terça-feira, 30 de junho de 2009

Os valores dos Portugueses

«(…) O inquérito Dez anos de Valores em Portugal, hoje apresentado no seminário A urgência de educar para os valores, na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, (…) “permite perceber o que é que mobiliza as pessoas e a partir daqui desenvolver um quadro de competências para a educação", explica Lourenço Xavier de Carvalho, investigador responsável pela análise dos dados.
Em 1999, o inquérito da Universidade Católica Portuguesa foi feito a 2975 pessoas, presencialmente; dez anos depois foi realizado por telefone e responderam 937 pessoas, dos 15 aos 65 ou mais anos de idade. Mais de metade dos inquiridos são do sexo feminino (57 por cento). O número de licenciados aumentou de dez para 26 por cento, ao passo que os com menos de quatro anos de escolaridade caíram de 13 para seis por cento.Se fosse há dez anos, para oito em cada dez pessoas fazia sentido morrer para salvar a vida de alguém. Hoje, apenas 46 por cento respondem que morreriam nessas circunstâncias. (…)»
Público: 30.Junho.2009.
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domingo, 28 de junho de 2009

Olhar a adolescência

Daniel Sampaio. "Os jovens e os valores". Público ("Pública"): 28.Junho.2009.
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sábado, 27 de junho de 2009

Sobre exames, que se está no tempo deles

Diário da Auto-Estima – 102
Exames I – Os exames nacionais dos Ensinos Básico e Secundário têm causado pouco impacto nos media, ainda que algumas opiniões tenham já saltado para a ribalta a falar da facilidade e do futuro enriquecimento dos dígitos positivos na estatística. O costume. Os resultados o dirão e, como é óbvio, servirão para cimentar opiniões, ainda que diversas. O resultado de um exame vale o que está estabelecido e é também fruto de condicionantes momentâneas. É sempre a consequência de um princípio social e politicamente aceite. Deve ser ponderada a interpretação do que ele significa quanto ao valor do trabalho de um ciclo ou de um ano de estudos. Nos exames, o momento ou a estrutura da prova também contam para quem tem que a resolver. E estes aspectos também têm o seu quê de convencional. Depois, virão os “rankings”, uma amostragem ou uma seriação que vale o que vale porque existem muitas condicionantes escondidas para que os resultados sejam aqueles, a começar pelos melhores… E choverão as pressões quanto às opções, deslizar-se-á sobre o porquê de serem estas escolas e não outras no princípio ou no fim… como se tudo fosse um jogo de sorte ou de azar apenas… E tudo acalmará logo que a época passe!
Exames II – Leccionei Língua Portuguesa de 9º ano. Sei como os meus alunos foram para o exame. Todos partilharam a noção de que os enunciados de exame eram mais fáceis do que os testes havidos ao longo do ano lectivo. Isto podia causar-lhes ilusões, que tentei desfazer. O exame de Língua Portuguesa de 9º ano respeitava o programa, mas aparecer uma pergunta pedindo para assinalar, de uma lista de 10 palavras, as 5 graves é, do meu ponto de vista, descer a fasquia e pôr perguntas ao nível das provas de aferição de 4º ano. Por outro lado, não haver sequer uma alínea que testasse as funções sintácticas ou os recursos expressivos é falta que me parece exagerada. Tudo isto pode parecer pormenor, eu sei. Mas não é, porque, mesmo num exame, deve haver reflexão sobre a língua e sobre a matéria leccionada. E os alunos de 9º ano já têm condições para fazer isso! Consequência: “Ó professor, o exame foi fácil, bué de fácil!” Não sei porquê, mas fica-me sempre a dúvida de tal facilidade. “Vamos ver! Oxalá as notas sejam boas, claro!”, respondo. Vamos ver, pois!
OBS: Esta crónica deveria ter saído no Correio de Setúbal de hoje.
Por razões de calendário e de prazos de entrega, não saiu.

Hoje

Dois anos passam sobre este blogue.
Espero que tenham sido com utilidade
para quem por aqui costuma parar...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Escola e partidos políticos: um bom desafio, na verdade! Sigam-no, por favor!

«1.A saga da maior manifestação de sempre que fora precedida dessa história interminável sobre a reforma do ensino foi interrompida por breves momentos por causa dos exames - eis o resumo do ano lectivo que agora finda. Chegados a Junho, finalmente falou-se de alunos, não porque tenham batido em professores ou sido espancados por colegas. E desta vez falou-se também de conteúdos e de testes sem nos estarmos a referir ao programa da Educação Sexual e aos testes à sida que o IPJ pretende efectuar nas escolas, com um voluntarismo que faz falta nas matemáticas.
O caso é tão raro que merece ser assinalado. E é assombroso o que se conclui desta espécie de movimento de rotação a que os exames obrigam as escolas. Por exemplo, na prova do 12.º Ano de Literatura Portuguesa existe um pequeno glossário que dá aos alunos significados para palavras que constam no texto. E, assim, para alunos de Literatura Portuguesa, com 17 ou mais anos, dão os seguintes significados: acabrunhado: desolado; calabouço: cela ou compartimento prisional num posto de polícia; logro: engano; se espojava: se rebolava no chão. Isto, que está ao nível do 4.º ano de escolaridade, infelizmente está longe de ser uma excepção.
Nestes exames, alguém anda a fazer batota e desta vez não são os alunos. O que se está a ensinar? É suposto que se exija cada vez menos? Para que serve o GAVE, o gabinete do Ministério da Educação que tem a seu cargo a realização destas provas?
O Ministério da Educação é uma gigantesca máquina de colocar e administrar pessoal. Os conteú-dos e as técnicas de ensino estão absolutamente relegados da discussão e daquilo em que se ocupam. Mas, tal como a Terra se movia, apesar de alguns serem obrigados a afirmar o contrário, também a escola existe para lá das lutas entre os funcionários da 5 de Outubro e os das escolas.
Parafraseando o glossário da prova, o que se avista é mais ou menos um logro. É urgente que, na próxima campanha eleitoral, os partidos deixem de fazer declarações de amor à escola e definam muito claramente o que pensam sobre os conteúdos, a credibilidade do sistema de avaliação dos alunos, se estão ou não dispostos a ponderar o cheque-ensino e claro que também o estatuto dos professores. Mas outro ano com os alunos a servirem de quorum para a conflitualidade entre o Ministério da Educação e os seus funcionários é que não.»
Helena Matos. "Palavras difíceis". Público: 25.Junho.2009 (destaques meus)

segunda-feira, 22 de junho de 2009

domingo, 21 de junho de 2009

Rostos (120)

Monumento à Liberdade, por Camarro (2003), em Pinhal Novo

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Que conversão à humildade!

O discurso da e sobre a humildade de José Sócrates é algo que corre o risco de se fazer equivaler a teatro. Imagine-se a distância que vai entre o “animal feroz” de há uns anos e a desadjectivada “humildade” de agora! No fundo, o que parece é que se está perante uma questão de “papéis”, sendo cada um assumido conforme as circunstâncias. Pode ser arranque de campanha, pode! Pode ser vertigem por causa dos resultados (havidos ou a haver), pode! Mas o que é mesmo é o atirar à cara dos portugueses a possibilidade de jogar com os sentimentos em função das conveniências eleitorais. Não, isto não pode ser verdade; se calhar, nunca foi verdade! Qualquer dia, teremos a regulamentação da “humildade” com força de lei ou de decreto, sem que a Humanidade fique melhor. E seria bem pouco interessante ver todo um coro de “humildes” convertidos (alguns políticos, alguns governantes, alguns opinadores e outros alguns, por certo) em construção de três meses para ganhar as eleições que se seguem. Já não faltaria tudo para a tragédia!... Mas seria um péssimo serviço para a memória acreditar-se em tudo isto como se fosse a maior das verdades! Há palavras que são superiores à habilidade que com elas possa ser feita!