devidas a José Alberto Quaresma: «Evoco, com nostalgia, um académico sensato e presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática durante sete anos, que parecia transpirar segurança em furtivas aparições televisivas e saber de um rumo para a Educação. Agora, não sei se por maus conselhos, de ministros, aplica receitas autocráticas, não ouve ninguém, e despacha à pressa.»

terça-feira, 5 de junho de 2012

Depois do "Prós e Contras"...

Acabado de ouvir o “Prós e Contras” na RTP-1, desta vez dedicado ao tema “gestão das escolas”, com a particularidade de o assunto serem as agregações.
Pensava vir a perceber as razões de tais decisões…
Assisti a intervenções sem interlocutores, a um discurso frágil no que às razões para tais decisões respeita, a perguntas sem resposta e a supostas respostas para perguntas que não figuraram no cenário.
Percebe-se que a educação não é uma pasta fácil, que é preciso muito mais do que participar no jogo político, que as escolas continuam a ser realidades olhadas à distância.
E a educação permanece o laboratório em que as experiências se acumulam ao ritmo de cada equipa que chega… sem que haja um projecto nacional para um caso tão sério como é o de educar.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Máximas em mínimas (87) - Júlio César Machado


Amor – “O primeiro amor é muito cantado, mas não lhe fazem nisso favor nenhum, porque realmente o merece; basta ser o único tão isento de amor próprio quanto o amor pode chegar a sê-lo!”
Casamento – “Se quase toda a gente se casa moça, muito moça, é provavelmente por ser essa a idade da audácia, da coragem – estavam com medo que eu dissesse ‘das loucuras’? Nunca!”
Inveja – “A inveja é talvez o único sentimento engenhoso dos portugueses: frouxos de imaginação para tudo mais, são, nesse ramo da sagacidade humana, vivos, espertos e intrépidos.”
Observação – “O espírito de observação desenvolve-se visitando alternadamente as diversas camadas sociais; é necessário ter um pé nas salas e outro nas caixas de teatro: de uma vez na sociedade, de outra na folia; hoje pintores, amanhã burgueses; e principalmente, indispensavelmente, mulheres; quantas mais se conhecerem, melhores auspícios para o observador; a observação vem sobretudo delas, por elas.”
Júlio César Machado. “Prefácio”.
Álbum de caricaturas – Frases e anexins da língua portuguesa (de Rafael Bordalo Pinheiro), 1876.

domingo, 3 de junho de 2012

Rostos (176) - Adolfo Simões Muller

Adolfo Simões Muller (1909-1989), em Lisboa, na Praça das Amoreiras