segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Face da terra (5)

Na Lapa de Santa Margarida, na Arrábida

domingo, 9 de outubro de 2011

Rostos (167)

João Baptista Machado (mártir), em vitral, na Sé de Angra do Heroísmo (Terceira, Açores)

sábado, 8 de outubro de 2011

António Damásio entre Shakespeare e Fitzgerald

Uma fotografia de António Damásio faz a capa da última edição do JL, saída na quarta-feira, abrindo porta para uma entrevista assinada por Maria Leonor Nunes e Luís Ricardo Duarte. Ciência, cultura e um percurso pessoal dão as mãos nesta conversa, de onde ressaltam as ligações com a literatura. Num trajecto entre a representação e a alma humana, entre Shakespeare e Fitzgerald, entre Hemingway e Hamlet.
Shakespeare – “Não tenho um autor preferido. Se tivesse que ter um ele seria, possivelmente, Shakespeare. (…) [Ele] foi muito mais longe no campo da observação do humano. Será nesse sentido o autor mais importante de todos os que li. E é especial, porque sendo um dramaturgo acaba também por no ser representado.”
Alma humana – “Todos os grandes escritores lidam com a mente e são capazes de fazer muitas observações interessantes e descobrir muito sobre os seres humanos. Mas não creio que mais profundas do que aquelas que fez Shakespeare ou quem quer que seja que escreveu aquelas peças.”
Hemingway – “Hoje olho para Hemingway e já não o acho espectacular como aos 16 anos. Vejo muito mais as limitações da pessoa e dos cenários em que trabalhou. Estive mais do que uma vez na sua casa, onde se suicidou, até experimentei a sua máquina de escrever. E pensando na cor das paredes, horrorosa, teria sido impossível para mim escrever em salas com aquela cor. Tudo isso pesa muito nos juízos que acabamos por fazer ao longo dos anos sobre os homens que achávamos extraordinários. Mas também tem que ver com a profundidade das obras. Há 40 anos, Hemingway era para mim mais interessante do que Fitzgerald. Hoje, é precisamente o contrário.”
Hamlet – “Só há uma personagem de ficção sobre a qual podemos reflectir a vida inteira: Hamlet. Aliás, grandes actores têm desempenhado o papel, dirigidos por grandes encenadores, e com tantas interpretações possíveis. O último Hamlet de Peter Brook e o mais antigo são muito diferentes. Porque Brook mudou e os actores são diferentes. O Hamlet de Christoph Clark não tem nada a ver com o de Lawrence Olivier, ou de Tony Richardson ou de Richard Burton. Tudo depende das personalidades que estão em jogo.”
Representar – “Tanto o teatro como o cinema são metáforas muito poderosas em relação ao que se passa na mente. Só que os filmes que se projectam no ecrã, tal como uma representação num palco, por melhores que sejam, são sempre incompletos em relação ao ser humano. Porque lhes falta o corpo. Ou seja, aplicam-se bem ao espírito humano, à maneira como o cérebro analisa o mundo exterior, assim como certos aspectos do interior, mas falta-lhes a ressonância que só pode vir de um corpo vivo. Aquilo que nós somos é muito mais completo. (…) O ser humano é o mais completo cinema possível, enquanto que o cinema propriamente dito é uma pálida representação do espírito humano.”

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Tomas Transtromer, Nobel da Literatura 2011


Lisboa

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas calçadas íngremes.
Havia lá duas cadeias. Uma era para ladrões.
Acenavam através das grades.
Gritavam que lhes tirassem o retrato.

“Mas aqui!”, disse o condutor e riu à sucapa como se cortado ao meio,
“aqui estão políticos”. Vi a fachada, a fachada, a fachada
e lá no cimo um homem à janela,
tinha um óculo e olhava para o mar.

Roupa branca no azul. Os muros quentes.
As moscas liam cartas microscópicas.
Seis anos mais tarde perguntei a uma senhora de Lisboa:
“será verdade ou só um sonho meu?”

Tomas Tranströmer (poema de 1966)
(21 Poetas Suecos. Lisboa: Vega, 1980. Tradução de Vasco Graça Moura)

Steve Jobs (1955-2011)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Máximas em mínimas (72) - Livro

"Um bom livro é como um jardim que se leva no bolso." (provérbio árabe)
José H. Barros de Oliveira. Sabedoria Popular - Provérbios Portugueses e Estrangeiros. Prior Velho: Paulinas, 2004.

Dia Mundial dos Professores

Proclamação da República

domingo, 2 de outubro de 2011

Verdades de Rui Zink

A propósito da publicação do seu mais recente romance, O amante é sempre o último a saber, Rui Zink é entrevistado na edição deste mês de Os Meus Livros (Antanhol: CELivrarias, nº 103), em conversa conduzida por João Morales. É daí que reproduzo os seguintes excertos:
Espaço Virtual e Misticismo – “Quantas pessoas há na igreja e quantas estão online? Outro inquietante sinal dos tempos: começo a ver mais taxistas ao telemóvel do que com emblemas do Benfica.”
Vida e Realidade Virtual – “Cada vez mais, cabeças e corações vão estar mais separados do corpo, como não se via desde a corte de Henrique VIII. O lado bom é que o índice de doenças venéreas vai diminuir entre os jovens. O lado mau é que os vírus de computador vão passar a provocar herpes.”
Futuro – “Somos uma espécie tramada. Pelo menos os homens, que são quem mais tem mandado nisto tudo. Pessoalmente, acho que não somos bons para ninguém excepto quando estamos a ler um livro. E mesmo assim, depende do livro. Por alguma razão hoje quem mais lê são as mulheres. Benditas mulheres. Deus existe? Sim, mas existiria ainda mais se fosse no feminino. Não seria tão bom podermos dizer que, mais do que amor, Deus é amora?”
Ironia e Humor – “Acho apenas que há muito pouca coisa verdadeiramente grave, e devemos guardar os nós na garganta para essas ocasiões. Entre outras coisas, o humor é uma força moral, no triplo sentido da palavra: traduz uma ética, dá ânimo, desmascara hipocrisias. Mais económico e mais limpo não há.”

Inês Pedrosa entre a morte da literatura e os direitos de autor

Na revista Ler deste mês (Lisboa: Círculo de Leitores, nº 106), Inês Pedrosa escreve sobre "A morte da literatura", onde diz, a dado passo:
Quando morre um escritor os seus livros têm um pico de vendas – derradeiro e irónico prémio. Depois desaparecem das notícias e, estando impedidos de dar entrevistas provocatórias (embora às vezes apareça uma ou outra inédita, a título póstumo…), vão-se sumindo. Ficam os livros – enquanto houver editores que entendam a edição como um serviço ao futuro.
A protecção dos direitos dos autores mortos é, demasiadas vezes, o seu segundo enterro. Durante 70 anos a publicação fica à mercê dos herdeiros – que muitas vezes se desentendem, ou pretendem fazer do seu antepassado uma potencial mina de ouro. Vinte e cinco anos seria justo – para honrar os filhos ou os mais próximos. José Rodrigues Miguéis, por exemplo, não merecia estar tão morto como está, por falta de edição. Isso, sim, é a morte da literatura.”
Acrescentar alguma coisa? Quanto aos herdeiros, há também os que desvalorizam a obra e contribuem para o esquecimento. E, quanto a Miguéis, bem recordo que, quando há cerca de três anos, pensámos, na minha escola, que os alunos deveriam ler Uma Aventura Inquietante, rapidamente tivemos de desistir porque não era possível encontrá-la no mercado… E de quantos outros autores podemos falar nas mesmas circunstâncias?