quinta-feira, 6 de agosto de 2009
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Questões do dia
Telemóveis: Nem imaginava que fossem tantos! Espantei-me ao ouvir nas notícias da rádio que as três operadoras de telemóveis vão ter uma lista negra de clientes, confidencial, constituída por quem não paga e tem débito a partir de 450 euros. Para começar, a lista vai ter 200 mil nomes. Feitas as contas, são, pelo menos, 90 milhões de euros em débito, para já. Acontece com isto como sucede com a facilidade de crédito. Depois, quando a cabeça não tem juízo… além daqueles que são “experts” em saltar de uma operadora para outra deixando o débito atrás de si… Espantoso!
Justiça: Há dias, falava com um amigo, munícipe em Oeiras e apoiante de Isaltino de Morais. Que não sabia se ele era ou não culpado, mas que era um óptimo candidato porque tinha sido um excelente presidente! Percebo. Mas entendo também que, nesta história de Isaltino de Morais com a Justiça, alguém fica manchado: ou Isaltino ou a Justiça. E os Portugueses precisam de poder confiar mais nos seus candidatos a autarcas, bem como necessitam de poder acreditar mais na Justiça. Sem uma coisa ou sem outra ou sem as duas em simultâneo é que não pode ser!
Justiça: Há dias, falava com um amigo, munícipe em Oeiras e apoiante de Isaltino de Morais. Que não sabia se ele era ou não culpado, mas que era um óptimo candidato porque tinha sido um excelente presidente! Percebo. Mas entendo também que, nesta história de Isaltino de Morais com a Justiça, alguém fica manchado: ou Isaltino ou a Justiça. E os Portugueses precisam de poder confiar mais nos seus candidatos a autarcas, bem como necessitam de poder acreditar mais na Justiça. Sem uma coisa ou sem outra ou sem as duas em simultâneo é que não pode ser!
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Vaz Pinto face às eleições
«(…) Têm surgido, ultimamente, na comunicação social, grupos de pessoas individualizadas e com nome, desafiando os principais partidos a pronunciarem-se sobre grandes questões nacionais: maior ou menor intervenção do Estado na economia; critérios de investimento público; combate ao desemprego e à corrupção, etc., etc. Parece-nos um saudável sinal de vitalidade da sociedade civil esta capacidade de congregar vontades e este surgir de propostas diferentes.
Este, sem dúvida, é um dos principais critérios: o que pensa fazer o partido x e o candidato y que o representa, sobre as grandes questões: vida humana, desemprego, ambiente, educação, corrupção, justiça, integração de imigrantes e marginalizados, equilíbrio orçamental... Será isto suficiente? É claro que não: as pessoas que representam as várias propostas, na sua credibilidade pessoal, na sua ideologia e na sua capacidade de realização, são também de importância fundamental e têm de ser serenamente ponderadas.
Três últimas notas nos parecem ainda importantes: a primeira é a de não deixar que os partidos com assento parlamentar se tornem num clube privado, fechado e definitivo; a comunicação social, instituições e profissionais, não pode fechar-se à renovação às novas ideias, propostas e partidos.
A segunda nota é a necessidade de aprofundar a "liberdade interior": é certo que à direita, à esquerda e ao centro, há um conjunto significativo de "eleitores fixos", que votam sempre no mesmo partido, no "seu" partido; é compreensível e legítimo, mas o que faz mover a democracia é precisamente a atitude contrária: a daqueles que com seriedade vão oscilando, revendo e que mantêm e utilizam a sua capacidade de mudar, se honestamente acharem que o devem fazer...
A última nota, por fim, talvez a mais importante: é que o critério último que deve mover e levar a decidir, não pode ser o do meu interesse egoísta, o que mais me convém.., o critério último orientador só poder ser um: o do bem comum: que opção eleitoral me parece mais capaz de alcançar um maior bem comum?»
Este, sem dúvida, é um dos principais critérios: o que pensa fazer o partido x e o candidato y que o representa, sobre as grandes questões: vida humana, desemprego, ambiente, educação, corrupção, justiça, integração de imigrantes e marginalizados, equilíbrio orçamental... Será isto suficiente? É claro que não: as pessoas que representam as várias propostas, na sua credibilidade pessoal, na sua ideologia e na sua capacidade de realização, são também de importância fundamental e têm de ser serenamente ponderadas.
Três últimas notas nos parecem ainda importantes: a primeira é a de não deixar que os partidos com assento parlamentar se tornem num clube privado, fechado e definitivo; a comunicação social, instituições e profissionais, não pode fechar-se à renovação às novas ideias, propostas e partidos.
A segunda nota é a necessidade de aprofundar a "liberdade interior": é certo que à direita, à esquerda e ao centro, há um conjunto significativo de "eleitores fixos", que votam sempre no mesmo partido, no "seu" partido; é compreensível e legítimo, mas o que faz mover a democracia é precisamente a atitude contrária: a daqueles que com seriedade vão oscilando, revendo e que mantêm e utilizam a sua capacidade de mudar, se honestamente acharem que o devem fazer...
A última nota, por fim, talvez a mais importante: é que o critério último que deve mover e levar a decidir, não pode ser o do meu interesse egoísta, o que mais me convém.., o critério último orientador só poder ser um: o do bem comum: que opção eleitoral me parece mais capaz de alcançar um maior bem comum?»
António Vaz Pinto. "Face às eleições". Brotéria (vol. 169, fasc. 1), Julho.2009.
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domingo, 2 de agosto de 2009
Agostinho da Silva e a antecipação da alunagem
No início dos anos 40 do século passado, Agostinho da Silva publicava, enquanto autor e editor, uns “Textos para a juventude”, fascículos de cultura e de coisas práticas, com o título mais vasto de À volta do Mundo. Foi em 1943 que deu à estampa o título Viagem à Lua, caderninho de 32 páginas (capa incluída), que iniciava assim: “É possível que venhas a ler um dia, se te não tomarem todo o tempo outras obras muito mais importantes, uma peça romântica, Cyrano de Bergerac, da autoria de um escritor francês, chamado Rostand.”A primeira observação ressalta deste tratamento de proximidade usado, mais sugerindo uma conversa com o leitor, usando um “tu” que vai atravessar todo o livrinho, como a chamar a atenção do seu interlocutor, uma medida também pedagógica, em que o mestre se aproxima do discípulo, ora reconhecendo os seus conhecimentos, ora aconselhando, ora opinando. Nesta prática, estes fascículos são exemplares, quase levando o leitor, suposto jovem, a servir-se do texto como se um guia fosse.
A segunda observação vem a propósito do texto de Bergerac. O que Agostinho da Silva pretendia não era falar da obra de Rostand, mas explicar que o protagonista da obra era decalcado de uma figura do século XVII, que escreveu sobre uma viagem à lua (Les états et empires de la lune, 1649), considerada “bem curiosa”, sobretudo pelo engenho posto nas formas possíveis de lá chegar – “a do frasco de orvalho, a dos foguetes, a da caixa de fumo e a do íman”, afinal métodos que esqueceram a questão “do ar respirável” e que denotavam a pouca cientificidade das possibilidades admitidas pelo autor seiscentista.
Mas, neste texto de Agostinho da Silva, Cyrano funciona apenas como pretexto para falar das possibilidades de ida até à Lua, visíveis na literatura, sendo o autor seguinte Jules Verne, do século XIX, graças às suas duas obras Da terra à Lua (1865) e À roda da Lua (1869), títulos que são resumidos para o leitor e que o levam à conclusão possível: as personagens não puderam alunar, devido ao encontro com um asteróide. O autor seguinte é H. G. Wells, com apresentação sumária de algumas das suas obras e particular demora no título Os primeiros homens na Lua (1901), cujas personagens, Cavor e Bedford, conseguiram alunar, divertindo-se a saltar, mas desencontrando-se na sua aventura.
Depois deste curto trajecto pela visão apresentada pela literatura de ficção quanto a uma chegada à Lua, Agostinho da Silva questiona o seu (jovem) leitor: “E será realmente possível ir à Lua?”. De imediato, lhe dá a resposta: “Claro que é possível e não será absurdo afirmar-se que é mesmo tão fácil como ir a qualquer outra parte: tudo consiste no meio de transporte”. E quais são as condições? Poder percorrer a distância, de acordo com as várias camadas de ar que vai encontrando (passagem que serve para explicar o porquê de esta viagem não se poder efectuar em balão ou em aeroplano, mas admitindo que o foguete poderia dar uma ajuda). Outras condições são a conjugação dos movimentos e a protecção do homem que arrisque a viagem. Em conclusão: “Se escaparem da viagem e do bombardeamento [de asteróides], se levarem aparelhos respiratórios e fatos de aquecimento ou de resfriamento, para a noite ou para o dia, poderão os exploradores visitar a Lua e percorrer-lhe todos os acidentes de terreno, trazendo-nos muitas noções científicas novas”.
E o texto de Agostinho da Silva termina com um sonho – o que poderia o homem contemplar a partir da Lua? “O que ainda despertaria maior interesse seria a descrição das paisagens da Lua e dos aspectos do Céu: os homens que lá fossem poderiam (…) ver surgir e pôr-se o sol sempre rodeado de chamas e numa lenta carreira pelo firmamento; e poderiam à noite contemplar o que deve ser o mais extraordinário dos espectáculos: a Terra em fases, como nós vemos a Lua”. E vem a chamada de atenção ao (jovem) leitor: “Calcula o que será ver-se a Terra, quando o hemisfério visível estiver todo iluminado, quando for Terra cheia, quatro vezes maior do que a Lua que nós vemos e lançando uma luz 14 vezes maia intensa que o luar.”
O sonho estava exposto, alimentando a esperança de que se chegaria a pisar solo lunar. Isto foi escrito em 1943. Teriam de passar 26 anos para o sonho ser concretizado. O que é importante é que, no início dos anos 40, Agostinho da Silva era um espírito aberto a essa possibilidade e divulgava ao público juvenil o sonho que o alimentava (e que alimentava a Humanidade também). Agora, que passam 40 anos sobre a chegada do Homem à Lua, torna-se interessante lembrar este texto de Agostinho da Silva…
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sábado, 1 de agosto de 2009
Ler Ryszard Kapuscinski, em "O Outro"
O Outro (Porto: Campo das Letras, 2009), de Ryszard Kapuscinski (1932-2007), reúne um conjunto de seis conferências (cinco datadas de 2004 e uma de 1990) sobre isso mesmo: o Outro, nas imagens e relações que mantemos com ele e na forma como pelo Outro somos definidos ou nos ajudamos a identificar.No saber que partilha com o leitor, Kapuscinski usa uma linguagem simples e acessível, transparente, forjada na prática da escrita jornalística, na reportagem. A primeira prova do respeito pelo Outro dá-a ele próprio quase no início do texto da primeira conferência (na ordem de publicação, que não na cronológica, uma vez que a ordem por que surgem os textos não segue a linha do tempo em que foram apresentados) ao escrever sobre a autoria do género jornalístico que lhe era mais caro: “Cada reportagem tem vários autores e só um costume mais generalizado determina que assinemos o texto com um só nome. Na realidade, é provavelmente o género literário de escrita mais colectivo, criado por dezenas de pessoas, nossas interlocutoras, encontradas pelos caminhos do mundo, que nos contam histórias da sua vida, da sua comunidade, de acontecimentos que presenciaram ou ouviram falar a outros. Esses Outros, muitas vezes pessoas desconhecidas, não só são para nós uma das fontes mais ricas de conhecimento do mundo, como também nos facilitam o trabalho de várias maneiras, viabilizando contactos, hospedando-nos nas suas casas, ou mesmo salvando-nos a vida.”
O princípio de que Kapuscinski parte para reflectir sobre o Outro é o de um olhar para uma pessoa que se define por duas marcas – o ser humano, “como qualquer um de nós”, e o ser influenciado por características culturais, raciais e de pensamento. Se este princípio é verdadeiro, também não é menos verdade que ele nem sempre foi praticado e a história da forma como os Europeus têm olhado o Outro ao longo dos tempos, por exemplo, prova isso, porque nem sempre esse olhar envolveu a tentativa de compreensão do Outro.
Os textos de Kapuscinski ajudam a reflectir sobre questões fortes de hoje, como as migrações, o “narcisismo das culturas”, a multiculturalidade, a hibridação, a identidade, os nacionalismos, as ideologias, a ética, o diálogo. Pelo caminho, vão sendo chamadas pistas da cultura clássica, da literatura, da antropologia, da filosofia (não esquecendo as contribuições de Lévinas e de Tischner) e da experiência do autor.
As reflexões apresentadas deixam-nos perante alguns dos paradoxos em que vivemos, qual seja o da “aldeia global” como sinal de afastamento e de indiferença ou da “globalização” como sintoma de superficialidade – “a essência de uma aldeia está na proximidade; todos se conhecem, convivem e partilham da mesma sorte. Contudo, isto não se aplica à sociedade do nosso planeta, que se assemelha mais a uma multidão anónima nalgum grande aeroporto – uma multidão de pessoas a correr, indiferentes e desconhecidas.”
Na última conferência que integra o livro, datada do início de Outubro de 2004 e proferida em Cracóvia, significativamente intitulada “O encontro com o Outro como desafio do século XXI”, há reflexões que podem apontar para uma solução: perante um mundo que, “potencialmente, dá muito” (mas onde “escolher um percurso com atalhos não leva a parte nenhuma”), é necessário que todos “dêem provas de que se tratam a si mesmos a sério”, situação que passa por aquela que foi uma das aprendizagens de Kapuscinski – “a experiência de viver durante anos entre longínquos Outros ensinou-me que só a afabilidade com a outra parte permite despertar nela o sentido da humanidade”. Afinal, a força do diálogo como motor para um olhar diferente sobre o Outro e sobre o Eu, sobre Nós. Uma utopia, talvez. Nada fácil, mas urgente.
As reflexões apresentadas deixam-nos perante alguns dos paradoxos em que vivemos, qual seja o da “aldeia global” como sinal de afastamento e de indiferença ou da “globalização” como sintoma de superficialidade – “a essência de uma aldeia está na proximidade; todos se conhecem, convivem e partilham da mesma sorte. Contudo, isto não se aplica à sociedade do nosso planeta, que se assemelha mais a uma multidão anónima nalgum grande aeroporto – uma multidão de pessoas a correr, indiferentes e desconhecidas.”
Na última conferência que integra o livro, datada do início de Outubro de 2004 e proferida em Cracóvia, significativamente intitulada “O encontro com o Outro como desafio do século XXI”, há reflexões que podem apontar para uma solução: perante um mundo que, “potencialmente, dá muito” (mas onde “escolher um percurso com atalhos não leva a parte nenhuma”), é necessário que todos “dêem provas de que se tratam a si mesmos a sério”, situação que passa por aquela que foi uma das aprendizagens de Kapuscinski – “a experiência de viver durante anos entre longínquos Outros ensinou-me que só a afabilidade com a outra parte permite despertar nela o sentido da humanidade”. Afinal, a força do diálogo como motor para um olhar diferente sobre o Outro e sobre o Eu, sobre Nós. Uma utopia, talvez. Nada fácil, mas urgente.
Passos que ficam
1. "O mundo, para mim, sempre foi uma grande Torre de Babel. Mas uma torre onde Deus misturou não só línguas, mas também culturas, costumes, paixões e interesses, e onde criou, como habitante, um ser ambivalente que une em si um eu e um não-eu, ele próprio e o Outro, o seu Outro e o estranho.”
2. "A multidão é protagonista única do teatro do mundo, caracterizando-se pelo anonimato, a impersonalidade, a falta de identidade e a ausência de rosto.”
3. "O homem sempre usufruiu de três possibilidades (…) e, quando se encontrava com o Outro, podia: optar pela guerra, separar-se erguendo um muro, ou estimular o diálogo.”
4. "Faz-nos falta um elo importante; o elo que falta é o indivíduo, retirado da multidão, um homem concreto, um Eu concreto e um Outro concreto, porque, de acordo, com o pensamento dos filósofos do diálogo, o Eu só pode existir como um ser determinado em relação ao Outro, quando este surgir no horizonte da minha existência, atribuindo-me sentido e estabelecendo o meu papel.”
2. "A multidão é protagonista única do teatro do mundo, caracterizando-se pelo anonimato, a impersonalidade, a falta de identidade e a ausência de rosto.”
3. "O homem sempre usufruiu de três possibilidades (…) e, quando se encontrava com o Outro, podia: optar pela guerra, separar-se erguendo um muro, ou estimular o diálogo.”
4. "Faz-nos falta um elo importante; o elo que falta é o indivíduo, retirado da multidão, um homem concreto, um Eu concreto e um Outro concreto, porque, de acordo, com o pensamento dos filósofos do diálogo, o Eu só pode existir como um ser determinado em relação ao Outro, quando este surgir no horizonte da minha existência, atribuindo-me sentido e estabelecendo o meu papel.”
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